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Um naco do futuro

29 de novembro de 2014 7

marta gleich

Todo mundo aí sabe o que é um TED? É um formato de palestra curta para disseminar ideias. A origem, em 1990, é no Vale do Silício, e os primeiros temas eram Tecnologia, Entretenimento e Design (daí a sigla). Depois, mais assuntos foram entrando nos TEDs, que se espalharam pelo mundo. Disponíveis na internet, são uma usina de inovação e cultura.

Na Redação de Zero Hora, fazemos um TED a cada uma ou duas semanas, para chacoalhar os neurônios. Todo mundo para o que está fazendo por 15 a 30 minutos e assiste a um colega ou a uma pessoa de fora que vem compartilhar ideias ou novidades.

Há poucos dias, Marcos Piangers, colunista de ZH e comunicador da Atlântida, falou sobre tendências de jornalismo e comunicação do SXSW, festival de cinema, música e tecnologia que se realiza no Texas todo ano. Na semana que passou, a colega Ana Cecília Nunes, analista de produto digital, contou o que viu na Schibsted, empresa de comunicação da Escandinávia conhecida por ser uma das mais avançadas no mundo digital, e em dois congressos dos Estados Unidos: Computation + Journalism, na Universidade de Columbia, e Design Driven Innovation, no Mobile Lab do MIT.

Por 30 minutos, a Redação saboreou um naco do futuro, uma fatia do que se viverá em pouco tempo, não só no mundo
da comunicação. No final da conversa, estávamos ao redor de um brinquedo genial: parecido com um Lego, chama-se LittleBits.

Se montadas, as pecinhas eletrônicas, unidas magneticamente, criam diferentes coisas, de uma simples lanterna a um sintetizador de música, de uma campainha para casa a algo parecido com um braço de uma estação espacial (os kits começam com preços ao redor de US$ 100 no Exterior).

foto

E o que nos contou a curiosa Ana Cecília (foto acima)? Na Noruega, por exemplo, apenas 5% das transações monetárias são feitas em papel moeda. O resto é com celular e cartão de crédito. Os noruegueses dizem que serão a primeira cashless society, uma sociedade sem dinheiro. Um dia isso vai chegar aqui.

Para quem apregoa que jornais vão morrer, vai aí uma notícia (eu gostei muito, mas sou suspeita!): na Noruega, um país dos mais desenvolvidos, ler jornais é regra, em todas as classes sociais e idades. Poucos não leem jornais impressos ou digitais.
Por fim, Ana mostrou outro negócio genial: a Nixie, uma pulseira com câmera de vídeo embutida. Se você a tira do pulso e a “liberta”, ela o segue, como um cachorrinho, só que voando! E filma o que você faz. Uma montanhista numa subida radical, de repente, “liberta” a nixie – que filma, de longe, a escalada.

Uma dupla de amigas que faz uma “selfie” em vídeo: a câmera se afasta e filma o parque todo. Um rapaz fazendo slackline, para ficar com as mãos livres e ao mesmo tempo se filmar, libera a câmera, que paira sobre ele e grava a performance. É difícil explicar, de tão maluco. A câmera-relógio juntou as melhores características dos wearables, das selfies e dos drones. Acesse flynixie.com e dê uma olhada.

Eu queria uma dessas embaixo da árvore de Natal.

Os próximos debates

25 de outubro de 2014 3

marta gleich

 

Ninguém tem bola de cristal para cravar como serão as capas dos jornais brasileiros nesta segunda-feira, com o resultado das eleições presidenciais e das eleições estaduais onde há segundo turno. Ainda mais depois de alguns erros dos institutos de pesquisa registrados no primeiro turno. Mas uma coisa é certa: tanto no Brasil, quanto no Rio Grande do Sul, haverá, nas próximas semanas, muitas reportagens, análises e opiniões sobre o que fazer com um país bastante dividido em relação à escolha de seu presidente e, para nós, gaúchos, em relação à escolha de seu governador. Ainda mais em cenários de desafios como a volta do crescimento da economia no Brasil ou a impagável dívida estadual, dois atoleiros gigantescos. Esses assuntos estarão nos próximos debates.

Conversando com editores de outras redações de jornais brasileiros na última semana, o que mais ouvi foi “não vejo a hora de terminar esta eleição” e “há muito tempo não via uma eleição assim, tão estressante”. A sensação dos jornalistas não é diferente do sentimento dos demais cidadãos.

