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Em Casa: O moderno Burle Marx

26 de janeiro de 2009 0

À esquerda, Jardim de Edmundo Cavanellas, 1954, em Pedra do Rio, Petrópolis, RJ. À direita, Jardim para o alargamento de avenida na Praia de Copacabana, 1970, RJ./Haruyoshi Ono

Esta semana, a retrospectiva da obra completa de Burle Marx no Rio abre a coluna Em Casa, na página 2 de Casa&Cia. Aqui, conto mais sobre o importante trabalho do autor de mais de 3 mil projetos de paisagismo em 20 países, premiado como pintor e designer de jóias, ceramista, tapeceiro, autor de cenários e figurinos para teatro e óperas, músico, ecologista desde os anos 70.

Roberto Burle Marx (SP, 1909 — RJ, 1994) deve estar aplaudindo a reunião da sua obra no Paço Imperial na retrospectiva A permanência do instável. Trata-se da celebração ao seu centenário de nascimento, que começou no dia 12 de dezembro de 2008 e se estende até 22 de março de 2009.

O térreo do Paço Imperial, localizado no centro histórico do Rio, tem um jardim, projetado por RBM para uma área interna do Museu Nacional de Belas Artes, RJ, adaptado ali por Isabela e Haruyoshi Ono, este sócio-colaborador, herdeiro e atual responsável pelo Escritório Burle Marx & Cia. Ltda. Começa então a viagem pela eterna obra de Burle Marx.

Essa é a última exposição da trilogia sobre o nosso modernismo iniciada em 2002 pelo Paço Imperial com a mostra Lucio Costa: 100 anos, e, em 2007, com Oscar Niemeyer 10|100. Para viabilizar esta mostra, o Paço conta com a parceira da Fundação Roberto Marinho e com o patrocínio do Itaú Cultural, é bom que que se aplauda.

O curador, Lauro Cavalcanti, faz um mapeamento da múltipla produção artística de Burle Marx — pintura, desenho, gravuras, tecido, tapeçaria, cerâmica, jóias, muranos e projetos paisagísticos, o maior dos paisagistas do século XX e criador da linguagem moderna do paisagismo no mundo.


Tapeçaria, 1980, Executada por Tecelagem Parahyba em lã, em 1m98cm x 2m65cm, Acervo Sítio Roberto Burle Marx – IPHAN / MinC  Foto: Cesar Barreto

Burle Marx era autodidata em paisagismo, mas estudou pintura na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, com Cândido Portinari, e com Degner Klemn, em Berlim, em 1928, quando começou a se interessar por plantas.

— (…) No momento em que vou combinar plantas, estou pensando em cor, volume e ritmo — disse o artista da paisagem, que completou: “Decidi-me a usar a topografia natural como uma superfície para a composição e os elementos de natureza encontrada — minerais, vegetais — como materiais de organização plástica, tanto e quanto outro artista procura fazer sua composição com a tela, tintas e pincéis.

Cavalcanti ressalva, porém, que “seria enganoso considerar seu paisagismo simples transposição da pintura”. Nos anos 1930 e 1940, suas telas traziam figuras, enquanto o abstracionismo impregnava os projetos paisagísticos. Além disso, seus conceitos de teoria da pintura seriam inválidos sem o profundo conhecimento botânico das espécies.

O sítio Santo Antonio da Bica, em Guaratiba, lugar de plantio, pesquisa e experimentos com espécimes vegetais, residência de Burle Marx até o de sua vida, foi doada por ele ao Estado. Hoje, a propriedade pertence ao IPHAN, funciona como museu e reúne uma das mais importantes coleções de plantas tropicais do mundo, com cerca de 3.500 espécies brasileiras e de localidades como Indonésia e Havaí.

Entre suas obras estão o City Centre Park, de Kuala Lumpur, Malásia, em 1993, sua última obra; o Parque Del Este, em Caracas, Venezuela; Parque do Flamengo e Calçada da Atlântica no Rio de Janeiro; Parque do Ibirapuera e Jardim Botânico, em São Paulo, do Parque Zoobotânico, em Brasília, jardins da Pampulha, e do pioneiro Parque de Araxá, realizado nos anos 40.

No mundo, estão os jardins da Unesco, em Paris, o Biscayne Boulevard, em Miami, em que criou áreas para circulação de pedestres e usou a flora tropical na constituição de campos abstratos de cor, os jardins do prédio do Centro Georges Pompidou, em Paris, Jardim Memorial na Praça Rosa de Luxemburgo, em Berlim, Jardim das Nações, em Viena, jardins do edifício da Organização dos Estados Americanos [OEA], em Washington.

Veja mais em www.pacoimperial.com.br e na coluna Em Casa, pág. 2 de Casa&Cia deste 27 de janeiro.


Mulher de combinação rosa, 1933, Óleo sobre tela, 1m01cmx 71cm, Acervo Sítio Roberto Burle Marx – IPHAN/MinC  Foto: Cesar Barreto

Postado por Eleone Prestes, redação Zero Hora

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