Tem quatro profissionais envolvidos no projeto de reforma da boate Kiss, a da tragédia em Santa Maria. Os vários profissionais incluem arquiteta de interiores, engenheiro civil e de segurança que assinaram projetos e laudos para a alteração de área de 200 metros quadrados com foco na decoração, envolvendo reboco e pintura. A boate reabriu após essa reforma em 20 de fevereiro de 2012.

Palco da tragédia

Interior da boate Kiss em foto de 12 de março, pelo fotógrafo Jean Pimentel, após a reforma
O engenheiro civil Luiz Alcides Capoani, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio Grande do Sul, que voltou de Santa Maria às 2h desta segunda-feira, ressalta a necessidade de haver fiscalização do uso das edificações com inspeções periódicas. Mas "há resistência para isso", conforme o representante do CREA/RS, que tem em mãos documentada uma "pequena reforma".
- A legislação não atende mais as necessidades de hoje. Os políticos têm que ter sensibilidade: há leis antipáticas para a sociedade, só que evitam tragédias (citou a lei seca, que reduziu as vítimas de acidentes de trânsito como exemplo positivo e lembrou o acidente em Capão da Canoa que, depois de ocorrido, levou a uma atenção maior para a fiscalização dos edifícios) - diz Capoani.
Ele se referiu ainda à sucessão de equívocos que serão investigados, como o uso de sinalizadores - tem produtos para uso interno e externo (um, mais caro, e outro, mais barato, cada um com sua indicação de uso), do mesmo modo que há revestimentos como a espuma do teto com indicações específicas (como para uma casa de máquinas, por exemplo, também com custos e aplicações variados).
O presidente adianta que está sendo formada uma comissão especial para analisar o caso, com professores e especialistas da área - inclusive do Corpo de Bombeiros. Ele preferiu não mencionar os nomes dos profissionais que assinaram a reforma porque, disse, a partir de janeiro de 2012 passou a existir um Conselho específico para os arquitetos, o CAU/RS, outra autarquia.
E o CREA/RS não tem o projeto inicial da boate, quando o prédio, que já havia abrigado outros negócios, como um cursinho, foi transformado em casa noturna, em 2009.
- O que temos é essa troca da decoração - afirma.