Por Marlise Brenol, de Austin
Envolver a comunidade na produção de notícias é um dos grandes desafios para os veículos de comunicação. Experiências bem sucedidas no New York Times e no Washington Post e modelos alternativos da Noruega - o vg.no - e dos EUA - Patch Media - foram apresentadas no Simpósio Internacional de Jornalismo Online, em Austin, Texas, nesse domingo.

Modelo em apuração e reportagem desde o escândalo do Watergate, o Washington Post se destaca pelas recentes ações de interatividade. Amanda Zamora, editora de mídias sociais, contou no simpósio que o segredo é adotar uma estratégia de comunicação com o seu público. Ela recomenda provocar, ouvir respostas e dar retorno ao leitor para estabelecer engajamento.
Uma das experimentações que o Washington Post fez foi usar o Intersect, ferramenta que permite mesclar contas de jornalistas e leitores. Para Amanda essa é uma forma de transformar conversação social em narrativas.
Atualmente repórter do New York Times, Jennifer Preston falou sobre sua experiência de editora de mídias sociais, cargo extinto pelo jornal. Jennifer acredita que o Twitter é uma ferramenta válida para reportagem, cobertura em tempo real e curadoria de conteúdos.
Para Jennifer, os jornalistas têm a possibilidade de interagir com o público diretamente, como fez Nicholas Kristof no Facebook durante a cobertura dos conflitos no Oriente Médio. Outra experiência de engajamento foi chamada A Moment in Time , na qual as pessoas foram convidadas a tirar fotos de determinado momento, onde quer que estivessem.
Exemplo ainda mais pulsante foi apresentado por Espen Egil Hansen, editor-chefe do VG Multimedia. Ele foi enfático ao afirmar que na Redação do VG todo jornalista precisa dedicar parte do tempo para interatividade.
— Jornalistas devem dedicar pelo menos 10% do seu tempo para interagir com o seu público.
A missão do VG é conectar as pessoas umas às outras. Uma cobertura modelo foi do caso das cinzas do vulcão da Islândia que se espalharam e afetaram o espaço aéreo europeu. O site criou uma ferramenta para as pessoas se ajudarem mutuamente a chegar em suas casas. Em retribuição, leitores colaboraram com muitas fotos e histórias.
No tsunami do Japão, a equipe ficou conectada 78 horas com leitores e especialistas. Também fecharam uma parceria com uma TV japonesa para transmitir imagens ao vivo.
Para Hansen, o VG progrediu de um monólogo para um diálogo, mas ainda possui o desafio de atender o público nas mídias sociais.
Outro modelo de engajamento de sucesso mostrado no simpósio de Austin foi o Patch Media, um grupo dos EUA com 800 sites hiperlocais. Em 2010, a empresa contratou mais de mil jornalistas, uma virada para uma indústria em crise desde 2008. A fórmula do Patch é oferecer notícias locais, entretenimento na comunidade, guia de serviços e envolver os leitores como colaboradores do site.
Independente do nome ou da estratégia adotada, os veículos cada vez mais enxergam valor em engajar o usuário. Quanto mais o público se sentir parte integrante de um site, jornal ou cobertura, mais fiel e participativo ele será.