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Posts com a tag "Carta do Editor"

Segurança, o problema mais urgente

23 de janeiro de 2016 18

marta gleich

A reunião de planejamento da Olimpíada dos jornalistas e comunicadores do Grupo RBS estava para começar. Sala cheia, dezenas de colegas se cumprimentando, quando chega o Luciano Potter, colunista de ZH e comunicador da Atlântida e do Pretinho Básico, agitado:

- Acabei de ser assaltado no Centro. O cara me botou uma faca no pescoço. Levou meu celular.

Potter contou a história para dois ou três colegas. Começou a reunião. Todos sentaram e começaram a trabalhar. No dia seguinte, alguém comenta comigo no corredor da Redação: sabia que levaram o carro da Célia Ribeiro (colunista do Donna)?

Entro na minha sala e uma pessoa da família me manda um link de uma matéria da própria Zero Hora: fizeram um arrastão em uma pizzaria conhecida do nosso bairro.

E segue a vida. Ninguém se surpreende mais com um colega ameaçado com uma faca no pescoço, com uma senhora de 86 anos vítima de roubo à mão armada, com arrastão no restaurante da esquina. Nossos leitores estão nos dizendo todo dia: a criminalidade virou epidemia.

Você aí deve estar lendo isto e lembrando de vários casos em que um colega, um parente, um conhecido, um amigo ou você mesmo foi vítima. Pense em qualquer familiar. Tem alguém na sua família que ainda não passou por isso?

Já vínhamos intensificando o número e a profundidade das reportagens sobre segurança nos últimos tempos, refletindo a realidade das ruas e a demanda de nossos públicos. Mas agora vamos fazer mais. Na reunião de editores de quinta-feira, decidimos que Zero Hora não pode se anestesiar para esse assunto. Não é aceitável. Não podemos nos conformar. E não vamos nos conformar.

Resolvemos criar a série de reportagens Crise na Segurança, acompanhada de editoriais com a opinião do Grupo RBS, que estreia nesta segunda-feira. Convidamos as redações do Diário Gaúcho, da Rádio Gaúcha e da RBS TV para se unirem à causa.

Queremos dar as mãos ao público que nos lê, nos ouve, nos assiste, na busca de soluções, na prevenção e na cobrança do Estado. Queremos que você participe. Conte sua história, ou a de um familiar ou conhecido. Ela poderá inspirar alguma pauta do jornal, do rádio ou da televisão. Envie seu relato pelo e-mail seguranca@zerohora.com.br ou pelo Facebook de ZH: facebook.com/zerohora. As reportagens especiais sobre o assunto, que serão publicadas duas ou três vezes por semana, serão sempre identificadas com este antetítulo e esta programação gráfica:

Barras

Em qualquer pesquisa com a população, segurança grita como o problema mais urgente, o mais grave, o mais preocupante. É nosso papel, como porta-vozes do que acontece com os nossos leitores, ampliar ainda mais essa cobertura.

A opinião na RBS

09 de janeiro de 2016 1

Mercelo Rech

Parece contraditório, mas, numa era em que todos têm vozes que podem ser ouvidas pelo resto do mundo ao toque de uma tecla, nunca foram tão essenciais as opiniões emanadas a partir de empreendimentos jornalísticos profissionais. Sejam opiniões que espelham a posição da empresa, as de seus colunistas próprios ou colaboradores externos, a pluralidade, a densidade e a especialização serão cada vez mais portos seguros nos quais os leitores, ouvintes e telespectadores se reabastecerão de diferentes pontos de vista para moldarem suas próprias reflexões. Opiniões diversas e sólidas são pilares nos quais se erguem as pontes para um convívio democrático no qual, ao contrário dos círculos do inferno em que todos reproduzem um mesmo mantra, a sociedade avança rumo a um mínimo denominador comum baseado no respeito mútuo.

No universo opinativo do jornalismo, um aspecto que merece ser sempre ressaltado é que a RBS só expressa suas posições por meio de editoriais claramente identificados como tais. Todas as demais opiniões divulgadas em seus veículos representam o livre pensamento de colunistas e articulistas externos, além de comentários vindos diretamente do público. Este momento em que a RBS cria uma inédita Vice-Presidência Editorial, inspirada e delegada pelos acionistas do grupo, é, portanto, particularmente apropriado para reafirmar como se processa a opinião da empresa, devidamente regrada pelo Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística.

