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Posts com a tag "Zero Hora"

Um raio X das Assembleias Legislativas

18 de maio de 2013 0

Durante duas semanas, a repórter Juliana Bublitz telefonou diariamente para a Assembleia Legislativa de Alagoas, sem sucesso. Ninguém atendeu. Então ela resolveu contatar o gabinete de um deputado federal daquele Estado, em Brasília, para entender se estava ligando para o número errado. Conseguiu o celular de uma secretária do Legislativo alagoano, que forneceu o número do telefone móvel do diretor de Comunicação. Juliana ligou para o diretor. O que ela ouviu do outro lado foi tragicômico:

– Ih, minina, nem adianta ligar para este número. É da Ouvidoria da Assembleia. Mas eles não atendem. E a Assembleia não tem telefone fixo.

Esse foi só um de dezenas de obstáculos transpostos pela incansável Juliana na produção do mais completo levantamento já feito no Brasil sobre as Assembleias Legislativas estaduais, que Zero Hora publica neste domingo nas páginas 8 a 12. O trabalho vem sendo realizado desde março e resultou, além da reportagem que você lê nesta edição, em um vasto banco de dados publicado em www.zerohora.com/zhdados

Juliana, com a equipe que formatou o banco de dados: Filipe Speck, Michel Fontes,
Henrique Tramontina, Wallace Morais, Gabriel Renner e Leandro Fontoura

– Como é que um alagoano faz para contatar sua Assembleia? – indigna-se Juliana. – Eu, como jornalista, consigo falar com a assessoria de um deputado federal e obtenho o celular do diretor de Comunicação, mas e o cidadão de lá?

A ideia de produzir um raio X do Poder Legislativo do Brasil, com dados de 26 Assembleias Legislativas mais a Câmara Legislativa do Distrito Federal, partiu da constatação de que não existe à disposição do público uma ferramenta que compare as informações desse poder. O banco de dados reúne cerca de 20 itens importantes, como valor do orçamento, número de servidores ativos, inativos, cargos de confiança, concursados, gasto anual com pessoal, com diárias, com publicidade, subsídios e benefícios, verba de gabinete. O levantamento também investiga o grau de transparência de cada Assembleia: algumas nem sequer têm o Portal da Transparência, uma exigência legal desde 2009. Outras têm, mas constam apenas dois ou três dados. E algumas, como a de Mato Grosso do Sul, disponibilizam dados insuficientes e não respondem: a assessoria de comunicação só informa que o pedido de Juliana, feito há mais de dois meses, está “na Mesa Diretora”. Alagoas e Mato Grosso do Sul foram uma dificuldade, mas outros Legislativos deram boas surpresas: Minas Gerais respondeu em um dia. Paraná e Santa Catarina, em menos de 20 (a Lei de Acesso à Informação prevê que a resposta seja dada em 20 dias, prorrogáveis por mais 10). O Rio Grande do Sul respondeu em exatos 20 dias.

– A partir dos dados, tiram-se muitas constatações. No Distrito Federal, que tem apenas 24 deputados, cada parlamentar custará em média R$ 16,5 milhões aos cofres públicos em 2013. Em São Paulo, onde há 94 representantes, o valor cai pela metade: R$ 8,9 milhões. As discrepâncias também aparecem quando o assunto é a média de funcionários por parlamentar. No Ceará, são 86. Em São Paulo, 39, e aqui no Estado, 27 – diz a repórter.

Com este trabalho, Zero Hora reforça três pontos importantes de sua linha editorial: o jornalismo investigativo, o jornalismo de dados, uma tendência mundial que coloca os jornais como processadores de vastas bases de dados para entregá-las de forma amigável –, e o uso da Lei de Acesso à Informação para buscar informações até então omitidas do público.