Esta foi uma eleição desgastante, pela crescente intolerância com a opinião do outro em redes sociais, pelo fim de amizades antigas só porque “ele não vota no mesmo em quem eu voto”, pelo baixo nível dos ataques entre os candidatos, por uma propaganda que muda de rumo não pela convicção do político, mas pela determinação dos marqueteiros, pelos acontecimentos absolutamente inesperados – o maior deles a morte de Eduardo Campos e a ascensão e queda de Marina. Ou, aqui no Estado, a ascensão e queda de Ana Amélia e o favoritismo de Tarso sendo ultrapassado por Sartori nas pesquisas. Como reconstruir pontes detonadas por intolerância, por não aceitar o contraditório, pela violência das relações pessoais? Como recuperar-se do desgaste e do cansaço desta eleição? Outro debate daqui por diante.

Em Zero Hora, desde o final da década de 90, temos o firme propósito de cobrir eleições sob o ponto de vista do eleitor: como as propostas dos candidatos impactarão a vida real das comunidades. Ao longo desta eleição, dedicamos, de novo, páginas e páginas a isso. Infelizmente, nem sempre foram as reportagens de maior repercussão. Muito menos nas redes sociais. Mas bastava um acusar o outro na propaganda política ou no debate, para que crescesse o interesse e o compartilhamento nas redes.

Passadas as eleições, não pretendemos arredar pé do nosso propósito. Como jornalistas, acreditamos que a nossa missão, nosso “programa de governo”, depois deste fim de semana, será seguir oferecendo espaço para o debate, não mais das propostas de candidatos, mas da busca de saídas para o Estado e para o Brasil. Nosso compromisso é com quem nos lê, com o cidadão, com o entorno onde atuamos. O leitor, acredito, espera agora de seu jornal um debate plural e de alto nível para que sua vida e a vida de sua comunidade melhorem.

Carta da Editora: Igreja e Estado

26 de julho de 2014 0

marta
Quando entra na faculdade de Jornalismo, uma das primeiras máximas que um estudante ouve é “separe Igreja e Estado” ao exercer a profissão. O significado é: conteúdo jornalístico é uma coisa, publicidade é outra. Na última semana, a equipe que produz o site de ZH recebeu questionamentos de leitores. Uma reportagem sobre um condomínio sustentável na zona sul do Estado, publicada somente no online, era “matéria paga”, propaganda do lançamento disfarçada de notícia ou conteúdo feito pela Redação? Os editores explicaram ao público que, devido ao ineditismo do empreendimento – deve receber uma certificação internacional em sustentabilidade –, o assunto virou pauta. E publicaram uma nota adicional para explicar isso.

O assunto volta e meia surge: existe matéria editorial paga em ZH? A resposta é não. Toda vez que uma publicidade pode confundir o leitor, no sentido de ele não saber se aquilo foi produzido ou não pela Redação, colocamos junto ao anúncio “INFORME PUBLICITÁRIO”, “INFORME COMERCIAL” ou, ainda, “CONTEÚDO PUBLICITÁRIO PRODUZIDO PELO ANUNCIANTE TAL”. O princípio é: não enganar o público.

– Em editoriais de moda – explica Mariana Kalil, editora do Donna – acontece muito de lojistas acharem que as grifes participantes pagam para estar nas fotos. Sempre explicamos que é uma decisão editorial. Donna faz uma curadoria, seleciona as peças que representam a tendência retratada na reportagem.

Leia outras Cartas da Editora

Já Fernanda Pandolfi, da coluna Rede Social, diz que é comum leitores ligarem querendo pagar para colocar as fotos de casamentos, formaturas ou outros tipos de evento. Ela explica que não há cobrança para conteúdo editorial.

– Avaliamos cada caso e, se julgarmos que o evento é de interesse dos leitores, enviamos nosso próprio fotógrafo ou, em algumas exceções, o anfitrião nos manda as imagens. Mas é sempre delicado quando temos de explicar às pessoas que o seu evento não será publicado – diz a colunista.

No Vida, profissionais às vezes ligam para perguntar “quanto custa uma reportagem” para apresentar seus serviços. Neste caderno, como em toda a Zero Hora, as fontes, os entrevistados, são uma escolha do editor ou do repórter. Se um médico aparece numa reportagem do Vida, ou um arquiteto no Casa&Cia, ou um restaurante no Gastrô, pode ter certeza de que não pagaram para isso.

