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Os bastidores de uma grande cobertura

04 de maio de 2013 0

Você tem curiosidade em saber como funciona a redação de Zero Hora? Como chegam as informações, de que forma repórteres e colunistas apuram os detalhes e como o material é editado para todas as plataformas? Fizemos um vídeo sobre isso no dia da notícia mais quente da semana: a operação da Polícia Federal para combater fraudes ambientais. O vídeo foi pensado para apresentações em faculdades de Jornalismo, mas acreditamos que interessa a todos os leitores, e por isso o disponibilizamos em nosso site. Para assistir a ele, aponte o leitor de QR Code do seu celular ou tablet para o código ao lado. Ou acesse pelo link http://zhora.co/49anos

Na Redação, costumamos dizer que planejamento é tudo: programar a capa de domingo já na segunda-feira, preparar com antecedência a reportagem especial da revista Donna, organizar no detalhe a cobertura dos fatos do dia só torna o jornal melhor. Mas bom mesmo é quando o planejamento é derrubado por fatos bombásticos e inesperados, como os da semana. Em momentos de grandes notícias uma redação mostra o seu potencial.

O primeiro registro da notícia da segunda-feira foi postado no blog pela colunista Rosane de Oliveira com informações vindas de Israel, onde o governador Tarso Genro estava em viagem oficial. Após confirmar os dados com fontes locais, uma força-tarefa de jornalistas se deslocou para a Superintendência da Polícia Federal. Lá se dividiu para atender as demandas de uma grande cobertura. O redator Roberto Azambuja abastecia a lista de notícias do site. Adriana Irion, munida de um smartphone, tinha a missão de mandar as primeiras fotos e apurar a reportagem especial. Rosane de Oliveira, além de preparar a coluna da Página 10, tuitava em tempo real. O repórter Francisco Amorim focava nos desdobramentos criminais do escândalo das licenças. E os fotógrafos Ronaldo Bernardi e Diego Vara circulavam à procura da melhor cena para documentar o fato em imagens.

Na Redação os editores da capa do site planejavam os próximos passos. Fabiola Bach, Guilherme Mergen e Thiago Sturmer discutiam os destaques na internet, monitorando o interesse do leitor a partir de dados estatísticos de audiência. A cada instante, informações em primeira mão, como a lista dos nomes dos 18 presos na operação e a busca de assinaturas para a instalação de CPIs na Câmara e na Assembleia. Na outra ponta, a equipe da editora de Política Dione Kuhn analisava desdobramentos e definia como contar a história completa. No final da tarde, o site já exibia um conteúdo multimídia em fotos, vídeos, reportagens e textos de opinião. A capa do jornal do dia seguinte começava a ser desenhada. O editor de capa Rodrigo Lopes e os diagramadores Marcio Câmara e Rui Silva quebraram o padrão para garantir a solenidade jornalística que o tema merecia.

Tudo isso aconteceu só no primeiro dia de uma série que segue, já que o assunto das fraudes em licenças ambientais não termina por aqui. Esta complexa operação de algumas horas na Redação, registrada no vídeo, ilustrará, a partir desta segunda-feira, palestras que 19 jornalistas de Zero Hora farão em faculdades de Comunicação pelo Estado. Já virou uma tradição: há cinco anos, repórteres, colunistas e editores, no aniversário do jornal (comemorado neste sábado, 4 de maio), aproximam-se do meio acadêmico para compartilhar com futuros jornalistas um pouco de sua vida profissional. É uma forma de tornar nosso trabalho ainda mais transparente e de dar uma pequena contribuição na formação dos futuros jornalistas gaúchos.

A hora da verdade

03 de novembro de 2012 3

Bom jornalismo é moldado por muito talento, sentidos aguçados, espíritos inquietos e inovadores, inspiração, muita transpiração e um tanto mais de técnica profissional. Bons jornais em papel e digitais são o resultado desta alquimia, e de largas doses de excelência em uma vasta gama de serviços — da impressão à entrega dos exemplares aos assinantes —, além da capacidade de gerar valor para anunciantes em suas páginas e sites.

Estes atributos precisam ser amparados por uma intricada rede de sistemas e processos e por um sem-número de áreas de apoio, como a administrativa, a de circulação ou de operações comerciais. Tudo combinado, este universo tecnológico e humano deve trabalhar focado em uma única direção: gerar satisfação a leitores e anunciantes.

Para saber se este objetivo está sendo atingido, Zero Hora, assim como os demais veículos do Grupo RBS, não confia apenas na intuição. ZH faz muita pesquisa – a percepção externa é o grande indicador de como está o pulso do jornal. Em uma pesquisa diária, o call center ausculta cerca de cem assinantes para descobrir o que despertou mais leitura na edição. Há também pesquisas instantâneas, como os números sobre visitas ao site e o uso de aplicativos e mídias sociais, entre outros. E há mananciais recorrentes, como os números de exemplares aferidos mensalmente pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), e pesquisas regulares de leitura pelos institutos Marplan e Ibope.

Call center ouve o público todos os dias. Aplicativos online e mídias sociais são canal permanente, e uma vez por ano, na pesquisa ISA, assinantes fazem análise profunda de Zero Hora.

A cada ano, porém, uma pesquisa é aguardada com especial interesse por todos os colaboradores: é uma exaustiva avaliação junto a assinantes do que se chama de "momentos da verdade" – pontos de contato decisivos entre os leitores e o jornal. São esquadrinhados, naturalmente, todos os aspectos do conteúdo editorial, mas também itens que vão desde a qualidade da entrega de exemplares à eficiência na solução de problemas, passando pela utilização do cartão do Clube do Assinante e o impacto da publicidade e dos classificados.

Alguns exemplos dos resultados de 2012. Em relação ao conteúdo editorial, nada menos que 77% dos assinantes se declaram muito satisfeitos e 22% satisfeitos, uma aprovação de 99%. Outro número: 99,6% se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com o processo de pagamento das assinaturas. E 97,6% dos assinantes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a Central de Atendimento ao Assinante, com destaque (99,4% de aprovação) para a "cordialidade e atenção" dos atendentes. Para quem anuncia em Zero Hora, os números também são alentadores: além da grande maioria dos assinantes citar "jornal" como o meio mais importante em sua tomada de decisão de compras, 78,1% dos consultados concordam total ou parcialmente com a afirmação de que aumentam sua confiança em uma marca ao vê-la anunciada em Zero Hora. Como resultado de todos esses números, 83,7% dos assinantes afirmam que têm alta intenção de recomendar a outros a assinatura do jornal (12,3% dizem ter média intenção).

Para cada quesito avaliado, há uma nota que mede o "grau de satisfação". A nota mais relevante, como sempre, é a final, a soma ponderada das demais. Este ano, os mais de 1,2 mil colaboradores de ZH podem se orgulhar de terem recebido nota 9,15 de seus leitores. Mas este reconhecimento não nos concede o direito a qualquer desvio de foco: nossa meta, construída dia após dia com sacrifício, garra, espírito público e humildade para reconhecer e sanar deficiências, é simplesmente chegar a 10.

Carta da Editora: Ameaças à liberdade

20 de outubro de 2012 0

A permanente ameaça à liberdade de imprensa foi medida em uma pesquisa inédita apresentada durante a 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), evento de cinco dias concluído terça-feira em São Paulo. O levantamento, realizado pela SIP, com apoio da RBS e do Estadão, ouviu 101 editores e publishers em 12 países. E a conclusão é preocupante: 67% dos pesquisados dizem que a imprensa tem liberdade constitucional em seus países, mas esporadicamente sofre ameaças ou é coagida. No Brasil, o índice chega a 71%.

Mas quem ou o que ameaça a livre imprensa? Governos (apontados por 36% dos entrevistados), medidas judiciais (28%), o crime organizado (9%) e o Poder Legislativo (7%). A Venezuela de Hugo Chávez é considerada o país mais ameaçado, com menção de 82% dos pesquisados. Depois vêm a Argentina de Cristina Kirchner com 62%, Cuba com 60%, Equador com 46%, Bolívia com 41% e México com 39%.

A pesquisa também abordou a violência contra jornalistas. 63% acreditam que ela tem como agente os governos e 55%, as organizações criminosas. 38% relatam que algum jornalista de suas redações sofreu ameaça, ataque físico ou foi morto nos últimos cinco anos. Nas Américas, 24 jornalistas foram mortos em 2011.

O evento da SIP foi, acima de tudo, um libelo contra as ameaças à liberdade de imprensa. Diariamente, meios de comunicação da Argentina, Bolívia, Nicarágua, Venezuela e do Equador sofrem ataques a sua independência. "Governos democraticamente eleitos tratam de promulgar leis que solapam a liberdade de expressão", declarou Milton Coleman, do jornal The Washington Post, que durante a assembleia concluiu seu mandato de presidente da SIP.

Mudou a direção da entidade, mas não a vigilância contra a censura. O novo titular da SIP, Jaime Mantilla, do diário Hoy, do Equador, declarou em seu discurso de posse: "Assumo esta presidência em um momento perigoso para as liberdades da nossa América". E advertiu sobre a tendência "de governos de distintas ideologias e de grupos de poder para eliminar as expressões contrárias e atacar os meios independentes, atemorizar e, inclusive, eliminar quem denuncia os abusos dos poderes".

No Brasil, o quadro não se compara ao de países como a Argentina, o Equador ou a Venezuela, cujos governantes tentam repetidas vezes silenciar o jornalismo independente, seja com leis regulatórias, com discriminação na distribuição da publicidade oficial, seja com o uso de meios governamentais para difamar jornalistas. Nos últimos anos, mais de uma vez, a presidente Dilma Rousseff declarou seu compromisso com a liberdade de imprensa, com frases que já ficaram famosas, como "o único controle possível (dos meios de comunicação) é o controle remoto na mão do telespectador" ou "prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras".

Mesmo desfrutando de uma condição melhor do que a de seus vizinhos, no Brasil é permanente a vigilância contra medidas que cerceiem a livre atividade dos meios de comunicação. Presente ao evento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, advertiu que esta ameaça oculta-se sob lemas enganosos, como "controle social da mídia" ou "democratização dos meios de comunicação". Na avaliação do governador, a tentativa de controle "tem sempre a mesma receita, o poder esmagador do Estado em doses variadas de truculência. O Estado não pode se imaginar como juiz da imprensa."

Uma lição a ser lembrada pelo Brasil é a de que a liberdade de expressão é sempre frágil. Na Argentina, por exemplo, o governo de Cristina Kirchner não só mudou o cenário, como também o deixa cada vez pior. E isso fica claro no depoimento de um dirigente de jornal argentino durante o evento da SIP: "Costumávamos olhar para a Venezuela e pensar ‘que absurda a situação de censura imposta por Chávez aos meios de comunicação’. Parecia uma coisa de outro mundo, impossível para nós, argentinos. Hoje, como nossa realidade mudou, sabemos que a liberdade de expressão está sempre em xeque e que devemos lutar permanentemente por ela".

Carta da Editora: O Partido do Leitor

06 de outubro de 2012 0

Zero Hora virou Vinte e Quatro Horas. Tudo na sua mão. Quando você quiser, onde estiver.

Quer saber da eleição e está na rua? Olhe no seu smartphone, está tudo lá.

Está em casa tomando café? Folheie o jornal na edição que preparamos no capricho para esta data tão especial, com análise, reportagens profundas, serviço para votar.

Quer vídeos, galerias de fotos, infográficos, tudo? Entre na internet e confira o site completíssimo.

É hora da apuração e você ainda não voltou para casa? Acompanhe seu candidato no mobile site especialmente desenvolvido para o momento da abertura das urnas.

Só quer saber da última, rapidinho porque está sem tempo? Vá no Twitter.

Do lado de cá, estamos em clima pré-eleitoral há alguns dias.

Comandados pela colunista Rosane de Oliveira e pela editora de Política, Dione Kuhn, trabalham dezenas de repórteres, editores, produtores, fotógrafos, especialistas em redes sociais, programadores, infografistas, diagramadores – somos militantes do PLZH, o Partido do Leitor de Zero Hora, carregando a sua bandeira.



A colunista Rosane de Oliveira e a editora de Política, Dione Kuhn, convidam o leitor a acompanhar a cobertura de Zero Hora



– Vamos mobilizar nosso exército de jornalistas para fazer uma cobertura completa, relevante e independente – promete Rosane, que tem no currículo de jornalista a cobertura de 16 eleições e um plebiscito.

– Nossa missão é mostrar a eleição em todas as dimensões, ajudando o eleitor a entender a importância de uma escolha consciente. Vamos dar sentido aos números, dissecando as vitórias e derrotas e projetando seus efeitos na eleição de 2014 – explica Dione, com a experiência de quem está indo para a 10ª cobertura eleitoral.

É uma data especial. Você vai escolher o futuro da sua cidade.

É uma data especial para nós também, porque, neste dia, a missão de informar ganha proporções cívicas como em nenhum outro momento, em todos os meios digitais e nas edições impressas.

Por isso juntamos o melhor time de profissionais para fazer esta grande campanha do PLZH, que – nem precisa esperar a abertura das urnas ou contar voto – já tem um eleito: você, leitor.



 

Carta da Editora: A vida sob as lentes do Instagram

22 de setembro de 2012 1

Nas últimas duas semanas, Zero Hora publicou na sua edição impressa 43 fotos do Instagram.

Mais de 1,7 mil leitores participaram de seis missões dadas pelo jornal, entre elas #MeuRS, que resultou numa emocionante contracapa no emblemático 20 de Setembro.

Se você não sabe o que é Instagram, não desista agora, porque o negócio vale a pena e é muito simples participar: Instagram é uma rede social de fotos, recém-comprada pelo Facebook por R$ 1 bilhão.

Baixa-se o aplicativo no celular, cria-se um perfil como no Twitter ou no Facebook como @zerohorarbs, e começa a diversão. Você registra tudo o que vê a qualquer hora e o Instagram transforma as imagens utilizando filtros que ora tornam a foto envelhecida, ora mais colorida. É a vida sob lentes de acordo com seu humor.

E o mais divertido é ver o mundo pelos olhos dos amigos, dos conhecidos, ou mesmo dos desconhecidos. Tem imagens que poderiam estar numa mostra do Museu de Arte Moderna de Nova York.Tem também outras que mostram o prato de almoço do seu melhor amigo, mas tudo bem.

Zero Hora, em sua jornada digital de múltiplas possibilidades, está se aventurando cada vez mais pelo Instagram.

A colunista Milena Fischer criou o Instaweek e lança a seus leitores um desafio por semana – o que está no ar instiga os viajantes a registrarem uma imagem com a hashtag #MFTrip. O último, sobre #MFMúsica, teve mais de cem fotos participantes.

A editora de Redes Sociais de ZH, Juliana Sakae (à esquerda), coordena os instagramers ZH (denominação para nossos curadores semanais). Já foram oito, entre eles a editora Marcela Duarte (à direita), que passou uma semana instagramando (este verbo não deve existir – ainda) sua vida sobre duas rodas. A cada semana, numa curadoria rotativa, um jornalista de ZH vira fotógrafo e editor do nosso Instagram. E mostra os bastidores do seu trabalho e um pouco do seu olhar. A partir de segunda-feira, a instagramer será Letícia Duarte, nos bastidores da cobertura eleitoral em #eleicoesRS.

Tem também coberturas jornalísticas via Instagram, como a da editora Isadora Neumann, que acompanhou a Expointer (foto abaixo) pela rede social fotográfica.

Então, curtiu? Participe da rede ZH de fotografia. Toda segunda-feira, lançamos um novo desafio.

Que tal fotografar #eleicoesRS e concorrer na missão desta semana? As melhores fotos serão publicadas no jornal de 5 de outubro e podem ter sua assinatura.






A leitora Carol Rick postou a foto da Redenção e foi selecionada na missão do Informe ZH.




A foto do leitor Anderson Nadin Vicente foi escolhida na 1º Missão ZH e publicada no Dia dos Pais.






O leitor Sérgio Ordobas registrou o pôr do sol no Guaíba e foi selecionado na missão #MeuRS





O leitor Paulo Fonseca foi um dos selecionados na missão com o tema "Um ângulo diferente do RS"





O fotógrafo Bruno Alencastro, de Zero Hora, registra as madrugadas de Porto Alegre.


A nossa história

08 de setembro de 2012 0

Todo ano, na Redação de Zero Hora, um grupo de jornalistas marca uma reunião lá por março, sempre com a mesma e previsível pauta: o que vamos oferecer aos leitores no dia 20 de setembro?