Os bastidores de uma grande cobertura

04 de maio de 2013 0

Você tem curiosidade em saber como funciona a redação de Zero Hora? Como chegam as informações, de que forma repórteres e colunistas apuram os detalhes e como o material é editado para todas as plataformas? Fizemos um vídeo sobre isso no dia da notícia mais quente da semana: a operação da Polícia Federal para combater fraudes ambientais. O vídeo foi pensado para apresentações em faculdades de Jornalismo, mas acreditamos que interessa a todos os leitores, e por isso o disponibilizamos em nosso site. Para assistir a ele, aponte o leitor de QR Code do seu celular ou tablet para o código ao lado. Ou acesse pelo link http://zhora.co/49anos

Na Redação, costumamos dizer que planejamento é tudo: programar a capa de domingo já na segunda-feira, preparar com antecedência a reportagem especial da revista Donna, organizar no detalhe a cobertura dos fatos do dia só torna o jornal melhor. Mas bom mesmo é quando o planejamento é derrubado por fatos bombásticos e inesperados, como os da semana. Em momentos de grandes notícias uma redação mostra o seu potencial.

O primeiro registro da notícia da segunda-feira foi postado no blog pela colunista Rosane de Oliveira com informações vindas de Israel, onde o governador Tarso Genro estava em viagem oficial. Após confirmar os dados com fontes locais, uma força-tarefa de jornalistas se deslocou para a Superintendência da Polícia Federal. Lá se dividiu para atender as demandas de uma grande cobertura. O redator Roberto Azambuja abastecia a lista de notícias do site. Adriana Irion, munida de um smartphone, tinha a missão de mandar as primeiras fotos e apurar a reportagem especial. Rosane de Oliveira, além de preparar a coluna da Página 10, tuitava em tempo real. O repórter Francisco Amorim focava nos desdobramentos criminais do escândalo das licenças. E os fotógrafos Ronaldo Bernardi e Diego Vara circulavam à procura da melhor cena para documentar o fato em imagens.

Na Redação os editores da capa do site planejavam os próximos passos. Fabiola Bach, Guilherme Mergen e Thiago Sturmer discutiam os destaques na internet, monitorando o interesse do leitor a partir de dados estatísticos de audiência. A cada instante, informações em primeira mão, como a lista dos nomes dos 18 presos na operação e a busca de assinaturas para a instalação de CPIs na Câmara e na Assembleia. Na outra ponta, a equipe da editora de Política Dione Kuhn analisava desdobramentos e definia como contar a história completa. No final da tarde, o site já exibia um conteúdo multimídia em fotos, vídeos, reportagens e textos de opinião. A capa do jornal do dia seguinte começava a ser desenhada. O editor de capa Rodrigo Lopes e os diagramadores Marcio Câmara e Rui Silva quebraram o padrão para garantir a solenidade jornalística que o tema merecia.

Tudo isso aconteceu só no primeiro dia de uma série que segue, já que o assunto das fraudes em licenças ambientais não termina por aqui. Esta complexa operação de algumas horas na Redação, registrada no vídeo, ilustrará, a partir desta segunda-feira, palestras que 19 jornalistas de Zero Hora farão em faculdades de Comunicação pelo Estado. Já virou uma tradição: há cinco anos, repórteres, colunistas e editores, no aniversário do jornal (comemorado neste sábado, 4 de maio), aproximam-se do meio acadêmico para compartilhar com futuros jornalistas um pouco de sua vida profissional. É uma forma de tornar nosso trabalho ainda mais transparente e de dar uma pequena contribuição na formação dos futuros jornalistas gaúchos.

A cobertura das manifestações

06 de abril de 2013 34

Durante esta semana, fizemos uma autocrítica na Redação. Avaliamos que não cobrimos por todos os lados, na segunda-feira, dia 1º, a manifestação que ocorreu no centro de Porto Alegre contra o reajuste nas passagens dos ônibus. Enfocam-os um aspecto - o protesto ocorreu sem violência, diferentemente do anterior - e não outros. Não enfatizamos que a manifestação cresceu muito, nem mostramos quem formava a massa de milhares de pessoas. Recebemos críticas por isso. É uma longa história, que vou tentar resumir em capítulos:

Episódio 1 - Na manifestação do dia 27 de março em frente à prefeitura, foram quebradas vidraças, veículos da guarda municipal foram danificados e o secretário Cezar Busatto foi atingido com tinta vermelha.  Zero Hora estampou na capa, no dia seguinte, a foto de um veículo com vidros quebrados e, numa imagem menor, o secretário.

