Até este domingo está no ar a exposição Casas do Brasil – Barraca Cigana, com o trabalho da fotógrafa e pesquisadora Luciana Sampaio. São fotos e vídeos do cotidiano de acampamentos dos ciganos Calon na periferia de São Paulo. A mostra tem patrocínio da Ornare e está aberta das 10h às 18h no MCB (Av. Faria Lima, 2703), (11) 3032-3727.
Fiquei fascinada pelas imagens dessa exposição e, apesar de não ter visto ao vivo a montagem, imagino o clima. Confesso que na infância tive muito medo dos ciganos. Volta e meia havia acampamentos deles na minha cidade natal, São Borja, para os lados da Viação Férrea. As mulheres de saias fartas de coloridos tecidos vaporosos tinham acima do sorriso de esparsos dentes de ouro um olhar que te desnudava e a gente não sabia se queriam dizer algo ou se pretendiam nos extrair algum segredo. Isso dava medo.
Ao lado dessas mulheres (importante: com brincos pendentes como eu jamais havia usado - ainda - na minha curta existência de criança de interior e milhares de pulseiras de ouro) havia os homens sisudos e suas picapes. Prontos a levantar acampamento da noite para o dia, deviam ter algum poder para sumir com tudo como num passe de mágica.
Além de ler a sorte como quem penteia o cabelo, as mulheres tinham junto um poder de persuasão ou de hipnose que me apavorava. Nunca estendi a mão pra nenhuma delas lá em São Borja, mas confesso que depois de grande cedi ao canto de sereia de uma delas no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Foi uma decepção: ela olhava mais para mim do que para minhas mãos, para captar na minha expressão o que me ia na alma e recitar uns clichês de momento, em vez de me decifrar com uma sabedoria milenar.
Mas de todo modo a estética dos ciganos é linda, colorida e continua aguçando a minha curiosidade com uma ponta de... bem, de medinho infantil. Pronto, confessei.
Vamos ver as fotografias da mostra em São Paulo que é melhor:





