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Posts com a tag "editorial"

Opine: Você concorda que a melhor forma de não reprovar é ensinar?

17 de fevereiro de 2011 3

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Comentários enviados até as 18h de sexta-feira serão selecionados para publicação na edição impressa. Participe! Envie seu comentário!

APROVAR OU ENSINAR?

O Ministério da Educação acaba de criar o Ciclo de Alfabetização e Letramento, que substitui o sistema de ensino seriado e acaba com a reprovação de alunos nos três primeiros anos do Ensino Fundamental. O objetivo da medida é inquestionavelmente bem-intencionado: evitar que o insucesso escolar nas séries iniciais continue causando evasão e repetência, com os consequentes prejuízos para a autoestima das crianças. De acordo com o governo, a pesquisa que embasa esta decisão mostra que o país teve em 2009 um índice de aprovação de 94,9% no primeiro ano, o que significa a reprovação de cinco em cada grupo de cem alunos. O MEC acredita que a aprovação automática facilitará a alfabetização de todas as crianças até os oito anos de idade.
Não é, ainda, uma obrigatoriedade. As secretarias de Educação e escolas que não quiserem adotar a recomendação poderão continuar com o sistema seriado, que prevê avaliação ao final de cada ano, com a correspondente promoção ou permanência. Está, portanto, oficializada uma grande dúvida no ensino brasileiro: o que é melhor para o aluno que está ingressando no mundo das letras, o avanço automático ou cobrança de rendimento?
Infelizmente, o governo não apresentou argumentos convincentes para a recomendação adotada. Embora seja lamentável a reprovação de 5% dos aproximadamente 10 milhões de alunos que frequentam o primeiro ano do Ensino Fundamental, o levantamento não aponta as causas do insucesso, que podem oscilar da ausência continuada em sala de aula à incompetência da escola para efetivamente ensinar. O que existe de concreto são experiências esparsas de promoção continuada, nem sempre animadoras. Na rede municipal do Rio de Janeiro, por exemplo, a divisão dos nove anos do Ensino Fundamental em três ciclos revelou-se desastrada. Levantamento feito em 2009 mostrou que 13 mil alunos de 4º e 5º anos precisavam ser realfabetizados e outros 17 mil do 6° ano se encontravam na condição de analfabetos funcionais.
Cabe reconhecer, porém, que existem experiências positivas de promoção automática no ensino brasileiro. E também não pode haver dúvida de que reprovar é sempre pior do que aprovar sem o suficiente aprendizado para a promoção, pois esta segunda possibilidade pelo menos mantém a criança na escola por mais tempo. Mas reprovar ou fingir que a criança aprendeu não podem ser as únicas alternativas. O ideal é eliminar a reprovação ensinando efetivamente aos alunos, por meio do comprometimento real das autoridades e da escola com a educação e com a realidade das crianças, sem salas de aula superlotadas, com professores preparados, bem remunerados e, também eles, avaliados.
Simplesmente eliminar a reprovação pode passar a ideia de que ninguém precisa se esforçar e que o aprendizado chega ao natural. Pode, também, estigmatizar a avaliação como um processo prejudicial e traumatizante, o que não é correto. O desempenho dos alunos, independentemente do sistema adotado, tem que ser avaliado constantemente, para que os professores e a escola saibam quem está ficando para trás e adotem medidas corretivas antes que o problema se torne irreversível.
Não há fórmula mágica em educação. A mágica é ensinar.

Opine sobre o Editorial da RBS que diz que o dever do eleitor consciente não se esgota no voto

30 de setembro de 2010 23

O Blog do Editor adianta o editorial que Zero Hora publicará no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. 

Você concorda que é dever do eleitor fiscalizar os eleitos? Clique aqui para publicar seu comentário no mural. Não esqueça de colocar seu nome completo e cidade.

Os comentários enviados até as 18h de sexta-feira serão selecionados para publicação na edição impressa. 


UM DIREITO QUE TAMBÉM É DEVER

Você deixaria de votar se o voto não fosse obrigatório? Você está disposto a anular o voto ou a votar em branco, mesmo sabendo que mais de 22 mil candidatos colocaram seus nomes à disposição dos 135,8 milhões de eleitores brasileiros? Você está entre os eleitores que se livram do voto, digitando qualquer sequência de números na urna eletrônica, sem se importar com o resultado do seu gesto?

