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Posts de maio 2010

Importando inteligência estratégica

27 de maio de 2010 1

Entre as vinícolas que se aproximam de produtores do Exterior, uma estratégia cada vez mais comum é usar essas parcerias para contra-atacar com exportações. A Perini, de Farroupilha, fechou acordo com um grupo chileno para o lançamento, em agosto, de um rótulo que vai se chamar Espiritu do Brasil.

O "U" que torna a grafia do nome estranha aos olhos é herança dos demais vinhos desta linha, o Espiritu de Chile e o Espiritu de Argentina. Serão três categorias, Reservado, Clássico e Reserva, totalizando seis produtos, todos feitos com uvas da Serra. Levando em conta que o parceiro tem distribuição em mais de 50 países, a Perini vê no pacto a possibilidade de se tornar o maior exportador do Brasil.

"O Brasil não é um país exportador por natureza, diferente da Argentina e do Chile. Essa troca pode nos dar a inteligência necessária para buscar mercado no Exterior", acredita o gerente comercial da vinícola, Franco Perini.

A utilidade de um vinômetro

26 de maio de 2010 0

Um leitor do blog me perguntou sobre um aparato que eu até já havia visto, mas nunca havia chamado muito minha atenção. É o vinômetro, criado para conferir a graduação alcoólica de um vinho.

Conversando com algumas pessoas e buscando mais informações na internet, descobri que não se trata de um equipamento de muito prestígio no meio enológico. O motivo é justamente a margem de erro mais ampla do que o desejável (há quem fale em 30%). Entre as causas de tamanha diferença está a necessidade de condições ideias para a medição (temperatura, densidade do líquido, etc.), pois esses dispositivos são aferidos para funcionar em ambientes específicos. Qualquer coisa que fuja disso, vai provocar distorções. Isso faz com que ele, por exemplo, não seja confiável para medir a graduação de outras bebidas, como licores.

Se a intenção é usá-lo em degustações, o considero desnecessário. Nunca vi muitos motivos para desconfiar da graduação alcoólica estampada nas garrafas, pois ela indica um traço importante na personalidade do vinho. Não é de interesse da vinícola mascará-la, a não ser que a índole da empresa não seja lá muito confiável, mas daí é outra história. Confesso que os acessórios que considero úteis em uma degustação são só três: cálice, saca-rolhas e termômetro.

Agora, para quem produz vinho de alguma maneira, há outros métodos mais confiáveis de fazer essa medição, e aí casas especializadas no fornecimento de material para o setor podem ser mais esclarecedoras.

Vitivinicultura à distância

24 de maio de 2010 0

Se o mais próximo que você chegou de ser um vinicultor foi jogando Winemaker Extraordinaire, essa notícia pode lhe entusiasmar. Uma propriedade na Espanha chamada Cal Cedoni está oferecendo aos internautas a possibilidade de administrar um vinhedo virtualmente. Quer dizer: as plantas são de verdade, a intervenção do proprietário é que ocorre pelo computador.

Após assinar um contrato, o comprador tem direito a 20 plantas, 42 garrafas personalizadas ao ano e o aluguel da cantina onde seu vinho vai fermentar. O vinhedo fica localizado na Catalunha, próximo a Barcelona. As variedades disponíveis são Chardonnay, para brancos, e Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional e Garnacha para os tintos. Mesmo de longe, é possível acompanhar as diferentes fases do cultivo. Pela webcam, claro.

O garoto-propaganda deste esquema todo é o chef espanhol Ferrán Adrià. Nada mal, levando em conta que é o mais badalado cozinheiro do planeta. Mesmo que pareça loucura, vale a pena navegar pelo site e navegar por sua proposta.

Inimigos íntimos I

23 de maio de 2010 0

Existe no mercado de vinhos um movimento um tanto contraditório. Cada vez mais, os produtores daqui estão se aproximando de seus colegas do Exterior, antes vistos como inimigos mortais por causa da concorrência entre nacionais e importados. Agora, em vez de competir, os brasileiros querem aprender com quem vem de fora.

A pioneira neste campo foi a Miolo, que nos últimos anos fechou parcerias com estrangeiros em diferentes esferas, da elaboração dos vinhos à venda. A última empreitada do gênero foi o lançamento de dois rótulos italianos, o Barolo Serralunga e o toscano Carandelle. A moeda de troca pela comercialização dos produtos no Brasil é o conhecimento.

