Para crescer mais não é preciso só baixar o juro...
Taxa básica de um dígito. Um sonho que pode ficar mais próximo, segundo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem, e que pode ajudar a economia brasileira a crescer mais, em um ano em que as expectativas são cada vez menores por causa da crise mundial - o FMI rebaixou, nesta semana, a projeção para o crescimento do PIB brasileiro de 3,6% para 3,0%.
Crise vai, crise vem, a única alternativa usada pelo governo para tentar evitar que o pior aconteça é a política monetária. É redução de compulsório, é redução de IOF sobre captações externas, é redução de taxa básica de juro, é afrouxo de restrições de crédito. Pouco é feito em outras áreas. No máximo, cortes pontuais aqui e ali de impostos para cortar impostos.
Crescimento maior não depende só de ajustes na política monetária. É preciso melhorar a eficiência dos gastos do setor público. Aumenta-se a máquina pública e não se aumenta a eficiência e a produtividade dela.
Somos um dos países com o pior retorno dos impostos para a sociedade, segundo estudo do IBPT (veja mais aqui). E um dos mais burocráticos. Fila para isto, papelorio para aquilo, procuração para acolá. Vivi na pele esta situação nas minhas férias. Para retirar o licenciamento do carro da minha esposa, foram preciso três idas ao Detran (uma delas o sistema de informática não estava funcionando) e duas ao cartório (que só aceitava reconhecer a firma da minha esposa se ela fosse pessoalmente lá).
Pior é a burocracia para quem realmente faz movimentar a economia nacional. São precisos 2,6 mil horas de trabalho por ano para uma empresa lidar com a complexidade do nosso sistema tributário, que acaba consumindo 67,1% do lucro, segundo o Banco Mundial. São 119 dias e 13 procedimentos para abrir uma empresa. Desburocratizar e simplificar são duas palavras que não aparecem no dicionário do governo brasileiro. E olha que a máquina pública já esteve mais inchada.
Mexer só no juro, na política monetária é preparar o próximo voo da galinha. Aos trancos e barrancos, voa, mas muito pouco. Enquanto isso, continuamos a ser só o país do futuro... É preciso fazer algo mais!