Se você respondeu sim a estas questões, está fazendo uso do seu direito individual de se omitir, mas está descumprindo um dever fundamental dos cidadãos numa democracia, que é participar da escolha dos governantes e representantes parlamentares. O eleitor que se omite não apenas renuncia à prerrogativa de cobrar eficiência e honestidade dos escolhidos, como também transfere automaticamente para outras pessoas o direito de escolher em seu nome. Pior: está confessando sua incapacidade de usar o voto como instrumento de transformação da sociedade e do país.

Votar de forma consciente é um exercício de liberdade e de responsabilidade. Antes de dar uma procuração para as pessoas que legislarão e governarão no nosso nome, precisamos saber quem são elas, como pensam, o que já fizeram pelas suas comunidades, de que forma construíram suas carreiras e quais os projetos e ideias que defendem para a cidade, para o Estado e para o país. Não é só o candidato que precisa ter predicados. A condição de eleitor também exige uma preparação prévia, que inclui estar bem informado, entender as atribuições dos candidatos a serem votados, avaliar a linha ideológica dos partidos e, em hipótese alguma, comercializar o voto. Quem vende voto vende a própria dignidade e trai a cidadania.

O dever do eleitor não se esgota na urna. Não basta escolher candidatos e partidos com propostas adequadas e com princípios éticos satisfatórios. O eleitor consciente fiscaliza o desempenho dos escolhidos, confere se no exercício do cargo eles cumprem o que prometeram e se mantêm coerentes com as ideias e projetos que defenderam durante a campanha. Mais: com as atuais facilidades de acesso aos representantes, o eleitor pode criticar, elogiar e cobrar os resultados que espera dos eleitos. A eleição não é o único instrumento da democracia, mas é o mais importante e o que sinaliza para o exercício dos demais.

Compreende-se que parte expressiva do eleitorado desconfie da classe política por conta dos escândalos de corrupção que vêm ocorrendo em sucessivas administrações e legislaturas. Mas a generalização é sempre injusta e perigosa. Governos e parlamentos costumam ser a representação fiel da sociedade, tanto nas suas virtudes quanto nos seus pecados. Se os cidadãos não têm uma conduta ética ilibada, não podem exigir integridade de seus representantes.

O dever do eleitor, portanto, é também ser um cidadão decente e participativo, para ter o direito de cobrar lisura e honestidade dos servidores públicos de todos os escalões. O voto, numa democracia, é a garantia de que todos os cidadãos podem opinar, fazer escolhas, decidir o próprio destino. Ao exercer o direito de votar, o eleitor está também assumindo um contrato com os demais cidadãos, de fazer a sua parte na construção de um país melhor para todos.

Opine sobre o Editorial da RBS que sugere reação dos eleitores à hipocrisia no horário político

09 de setembro de 2010 30

O Blog do Editor adianta o editorial que Zero Hora publicará no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Os comentários enviados até as 18h de sexta-feira com nome completo e cidade serão selecionados para publicação na edição impressa. Participe!

HIPOCRISIA ELEITORAL

Indignada com o que tem visto e ouvido no horário eleitoral, a artista plástica Janete Lucchese Garbini fez uso do seu direito de leitora e desabafou em carta publicada na última quinta-feira na página 2 deste jornal: “Sonho eleger um presidente capaz de respeitar nossas leis, mudar este palco de mentiras e de falsas promessas. Ando cansada de ver na TV as mesmas caras, repetindo velhas e antigas promessas de um Brasil sério, capaz de renovar. Votaria feliz se tivesse um só falando a linguagem do povo. Não queremos repetecos, nem anular nossos votos, apenas mudar esse cenário de velhas mentiras”.

Independentemente de preferências que a autora do desabafo possa ter, ela toca num ponto importante da propaganda política, que é a hipocrisia eleitoral. Os candidatos têm o direito de mentir para enaltecer suas propostas ou para desmerecer as ideias e as ideologias de seus adversários? Tudo o que aparece no horário eleitoral é falso? Considerando-se a má fama dos políticos, a generalização é tentadora. Mas a verdade é que o horário eleitoral precisa ser interpretado pelo eleitor como uma propaganda _ e não como um informativo comprometido com o equilíbrio e com a isenção. Cabe ao eleitor decodificar a mensagem, desidratá-la e captar o que realmente contribui para a formação de sua convicção.