Uma das repercussões em redes sociais: "A capa de Zero Hora de hoje chega a dar nojo. Diz que foi depredação o que ocorreu ontem no protesto, e coloca a foto do secretário todo sujo de tinta". Outra: "Zero Hora pode limitar nosso protesto (exigência de subsídio) chamando-o apenas de depredação, tudo bem, teve, dentre outras coisas bem (mas beeeem) mais importantes". E mais uma: "Sou contra o subsídio, não é justo que toda a sociedade pague para benefícios de alguns. Acho muito mais justo discutir esse excesso de gratuidades. Mas qualquer protesto que faz o que foi feito ontem perde todo o meu apoio. Quem vandaliza uma viatura não pode reclamar a falta de segurança. Quem quebra o patrimônio público, não pode reclamar que falta dinheiro para saúde. Quem fere quem se predispõe a ter o diálogo do teu protesto, não pode reclamar de decisões técnicas tomadas nos gabinetes!!!"

Episódio 2 - Na manifestação seguinte, a da segunda-feira, dia 1º, o número de participantes chegou a 5 mil, segundo a Brigada Militar. Publicamos na capa uma foto impressionante, da massa nas ruas do Centro. Acreditamos que aquela imagem resumiu muito bem o que aconteceu. Mas - aí vem a autocrítica que fizemos - , a reportagem enfocou predominantemente a ausência de confusão e tumulto, já que no protesto anterior esta tinha sido a tônica. Não reproduzimos adequadamente o crescimento da manifestação, nem demos relevância ao motivo da união daquelas pessoas: o valor da tarifa e a qualidade do transporte. Recebemos críticas, vindas de apoiadores dos protestos. Uma delas:

"A chamada do site de ZH imediatamente após o protesto não foi a manifestação, a quantidade de pessoas que lá estiveram, a unidade construída pelo enorme grupo, ou o caráter justo inseparável das reivindicações. A manchete foi que a mobilização 'terminou sem confrontos'. É a não-notícia de quem viciou-se, pelo costume institucionalizado, naturalizado, em cobrir manifestações apenas para criminalizá-las".

Clique na imagem para ler a reportagem:

Na terça-feira à tarde, dia 2, chamei uma reunião com os editores de Política e de Geral, responsáveis pela cobertura, para avaliar nosso trabalho. Concluímos que, sim, o enfoque correto não era apenas "menos confusão", era também a grande mobilização e o debate sobre o transporte coletivo. Quem são, o que querem, como se organizam os líderes e manifestantes?

Combinamos que, para o dia seguinte, daríamos visibilidade a este fenômeno que reúne diferentes perfis e grupos. E publicamos esta reportagem (clique na imagem para ler):

Clique aqui para ver o infográfico

No texto de Carlos Rollsing, mostramos quem são e o que pensam os vários grupos que formam esses protestos. O que não nos impediu de levar chumbo nas redes sociais, de novo. Alguns exemplos:

"Primeiro a ZH mete o pau nos manifestantes sendo que os demais veículos falaram totalmente o contrário, claro, vocês não podem ir contra quem larga MUITA grana aí, depois ficam assoprando a ferida pra não passarem por ruim. Na real, qual a posição de vocês?"

"Zero Hora se fazendo de bonita agora que o protesto tomou corpo. Antes era tudo um bando de baderneiros, vândalos, bandidos".

Mas também recebemos elogios:

"Parabéns pela primeira matéria decente e não tendenciosa que vocês fazem sobre o aumento de passagem".

"Parabéns pela matéria do Carlos. Avaliação muito bem feita, apesar de enfatizar o papel dos partidos e dos anarquistas. Eles ainda têm uma posição mais diminuta na conjuntura, tanto os partidos quanto os anarca, mas a avaliação de vocês foi muito mais política do que ideológica desta vez".

Ok. Não estamos aqui para agradar a todos. Nosso propósito é mostrar todos os lados, para que o leitor tire suas conclusões. Quando erramos, procuramos corrigir. E, mesmo que nem todos acreditem, ouvimos o que os leitores dizem, fazemos autocrítica e auscultamos as redes sociais como mais um elemento para melhorar nosso trabalho.

