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Sequência de 'Sideways' é possibilidade remota

11 de agosto de 2012 0

O diretor de cinema Alexander Payne, que adaptou o livro Sydeways - Entre Umas e Outras (foto abaixo) ara a telona, anda ignorando a pressão dos fãs e, principalmente, do autor da obra para a produção de uma sequência.

O escritor Rex Pickett garante que o estúdio Fox Searchlight já disponibilizou a verba para a rodagem de Vertical, história que dá continuação à road trip enológica da dupla Miles e Jack. No entanto, Payne estaria relutante em "se vender" ao projeto, preferindo manter a memória do Oscar conquistado em 2004.

Em Vertical, o protagonista Miles se transformou em um autor que teve sua obra transformada em filme. Correspondências com a realidade não são meras coincidências.

Vinhos 'afogados' em escala comercial

10 de agosto de 2012 0

Está quase tudo pronto para o lançamento do primeiro serviço de envelhecimento submarino de vinhos do mundo. Localizado no fundo do Oceano Atlântico, a uma profundidade de mil metros, a cave oferece as condições ideais para o amadurecimento da bebida: temperatura baixa e constante, oxigênio zero e pouquíssima incidência de luz.

Acondicionadas em caixas de aço inox, elas ficarão submersas por até 10 anos, sendo que a cada 24 meses um exemplar é resgatado para a degustação e avaliação. A novidade será oficialmente lançada na metade do próximo ano, e vai custar às vinícolas interessadas cerca de 17 euros por garrafa (pouco mais de R$ 42 por unidade).

A arquitetura dos grandes vinhos

09 de agosto de 2012 0

Um dos símbolos da vinicultura francesa, o Château Cheval Blanc inaugurou recentemente um novo prédio em meio a seus vinhedos em Saint-Émilion. Desenhado pelo arquiteto Christian de Portzamparc, o edifício chama atenção pela harmonia e leveza de suas formas onduladas.

Faz tempo que arquitetura e enologia caminham juntas. E para provar, além da ampliação do Cheval Blanc, selecionamos a contribuição de outros projetistas renomados ao mundo do vinho.


Depois de aplicar revestimento metálico no Museu Guggenheim de Bilbao, Frank Gehry fez o mesmo com o hotel da vinícola Marqués de Riscal, na cidade espanhola de Elciego

 

A iraquiana Zaha Hadid é quem assina o varejo da Viña Tondonia, em Haro (Espanha), moldado no formato de um decanter


O português Álvaro Siza, que em Porto Alegre assina o prédio da Fundação Iberê Camargo, criou na região do Douro uma bela sede para a vinícola Quinta do Portal


Santiago Calatrava confirmou a paixão espanhola por design ao aceitar o convite para projetar o prédio da vinícola Ysios, no norte do país

David Lynch e o 'poder da criação' de uma Dom Pérignon

08 de agosto de 2012 0

O intercâmbio entre o mundo do vinho e o das artes não fica restrito à arquitetura. Exemplo é a série especial de rótulos que o diretor de cinema David Lynch desenhou para a Dom Pérignon. Lançada em Los Angeles, a nova identidade visual das garrafas foi batizada de The Power of Creation (O Poder da Criação) e vale para a 2003 Brut Champagne e a 2000 Rosé.

Com um design obscuro, a edição especial assinada pelo diretor de Veludo Azul e Twin Peaks chega antes no Reino Unido, em outubro. Justificando a parceria, a Dom Pérignon afirmou em nota oficial que o trabalho da vinícola e o de Lynch têm tudo a ver, pois combinam “mistério, intensidade, compromisso, tempo, a constante reinvenção de si próprio e, acima de tudo, absoluta fé no poder da criação”.

Espumante com sabor de história

04 de agosto de 2012 0

Assemblage (mistura de uvas) clássico de Champagne, 48 meses de maturação e uma ligação sentimental com a história da vinícola. A Don Giovanni apresentou em março um espumante que completa sua linha de rótulos premium. Batizado em homenagem à matriarca da cantina de Pinto Bandeira, o Dona Bita é uma das apostas para 2012.

Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%) formam esse produto, elaborado pelo método tradicional. O nome copia o apelido de Beatriz Dreher Giovannini, figura familiar a qualquer visitante da vinícola, conhecida pelo bom-humor e pela hospitalidade. É indicado especialmente para quem gosta de produtos envelhecidos, pois o tempo de guarda se faz sentir tanto no aroma de pão tostado quanto no paladar evoluído. O valor sugerido é de R$ 90.