O político pode até mentir, pois essa prerrogativa está sustentada pela liberdade de expressão e de pensamento. Mas seu dever ético e moral é dizer a verdade. Se não o fizer, estará traindo esta garantia de se expressar livremente que a Constituição assegura a todos os brasileiros. E estará, certamente, incorrendo no risco de ser flagrado e de receber dos cidadãos a sentença de repúdio, que deve ser dispensada aos mentirosos e aos demagogos. Demagogia e hipocrisia são irmãs siamesas. Os demagogos se aproveitam da ingenuidade e do emocionalismo das pessoas para persuadi-las a aceitar suas teses, mesmo quando eles próprios não acreditam no que pregam. Enganam sem pudor, com o único propósito de se manterem no poder. Nem sempre mentem escancaradamente. Muitas vezes, manipulam as informações, usam a verdade pela metade, procuram moldá-la de acordo com seus interesses e ambições. Nem sempre é fácil perceber a manipulação. Prova disso é que alguns dos maiores déspotas da história da humanidade alcançaram o poder e nele se mantiveram graças a amplo apoio popular.

Porém, com as facilidades tecnológicas de que dispõe para acessar informações, e também com o amadurecimento da democracia em nosso país, o eleitor brasileiro está a cada dia mais habilitado para selecionar mensagens verdadeiras e consistentes em meio à enxurrada discursos vazios, lugares-comuns e até trocadilhos despejados diariamente no horário eleitoral. Diante de eleitores conscientes, a hipocrisia eleitoral tende a se voltar, como um bumerangue, contra seus próprios autores.

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Dê sua opinião sobre o editorial que aborda restrição a programas humorísticos em campanha eleitoral

30 de julho de 2010 31

A partir de hoje, o Blog do Editor antecipará a publicação do editorial de Zero Hora de domingo às sextas-feiras. A intenção é ouvir outras opiniões sobre o pensamento e a postura expressos no texto. Os comentários enviados até as 18h de sexta-feira serão selecionados para publicação na edição dominical junto ao editorial. Participe!

A sátira proibida

Pela lei eleitoral, programas humorísticos de televisão não poderão abordar temas de atualidade política durante o período da campanha eleitoral. Esta é a interpretação que juristas e julgadores dão ao artigo que proíbe “trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato ou coligação”.

Tal limitação, por mais boa vontade que se tenha com a intenção da lei de impedir a manipulação ou a parcialidade, incorre em evidente agressão à liberdade de expressão. É o que afirma, por exemplo, o professor Gustavo Binenbojm, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Especialista em direito constitucional, ele considera que as restrições ao humor no rádio e na televisão contrariam normas maiores do país, garantidas na Constituição, em relação à liberdade de expressão e ao direito do cidadão à informação.

Num momento em que os candidatos estão nas ruas e em que o país respira disputa eleitoral para a escolha de novos governantes e novos parlamentares, restrições como essas, que são apenas um exemplo factual de todo um arsenal de pequenas e grandes limitações que a lei e a jurisprudência impõem, revelam uma espécie de imaturidade democrática. Sem saber como gerenciar adequadamente sua liberdade, a sociedade busca apoio nas muletas de uma lei restritiva, como se esse – e não a educação para a democracia – fosse o caminho adequado.

O estabelecimento de normas que garantem a igualdade na competição eleitoral e que impedem os abusos de poder político e econômico nada tem a ver com restrições à liberdade, como se fosse o exercício desse direito um obstáculo e não um apoio à eleição e às suas circunstâncias. A proibição que passou a incidir sobre o humor na televisão e no rádio significa, por isso, um retrocesso. A capacidade da sociedade de rir de si mesma faz parte de um processo pedagógico que só as ditaduras não suportam. O humor político retrata, com os exageros e as caricaturas que lhe são inerentes, o melhor e o pior de nossos políticos e de nossos governos.

Amordaçar essa manifestação, além de agredir um direito, faz com que a sociedade perca uma de suas riquezas e uma fonte de reflexão sobre temas da atualidade e sobre o próprio rumo das campanhas políticas. Normas com esse tipo de restrição, mais do que proteger a lisura eleitoral, são gestos que infantilizam politicamente os cidadãos. Evidentemente, alguns setores da mídia podem cometer excessos, mas esses devem ser examinados pela Justiça depois de cometidos, nunca antes.

A existência de uma lei que arranha direitos garantidos pela Constituição e que inibe manifestações tão genuínas como as do humor político precisa ser reavaliada tanto pelo Congresso do país quanto pelos tribunais. A Constituição de 1988 prescreve como direitos e garantias do cidadão a livre manifestação do pensamento e “a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”

Você concorda ou discorda da opinião expressa neste editorial? Comente abaixo.