ZH tenta deixar muito claro ao leitor o que é Igreja e o que é Estado. A credibilidade do jornal também se baseia nesta segurança dada a quem está lendo o site ou a edição impressa.

Arqueologia da dívida pública

10 de agosto de 2013 0

cartadamarta

Só de olhar para o nome da coisa, dá arrepios: dívida pública. Ou porque é um tema chato, ou porque é difícil de entender, ou porque, no imaginário da população gaúcha, é algo gigantesco, insondável e, pior, insolúvel.

O tamanho da bronca não assustou Juliana Bublitz, jornalista de 34 anos e doutora em História Social. Durante os últimos 40 dias, ela entrevistou 31 pessoas, desde técnicos do Tesouro do Estado com anos de experiência até ex-governadores, ex-secretários da Fazenda e outros personagens importantes do passado e do presente do Palácio Piratini. Sua mesa virou um amontoado de tabelas, contas, relatórios da dívida, livros e artigos.

Com paciência e entusiasmo, Juliana refez o caminho de mais de 40 anos da bola de neve da dívida e a transformou em algo compreensível e palatável, numa reportagem publicada na edição de amanhã e num vídeo muito didático, com recursos gráficos que tornam –  juro –, uma barbada entender como, afinal, chegamos a esta dívida de R$ 47,1 bilhões, que, somada aos precatórios, representa o dobro da receita do Estado.

– Estamos reconstituindo um capítulo importantíssimo da história contemporânea gaúcha, fundamental para repensarmos, inclusive, o futuro do Estado. Falar da dívida é importante porque, mais do que um conceito abstrato, esse rombo histórico afeta diretamente a vida de cada um de nós, embora muitos nem imaginem. Se não fosse esse descontrole de anos, hoje o Estado teria mais condições de investir em estradas, saúde, educação, melhorando a qualidade dos serviços prestados à população. A dívida virou um dos freios que impedem o desenvolvimento do RS – diz a jornalista.

ZH vem acompanhando a evolução do problema ao longo dos últimos 40 anos. Mas é a primeira vez que apresenta uma reportagem tão completa sobre o assunto. Para fazê-la, Juliana procurou personagens-chave desta história, como José Hipólito Machado de Campos, hoje com 79 anos, secretário da Fazenda do governo Triches. “Sabe onde o encontrei?”, pergunta a repórter. “No meio de um rebanho de gado, em sua propriedade em Caçapava do Sul.” Outro encontro com uma peça-chave para entender a dívida foi com o atual secretário da Fazenda, Odir Tonollier, e sua equipe de técnicos.

No café do Plaza São Rafael, Juliana conversou com a ex-governadora Yeda Crusius. Cézar Busatto, secretário do governo Britto, emprestou à  jornalista uma pasta com documentos originais, alguns deles assinados pelo então ministro Pedro Malan. Orion Cabral, secretário da gestão Collares, Paulo Michelucchi (governo Rigotto) e o ex-governador Jair Soares abriram as portas de suas casas para a jornalista. Aliás, sobre Jair, saiba o que uma gravata italiana dele tem a ver com a rolagem da dívida em 1985. Não vou contar. Confira a reportagem e descubra como Juliana conseguiu transformar este assunto tão relevante, mas tão insondável, numa reportagem que você vai gostar de ler.

Complexo, desafiador, emocionante

27 de julho de 2013 2

 

 

 

Um artifício eficiente para se montar a pauta de uma reportagem é imaginar: o que o leitor gostaria de saber sobre isso. A cobertura do incêndio e das consequências do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, na madrugada de 27 de janeiro, é uma dessas pautas em que funciona bem usar este artifício. Afinal, desde que a fumaça tomou conta daquele prédio levando 242 pessoas à morte, não faltam questionamentos sobre a tragédia.

Quais os responsáveis? Que punições devem receber? Houve negligência na fiscalização do local por bombeiros e/ou prefeitura? A ação dos bombeiros no combate ao incêndio evitou ou produziu mais mortes? A confusão entre servidores da prefeitura – uns assinando documentos que recomendavam medidas punitivas à boate, outros chancelando o seu funcionamento – pesou para que o fato acontecesse? Haverá justiça ou pizza? Que lições a sociedade tira? Como a cidade dará a volta por cima? E como as famílias podem reagir diante de tamanha dor?

