
Quem ousaria dizer que hoje o móvel fabricado na Serra gaúcha não tem diferenciação entre si? A quantidade de empresas do setor moveleiro e a qualidade do seu produto cresce pelo caminho da formação de identidade. E ninguém nega o peso do design nas vendas externas de mobiliário brasileiro, como admite o presidente da 16ª Movelsul, Edson Pelicioli.
— As empresas estão preocupadas em definir seu produto de forma diferenciada para agregar valor — diz Pelicioli, ao explicar que, se vender apenas o que o cliente pede, a mercadoria já vem com preço definido e, agregando valor, consegue preço diferente para o seu produto.
Pelicioli observa que o Salão Design, setor cada vez mais valorizado na feira, distribui premiação de R$ 100 mil, entre os vencedores, nas categorias estudante, industrial e profissional, que são expostos já na edição do ano do concurso.
— Há 15 anos as empresas não tinham nem projetos e hoje há muita novidade, diz o gerente da unidade Todesmade da Todeschini, fonecedora de matéria-prima da indústria.
Maristela Cusin Longhi, presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), aplaude a tendência:
— Cada vez mais o Brasil vai ter que trabalhar o design diferenciado para buscar reposicionamento de mercado, em função da busca por menores preços, com os países asiáticos com uma performance maior (no quesito preço). Ela reafirma: Tem que trabalhar no design arrojado e continuar crescendo nas exportações.
Exportações em 2007 – O RS teve crescimento de 6,8% em relação às exportações do ano anterior. No mesmo período de 2007 em relação a 2006, o Brasil cresceu apenas 2,7%. Isso demonstra a performance diferenciada e a capacidade de buscar alternativas.
Universo moveleiro – Há 260 empresas gaúchas exportadoras, num volume de 2.300 empresas, gerando 33 mil empregos diretos. As exportações geraram 284 milhões de dólares em 2007no RS.
Desde 2005, ocorreram percalços devido à queda do preço do dólar, o que explica as quedas de resultado das exportações para os Estados Unidos. Mas o Rio Grande do Sul está fazendo prospecção de novos mercados e busca por um design mais arrojado para se sobrepor às barreiras. Maristela lembra da realização de outra feira realizada na Serra, além da Movelsul, destinada a produtos para as classes A e B, a Casa Brasil, %22a feira que veio para mostrar ao empreendedor que é possível trabalhar com produtos diferenciados%22.
Conheça a 16ª Movelsul em números:
Na edição anterior – US$ 250 milhões em negócios
Atual edição, encerrada sexta-feira – estimativativa de US$ 270 milhões de negócios em decorrência da feira, fechados até 90 dias depois
Número de expositores – 430, com lista de espera para a próxima. Nesta Movelsul, a feira aumentou em parte de um pavilhão e mais outro pavilhão inteiro, num total de mais 7 mil metros quadrados adicionais
Área total – 57 mil metros quadrados de área parque de eventos Bento Gonçalves, com lista de espera para o próximo evento
Público de visitantes profissionais – 33,845 mil, de 57 países. O número significa aumento de 5% em relação ao público visitante de 2006
Ah, vejam em Zero Hora deste domingo, na página 20, editoria de Economia, uma reportagem sobre tendências, design e exportações. E, na próxima terça-feira, dia 1º, duas páginas sobre design: uma entrevista com a arquiteta Eulalia de Souza Anselmo e uma prova do Salão Design da Movelsul nas páginas 4 e 5 de Casa&Cia.
E aguardem: Outro dia mostrarei o hotel conhecido como Spa do Vinho, o Villa Europa, onde me hospedei a convite da Movelsul, no início da semana, no Vale dos Vinhedos.
Bom final de semana!
Postado por Eleone Prestes, redação Zero Hora