Reedito hoje este material da Fundação Iberê Camargo, sob a emoção de ter participado da inauguração, sexta-feira, e de ter feito uma primeira visita, neste sábado em que o museu abre ao público. Os primeiros visitantes foram um pai e seus dois filhos, mostrando o interesse de duas gerações pelas duas obras de arte incontestáveis: a de Iberê Camargo e a de Álvaro Siza.
Estou preparando um material especial sobre a Fundação. Enquanto não entra no ar, atualizo este que, segundo o engenheiro Canal, foi o momento em que ele (Canal) se deu conta da obra feita. Ou o sonho realizado, como diria Siza.
Conversei hoje sob o sol do meio-dia com Siza, Canal e o arquiteto Pedro Polonia, para uma reportagem em Casa&Cia da próxima terça-feira, focada mais no mobiliário da Fundação, obra também de Siza, um perfeccionista que não deixaria a cargo de outro sequer um detalhe da sua obra de arte.
Abaixo, o post original de 25 de março:
Se vocês entrarem na capa de zerohora.com, podem acessar um slideshow (um passeio de fotos, feitas pelo Carlos Edler) com áudio meu, mostrando um pouco mais da Fundação Iberê Camargo, num passeio que fiz ontem a partir do meio-dia com o engenheiro José Canal, por todo o prédio, inclusive na área de estruturas como ar-condicionado e outros sistemas que impressionam pelo detalhamento minucioso, resultado de 10 anos de trabalho.
É um edifício feito para durar %22mais do que nós%22, como diz Canal, professor de uma disciplina de Projeto da Arquitetura da UFRGS e o profissional que chegou antes do próprio autor, o arquiteto português Álvaro Siza. Todas as escolhas recaíram sobre o que há de melhor, mais resistente, mais seguro no mercado nacional e internacional. Foram feitos testes com o cimento branco, a exemplo do que ocorreu com diversos materiais.
O trabalho de engenharia arrepia, não apenas o de arquitetura, esplêndido. Só de gesso há cinco tipos empregados, cada um numa finalidade diferente. As paredes não são apenas paredes e ponto final. Por dentro passam sistemas de refrigeração e outros. E não se vê nada. Nada. É tudo embutido, automatizado. É um prédio à prova, por exemplo, de enchente. Se ocorrer um desastre como a de 42, durante uma semana o nível de água pode subir que o prédio está formatado para resistir heroicamente. Fogo? Também não vinga. E não se vê nenhum elemento exposto.
Ontem foi um dia para guardar na minha memória, que acompanho o sonho desta fundação desde as conversas do maestro Iberê com a dedicada Maria Camargo, seus amigos e advogados para garantir que fosse viabilizado. O prédio é sólido, como sua obra. E, apesar das deliciosas curvas e alças, é expressivo como sua pintura, com as delícias dos seus desenhos e a técnica de suas gravuras.
Obrigada, arquiteto Álvaro Siza, obrigada Iberê Camargo.
A Fundação foi escolhida como a obra arquitetônica mais significativa de Porto Alegre por um júri técnico, com representantes de entidades do setor. Vejam a reportagem em Zero Hora de hoje, no projeto Porto Alegre 360°, para homenagear a nossa cidade pelo aniversário.
Clique na imagem abaixo e passeie pelo prédio da Fundação Iberê Camargo:
Postado por Eleone Prestes, do seu PC






