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Texto de arquiteto: Arquitetura efêmera

29 de novembro de 2011 0

Ingrid Stemmer aceitou o desafio de prosseguir nos textos de arquitetos aqui neste blog, mostrando como vê a arquitetura efêmera, justamente por ser assídua participante e sempre de forma destacada da Mostra Casa&Cia. A arquiteta também participa do Conselho do Leitor de Casa&Cia.

(Foto Carlos Edler)

Arquitetura efêmera
Os desafios na criação de um projeto temporário, como para participação em uma mostra, são diferentes daqueles propostos para o dia a dia. Surgem sentimentos antagônicos e conceitos que precisam ser revistos.
Os trabalhos de interiores do escritório, geralmente, têm o cliente como fio condutor, muitas vezes deixo que a intuição guie os traços e estabeleça uma percepção além do racional, permitindo que meu cliente se apaixone pelo o que está sendo feito. Cada cor, cada detalhe, cuidadosamente colocado para satisfazê-lo. Pois, parece-me que oferecer conforto visual, acústico e ao toque são obrigações profissionais. Surpreender o cliente é o grande desafio.
Já em mostras é preciso buscar um personagem, um cliente imaginário e apostar nele. Contudo, não posso esquecer que este é um momento de especial liberdade, quando posso comunicar ao público visitante valores essenciais de uma criação Stemmer Rodrigues e com isso, marcar um conceito.
A ideia é manter o equilíbrio, o espaço deve ser inovador e inusitado, porém atemporal, ficar longe de modismos passageiros, pois não podemos esquecer que mesmo a mostra sendo passageira suas imagens serão veiculadas por muitos anos, integrando nosso portfólio.
Tanto nas mostras como na vida real, tenho muito cuidado com tudo que seleciono para meu projeto, assim como em uma receita em que bons ingredientes são fundamentais, a seleção de mobiliário, complementos e obras de arte têm um papel decisivo.
Nos últimos anos, a organização da Casa&Cia tem procurado propor temas instigantes para a Mostra, mas a temática cinema deste evento foi especial, gerou uma infinidade de possibilidades. Surgiram as mais diversas interpretações: divertidas, coloridas, ousadas, retrôs... Envolvida por este clima cinéfilo, substituí a figura do cliente pela marcante personalidade do cinema noir e o resultado foi um trabalho empolgante, diferente de tudo que já fiz, cheio de mistério e nostalgia.

Desta reflexão, observo que meus trabalhos são feitos com a mesma intensidade e paixão, tanto para permanecer por muitos anos na vida de um cliente ou para uma existência breve. O que realmente conta é imprimir alma ao espaço.

www.stemmerrodrigues.com.br

(Foto Tadeu Vilani)

Este é um recanto do ambinte Cinema Noir, projeto de Ingrid Stemmer nesta Mostra Casa&Cia que encerra no domingo, dia 4 de dezembro.

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