A lista de perguntas e inquietações tomaria mais do que esta página. E a facilidade em tratar desta pauta termina aqui. Responder aos questionamentos para um fato desta grandeza e desta gravidade, lidar com algo que não tem precedentes, mergulhar no emaranhado de leis confusas e contraditórias, tirar pessoas e instituições de posturas defensivas e muitas vezes corporativistas, respeitar a dor e a privacidade sem deixar de mostrar a dimensão da tragédia, levar em conta o tecnicismo de algumas decisões sem deixar de temperar o noticiário com a revolta e a indignação dos que veem sinais de impunidade no ar. Estes são uns poucos itens de outra lista: a da complexidade da cobertura jornalística do Caso Kiss.

Desde 27 de janeiro, Zero Hora mergulhou nesta cobertura – definida por alguns dos mais experientes colegas desta redação como a mais desafiadora da história do jornal. Em uma das muitas discussões internas que temos feito sobre nosso trabalho, alguém disse: “Esta não é uma pauta que escolhemos, é uma pauta que nos escolheu e que devemos levar até o fim”. E assim estamos fazendo.

Neste final de semana, avançamos mais alguns passos. Mostramos uma pesquisa de opinião que traduziu o sentimentos dos santa-marienses seis meses após a tragédia. Luto, indignação (pelo ambiente de impunidade e pela paralisia das autoridades) e disposição para recuperar a cidade do trauma sintetizam estes sentimento. Esquadrinhamos as investigações sobre as 34 pessoas que, em algum momento, foram apontadas como possíveis responsáveis. Nesta edição, além de contar a história e a lição de vida da sobrevivente Kelen Giovana, trazemos uma análise das condições de segurança de 43 casas noturnas gaúchas, uma reportagem de fôlego que rende alentos e alertas sobre situações de insegurança que perduram.

Impressa em centenas de páginas nos últimos 181 dias, a cobertura traz o ingrediente adicional de emocionar cada um de nós, jornalistas. Emoção em doses muito maiores do que qualquer outra pauta pode produzir. Não há como não se impactar pelo drama em série de quem sepultou os filhos, pela vontade de viver de quem luta contra queimaduras e mutilações, pela força de quem transforma perda em solidariedade. E não há como não querer fazer mais e mais jornalismo para chegar às respostas capazes de permitir que a justiça vença, a cidade reaja, a tragédia não se repita e as famílias encontrem a paz.


“Buscar respostas no Caso Kiss é um dos maiores desafios que ZH já enfrentou”

 

Planeta Ciência em caderno, site e redes sociais

13 de julho de 2013 0



A partir desta segunda-feira, os leitores de Zero Hora ganham um novo conteúdo: o caderno mensal Planeta Ciência. Um espaço dedicado à ciência e tecnologia, da pesquisa mais pura às novidades curiosas e inusitadas. Com circulação sempre na segunda semana de cada mês e patrocínio da PUCRS, o caderno é complementado com um site (www.zerohora.com/planetaciencia), podendo, também, ser acompanhado pelo facebook.com/p.ciencia e pelo
Twitter @p_ciencia.
Editado pelo jornalista Fernando Corrêa, 27 anos, o Planeta Ciência é um canal de divulgação científica com linguagem acessível e muitos gráficos e ilustrações que favorecem a informação e a experiência imersiva do leitor. Um exemplo disso é o infográfico de lançamento do site, em que se apresenta, utilizando recursos inovadores de webdesign, mundos habitáveis dentro e fora do nosso sistema solar. Confira em zhora.co/exoinfo.


Fernando Corrêa edita o Planeta Ciência


No papel também lança-se mão de gráficos e imagens para revelar o mundo fascinante da ciência. A reportagem de capa desta segunda-feira destaca duas fontes de gás natural que vêm sacudindo o cenário energético: o gás de
folhelho e o hidrato de metano. As oito páginas do caderno trazem, ainda, uma pesquisa americana que associa o aprendizado da fala em humanos e o canto dos pássaros além de reportagens sobre o uso de simuladores para a diversão e para a medicina. A essa mistura, somam-se textos mais curtos que revelam aspectos pitorescos do nosso cotidiano pelo viés da ciência.