Em Zero Hora, a Copa já começou

30 de março de 2013 2

Cada vez mais, o assunto Copa do Mundo toma conta das páginas e do site de Zero Hora. E tem que ser assim mesmo: apesar de faltar mais de um ano para o início dos jogos, o impacto gigantesco do evento nas esferas cultural, econômica, social e política requer uma cobertura especial, para que o leitor não perca um detalhe sequer.

Faz muito tempo que o jornal planeja e trabalha o assunto Copa. Começamos com quatro anos de antecedência. Em 11 de julho de 2010, enquanto a Espanha batia a Holanda na final da Copa da África, o jornal já organizava a cobertura de 2014. Qual o impacto, para Porto Alegre e para o Brasil, de receber um evento assistido por 3,2 bilhões de pessoas?

Naquela data, Rodrigo Müzell foi destacado como editor de Copa, com a tarefa de produzir ou editar matérias não só no Esporte, mas em todas as editorias. Nos primeiros dois anos, acompanhamos o planejamento das cidades que receberão o evento, com ênfase em Porto Alegre. Antecipamos projetos, cobrimos polêmicas como a da assinatura do contrato do Beira-Rio, verificamos o andamento das obras pontualmente e de forma mensal no projeto Copômetro e, desde o domingo passado, trazemos bastidores do Mundial em uma coluna dominical chamada de Nossa Copa.

Além do editor Rodrigo Müzell e do editor de Esportes, Diego Araújo, atuam no time o editor assistente Pedro Moreira e os assistentes Leonel Chaves e Renata de Medeiros, com o apoio constante de toda a editoria de Esportes.

A escalação do time, da esquerda para a direita: Renato Mendonça, Gilmar Fraga, Ruy Carlos Ostermann, Renata Medeiros e Pedro Moreira; Rodrigo Müzell, Leonel Chaves e Diego Araújo

Em 2013, com o lançamento do projeto multimídia Liga dos Fanáticos, estamos na antessala da Copa, e a cobertura se intensifica com a chegada ao Rio do correspondente RBS Eduardo Gabardo. No Coração da Copa, ele vai tratar dos preparativos e das decisões tomadas no Rio, pelas equipes que a Fifa já destacou para morar no Brasil, e preparar os eventos. Gabardo capitaneia, em todas as mídias, um time de 10 jornalistas que, nas outras sedes da Copa além de Porto Alegre, mostram o impacto do evento em uma página semanal.

Na internet, um site dentro de ZH Esportes traz notícias e análise sobre as Eliminatórias, com os possíveis adversários do Brasil, o passo a passo da reforma do estádio Beira-Rio, a preparação das Capitais da Copa, o andamento em Porto Alegre dos projetos de mobilidade urbana com informações atualizadas do impacto sobre o trânsito, além de cobertura online da Seleção  Brasileira.

Para dar um molho especial a esta cobertura, temos ainda Ruy de Todas as Copas, um dos  principais projetos multimídia da RBS deste ano. Na internet, no jornal, em programas de rádio e TV e em um livro, o Professor vai relembrar, com a colaboração do jornalista Renato Mendonça e do ilustrador Gilmar Fraga, as Copas que viveu, mostrar o que mudou no futebol e contar causos no melhor estilo que o consagrou como um dos principais nomes do jornalismo esportivo brasileiro.

Novo site para homenagear Porto Alegre

12 de março de 2013 0

O editor Ticiano Osório está capitaneando a homenagem de ZH para o aniversário da Capital no próximo dia 26. Nesta terça-feira,  entrou no ar o site colaborativo Aniversário de Porto Alegre. A ideia é que os próprios moradores e visitantes mostrem o melhor da cidade e participem do conteúdo. Na estreia, mas de 500 fotos de leitores estão no mural de lugares imperdíveis.


Entre as seções, está a Antes e Depois, que mostra as mudanças da paisagem em locais característicos da cidade - na abertura, o Viaduto da Borges.

A coluna Almanaque Porto-Alegrense lembra personagens e fatos históricos. Dicas sobre o melhor da programação cultural do aniversário também estão na página. E para quem gosta de listas, o site selecionará, ainda, 10 músicas que versam sobre Porto Alegre, 10 livros ambientados na cidade e 10 filmes que mostram cenários da Capital. Confira uma delas:

Um suplemento especial impresso também está sendo preparado. No dia do aniversário, os leitores vão conhecer a visão de colunistas  sobre bairros e regiões da cidade.

