Seu filho, irmão, amigo, apareceu sábado de manhã em casa, depois de, digamos, ficar algum tempo na rua, digamos, desde a noite anterior, digamos, sem tomar água nem café preto?
Ele pode ter sido o cara que bateu no meu carro na Avenida Ipiranga, entre a Rua Santa Cecília e a Silva Só, vindo dos lados do final da Ipiranga, sentido bairro-Centro.
Um Peugeot preto, com um cara certamente alcoolizado ao volante, veio numa velocidade pelo menos 40 quilômetros ACIMA da velocidade máxima permitida, saído do nada, porque muito rápido, e bateu com o lado direito frontal do carro no canto traseiro esquerdo do meu. Sinceramente, eu achei que o automóvel ia capotar na minha frente. Mas não. Se jogou para um lado e para outro umas três ou quatro vezes, e sumiu. Levando o meu sossego.
Como já falei, era sábado de manhã. Em torno de 9 horas e alguma coisa. Eu estava feliz, depois de uma noite tranqüila, em direção ao meu trabalho. Estava particularmente em paz comigo mesma e o mundo. Apesar de ter problemas, como todo mundo. Um deles era o fato de que no dia anterior tinha descoberto que estava com o seguro do carro atraso por conta de uma confusão que não vem ao caso. Ia receber um técnico às 10h para fazer uma nova vistoria no carro e ativar o seguro. Não vou contar tudo senão vou ficar braba e desviar o foco da minha atenção.
Eu sou daquelas pessoas que não têm nenhuma multa por infração de trânsito, sequer uma batida em engarrafamento. Pois neste sábado, um covarde bêbado bateu no meu carro no meio de uma avenida com trânsito absolutamente tranqüilo e seguiu em frente.
Espero que não tenha atropelado ninguém, sequer um cão de rua. Muito menos nenhum jovem para virar borboleta no asfalto.
Mas espero que tenha uma mãe atenta que se ligue no estrago no carro. E interpele o filho sobre a causa.
Há pouco eu assistia no Fantástico o resultado de uma enquete sobre a opinião dos telespectadores a respeito do toque de recolher para jovens. Resultado: 77% de aprovação. Minha filha ficou surpresa. Eu também. Cercear a liberdade das pessoas não parece certo.
Mas se os pais não conseguem educar os filhos para respeitarem os outros e se respeitarem - sim, porque aquele jovem colocava a sua vida em risco, rasgando a Ipiranga feito louco - quem sabe não é certo mesmo entrincheirar as pessoas em casa? Não, eu não consigo concordar com essa iniciativa, mas também quero ter o direito de sair de casa para trabalhar sem ser agredida por um bêbado sem noção.
MInha filha sugere que nosso próximo cão - o querido Fred morreu já faz um tempo - seja chamado de Murphy. Parece que o cara daquela lei que irrita a pessoa me ama.
A gente não perde uma piada. E nem a consciência. Nessas situações, manter a integridade física é o que importa. O cara do Peugeozinho preto não conseguiu nem amarrotar a minha escandalosa calça indiana floral. E ainda encontrei meus óculos perdidos que surgiram no banco do carro com o impacto da batida pelo costurador maluco que pilotava tão mal quanto devia estar o seu fígado.
Toque de recolher para o motorista do Peugeot preto!
Postado por Eleone Prestes, do seu PC