A pauta poderia ser óbvia e repetitiva. Nunca é. Especialmente neste ano, não é mesmo – e você logo verá por quê.

Como jornal do Rio Grande do Sul, escrito para os gaúchos onde quer que estejam, este é um assunto muito caro. E por isso quebramos cabeça: como tratá-lo pela enésima vez? Como contar de forma inovadora uma história de 177 anos e, ainda que cultuada, mais do que manjada por todos nós?

Fabíola Bach, produtora do jornal, desafiou Nilson Mariano, repórter especial de Zero Hora e veterano no assunto Revolução Farroupilha, a ter uma ideia diferente de tudo o que ZH já fez. E Mariano entregou-se à missão com a mesma paixão que os gaúchos têm por seus assuntos.

E ele tem razões para este sentimento:

– É a história de uma guerra que repercute no imaginário das pessoas até hoje. Mobiliza os gaúchos, tantos anos depois, em acampamentos, em cavalgadas. Um dos momentos que comprova isso está nos estádios de futebol, quando os torcedores cantam o Hino Rio-Grandense. O hino, nem todos sabem, nasceu do resultado de uma das batalhas ganhas pelos farroupilhas – explica Mariano (no centro da foto, abaixo).

A ideia que o repórter apresentou foi a de vasculhar 10 locais emblemáticos dos embates. Lugares que nunca ou poucas vezes tenham sido visitados por jornalistas, como Cuaró, no Uruguai, onde ocorreu o último combate. Lugares esquecidos e à margem da história contada pelos livros.

Com o fotógrafo Lauro Alves (E) e o motorista Sérgio Barbosa, ele rodou 3.161 quilômetros durante 12 dias entre Santa Catarina, Rio Grande do Sul e o país vizinho. Encontraram personagens ricos como o menino Thalys Buck, morador de Seival, que tem apenas 12 anos mas conhece os eventos farroupilhas e participa de cavalgadas com o seu parceiro de pelagem clara, o Tic-Tac. Ouviram histórias de assombrações, como em Porongos, palco do massacre dos lanceiros negros, onde se relatam aparições de um "colosso negro de olhos faiscantes" e crianças sem cabeça. Conversaram com agricultores que aram a terra como arqueólogos e deparam com pontas de lanças, espadins, cabos de sabre, estribos, trabucos e ossos.

Ao trio juntou-se uma equipe multidisciplinar para empacotar todo o material – que tem o patrocínio de Bradesco e O Boticário – e oferecer a você, leitor, uma Revolução Farroupilha em todas as plataformas.

Para cuidar das 23 páginas desta série que durará 10 dias no jornal impresso, a editora Janaína Kalsing e o diagramador Diego Borges. Na coordenação das narrativas digitais, a editora multimídia de imagens Marlise Brenol, que, junto com o programador Sharbel Silva, os designers Guilherme Gonçalves e Thiago Machado, o ilustrador Gilmar Fraga, as editoras Marcela Duarte e Bruna Riboldi e o assistente Luan Ott, trabalhou no webdocumentário interativo e na história em quadrinhos animada que você confere em zerohora.com. Nos cinco episódios contados em ilustrações, página a página, para tablets, o editor Filipe Speck. No aplicativo para facebook com termos gauchescos, a editora de Redes Sociais Juliana Sakae.

É a nossa história, a história dos gaúchos, tão antiga, tão atual.


Carta do Editor: Como achar uma agulha num palheiro

25 de agosto de 2012 3

Pedro Dias Lopes

Editor Digital

Responda rápido: roubam-se mais carros em Porto Alegre na Avenida Protásio Alves, na Assis Brasil, na Ipiranga ou na Bento Gonçalves? "Sei lá", é uma resposta natural e plenamente aceitável. Como é que se vai saber?

A partir deste domingo, essas e outras milhares de perguntas têm resposta rápida e fácil no site de Zero Hora. Estamos lançando uma seção de datajournalism, ou jornalismo de dados, uma tendência de grandes jornais como Washington Post, The New York Times ou The Guardian.

Mas o que é datajournalism? A internet tem zilhões de informações em bancos de dados públicos ou privados. E os leitores, dificuldade para encontrar, como quem busca uma agulha num palheiro, aquele dado específico que lhes interessa. A missão dos jornais é encontrar, processar e entregar aos leitores esses dados, mas de uma forma palatável e amigável.