Seis jornalistas de Zero Hora estão escalados. Eles farão um mergulho no cotidiano, na história, nas paisagens e nos personagens de seis bairros e regiões: Cláudia Laitano (Centro), Tulio Milman (Bom Fim), Gabrieli Chanas (Menino Deus), Bela Hammes (Bela Vista), Rosane de Oliveira (Moinhos de Vento) e Rosane Tremea (Zona Sul).  O sexteto elegeu seus pontos preferidos em cada local, que poderão ser conhecidos em um aplicativo para mobile. Aguarde!

Um documento sobre as estradas gaúchas

09 de março de 2013 0

O assunto estradas está presente todo dia em Zero Hora. E dificilmente a notícia é boa. Por falta de investimento durante décadas, as rodovias gaúchas figuram no noticiário por seu papel – coadjuvante ou principal – nas mortes no trânsito e no prejuízo à economia.

Nesta edição dominical, apresentamos uma análise profunda sobre o tema, em um caderno de 12 páginas. Durante dois meses, três jornalistas de Zero Hora se dedicaram a investigar as razões para as más condições das rodovias do Estado – cuja avaliação piorou na última pesquisa CNT de Rodovias.

No levantamento, um dos mais completos e abrangentes da área já produzidos pela imprensa, a equipe constatou que o Rio Grande do Sul tem o pior índice de asfaltamento do país, perdendo até para Estados menos desenvolvidos e com menor pujança econômica.

A reportagem analisou com lupa suspeitas de irregularidades e esmiuçou indícios de superfaturamento na principal obra viária em andamento no Estado, a Rodovia do Parque.

A burocracia, que entrava e atrasa projetos importantes, também foi alvo da apuração: ZH explica por que uma das mais importantes artérias do Estado, a BR-116, está envolvida em um impasse por causa de reivindicações de índios que, segundo a União, migraram de outras regiões.

Outro dado que emerge da investigação é o excesso de peso nas estradas, um dos principais responsáveis pela buraqueira em rodovias: 77% da frota de caminhões transporta mais carga do que o permitido.

Zero Hora produziu um documento, a ser guardado e acompanhado, e que serve de pauta para governos e para todos os setores da sociedade, no intuito de que a infraestrutura rodoviária, cada vez mais, se torne motivo de boas – e não de más – notícias.


Você já baixou o aplicativo Foto ZH?


A segunda edição da revista para tablets está disponível. Esta semana, além da galeria com as melhores imagens de Zero Hora, uma reportagem fotográfica especial de Fernando Gomes, com textos de Nilson Mariano, sobre o incêndio ocorrido na boate República Cromañón, em Buenos Aires, há oito anos. Para baixar no iPad, acesse zhora.co/fotozhipad. Para dispositivos Android, zhora.co/fotozhandroid.


Outro conteúdo especial neste domingo também tem caráter documental, porém com leveza e primor estético que estão longe de ser novidade para os leitores de ZH. A seção mensal Ruy de Todas as Copas – confira às páginas 38 e 39 – integra um amplo projeto multimídia no qual o Professor revisitará, até dezembro, os Mundiais que cobriu – e nos quais se tornou um dos principais comentaristas esportivos brasileiros.
A “série do Ruy”, com conteúdo também no recém-reformulado site de Copa do Mundo dos jornais da rede, na Rádio Gaúcha e TVCOM, integra um dos maiores projetos da história da RBS: a Liga dos Fanáticos, que acompanha de perto os preparativos para o Mundial de 2014 desde muito antes de o evento começar.

O agronegócio em alta, também em ZH

23 de fevereiro de 2013 0

A partir da sexta-feira que vem, dia 1º de março, a plataforma de agronegócio de Zero Hora ganhará uma renovação completa, na edição impressa e no online. E num momento especial: as boas projeções para a atual safra, que deve chegar a 27,15 milhões de toneladas, embalam as estimativas otimistas para o desempenho da economia do Rio Grande do Sul neste ano.