Numa carta de vinhos, menos é mais

03 de agosto de 2012 0

Uma carta de vinhos extensa e complicada é motivo de orgulho para muitos restaurantes. Não importa o quanto ela venha a dificultar a vida de seus clientes. Mas essa corrente de pensamento pode estar com os dias contados, aponta o escritor Tom Harrow, criador do site Wine Chap, que resenha e recomenda cartas de vinho do mundo todo.

Segundo Harrow, os guias que conduzem os consumidores pelas adegas devem ser curtos, sazonais e trazer sugestões de harmonização. Então em vez de trazer 20 opções de uma mesma região, o ideal é que a carta traga uma só (não necessariamente a mais famosa, talvez alguma surpresa local). E quando o freguês voltar uma próxima vez, aquele rótulo já deve ter sido substituído por outro.

A lógica seguida por Harrow é que fica fácil montar uma boa carta com muitos produtos. O desafio está em fazer uma ótima lista escalando um número reduzido de vinhos.

Qual das 'Riojas' é a verdadeira?

20 de julho de 2012 0

Caso seu vinho traga no rótulo a identificação “La Rioja”, de onde ele vem? O primeiro impulso é responder Espanha, pois esse é o nome da principal zona produtora daquele país. Mas preste atenção: é possível que ele tenha origem na Argentina, onde há uma região batizada da mesma forma.

Não se engane: essa é a Rioja Argentina

A possibilidade de confusão gerou até uma disputa na Justiça argentina. Vinicultores espanhóis queriam a posse exclusiva do nome La Rioja, mas o pedido foi negado. Um dos principais motivos é o aumento das exportações da cooperativa La Riojana, do país vizinho ao Brasil, que vem ganhando mercado na Europa e nos Estados Unidos.

Madeira: um vinho indestrutível

19 de julho de 2012 0

Um dos maiores baratos do mundo do vinho é a possibilidade de sempre aprender algo novo – embora alguns supercríticos discordem, pois parecem interessados só em ditar regras. E nunca faltam temas a descobrir, nem que seja algo que existe há 500 anos, como o Vinho Madeira.

Após palestra de Juan Teixeira, diretor geral e enólogo da Justino’s, uma das mais conhecidas produtoras de Vinho Madeira de Portugal – logo, do mundo –, ficou claro como esses rótulos de sobremesa são bem raros nas mesas dos brasileiros. Assim como o Vinho do Porto, outro tesouro enológico português, o Madeira surgiu por acidente. Para interromper a fermentação e estabilizar o vinho antes de embarcá-lo nas naus dos séculos 17 e 18, era acrescentada aguardente vínica ao líquido, o que conferiu características únicas à bebida.

A Ilha da Madeira, de geografia acidentada graças à ação dos vulcões, não permite o cultivo de grandes vinhedos. Ao todo, soma 400 hectares de parreirais. As principais uvas são Sercial, Verdelho, Boal, Malvasia e Terrantez, entre as brancas, e Tinta Negra, entre as de casca escura. Tão determinante na qualidade quanto as variedades usadas são os métodos de elaboração. Existem dois: canteiro, mais nobre, e estufagem, mais rápido. Ambos submetem o líquido a altas temperaturas, objetivo incomum no universo enológico. A prévia exposição ao calor, o longo envelhecimento e a acidez muito elevada transformam o Madeira em um vinho praticamente indestrutível, mesmo depois de aberto.

"Não há vinho que agüente mais a ação do tempo do que o Madeira", garante Teixeira.

Ouvir tudo isso diretamente de um produtor da ilha foi muito legal, mas o que o público queria mesmo era degustar os vinhos. E aí o representante da Justino’s não decepcionou. Apresentou três rótulos, começando com o Colheita 1998, feito de Tinta Negra. Os 125g de açúcar residual se fizeram perceber em aromas de caramelo e frutas secas. Mais complexo, o Boal 10 anos também lembrou açúcar queimado, mas trouxe ainda casca de laranja e maçã cozida ao olfato. Por fim, um Madeira feito de Terrantez com mais de 40 anos confirmou a longevidade de seus conterrâneos. Mais fechado no nariz, foi persistente e quente na boca – mais do que os anteriores, apesar de apresentar os mesmos 19% de graduação alcoólica. Meio seco, teria combinado bem com queijos ou canapés, mas sua vocação, assim como os demais, é mesmo ser harmonizado com sobremesas.