O assunto agora é saúde

Em 11 edições, Zero Hora dedicou 12 páginas ao transporte público, especialmente na série Repórter no Ônibus, que testou a segurança, a lotação e a infraestrutura de linhas da Região Metropolitana. O trabalho culmina na reportagem “Marcha a ré no ônibus”, que aborda as razões da deficiência do transporte público. Confira nas páginas 28 e 29 da Zero Hora deste domingo.
A partir da edição de amanhã, nas páginas 4, 5 e 6,  o foco será centrado em outra das reivindicações que brotam das manifestações de rua que sacodem o Brasil: a saúde, investigada por vários ângulos. Com o avanço da renda do brasileiro na última década, quase 16 milhões de pessoas deixaram de depender do Sistema Único de Saúde e passaram a contar com um plano de saúde. Mas isso não é garantia de atendimento rápido e de qualidade, como constatam os repórteres Cleidi Pereira, Humberto Trezzi e Caio Cigana, que assinam a série de reportagens. O número de clientes das operadoras aumentou quase 45%, mas a estrutura e a oferta de médicos não cresceram na mesma medida. Outro ponto das reportagens será a polêmica da importação de profissionais de países como Cuba, a obrigação de jovens médicos concursados de trabalharem no Interior e o valor dos salários. Neste extenso raio X da saúde, nossos repórteres também contarão como é o dia a dia nas emergências dos principais hospitais públicos e privados do Rio Grande do Sul. Acompanharão o calvário a que são submetidos pacientes do Interior que buscam atendimento na Capital – a velha ambulancioterapia, hoje convertida em “onibusterapia” por algumas prefeituras. Retratarão, ainda, a demora entre a marcação e a realização de exames pelo SUS.
Ao abordar transporte público e saúde, Zero Hora abre espaço para temas relevantes para seu público, não só aprofundando o debate, mas, principalmente, buscando soluções.

#COMOFAZ - Um novo país

29 de junho de 2013 0



Como será o Brasil pós-manifestações? O que está sendo pedido? O que é possível atender e como?

Desde terça-feira, para tentar responder a essas perguntas, Zero Hora vem publicando a série #COMOFAZ. Inspirada nos cartazes levantados nos protestos, reportagens em profundidade abordam os temas mais frequentes, ouvindo especialistas.

Já foram publicados os temas redução das tarifas de transporte público, melhores escolas, convocação de uma Constituinte, PEC 37, combate à corrupção, saúde de qualidade, reforma política, melhorias no Interior, Copa do Mundo.

Uma das missões de um jornal é justamente abrir suas páginas para o debate de soluções para problemas da comunidade.

Neste momento em que o Brasil clama por mudanças, Zero Hora se propõe, além de cobrir os fatos do dia – as passeatas, a reação do Executivo e do Legislativo etc. –, a espelhar as reivindicações das ruas e discutir, com fontes especializadas nos assuntos, como viabilizar as mudanças.

Na edição deste domingo, será publicado na  página 12, um resumo da série. Você também encontra a íntegra das reportagens no site zhora.co/comofaz2706


Você já espiou a nova ZH TV? Desde o final de semana passado, Zero Hora organizou seus conteúdos multimídia em um novo canal. Ali, o usuário encontra histórias do cotidiano, entrevistas, notícias, comentários dos colunistas. Há desde vídeos-minuto, com notícias curtas, até webdocumentários, além de uma programação semanal que inclui Pós-jogo ZH, com Luiz Zini Pires, na segunda-feira; Papo de Economia, com Bela Hammes, na terça; Conversa de Elevador, com Tulio Milman, na quarta; No Mundo das Lutas, com Caju Freitas, e 1 Minuto pro Fíndi, com os jornalistas do Segundo Caderno, na quinta; Receita Gastrô, com Bete Duarte, na sexta, e zh.doc, uma videorreportagem completa com análise de um dos principais assuntos da semana, no sábado, apresentado pela editora Marlise Brenol.

Confira em www.zerohora.tv


***

A leitora Solange Giacomini enviou um e-mail criticando a forma como utilizei seu nome e sua pergunta na semana passada. Para os leitores entenderem, baseei a carta numa pergunta que ela fez ao colunista Tulio Milman (“Alguém deste jornal poderia me explicar por que o povo pode se manifestar em todas as ruas, só na Ipiranga que não?”) e na resposta do jornalista, dizendo que não há nada contra manifestações pacíficas em frente ao jornal, mas que havia informações de grupos que queriam invadir e incendiar o prédio de Zero Hora, onde trabalham centenas de pessoas.