Responsáveis por 40% do PIB gaúcho, as atividades ligadas ao campo têm um papel de grande importância no desenvolvimento do Estado. Em 2012, justamente devido à seca que provocou uma quebra generalizada na produção agrícola, a atividade econômica sofreu um recuo. Não por acaso, construiu-se o consenso de que, quando o campo vai bem, a economia também vai. E é neste clima de campo em alta que o Campo e Lavoura de Zero Hora se renova.

Com as novidades, Zero Hora fortalece seu compromisso com a cobertura do agronegócio e valoriza uma das grandes vocações do Estado. Com toda a grandeza que representa não só para o campo, mas também para as cidades.

Veja, nos destaques abaixo, as mudanças que estamos preparando.

Novo caderno e página diária

Com visual moderno e sofisticado, o suplemento – que este ano completará 29 anos e chegará à sua edição de número 1.500 – ganha novas seções e mais páginas às sextas-feiras. Terá espaços dedicados aos assuntos mais relevantes do segmento (grãos, tecnologia e animais), artigos de personalidades do setor, indicadores rurais e agenda de leilões. Diariamente, na editoria de Economia, os assuntos do agronegócio ganham uma página, aos moldes do Informe Econômico, com análise, tendências e notícias.


Novo site Campo e Lavoura

Uma página dentro do site de Zero Hora, que trará reportagens, entrevistas, vídeos e infográficos, com atualização permanente.



Forte presença em eventos

Além da cobertura diária online e off-line, Zero Hora reforça sua presença nos principais eventos do agronegócio no Estado. E a estreia deste movimento será na Expodireto, em Não-Me-Toque, na próxima semana.


ZH toda nova no iPad

16 de fevereiro de 2013 3


Primeiro, era o jornal só no papel. Uma edição por dia, nas bancas ou na porta da sua casa.

Depois, o jornal no papel e na internet. Com atualização de notícias 24 horas por dia, vídeos, blogs, gráficos animados.

Mais recentemente, o jornal no papel, na internet e no mobile – tablets e smartphones. Mobile, de mobilidade: onde você quiser, portátil, prático.

Zero Hora já tinha uma versão interessante para o tablet, mas resolvemos aprimorá-la. E, a partir deste fim de semana, quem tem iPad pode atualizar o aplicativo de ZH para conhecer o que estamos definindo como versão 2.0.

O novo app de Zero Hora para o iPad foi produzido na área de Desenvolvimento de Produtos Digitais do Grupo RBS, localizada dentro do Tecnopuc (Parque Científico e Tecnológico da PUCRS). O espaço criado lá pode ser imaginado como um pedaço do futuro: mais de 70 profissionais da RBS desenvolvem websites, aplicativos e outros produtos digitais para os jornais, rádios e classificados da empresa, em um ambiente altamente inovador e tecnológico.

No novo aplicativo de ZH, trabalharam diretamente 15 profissionais, durante quatro meses. E o que esses designers, desenvolvedores e analistas produziram? Algo que se pode definir como "Zero Hora viva". Uma nova Zero Hora a todo momento.

O antigo aplicativo apresentava as notícias sem maior hierarquia, ou seja, todas tinham mais ou menos o mesmo peso. E não havia aquela sensação de estar olhando a familiar capa de ZH.

No novo produto, o leitor olha para o iPad e vê a capa de ZH à qual está acostumado, e com a hierarquização de notícias dada por seus editores. Ao longo do dia, os fatos vão se sucedendo e, no iPad, é como se uma Zero Hora fresquinha saísse das rotativas a todo momento, unindo o melhor dos dois mundos: a edição e o visual do papel com a atualização permanente do online.

Essas são algumas das novidades do novo aplicativo, já disponível para atualização na App Store.





Compromisso até o fim

09 de fevereiro de 2013 9

Uma missão foi dada à Redação de Zero Hora na manhã daquele sinistro domingo, 27 de janeiro de 2013: investigar, até o fim, as causas e as responsabilidades pela tragédia que vitimou 238 jovens em Santa Maria. O assunto domina reuniões de editores, conversas de repórteres, encontros que definem a capa do jornal. Enquanto não forem identificados os causadores diretos e indiretos das mortes, o assunto não sai da pauta.