O endereço é fácil: www.zerohora.com/zhdados. Nesta seção, o leitor já encontra aplicativos produzidos pela Redação sobre educação (o resultado do Ideb), segurança (o mapa dos furtos e roubos de veículos em Porto Alegre), religião (como se distribuem os credos religiosos por município no Estado), entre outros.

A seção não é estática. Mais e mais conteúdos de datajournalism serão sempre acrescentados e atualizados ali por nossos editores, repórteres e programadores. Então, quando alguém lhe perguntar, de agora em diante, qual é a avenida em que mais se roubam carros na Capital, dê uma olhadinha em ZH Dados e responda prontamente: no primeiro semestre deste ano foi a Assis Brasil.

Inquietação celebrada

18 de dezembro de 2010 0

Por Ricardo Stefanelli, diretor de Redação

Numa celebração já rotineira nos dezembros de Zero Hora, a Redação parou em parte da tarde de segunda-feira para fazer um balanço do ano, projetar o seguinte e, em especial, para celebrar os destaques de 2010. A singela cerimônia, realizada em conjunto com a equipe do clicRBS, braço online do Grupo, teve inúmeros simbolismos e alguns milímetros de lágrimas, mas em especial o ritual caseiro ajuda a entender por que ZH chega ao final do ano com sua circulação em alta – em novembro, o jornal bateu seu próprio recorde de assinaturas.


Já no primeiro dia do ano que se encerra, a série Estrelas do Mar chegava para pontuar a nossa obsessão por não se repetir: ao escalar jornalistas de texto irretocável e conhecidos do público para passar uma semana no litoral, narrando suas experiências, presenteamos os leitores com uma cobertura divertida de praia, fugindo da mesmice de informar que ontem fez sol e a praia estava lotada – um jornalismo cada vez mais no passado.


Num ano em que Eleições e Copa do Mundo costumam sugar parte da energia das Redações – e atrair o foco dos leitores –, ZH publicou reportagens históricas como a série Os Infiltrados, que virou livro, ofereceu regalos em conta-gotas semanais como as 52 Histórias que Não Acabaram, enviou correspondentes especiais aos principais fatos do mundo e produziu 30 guias extras. Num total de 440 páginas, esses cadernos adicionais trouxeram desde dicas para a segurança da família, ajudaram na seleção da escola dos filhos ou em como preencher com eficiência o Imposto de Renda. Um dos guias, o do Churrasco, tornou-se uma espécie de manual para ajudar a escolher a melhor carne e ensinava como espetá-la, sugeria a faca mais apropriada e teve até a pretensão de orientar sobre como fazer o fogo.


ZH incorporou em 2010 outros oito novos colunistas, levando aos leitores o pensamento de profissionais como Irineu Guarnier Filho, já reconhecido no meio rural, Carolina Bahia, referência no jornalismo de Brasília, ou cronistas como os surpreendentes Fabrício Carpinejar e Claudia Tajes, agora quinzenais no Segundo Caderno.


Como a quantidade de material produzido ao longo do ano é imensa, resolvi compartilhar no nosso blog do Editor parte do conjunto de telas exibidas na cerimônia de segunda-feira para que os leitores possam entender as dimensões das novidades e mudanças implantadas (confira abaixo).


Mas destaco dois pontos em especial. O primeiro deles é sobre a repórter Kamila Almeida, escolhida como a Revelação do Ano. Há três anos em ZH, Kamila exibe as qualidades da geração 2000: suas ideias abrem-se como janelas dentro de janelas, em sequência, na lógica que a internet implantou como chip nos seres humanos, em especial nos mais novos. Agraciada especialmente por sua performance na plataforma online, Kamila liderou um dos melhores trabalhos dos últimos anos da RBS, a reportagem especial Dunas: proteção costeira em xeque. Construída em linguagem multimídia, a reportagem leva o leitor a conhecer em profundidade o ecossistema, o movimento e as funções dessa porção tão visível como ignorada das praias gaúchas.