A pedido de Solange, publico aqui sua mensagem: “Por um lado, fico muito feliz de que um e-mail, com uma simples pergunta, tenha inspirado uma jornalista a escrever uma carta. Por outro, fico triste ao ver que te apropriaste de um e-mail particularmente enviado ao Tulio, deturpando-o e manipulando-o (isto é o que eu considero vandalismo da palavra) para colocar as tuas ideias. Talvez seja por este tipo de jornalismo que o jornal seja um alvo dos manifestantes. A forma com que abordaste o assunto faz crer que aprovo vandalismos e o silêncio da imprensa. Se, porém, tivesses lido, ou se ele tivesse te mostrado minha resposta ao e-mail dele, verias que sou totalmente contra qualquer tipo de vandalismo ou violência contra ninguém e, neste ninguém, inclui-se a imprensa, pois vocês não são diferentes e somos todos iguais. A pergunta foi simples e não citava nem jornalistas nem a RBS. Lamentável que tenhas tomado para si o que era público, já que na Avenida Ipiranga existem milhares de pessoas além dos funcionários da RBS.”

Durante a semana, eu e Solange trocamos vários e-mails. Respeito sua visão. De forma alguma quis me apropriar de uma correspondência particular. Como diretora de Redação, não podia deixar de assumir a responsabilidade de responder, a ela e a outros leitores, à pergunta “alguém deste jornal poderia me explicar…”. Por isso resolvi transformar a questão em esclarecimento público. Mais uma vez quero agradecer a Solange pelo debate construtivo que tivemos durante a semana e pela oportunidade de apresentá-lo aos nossos leitores.

Os sorrisos de Maria Eduarda e Ana Helena

15 de junho de 2013 0


Sentada em um pufe vermelho, Maria Eduarda Telles de Lacerda, sete anos, aguardava ansiosíssima, na terça-feira, a chegada do Bicho-Papão ao estúdio do Jornal do Almoço, onde seria lançada a segunda fase da campanha A Educação Precisa de Respostas. A avó, que a acompanhava, já conhecia os monstros, da campanha do Grupo RBS de 10 anos atrás, e sabia que eles só dão calafrios em quem não quer o bem de crianças e adolescentes. Mas a menina ainda não sabia. “Será que eu vou ter medo?”, dizia ela, deixando apreensiva sua acompanhante. E se Maria Eduarda, ao vivo, reagisse mal ao monstro? Quando o Bicho-Papão, o estereótipo dos pesadelos infantis, entrou no estúdio em toda a sua maciez de pelúcia e se aproximou das crianças, a menina abriu um sorrisão, para tranquilidade da avó. Ufa.

Maria Eduarda, no lançamento da campanha, e Ana Helena,
vendo o comercial em casa: sem medo dos Monstrinhos

Poucos dias depois, Carla Franskowiak, mãe de Ana Helena, dois anos, colocava no Facebook a foto da filha curtindo o filme dos Monstrinhos na TV.

– Até os DVDs infantis perdem espaço para o comercial dos Monstrinhos, que é visto dezenas de vezes no YouTube – conta Carla. – Quando a campanha foi lançada no Jornal do Almoço, ela ficou encantada querendo saber quem eram. Expliquei que os monstrinhos eram nossos amigos e que eles educavam seus filhinhos assim como “a Mami e o Papi’’ ensinam as cores e os números para ela. Agora, Ana Helena brinca de escolinha com as bonecas e
faz de conta que é uma monstrinha. Para tudo que está fazendo, só pra assistir ao comercial e já criou até uma dancinha quando aparece a Mula Sem Cabeça!

Os mascotes ganharam a gurizada.

– Os cinco monstrinhos e seus filhotes voltaram para ajudar nessa mobilização, um convite à sociedade para colocar a educação em pauta. Os monstros vão apadrinhar diferentes temas relacionados à educação. Entre eles, o
papel do professor, o espaço da escola, a importância de ter todas as crianças e jovens de quatro a 17 anos frequentando a escola – comenta Ângela Ravazzolo, editora de Educação do Grupo RBS.