Algumas das características dos editoriais:

- São divulgados apenas em espaços próprios em jornais, TVs, rádios e meios digitais nitidamente caracterizados como tal ou como “Opinião RBS”. Em razão da crescente importância da opinião profissional, se veem textos com essa caracterização em diferentes meios e espaços, às vezes pouco depois de um acontecimento, a fim de se atender também ao ritmo da era digital.

- As opiniões contidas nos editoriais da RBS são construídas a partir de valores sedimentados ao longo da história da empresa, tais como a defesa da liberdade, da democracia, do Estado de direito, da livre-iniciativa e do empreendedorismo, o respeito às leis e a primazia da ética em todas as interações individuais e públicas. Novas abordagens, sempre com base nos valores, são regularmente avaliadas e atualizadas pelo Comitê Editorial da RBS.

Por fim, nunca é demasiado sublinhar que a RBS respeita e estimula que os colaboradores internos e externos manifestem suas opiniões com ampla liberdade, demarcada apenas pelos valores éticos e pela responsabilidade individual. A defesa intransigente da liberdade de expressão inclui as colunas que assino em ZH às quintas-feiras e a cada dois domingos, nas quais apresento minha visão pessoal e, como ocorre com todos os demais colunistas, não necessariamente a da empresa.

É por isso que, diferentemente deste espaço, seguirei assinando as colunas como “Jornalista do Grupo RBS”. E modestamente procurando, como todos os que atuam na empresa, a, conforme o propósito da RBS, contribuir com a pluralidade e a construção de uma sociedade melhor.

Confira a página de Opinião da Zero Hora

Novos produtos para assinantes

12 de dezembro de 2015 0

marta gleich

Hoje tenho uma mensagem importante para você, assinante de Zero Hora. Estamos com dois produtos novos que talvez você ainda não tenha acessado. Quem conheceu está adorando, e por isso queria contar as novidades para quem ainda não viu.

O primeiro é o Jornal Digital. Sabe a edição impressa (Zero Hora para folhear, reproduzindo a mesma experiência que você tem no papel) que publicamos para ser lida no computador, no tablet ou no celular? Agora ela foi incrementada com dezenas de vídeos, galerias de fotos, links para conteúdos extras e áudios. É uma edição totalmente interativa.>Ou seja: você vai folheando o jornal e, a cada página, há algo a mais para clicar e explorar. Quer conhecer? Faça assim:

- Se você tem um celular ou tablet da Apple, um iPhone ou iPad, baixe o aplicativo “ZH Jornal Digital” na App Store. Se você tem um celular ou tablet com sistema Android, baixe o aplicativo “ZH Jornal Digital” na Google Play. Todo dia, a partir das 4h, a edição matinal de Zero Hora estará disponível para download.

- Se você quer ler no computador, acesse zerohora.com e, no canto superior direito, clique em “Edição Impressa”. Se nesse momento você não estiver logado com seu usuário de assinante e senha, precisará se logar, ou criar um cadastro, caso seja assinante e nunca tenha feito esse processo.

O segundo produto é ZH Noite. De segunda a sexta-feira, sempre às 19h, uma segunda edição de ZH é publicada pela redação para ser lida no tablet, no smartphone ou no computador. Ou seja: os assinantes recebem duas edições, e não uma, de ZH por dia. São 20 edições a mais por mês! Essa edição traz um resumo de tudo o que aconteceu de importante no dia, dicas para o que fazer à noite, um texto exclusivo de um de nossos colunistas, cruzadinhas extras e, novamente, muitos vídeos, galerias de fotos e links para conteúdos extras.

Para acessar, o caminho é o mesmo do Jornal Digital que descrevi acima.

Quem tem acesso a esses dois novos produtos?
1) Assinantes do papel de segunda a domingo.
2) Assinantes digitais.
3) Assinantes que compraram modalidades mistas (alguns dias papel, mais digital).

Acesse. Tenho certeza de que você vai gostar dos novos produtos.

A transformação continua​

02 de maio de 2015 1

marta gleich

 

Nesta segunda-feira, ZH celebra, com seus leitores, 51 anos.

Há um ano, no cinquentenário, houve grandes mudanças no jornal. Lançamos uma nova edição dominical, com muito mais conteúdo, reportagens aprofundadas, entrevistas, novos colunistas e o novo caderno PrOA, que tem recebido grande aprovação do público. Também modificamos o site e os aplicativos. Criamos uma nova identidade visual e um novo logotipo, em todas as plataformas.