"É um tipo de vinho para ser bebericado", ensina Teixeira.

Um brinde aos erros na degustação de vinhos

18 de julho de 2012 0

Um dos atuais problemas do mundo do vinho é a resistência ao erro. O medo de cometer um equívoco na identificação ou análise de um rótulo faz com que apreciadores experientes e iniciantes pareçam demasiadamente sensíveis quando seus sentidos são colocados pra funcionar. E a crença de que existem narizes absolutos e paladares inquestionáveis torna a divertida degustação em um momento tenso para quem participa e tedioso para quem assiste.


Por isso sou tão fã de testes às cegas. E um realizado ano passado me fez lembrar o quão educativo eles são. Cerca de 10 pessoas se reuniram ao redor de cinco garrafas, uma de cada país. Estavam representados Espanha, Estados Unidos, França, Itália e Portugal. Muito bem representados, diga-se de passagem. O desafio era descobrir a nacionalidade dos vinhos e apontar os dois mais agradáveis.


Meu resultado foi dois acertos entre os cinco possíveis. Identifiquei o italiano Stielle 2000, da vinícola Rocca di Castagnoli, uma mistura de Sangiovese (70%) com Cabernet Sauvignon de taninos muito finos e que se encaminhava para a redução (quando a bebida perde suas propriedades pela idade avançada), além do norte-americano Paradigm Cabernet Sauvignon 2003. O enviado do Napa Valley, aliás, foi o escolhido pela maioria como o favorito da noite, certamente por sua potência e abundância de frutas vermelhas no nariz.


Em segundo lugar ficou o Viña Sastre Pago de Santa Cruz 2001, um espanhol 100% Tempranillo da região de Ribera del Duero rico em aromas vegetais.

A carta foi complementada pelo Compota Touriga Nacional 2005, da região do Douro, e o francês Château Gloria 2004, os dois bastante similares pelo ótimo corpo em boca. O ambiente descontraído transformou a dificuldade em brincadeira e assim todos se sentiram à vontade para expressar suas opiniões. Mais do que um exercício de habilidade, o que vale é a prática da humildade.

O show da Decanter em Porto Alegre

16 de julho de 2012 1

Ao evoluírem de inexistentes para pouco numerosos, os eventos de degustação no Rio Grande do Sul se transformaram em ponto de encontro certeiro entre as pessoas que trabalham com vinho no Estado. Assim foi a Decanter Wine Show, que no final de junho levou a Porto Alegre 70 produtores de 11 países e proporcionou o bate papo entre muitos amigos e profissionais do ramo. Mas como o pessoal estava lá para beber, e não para conversar, vamos a alguns destaques do encontro.

- Para quem é fã dos brancos (como eu), a mesa do Château de Tracy era parada obrigatória. Seu Pouilly-Fumé 2008 emitia notas de uma inexistente passagem por barrica de carvalho. O motivo do engano é sua untuosidade, claramente percebida no primeiro gole. Espetacular.

- Os amantes de vinhos brancos também faziam fila para provar os rótulos da Domaine Paul Blanck, da Alsácia. Dois de seus Rieslings expostos, o safra 2009 e o Grand Cru Schlossberg 2006, são autênticos representantes da elegância que essa uva pode proporcionar. Excelente mineralidade e complexidade de aromas.

- O Decanter Wine Show tinha representantes de regiões aclamadas por seus vinhos, mas alguns pequenos desconhecidos estavam roubando a cena. Foi o caso da vinícola Korta Katarina, da Croácia. O tinto feito da uva Plavac Mali 2007 trazia um curioso aroma de conserva de anchova. Esse descritor não é papo de enochato. Em um determinado momento, meia dúzia de especialistas se reuniram para tentar definir aquele cheiro. Por mais estranho que pareça, era bastante agradável.

- Marca do enólogo Paul Mas voltada aos sedentos mercados do Novo Mundo, o curioso Arrogant Frog é uma espécie de Yellow Tail francês. Potente, frutado e aveludado, tem tudo para conquistar os paladares brasileiros. Sofre apenas de um problema de câmbio: o Arrogant Frog Réserve 2010 custa cerca de 6 euros na sua terra natal. Aqui chega por R$ 60,95.