 

Ângela Ravazzolo, editora de Educação
do Grupo RBS, convida a sociedade a
colocar a educação em pauta


Há 21 anos em Zero Hora, Ângela, formada em Jornalismo e com licenciatura e doutorado em História pela UFRGS, foi alçada a editora de Educação em janeiro de 2011 justamente para garantir a qualidade das reportagens
sobre o tema neste importante momento da campanha. É dela o papel de orientar a linha editorial dos conteúdos e de fazer análises que auxiliem o público a entender os enormes desafios da educação brasileira.

Somente na primeira fase da campanha, foram 1,1 mil reportagens veiculadas em três meses: 454 páginas em jornais, 138 reportagens em rádios e, nas TVs, 90 notícias estaduais e 486, locais, sem falar nos eventos em escolas que
mobilizaram mais de 6,6 mil alunos e professores e 350 voluntários.

A campanha, nesta segunda fase, provoca o debate e mobiliza a sociedade para a qualificação da Educação Básica no Brasil, especialmente no RS e em SC. Além de todo o conteúdo editorial e dos espaços publicitários, promove o
Prêmio RBS de Educação, que tem como tema a mediação de leitura e vai premiar professores e projetos comunitários  que desenvolvam práticas criativas e interessantes de apoio à leitura.

Como principal jornal do Grupo RBS, Zero Hora está especialmente empenhada no assunto. A missão do jornal também está em multiplicar os bons exemplos e motivar o debate sobre o assunto, para que Maria Eduarda,
Ana Helena e todas as crianças e adolescentes tenham a educação de qualidade que merecem.
















www.monstrinhosrbs.com.br

Os bastidores de uma grande cobertura

04 de maio de 2013 0

Você tem curiosidade em saber como funciona a redação de Zero Hora? Como chegam as informações, de que forma repórteres e colunistas apuram os detalhes e como o material é editado para todas as plataformas? Fizemos um vídeo sobre isso no dia da notícia mais quente da semana: a operação da Polícia Federal para combater fraudes ambientais. O vídeo foi pensado para apresentações em faculdades de Jornalismo, mas acreditamos que interessa a todos os leitores, e por isso o disponibilizamos em nosso site. Para assistir a ele, aponte o leitor de QR Code do seu celular ou tablet para o código ao lado. Ou acesse pelo link http://zhora.co/49anos

Na Redação, costumamos dizer que planejamento é tudo: programar a capa de domingo já na segunda-feira, preparar com antecedência a reportagem especial da revista Donna, organizar no detalhe a cobertura dos fatos do dia só torna o jornal melhor. Mas bom mesmo é quando o planejamento é derrubado por fatos bombásticos e inesperados, como os da semana. Em momentos de grandes notícias uma redação mostra o seu potencial.

O primeiro registro da notícia da segunda-feira foi postado no blog pela colunista Rosane de Oliveira com informações vindas de Israel, onde o governador Tarso Genro estava em viagem oficial. Após confirmar os dados com fontes locais, uma força-tarefa de jornalistas se deslocou para a Superintendência da Polícia Federal. Lá se dividiu para atender as demandas de uma grande cobertura. O redator Roberto Azambuja abastecia a lista de notícias do site. Adriana Irion, munida de um smartphone, tinha a missão de mandar as primeiras fotos e apurar a reportagem especial. Rosane de Oliveira, além de preparar a coluna da Página 10, tuitava em tempo real. O repórter Francisco Amorim focava nos desdobramentos criminais do escândalo das licenças. E os fotógrafos Ronaldo Bernardi e Diego Vara circulavam à procura da melhor cena para documentar o fato em imagens.

Na Redação os editores da capa do site planejavam os próximos passos. Fabiola Bach, Guilherme Mergen e Thiago Sturmer discutiam os destaques na internet, monitorando o interesse do leitor a partir de dados estatísticos de audiência. A cada instante, informações em primeira mão, como a lista dos nomes dos 18 presos na operação e a busca de assinaturas para a instalação de CPIs na Câmara e na Assembleia. Na outra ponta, a equipe da editora de Política Dione Kuhn analisava desdobramentos e definia como contar a história completa. No final da tarde, o site já exibia um conteúdo multimídia em fotos, vídeos, reportagens e textos de opinião. A capa do jornal do dia seguinte começava a ser desenhada. O editor de capa Rodrigo Lopes e os diagramadores Marcio Câmara e Rui Silva quebraram o padrão para garantir a solenidade jornalística que o tema merecia.

