Mal a população do centro do Estado começava a contabilizar os prejuízos causados pelo desabamento de uma ponte em Agudo, uma nova enxurrada provocou estragos em solo gaúcho. A chuva caiu com tamanha força no Vale Paranhana, por volta das 12h, do dia 10, que alagou rapidamente a cidade de Três Coroas. Moradores da cidade e motoristas que trafegavam pela ERS-115 ficaram assustados.
Enquanto zerohora.com informava seus leitores sobre os alagamentos na região serrana e a morte causada pela forte precipitação, o médico e professor da UFRGS Álvaro Roberto Crespo Merlo, de 61 anos, registrou, em fotos e vídeo, o momento em que a rodovia foi invadida pelas águas.
— Na hora, não percebi o grau de perigo da situação. Antes de parar o carro e fazer as imagens, atravessamos um trecho com água e, em segundos, a água chegou à porta do carro. Nunca vivi nada parecido. Quando assistimos a situações como essa na televisão, não entendemos por que as pessoas parecem não reagir. Só quando vemos pedras enormes rolando na nossa direção e a água invadindo o carro é que entendemos.
O médico que, desde a adolescência costuma levar consigo uma câmera fotográfica, acessou o site e percebeu que suas imagens poderiam ser úteis para a cobertura online. Por meio do canal De olho no tempo, Merlo enviou fotos equiparadas a imagens profissionais. Contatado pela produção do site de Zero Hora, descreveu o que vemos nas imagens abaixo.
— Quando paramos o carro na parte mais alta, vimos uma senhora que andava de um lado a outro. Ela tinha perdido a casa. São imagens tristes, mas fiquei impressionado com o altruísmo dos moradores, que se ajudavam como podiam e informavam os motoristas sobre os bloqueios.
Mesmo fazendo sua estreia no espaço destinado aos leitores, o médico e professor mostrou faro e agilidade de um jornalista. Solícito, enviou o material em partes — pois o arquivo inteiro era muito pesado — e a autorização para a publicação do vídeo foi fotografada para evitar perda de tempo com burocracias.
Em sua coluna de segunda-feira, Luis Fernando Verissimo lembrou que "cada tragédia, como cada dia de chuva, será sempre como se fosse a primeira vez". No esforço de informar e impedir que mais famílias sofram a dor dilacerante da perda de um ente carregado pelas águas, contamos com o olhar atento dos médicos, professores, advogados, donas de casa, comerciantes — os nossos leitores-repórteres.
Fotos: Álvaro Merlo





