Iberê Camargo sempre falou em fazer o seu ofício com paixão. Pois esse sentimento emanava dele para os que o rodeavam e a sua presença se transformou em um fato presente, apesar dele ter nos deixado em agosto de 94. Com a abertura da Fundação Iberê Camargo na última sexta-feira à noite, na Avenida Padre Cacique, o seu sonho continuou. Sabe-se para onde viajará a sua obra e quantos não terão o prazer com conviver com o seu expressionismo.
Na véspera da abertura da Fundação projetada por um dos cinco maiores arquitetos da atualidade, Álvaro Siza, encontrei uma entrevista inédita que havia feito com ele e jurava estar perdida. Senti como se fosse quase um milagre.
Trata-se de uma conversa na sua casa, em junho de 1994, para reforçar a minha memória, antes de fazer um texto de apresentação para a que seria a última exposição do maestro, em São Paulo, aberta na véspera da sua morte.
Voltei de viagem a tempo de me despedir dele, uma hora antes de ter começado a vida sem a presença física de Iberê Camargo. Ele havia dito pra mim nesta entrevista: "Não sei espichar o caminho". Sabia, sim. O caminho através da Fundação Iberê Camargo, não tem fim.
Ouça trechos da entrevista concedida em 1994 pelo artista
Postado por Eleone Prestes, redação Zero Hora