De lá para cá, Zero Hora segue inovando, se reinventando todo dia. A transformação continua para atender às demandas dos leitores. Somente em março e abril, lançamos dois novos cadernos, o Educa – voltado a vestibular, educação, Enem, carreira, desenvolvimento profissional – e o ATL Paper, com conteúdo da turma do Pretinho Básico da Rádio Atlântida, voltado ao público jovem.

Quero anunciar para você duas novidades deste fim de semana. A primeira é que o sucesso do caderno PrOA nos levou a lançar uma página no site de Zero Hora com o conteúdo desses 12 meses: as melhores reportagens, artigos, colunas. O site será atualizado toda semana, sempre com o melhor do PrOA. Para marcar o aniversário do caderno, preparamos um vídeo especial, com formadores de opinião que analisam a importância do debate, da cultura, da reflexão, que é exatamente o espírito desta marca.

capa do caderno proa
- É uma ótima notícia para o jornalismo constatarmos, na prática, com a boa acolhida que o PrOA teve desde as primeiras edições, que há muitos leitores interessados em textos longos, reflexivos, profundos, ao contrário do que sugere o senso comum. O vídeo que preparamos para comemorar o primeiro aniversário do caderno é exatamente sobre isso – diz a editora Cláudia Laitano, que comanda a equipe do caderno.

Na edição de seu primeiro aniversário, o PrOA fala de futuro. A reportagem desta edição, do jornalista Paulo Germano, mostra os usos da realidade virtual e do seu potencial para os próximos anos em diferentes áreas.

A segunda novidade do fim de semana é o lançamento de um site das reportagens diferenciadas. Lá  você encontra conteúdos multimídia produzidos pelo jornal, como a reportagem sobre a Venezuela publicada no domingo passado. O conteúdo sobre realidade virtual também já está lá, assim como assuntos educacionais, culturais, históricos. Não deixe de conferir, toda semana terá novidade.

capa de Zero Hora
No seu aniversário, Zero Hora se renova, para atender você, leitor, cada vez melhor. Em nome dos mais de 200 jornalistas e cem colunistas, agradeço por sua leitura em mais este ano e reforço nosso compromisso de fazer jornalismo de qualidade, com informação, investigação, serviço, diversão, reflexão, pluralismo e opinião, todos os dias.

Caçadores de histórias

08 de fevereiro de 2015 1

marta gleich

26 de janeiro, 17h30min. A repórter Lara Ely e o fotógrafo Bruno Alencastro correm três quilômetros numa trilha de mata fechada, no meio do barro, com pedras soltas, por subidas e descidas íngremes. O objetivo: serem os primeiros a alcançar, em Maquiné, algum lugar com sinal de internet para informar aos leitores que havia sido concluído o resgate dos corpos dos integrantes de um grupo de rapel atacado por abelhas.
Os dias seguintes seriam mais calmos, com uma reportagem sobre os caminhões e ônibus que vendem sorvetes, frutas, verduras e outras comilanças pelas praias – os precursores do movimento hoje conhecido como Food Truck –, outra sobre as santas do Litoral Norte, quando a equipe descobriu que o Rio Grande do Sul é o Estado com maior número de imagens à beira-mar, ou mais uma, sobre as golden tatoos, as tatuagens provisórias que são moda neste verão.

Bruno Alencastro
A baixa adrenalina durou pouco. No dia 31, cedinho pela manhã, Lara e Bruno pegaram a estrada até Palmares do Sul para uma aventura de 10 quilômetros e três horas de remada na Lagoa Bacopari, para alertar sobre a preservação das águas.
Dois dias depois, pela manhã, após conhecer o pessoal da Cia do Ar em terra firme, na BR-101 em Osório, a dupla subiu ao Morro da Borússia, de onde saltou de parapente para registrar imagens e impressões do Litoral visto de cima. O registro dos céus também foi feito de planador e helicóptero.

