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O garrafão do Século 21

29 de setembro de 2010 1

Pode parecer contraditório, mas o aumento do consumo de vinho no Brasil passa por um instrumento que dá folga ao saca-rolhas. Recebidos com desconfiança quando desembarcaram no país, há cerca de cinco anos, os bag-in-box consolidaram seu espaço junto às vinícolas _ embora uma parcela dos bebedores mantenha as restrições. O crescimento na sua aplicação pelo setor mostra que ele é hoje a principal alternativa à garrafa de 750ml.

Composta por um saco de poliéster flexível, acondicionado em uma caixa de papelão (por isso bag-in-box, ou saco na caixa, em inglês), a embalagem é utilizada hoje por 56 cantinas brasileiras para envasar algo em torno de 2 milhões de litros da bebida por ano. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), de 2008 para 2009 as vendas nesse formato saltaram de 85,29 mil litros para 976 mil litros _ volume que em 2010 foi praticamente vencido só no primeiro semestre.

Os principais argumentos a seu favor são a praticidade, já que para obter o líquido basta utilizar uma torneira lateral, e a conservação do conteúdo por mais tempo, garantido pela retração do saco de filme plástico conforme ele é esvaziado, o que impede a entrada de ar. Seu sucesso é sustentado ainda por vantagens menos óbvias, como a versatilidade de uso e a competitividade no preço.

“Um produto em meia garrafa, por exemplo, chega ao consumidor por 75% do valor do recipiente de 750ml. Já no bag-in-box é o contrário, ele dilui o preço da embalagem”, pondera Felipe Bebber, enólogo do departamento comercial da Casa Venturini, ao comparar o desconto que cada plataforma possibilita ao consumidor.

Esse potencial para reduzir preços é visto como uma alavanca na qualificação dos hábitos de consumo do brasileiro.

“Um garrafão de vinho de mesa custa R$ 28. Pela mesma quantia, os clientes vêm preferindo levar quase dois litros a menos, mas de vinho fino no bag”, conta o diretor comercial da Vinícola Perini, Franco Perini, destacando ainda que a tecnologia da caixa também passa uma boa impressão:

“É o garrafão do Século 21.”

Além de fornecer um conveniente instrumento para que os apreciadores tomem a dose diária recomendada pelo médico, o bag-in-box movimenta os números do setor ao abrir caminho para que se crie a cultura da venda em cálice em bares e restaurantes. Essa, aliás, parece ter sido a finalidade idealizada por grande parte das vinícolas ao adotar o formato, mas por enquanto é o cliente final o principal comprador.

“Nos restaurantes há o entendimento de que o cliente prefere ter a garrafa em mãos, ver o rótulo”, explica Perini.

Há vinícolas, no entanto, utilizando a embalagem para fazer bons negócios com empresas do ramo gastronômico.

“Diria que 60% de nossa produção de bag-in-box em 2010 irá para restaurantes”, calcula Bebber, que imagina chegar ao final do ano com a marca de 8 mil unidades.

Dentro dos restaurantes, as taças não são o único destino possível para o vinho encaixotado.

“É comum o uso culinário, na elaboração de pratos”, lembra Nelsir Carlos Kuffel, gerente comercial da Domno do Brasil.

A empresa, um braço do grupo Famiglia Valduga, traz em seu catálogo a primeira marca a empregar o bag-in-box no Brasil, a Alto Vale. A experiência foi tão positiva que outras divisões da companhia estão aderindo à tecnologia. A Casa de Madeira, por exemplo, a utilizou para repetir o pioneirismo, mas com outro produto. Depois de dois anos de estudos e testes, conseguiu lançar um suco de uva na embalagem.

A diretora comercial Juciane Casagrande explica que a dificuldade é que, para manter a bebida como 100% natural, não é permitida a adição de conservantes. Ao mesmo tempo, a purificação por meio do aquecimento impossibilita o envase imediato, pois derreteria o saco de poliéster. A saída foi desenvolver métodos próprios e adequar o produto.

“Na garrafa, temos prazo de validade de dois anos. No bag, são 8 meses. Mas uma vez aberto, o suco se conserva por cerca de 15 dias. Na garrafa ele dura menos”, pondera Juciane.

Comentários (1)

  • Rodrigo Duarte diz: 30 de setembro de 2010

    Ressaltando a execelente inovação da Casa de Madeira (Famiglia Valduga) descrito pela Juciane Casagrande (Diretora Comercial) com o lançamento do Suco de Uva em Bag-in-Box que trouxe uma alternativa de comercialização do produto para o segmento proporcionando uma aplicação de envase a quente do suco devido a estrutura (Durashield) aplicada ao Bag pelo fabricante (Scholle) suporta até 96° C no momento do envase e posterior suporta o resfriamento. Essa inovação traz para o mercado viti-vinícola uma alternativa com garantia de qualidade internacional.

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