"Eles vão nos ajudar na implantação de um sistema de cultivo biodinâmico no Brasil", antecipa o enólogo Adriano Miolo, que logo explica o critério para seus acordos internacionais:

"Nenhuma das parcerias é tratada como importação simples, em todas é preciso ter uma contrapartida. Sempre há o desenvolvimento de vinhos no Brasil ou a colocação de nossos rótulos no Exterior."

A influência estrangeira pode vir na forma de inspiração. A catarinense Villa Francioni, por exemplo, apresentou recentemente ao mercado o Michelle 2005, 100% nacional, mas chamado pela empresa de supertoscano. O uso de referências de fora já é comum no Brasil (há quem defenda que faz Asti, Prosecco e até Champagne nacional), mas para atingir a qualidade que queria em seus produtos, a vinícola se utilizou da consultoria de profissionais da Robert Mondavi, marca que é um símbolo da vitivinicultura dos Estados Unidos.

Novo encontro entre Brasil e Jamie Oliver (desta vez fora da adega)

19 de maio de 2010 0

Falando na comissão técnica que segue as vinícolas brasileiras na London Wine Fair, acabei de ver em Zero Hora as notícias que a jornalista Cláudia Laitano, que acompanha o grupo, envia da terra da Rainha. Entre as novidades está o encontro da comitiva no restaurante de Jamie Oliver (nada a ver com o já publicado post "Um brasileiro na adega de Jamie Oliver"). Veja você também:

foto divulgaçãoWINES FROM BRAZIL (1)
Foi com um jantar no badalado Fifteen, restaurante do chef-celebridade Jamie Oliver, que representantes de nove vinícolas brasileiras (oito delas gaúchas) brindaram na noite de segunda-feira o início da London International Wine Fair, que se estende até amanhã. Representantes do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e da Secretaria de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Estado também compareceram.

WINES FROM BRAZIL (2)
A feira de Londres é considerada uma das mais importantes em termos de lançamento de tendências, e a presença do Brasil com um belo estande em uma área central do pavilhão, em frente à Itália e pertinho da França, faz parte da ofensiva brasileira para conquistar um naco do mercado internacional de vinhos.

WINES FROM BRAZIL (3)
E os brindes continuam depois do encerramento da London Wine Fair. Na sexta-feira, dia 21, o selo Vinhos do Brasil, que reúne vinícolas brasileiras, faz sua estreia na feira permanente de degustação Vinopolis Wine Tour, localizada no coração de Londres, entre a London Bridge e a Tate Modern.

Mala pesada na volta da London Wine Fair

19 de maio de 2010 0

foto Orestes de Andrade Jr, divulgação

A comitiva brasileira que foi à Inglaterra para participar da London Wine Fair, que termina amanhã, vai voltar com peso extra na mala, trazendo de lá as 10 premiações que o país recebeu no International Wine Challenge 2010. Os vencedores da disputa foram anunciados ontem, na abertura da feira.
Ao todo foram uma medalha de prata, três de bronze e seis menções honrosas, com destaque para o desempenho de nossos espumantes.

MEDALHA DE PRATA
- Espumante Moscatel Cave Geisse

MEDALHA DE BRONZE
- Espumante Prosecco, Cooperativa Vinícola Aurora
- Salton Talento, Vinícola Salton
- Espumante Gran Legado Moscatel, Wine Park

MENÇÃO HONROSA
- Moscatel Cooperativa Vinícola Garibaldi
- Casa Valduga Brut 130
- Natural Brut Cave Geisse
- Pericó Brut
- Gran Legado Champenoise Brut
- Gran Legado Charmat Brut

Além de uma "comissão técnica" do setor, nove vinícolas nacionais participam da London Wine Fair em um estande coletivo.

Prazer extra na harmonização de cordeiro e vinho

18 de maio de 2010 0

É sempre um prazer harmonizar cordeiro com vinhos. Hoje à noite, essa combinação terá um sabor extra de vitória. Chega a Porto Alegre o Sabores do Rio Grande, evento que reúne gastronomia e negócios e que vai apresentar oficialmente na capital gaúcha a Vinhos da Campanha, entidade que agrupa 15 vinícolas e uma associação de produtores daquela região.

Mas a festa não fica só no discurso. Os rótulos dessas cantinas serão casados com receitas que têm a carne de cordeiro como base. O encontro será a partir das 19h30min no Novotel da Av. Soledade, 575, bairro Três Figueiras. As rodadas profissionais ocorrerão ao longo da tarde. Para saber mais, os telefones de contato são o (53) 3241.4203 ou o (54) 3290.4721.