Bruno Alencastro
Para variar o cardápio de aventuras por terra, por água e por ar, a equipe foi, no dia seguinte, 3 de fevereiro, conversar com os donos da última casa na beira da praia de edifícios de Capão da Canoa. Recebidos com limonada, descobriram por que dona Isilda dos Santos resiste há duas décadas ao assédio de construtoras para a venda do milionário terreno.
Os dias seguintes seriam recheados com uma reportagem sobre o açaí gaúcho, publicada nesta edição, outra sobre um seminarista-surfista e um padre que celebra missas à beira-mar (publicada no sábado) e mais uma sobre as tartarugas e os animais marinhos recuperados pelo Ceclimar.
Lara e Bruno são uma das quatro duplas de jornalistas que se revezarão neste ano na sucursal de praia de Zero Hora. Há décadas, seguindo o movimento migratório dos gaúchos rumo ao Litoral, ZH envia seus correspondentes para a orla. Acompanhando bombeiros na tragédia de Maquiné, voando de parapente, remando num caiaque, ouvindo histórias de antigos veranistas ou provando o gosto do açaí da Mata Atlântica, esses caçadores de boas reportagens tentam contar, para quem vai à praia ou fica na cidade, as melhores histórias do litoral gaúcho.
Perdeu alguma reportagem da cobertura de praia? Clique aqui e leia outras reportagens

Dois anos depois

24 de janeiro de 2015 1

marta gleich
Nas semanas que se seguiram à maior tragédia do Rio Grande do Sul – a morte de 242 pessoas na boate Kiss –, os integrantes do Comitê Editorial do Grupo RBS firmaram um compromisso. A imensurável dor provocada pelas perdas daquelas vidas não deveria ser em vão e, no que dependesse dos jornalistas da empresa, não seria. No intuito de que algo assim jamais se repita, combinamos que as redações deveriam manter a Kiss na pauta, acompanhando e cobrando a apuração de responsabilidades, uma melhor legislação para casas noturnas e avanços na prevenção de incêndios. De lá para cá, dezenas, talvez centenas de vezes o assunto esteve em jornais, rádios e TVs da RBS.

Na edição deste domingo, 24 meses depois, Zero Hora traz um novo ângulo ao caso Kiss, invisível até agora para o grande público e igualmente grave: as novas vítimas da tragédia. A cada mês, são registrados de três a cinco novos casos de sobreviventes que, em maior ou menor grau, tiveram sua saúde abalada pelo acontecimento. As chamas da boate Kiss seguem, dois anos depois, alastrando-se e fazendo vítimas.

Os repórteres Juliana Bublitz e Humberto Trezzi, a fotógrafa Andréa Graiz e o assistente Marcelo Carôllo, num trabalho de formiguinha, procuraram 160 sobreviventes. Falaram com cem deles. Desses, 12 relataram sequelas graves que só apareceram recentemente. São homens e mulheres que estiveram no local, pensaram ter se livrado sem maiores problemas físicos ou psicológicos, mas que, de algum tempo para cá, adoeceram, com depressão, estresse pós-traumático, enfisemas, asma, rinite, sinusite.

– Participo da cobertura da tragédia na Kiss desde o primeiro dia, em 27 de janeiro de 2013. É sempre duro voltar a Santa Maria e reviver o drama de quem sobreviveu e de quem perdeu familiares no incêndio. Dessa vez, foi muito impactante saber que as sequelas continuam aparecendo, que as substâncias tóxicas liberadas com o fogo continuam fazendo vítimas. É um sofrimento sem fim – conta Juliana.

– Muita gente desligava ao me anunciar como jornalista. Outros marcavam entrevista e depois nunca mais atendiam ao telefone. Houve até quem simplesmente disse: “Me deixa em paz, por favor. Não posso ouvir falar desse assunto”. É muito dolorido o trauma das vítimas. Uma dor que teima em não desaparecer – relata Trezzi.

No papel, a reportagem editada por Lúcio Charão está nas páginas 14 a 21. A edição nas plataformas digitais, por FêCris Vasconcellos, gerou um site, com depoimentos em vídeo, que você não pode deixar de conferir em zhora.co/2anoskiss. Em outra parte da reportagem digital, ZH visitou sete casas noturnas de Porto Alegre, na companhia de engenheiros especializados em prevenção de incêndios. Todas estão dentro da lei, mas os profissionais identificaram falhas, de leves a graves, que, se resolvidas, poderiam dar ainda mais segurança aos frequentadores.

Infelizmente, não será a última reportagem sobre o assunto. O compromisso firmado no Comitê Editorial se renova, dois anos depois, porque é nosso dever não permitir que irresponsabilidades, omissões e negligências sejam esquecidas.

2014 na capa

27 de dezembro de 2014 1

carta

Uma forma de revisitar o ano que acaba é olhar por janelas que sempre estiveram abertas para você: em vídeo, relembre as principais coberturas de ZH.