Investigação é uma das missões mais básicas – e, ao mesmo tempo, nobres – de um jornal. Ainda mais em uma publicação regional como Zero Hora. Se os jornalistas daqui não fizerem isso, quem vai fazer? Não somos a polícia, nem o Ministério Público ou o Judiciário. Cada um no seu papel. Mas, sim, à imprensa cabe descobrir o porquê das coisas, perseguir trilhas de papel, localizar personagens-chave de uma história. Zero Hora tem uma tradição nisso, e não seria diferente na maior tragédia da história do Rio Grande do Sul.

Trabalhamos em dois níveis: o primeiro tem foco em Santa Maria. A responsabilidade dos donos da boate, dos músicos, das autoridades municipais e estaduais que levou à tragédia. O segundo é um convite à sociedade gaúcha para uma discussão mais ampla: o que as mortes nos deixam de tema de casa individual e coletivo? O que é preciso mudar na legislação, no comportamento, na fiscalização, para que outros jovens não percam a vida de forma tão absurda?

Carlos Etchichury, coordenador do Grupo de Investigação de Zero Hora e editor de Polícia, desde o início liderou as equipes do jornal que investigam o caso de Santa Maria:

– Nossa preocupação foi desembaralhar o cenário e apresentar aos leitores, de forma ordenada e responsável, elementos que pudessem auxiliar nas investigações. Já na edição de terça-feira, dia 29, após ouvir especialistas e mergulhar na legislação, apontamos cinco falhas banais que transformaram a boate Kiss numa gigantesca arapuca. Durante a apuração, percebemos que um documento ajudaria a compreender a origem dos malfeitos que permitiram o funcionamento da boate. O que dizia e quem assinara o Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) feito pelos donos da Kiss e aprovado pelo Corpo de Bombeiros? O documento se fazia necessário porque, desde o domingo, enquanto as famílias choravam suas perdas, os comandos da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros asseguravam que o local funcionava de acordo com a legislação – mas negavam-se a fornecer o PPCI. Zero Hora descobriu que o plano de prevenção, na verdade, nunca existiu. E que o alvará de prevenção, chancelado pelos Bombeiros, fora concedido, possivelmente, de forma irregular. ZH revelou também que pelo menos uma empresa, cujo proprietário é um bombeiro da ativa, especializou-se em fazer alterações de medidas de segurança propostas, justamente, pelo Corpo de Bombeiros. Uma outra linha de apuração se dedica a investigar por que a prefeitura permitia o funcionamento da danceteria com alvará vencido. A apuração de ZH está deixando claro que a cadeia de responsabilidades não se limita aos músicos e aos sócios da boate que já estão presos.

Na edição deste domingo, das páginas 23 a 28, você confere mais um capítulo do trabalho, desta vez sobre a rede de falhas, burocracias e omissões que contribuíram para a tragédia. Leia também uma reportagem que mostra a fragilidade da liberação de funcionamento dos locais públicos no Estado todo. Nossa missão não se encerrará enquanto o assunto não for esgotado, e as responsabilidades, apuradas. É nosso compromisso.


O papel do jornalista

19 de janeiro de 2013 2

A bordo de uma caminhonete off road, os intrépidos jornalistas Paulo Germano e Bruno Alencastro percorrem desde dezembro o litoral de Punta del Este a Santa Catarina, pescando uma história aqui, outra ali. Publicam tudo no blog offroad. Algumas das reportagens vão para a Revista de Verão e para a cobertura de verão no jornal.

Na terça-feira, publicaram no blog um texto sobre Aílton Borraz, que vive "onde Judas perdeu as botas: bem no meio dos 150 quilômetros entre Cassino e Hermenegildo". Cuida das árvores da Florestadora Palmares. Chega a passar dois meses sem ver ninguém. Sem telefone. Sem sinal de TV.

– No verão, às vezes aparece alguém. Mas no inverno é muito triste: o cara olha para um lado, para o outro e dá vontade de... sei lá – diz Aílton.

Assim que o texto foi postado no blog, alguns leitores enviaram comentários cobrando do jornal e de Paulo Germano uma ajuda ao personagem da história. Por que ZH não instala uma TV via satélite para ajudar Aílton a passar o tempo?