O frisante enlatado avança no mercado

18 de maio de 2010 0

Na busca por um conteúdo já publicado pelo Jornal de Santa Catarina, encontrei por acaso a seguinte nota:

"Com um ano de idade, o Glamm - vinho frisante em lata - vai ampliar o mercado em Blumenau. Atualmente está restrito às prateleiras do Angeloni, mas em um mês deve chegar a outros pontos de venda através de um distribuidor. O produto fabricado no Rio Grande do Sul tem produção de 60 mil latas/mês que chegam aos principais centros urbanos do país.
A bebida é uma criação do empresário blumenauense Ricardo Conrad Lowndes, filho do presidente da Haco Etiquetas, Ricardo Guedes Lowndes."

Aí lembrei que há bastante tempo, o Enoblog deu em primeira mão o lançamento do Glamm no mercado nacional. Eu andava mesmo curioso por saber como estava a venda do produto em tempos de frisantes em alta. Segundo a notícia acima, publicada no dia 22 de abril, o Glamm não está nada mal...

Colocando limites na sede de Radicci

17 de maio de 2010 0

Viagem no tempo com garrafas históricas

16 de maio de 2010 2

foto: Orestes de Andrade Jr, divulgação

Algo incomum aconteceu no final do dia de abertura da ExpoVinis Brasil 2010. Ao deixar a feira ao lado de Ademir Brandelli, diretor e enólogo da Don Laurindo, fui por três vezes confundido com um de seus filhos em menos de cinco minutos. O equívoco, que automaticamente virou piada, não me rendeu qualquer cota na herança, mas garantiu o convite para visitar a vinícola e participar de uma degustação de garrafas antigas da marca, verdadeiras relíquias guardadas com muito carinho por Brandelli.

A viagem ao passado começou pela safra de 1991 com um cabernet sauvignon, o primeiro vinho da cantina voltado ao mercado _ e não ao consumo de familiares e amigos. Para uma bebida com quase 20 anos e elaborada com técnicas bem menos apuradas do que hoje (vinhedos em latada, grande produção por planta, fermentação em pipas de madeira), foi impressionante ver sua conservação. O que mais denunciava sua idade era a cor, de bordas granada, e o aroma, que apontava redução, apesar de preservar notas de mentol e tabaco. Incrível mesmo foi senti-la na boca, onde se mostrou saudável, leve e agradável, com acidez ainda presente.

A segunda parada foi um tannat 1995, pioneiro no Brasil, segundo Brandelli. No nariz, lembrou couro e um herbáceo que poderia inclusive remeter a produtos jovens. Com o tempo surgiram chocolate e frutas vermelhas bem maduras. Ao primeiro gole, os taninos se mostraram extremamente redondos, proporcionando uma experiência pra lá de agradável. Isso que nem era um vinho de muito corpo, provavelmente por causa das já mencionadas técnicas mais rudimentares de elaboração (o mesmo foi observado na amostra anterior).

As melhores surpresas viriam com o merlot 1996 e o assemblage (40% merlot, 30% cabernet sauvignon e 30% tannat) 1999. Os dois traduziam perfeitamente a contribuição do tempo na enologia. O primeiro a demonstrou por meio de complexidade e elegância no olfato e no paladar. Sensações como um ataque doce na ponta da língua o deixavam ainda mais misterioso e divertido. Já o segundo foi revelando suas principais características conforme respirava. Sendo, até então, o único a passar por barricas de carvalho, trouxe aromas de geleia e baunilha, e na boca explodiu em equilíbrio de acidez e tanicidade.

Para fechar a programação oficial da noite _ outras garrafas viriam na forma de bônus _, chegou a vez de um vinho que nem foi lançado. Brandelli antecipou em primeira mão o rótulo que em 2011 vai comemorar os 20 anos da vinícola e os 80 de seu pai, Laurindo. Porém, tudo que o enólogo revelou é que é um corte de mais de três uvas, todas produzidas 100% pela cantina, está há um ano e meio engarrafado e foram feitas 1.850 garrafas. Pela degustação é possível especular que ancelota e tannat estejam lá. Mas até a próxima ExpoVinis a fórmula seguirá como um segredo de família _ e o fato de eu não saber prova de uma vez por todas que não sou filho do enólogo.