Marcelo Rech: viagem ao califado do terror

06 de dezembro de 2014 0

 

rech-carta-do-editor

 

Em meio a tantas mensagens trocadas durante sua cobertura na fronteira com a Síria, o editor e colunista Luiz Antônio Araujo me enviou um e-mail com um parágrafo quase escondido:
– O terreno aqui é meio pantanoso, a cidade é grande e agitada, tem muito jornalista, carros da ONU na rua. Aeroporto a 50 quilômetros do centro. Houve tentativa de sequestro de jornalistas por criminosos comuns turcos há uns dois meses (supostamente para vender para o Isis). Não vingou, e não se falou mais disso.

Embutida em uma proverbial troca de mensagens, a vívida e despretensiosa descrição sinalizava que mais uma grande reportagem de Zero Hora estava em gestação. O caderno de 12 páginas “O Califado do Terror”, encartado na edição dominical, confirma o presságio de que um material histórico, daqueles de marcar época, estava a caminho pelas mãos talentosas e experientes de Luiz Araujo. Veterano da Guerra do Afeganistão e do levante egípcio, entre outras grandes coberturas internacionais, Araujo passou uma semana rodando pela fronteira da Turquia com a Síria com a missão de trazer aos leitores de ZH um retrato preciso sobre o delirante Estado Islâmico e como transcorre a vida cotidiana sob a tutela do mais sectário dos grupos radicais do já sobressaltado Oriente Médio.

Luiz Araujo em Suruç, na fronteira sírio-turca, em 14 de novembro. Ao fundo, a cidade de Kobani

Luiz Araujo em Suruç, na fronteira sírio-turca, em 14 de novembro. Ao fundo, a cidade de Kobani

A viagem de Araujo faz parte de uma filosofia perene de Zero Hora e do Grupo RBS: investir em um jornalismo diferenciado, profundo, que não se contenta em replicar versões difundidas por terceiros, mas que entrega em primeira mão ao seu público um olhar próprio sobre os grandes fatos do Brasil e de um mundo conectado, no qual assuntos aparentemente distantes têm impacto em todas as latitudes e longitudes.

Um dos maiores conhecedores da geopolítica e da cultura árabes na imprensa brasileira – a ponto de ser um aplicado estudante da língua –, Araujo emergiu de sua incursão à fronteira síria com uma extraordinária matéria-prima jornalística, realçada pelas imagens da gaúcha Alice Martins, fotógrafa freelancer na região, e pelo talento do editor Ticiano Osório e do designer Rafael Ocaña, que lapidaram textos e fotos em um caderno de alto impacto estético e editorial. A cobertura se expande em formato multimídia para os meios digitais, nos quais a editora Natália Leal liderou uma equipe que deu forma e vida a um material destinado a entrar para a história do jornalismo digital brasileiro.

Humor no jornalismo

18 de outubro de 2014 0

marta gleich

Na última semana, dois vídeos feitos com os candidatos a governador José Ivo Sartori e Tarso Genro alcançaram 678.657 visualizações – número apurado até sexta-feira, que segue aumentando. Um fenômeno. Os vídeos são um “aperto” nos dois políticos sobre questões sérias, misturadas com perguntas inesperadas – e até constrangedoras – e uma edição com muitas pitadas engraçadas.
Criado para a cobertura de eleições, o La Urna é uma experiência ousada. Como colocar humor em um assunto árduo e muitas vezes enfadonho como a política? Como fazer piada com candidatos sem passar do tom? O público, pela audiência importante que esses vídeos têm conquistado (os 25 episódios do La Urna somam 1.276.262 visualizações), nos diz que estamos mais acertando do que errando.
Coordenado por Paulo Germano, apresentado também por Gustavo Foster, Marcos Piangers, Arthur Gubert e Marina Ciconet, dirigido por Anderson Fetter e editado por Marcelo Carôllo e Luan Ott, o La Urna comprova algo que se discute em congressos de comunicação mundo afora: o humor no jornalismo é uma tendência, herdada de redes sociais e outros meios digitais. A internet tem humor. A comunicação digital das pessoas tem humor. E o espírito transbordou para o jornalismo.
Os mais conservadores dirão que não é jornalismo. Há controvérsias. Tornar mais agradável e palatável um assunto árduo não é levar informação ao público? Ao questionar de forma mais aguda, irreverente e até desconfortável um candidato, não se acaba extraindo dele aspectos relevantes que ajudam a revelar quem ele realmente é, qual a sua personalidade, ou, até, como reage à pressão, no improviso?
Além dos postulantes ao governo gaúcho, o La Urna sabatinou em vídeo candidatos a deputado. A entrevista com Jardel, uma das campeãs de audiência, foi assistida mais de 500 mil vezes. Em alguns casos, tanto nas entrevistas quanto nas reportagens bem-humoradas, o eleitor pôde conhecer melhor seu candidato. Em outros, pelo menos deu algumas risadas. O que também é necessário. Mas muitas vezes, o La Urna, de forma absolutamente inesperada, fez aquela pergunta que o público quer fazer – e que nenhum jornalista até então teve coragem de questionar. O jornalismo é muito previsível? Os formatos são muito previsíveis?
Internet e redes sociais são um termômetro ótimo para medir a reação do público. Tem gente que adora, tem gente que detesta, tem gente que diz que não deveríamos fazer isso (especialmente quando se trata do seu querido candidato), tem quem diga que devemos fazer mais. Sabemos que o desafio da irreverência é achar o tom adequado, o que significa muitas vezes ir no limite, sem cruzar a linha que separa o respeito do desrespeito. Seja com os candidatos, seja com o público.
Não nos pautamos somente pelo volume de audiência.
Como costumamos dizer na Redação, se esse fosse o único critério de decisão, vídeos engraçados de gatinhos estariam
todo dia na capa do site de Zero Hora. Mas acreditamos que, sim, experimentação de formatos diferentes e uso de humor até em coisas sérias, especialmente nos produtos digitais, passaram a fazer parte da rotina de jornalistas e do público.