Tudo isso aconteceu só no primeiro dia de uma série que segue, já que o assunto das fraudes em licenças ambientais não termina por aqui. Esta complexa operação de algumas horas na Redação, registrada no vídeo, ilustrará, a partir desta segunda-feira, palestras que 19 jornalistas de Zero Hora farão em faculdades de Comunicação pelo Estado. Já virou uma tradição: há cinco anos, repórteres, colunistas e editores, no aniversário do jornal (comemorado neste sábado, 4 de maio), aproximam-se do meio acadêmico para compartilhar com futuros jornalistas um pouco de sua vida profissional. É uma forma de tornar nosso trabalho ainda mais transparente e de dar uma pequena contribuição na formação dos futuros jornalistas gaúchos.

Compromisso até o fim

09 de fevereiro de 2013 9

Uma missão foi dada à Redação de Zero Hora na manhã daquele sinistro domingo, 27 de janeiro de 2013: investigar, até o fim, as causas e as responsabilidades pela tragédia que vitimou 238 jovens em Santa Maria. O assunto domina reuniões de editores, conversas de repórteres, encontros que definem a capa do jornal. Enquanto não forem identificados os causadores diretos e indiretos das mortes, o assunto não sai da pauta.

Investigação é uma das missões mais básicas – e, ao mesmo tempo, nobres – de um jornal. Ainda mais em uma publicação regional como Zero Hora. Se os jornalistas daqui não fizerem isso, quem vai fazer? Não somos a polícia, nem o Ministério Público ou o Judiciário. Cada um no seu papel. Mas, sim, à imprensa cabe descobrir o porquê das coisas, perseguir trilhas de papel, localizar personagens-chave de uma história. Zero Hora tem uma tradição nisso, e não seria diferente na maior tragédia da história do Rio Grande do Sul.

Trabalhamos em dois níveis: o primeiro tem foco em Santa Maria. A responsabilidade dos donos da boate, dos músicos, das autoridades municipais e estaduais que levou à tragédia. O segundo é um convite à sociedade gaúcha para uma discussão mais ampla: o que as mortes nos deixam de tema de casa individual e coletivo? O que é preciso mudar na legislação, no comportamento, na fiscalização, para que outros jovens não percam a vida de forma tão absurda?

Carlos Etchichury, coordenador do Grupo de Investigação de Zero Hora e editor de Polícia, desde o início liderou as equipes do jornal que investigam o caso de Santa Maria:

– Nossa preocupação foi desembaralhar o cenário e apresentar aos leitores, de forma ordenada e responsável, elementos que pudessem auxiliar nas investigações. Já na edição de terça-feira, dia 29, após ouvir especialistas e mergulhar na legislação, apontamos cinco falhas banais que transformaram a boate Kiss numa gigantesca arapuca. Durante a apuração, percebemos que um documento ajudaria a compreender a origem dos malfeitos que permitiram o funcionamento da boate. O que dizia e quem assinara o Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) feito pelos donos da Kiss e aprovado pelo Corpo de Bombeiros? O documento se fazia necessário porque, desde o domingo, enquanto as famílias choravam suas perdas, os comandos da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros asseguravam que o local funcionava de acordo com a legislação – mas negavam-se a fornecer o PPCI. Zero Hora descobriu que o plano de prevenção, na verdade, nunca existiu. E que o alvará de prevenção, chancelado pelos Bombeiros, fora concedido, possivelmente, de forma irregular. ZH revelou também que pelo menos uma empresa, cujo proprietário é um bombeiro da ativa, especializou-se em fazer alterações de medidas de segurança propostas, justamente, pelo Corpo de Bombeiros. Uma outra linha de apuração se dedica a investigar por que a prefeitura permitia o funcionamento da danceteria com alvará vencido. A apuração de ZH está deixando claro que a cadeia de responsabilidades não se limita aos músicos e aos sócios da boate que já estão presos.

Na edição deste domingo, das páginas 23 a 28, você confere mais um capítulo do trabalho, desta vez sobre a rede de falhas, burocracias e omissões que contribuíram para a tragédia. Leia também uma reportagem que mostra a fragilidade da liberação de funcionamento dos locais públicos no Estado todo. Nossa missão não se encerrará enquanto o assunto não for esgotado, e as responsabilidades, apuradas. É nosso compromisso.