Minutos depois de Kamila ser laureada, a Redação assistiu a um vídeo sobre o Jornalista do Ano, Nilson Souza, há 25 anos em ZH e há quatro décadas no jornalismo. Sempre disposto a compartilhar com editores e repórteres mais jovens sua experiência, auxiliando na formulação de pautas e de textos, ou dando um conselho procedente, Nilson foi escolhido em 2010 por uma faceta específica: é um profissional que se reinventa.

Nilson e Kamila, reinvenção no dia a dia

Com seus cabelos brancos a espraiar senhorilidade e serenidade, tão necessárias numa Redação, Nilson desdenha do tempo e se mostra cada vez mais distante da aposentadoria. Todos os dias, circula com ideias que melhoram a pauta do jornal ou sacodem áreas ou seções, como ocorreu com a criação do Editorial Interativo no site, invenção dele, na qual os leitores são convidados a palpitar sobre as opiniões da RBS.


No vídeo, foi possível conhecer sua trajetória desde a infância de família modesta, no bairro Sarandi, delineada pela ética e amizade ensinadas pelo pai, Sebastião. Muitos se emocionaram com a trajetória do colega – e eu me senti particularmente feliz ao ver reconhecido um profissional que mantém, aos 62 anos, uma das principais tatuagens desta Redação: a inquietação.

As vozes e as imagens das ruas

24 de outubro de 2009 3

por Ricardo Stefanelli

Tão antigo quanto o jornalismo é a participação do público na produção de conteúdo dos meios de comunicação, mas, nos anos 2000, leitores, ouvintes e telespectadores assumiram tamanha importância que não se faz mais jornalismo sem o público _ como mostrou a capa de ZH de terça-feira, produzida por um auxiliar de enfermagem.

A foto principal era um flagrante impressionante e fiel da vida das pequenas cidades, dia sim, dia não, sobressaltadas pela ação de quadrilhas especializadas em assaltos a bancos. Os criminosos, como sabemos, não se contentam mais em atacar as agências, eles também usam a população à sorrelfa como escudo para as ações guerrilheiras.

Até uma década atrás, mais ou menos, somente quem vivienciava uma situação dessas tinha a exata noção do pavor. As demais, em geral via imprensa, recebiam relatos posteriores, nem sempre com a mesma carga de emoção ou de medo ou de veracidade. Agora, as imagens instantâneas produzidas por anônimos fornecem uma visão aproximada da vida real, e mudam o jornalismo.

Vinte minutos depois de iniciada a ação terrorista em Anta Gorda _ e antes ainda de ela ser concluída _ já chegavam à Redação de Zero Hora os primeiros relatos, no início da tarde de segunda-feira. Em seguida, desembarcaram as primeiras imagens. Aqui no Blog do Editor está a historia de moradores locais transformados segunda-feira em jornalistas por um dia. Vou contar dois casos deles.

Um dentista usou a máquina que fotografa a face e a arcada de seus pacientes para produzir, naquele dia, as cenas de guerra, como se no front estivesse. Colocou-se atrás das placas de um posto de combustível de modo a registrar as imagens de clientes e funcionários do banco de mãos dadas, fechando a rua em um cordão protetor ao bando armado com metralhadoras.

Um auxiliar administrativo abaixou-se próximo à janela do posto de saúde onde trabalha, bem em frente ao local onde a quadrilha manobrava, se abaixou, mirou a câmera do celular para rua a e observou tudo do visor do aparelho, improvisado como retrovisor. Em minutos, os telefones da Redação de ZH tocavam em todos os lados, de leitores oferecendo imagens de todos os ângulos das cenas de terror.

Foi-se o tempo em que máquinas de fotografia e filmadoras serviam apenas para registros familiares, confraternização entre amigos ou para eternizar viagens. A proliferação de câmeras permite também uma comunicação cada vez mais ágil - e, em especial, útil. Querem ver?

Graças a esta rede informal de colaboradores, cada vez mais pública, a polícia pôde ser acionada com rapidez e a Brigada Militar pôde prender quatro dos cinco bandidos. Graças à agilidade dos fotógrafos e cinegrafistas amadores (amadores?) pôde-se ter uma real dimensão do pavor que assola cidades até pouco tempo carimbadas de pacatas.

O flagrante deixou de ser uma exclusividade da polícia e da imprensa _ e por isso a polícia e a imprensa estão desafiadas a serem mais ágeis e atentas para auscultar o que vem do público.