Marta Gleich: agradecimento aos leitores

27 de setembro de 2014 1

marta gleich

Quase cinco meses depois de termos transformado a edição dominical de Zero Hora, escrevo para agradecer a você, leitor, protagonista maior desta mudança. Explico. No início deste ano, constatamos que a dominical dava algum sinal de cansaço: o sintoma era uma pequena queda nas vendas em banca e nos jornaleiros, em relação ao ano anterior. Resolvemos ouvir o leitor e o ex-leitor: aquele que tinha deixado de consumir a edição de domingo. Desta pesquisa, saíram vários recados vindos do público: a dominical deveria ser mais densa. Com assuntos variados. Num equilíbrio maior entre temas leves e pesados. Uma entrevista de fôlego. Um produto diferente dos dias de semana, já que no domingo há mais tempo para leitura. Reportagens maiores? Sim, senhora! Donna é importante? Sim, senhor! Foram muitos os pedidos.

Tentamos fazer o tema de casa e atender a seus anseios. Desde o dia 4 de maio, está nas ruas uma nova edição de domingo. Lançamos o caderno PrOA, que traz novos colunistas e conteúdo denso, debates, ideias, cultura. Reforçamos as reportagens de fôlego (como duas especiais que temos na edição dominical: a chocante história da vida do menino Bernardo, contada pela repórter Adriana Irion, e o total descontrole da “praga dos javalis” no interior gaúcho, revelada pelos jornalistas Nilson Mariano e Carlos Macedo). Passamos a publicar sempre uma entrevista especial (hoje, a uma semana da eleição, Carolina Bahia e Guilherme Mazui entrevistam o presidente do TSE, Dias Toffoli). Donna ganhou ainda mais relevância (já espiou a edição de 76 páginas especial de primavera? Está um luxo!). Uma editoria de Esporte mais caprichada.

E o resultado veio, não só em e-mails com elogios que temos recebido todo fim de semana de generosos e queridos leitores, mas também pelo termômetro das bancas. Carlos Kruger, nosso gerente de Venda Avulsa, me conta que estamos com um excelente desempenho na dominical.

Queria contar essa história a vocês, agradecer a cada um dos leitores e convidá-los a seguir avaliando o jornal. Não está gostando de algo? Escreva para mim, no meu e-mail. Na última semana, o presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, recebeu uma entrega surpresa: uma gaiola dourada que simboliza a indicação ao Caboré, o mais prestigiado prêmio da indústria da comunicação do país, realizado pelo grupo Meio&Mensagem. Zero Hora está concorrendo ao Caboré 2014, na categoria Veículo de Comunicação – Produtor de Conteúdo.

No ano de seu cinquentenário, e depois de passar por uma transformação profunda, que mudou do logotipo aos conteúdos da versão impressa, do site aos aplicativos, o jornal não poderia receber reconhecimento maior. ZH concorrerá nesta categoria com outros dois veículos e o resultado sai no dia 3 de dezembro. Comemoramos muito por aqui. E renovamos nosso compromisso com a produção de jornalismo de qualidade.