
Uma cortina de guirlandas de rosas vermelhas dividiu o centro do palco do Teatro do Sesi ao meio, nesta sexta à noite, e a platéia também. Havia criaturas a gritar clichês (%22gostosa%22, %22linda%22 e tal) e a outra porção, dos boca aberta, mas sem emitir som. Era entre esta que me mimetizei, inicialmente, embasbacada pelo clima do show e o poder de sedução musical de Ana Carolina e das letras (diversas):
Eu voltei por entre as flores da estrada. (À frente das tais rosas pendentes.)
Se fico um tempo sem te olhar é pra saudade nos aproximar. (Lindo, não?)
Toda mulher gosta de rosas e rosas e rosas / Muitas vezes são vermelhas / Mas sempre são rosas. (Alguém discorda?)
Não consigo parar de te olhar / Não consigo parar de te olhar.
Aí não consegui manter a maquiagem intacta. Se bem que não se perdeu muito. Um colchete: o cabelão da moça e a maquiagem impecável (sim, dava para perceber, mesmo de longe) provocavam uma invejinha branca entre as do grupo direto-do-trabalho, como eu.
Se ainda não declarei, hipnotizante também era o cenário de painéis e cortinados móveis, brilhantes, que desciam ao fundo e, em formato reduzido, ao centro do palco, eventualmente substituídos por telões com imagens figurativas, por vezes um espetáculo dentro do espetáculo.
Como toda produção harmônica, cada detalhe parecia imprescindível – dos brilhos pendentes, à luminotécnica envolvente, aos músicos impecáveis e à percussão incrível.
Hoje tem mais. Deixe as crianças na casa dos avós, apague a luz do quarto, da cozinha e da sala de estar e entre nos Dois Quartos de Ana Carolina. Eu já conheço o seu sorriso.
(Espero que já tenham ingressos, porque estão esgotados!)
Postado por Eleone Prestes, de casa