Barbara Nickel, editora de Redes Sociais, me chamou a atenção: "Sempre surgem esses comentários. Por que o repórter não vai lá e ajuda, além de escrever a história?"

Boa discussão.

Qual é o papel do jornalista e do jornal?

Aílton não está em uma situação-limite: sua casa tem luz, graças a uma placa de energia solar, é um homem bem informado porque ouve rádio, e a florestadora leva a ele com frequência ranchos de supermercado. Zero Hora deveria ajudá-lo?

No ano passado, ao publicarmos a reportagem Filho da Rua, em que a repórter Letícia Duarte acompanhou durante três anos a trajetória de Felipe, desde suas primeiras escapadas de casa até se tornar dependente de crack e infrator, os leitores nos cobraram: por que o jornal não fez nada? Por que não providenciou internação, apoio social? Letícia Duarte comenta:

– Nos anos em que acompanhei a história de Felipe, enfrentei muitos dilemas éticos. Uma das coisas mais difíceis era ver a família dele morando na Vila do Esqueleto, num casebre feito com tábuas recolhidas do lixo, sem água... Tive muita vontade de ajudá-los, mas sabia que qualquer ajuda material seria moeda de troca para comprar crack. Segurei meus impulsos, com a convicção de que a melhor contribuição era contar a história da família e ajudar a sociedade a entender o papel nocivo da esmola na vida de crianças de rua.

O jornalismo está recheado de casos que suscitam o dilema. Qual o papel do profissional diante de um fato que clama por sua ajuda? Ao comentar o assunto com editores, esta semana, dezenas de histórias surgiram. Um jornalista que evitou o afogamento de uma criança. Outro que pagou o enterro de um pobre. Mais um que, ao visitar um abrigo de crianças, recebeu o pedido desesperado de uma delas para ser adotada. O editor e correspondente internacional Rodrigo Lopes lembra de muitas situações dramáticas. Uma delas:

– No Haiti, em 2010, eu e o cinegrafista Fernando Rech estávamos em uma favela miserável após o terremoto que devastou o país. Uma multidão de crianças com fome cercou nosso carro. Decidimos dar um iogurte para um dos meninos, com a melhor das intenções. Nesse momento, iniciou-se uma briga pelo iogurte, com chutes e pontapés. Um dos meninos saiu muito machucado. Sem querer, iniciamos o problema que poderia ter acabado com uma morte.

Comparada a situações extremas, a história de Aílton é desproporcional, mas serve como uma circunstância para o debate ético sobre o papel do jornal ou do jornalista. Tente responder às seguintes perguntas: ao entrevistar uma pessoa pobre, o jornalista pode ou deve tirar dinheiro do bolso para ajudar? E se for uma pessoa não só pobre, mas com muita fome? E se a pessoa estiver subnutrida, quase desfalecendo, pode ou deve levá-la ao hospital? Até onde vai o lado profissional, o lado humano, a responsabilidade e onde tudo isso se mistura?

Um trecho do Guia de Ética e Autorregulamentação Jornalística do Grupo RBS ajuda a responder: "Independência e isenção não eximem o jornalista da condição de cidadão. Mesmo no exercício de atividades profissionais, o jornalista tem o dever de tentar impedir, se possível, a consumação de acidentes ou situações que ponham vidas em risco".

O impulso de Rodrigo Lopes ao alcançar o iogurte para a criança é um gesto natural do ser humano e não pode ser condenado, mesmo que o papel maior dele no local fosse o de retratar a tragédia coletiva do Haiti. Você teria feito diferente?

Letícia precisou se disciplinar para resistir à tentação de ajudar Felipe, mas o tempo todo tentava se lembrar de seu papel maior, o de conscientizar a sociedade com uma reportagem de alto impacto. O relato de Paulo Germano sobre Aílton toca as pessoas, por tratar de uma história de solidão, mas sabemos não ser papel do jornal instalar uma TV via satélite em sua casa.

Aos jornalistas da Redação, cabe a reflexão diária, a cada pauta ou cobertura, sobre seus papéis como profissionais e como cidadãos. E, ao jornal como um todo, cabe despertar o debate e mostrar os fatos, para que a sociedade também repense seu papel e suas responsabilidades.