Os agricultores da região vão à Capital gaúcha hoje para pedir um posicionamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em torno do preço mínimo da uva, que se encontra atualmente em R$ 0,46. Os produtores já apresentaram um levantamento de custos e a proposta para a próxima safra, que é de R$ 0,59 o quilo, tendo como referência a uva da variedade isabel. A própria Conab também já apresentou sua sugestão, que seria de R$ 0,52 o quilo da fruta.
Segundo o coordenador da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua, Olir Schiavenin, falta ainda a posição da indústria, que, até o momento, não procurou os produtores para apresentar sua alternativa ou opinião a respeito dos valores já postos à mesa.
"A lei diz que a definição do preço precisa sair até 30 de novembro. Por isso, precisamos agilizar esse processo e agendamos um encontro com a direção da Conab em Porto Alegre. Queremos trocar uma ideia para ver se a indústria já se manifestou, pois estamos preocupados e com medo de que o prazo não será cumprido", explica Schiavenin.
O dirigente ressalta a importância para o planejamento do agricultor entrar na safra já sabendo quanto ganhará pelo quilo da uva. Além disso, ele lembra que, depois de a Conab fechar a proposta, precisa encaminhar o valor para a apreciação dos ministérios da Fazenda e do Planejamento até chegar ao Conselho Monetário Nacional. Schiavenin reafirma a defesa em torno dos R$ 0,59 para o preço mínimo do quilo da uva e ratifica que R$ 0,52 é muito pouco e não supre os gastos do viticultor. Ele também lembra que há quatro anos o valor não sofre reajustes enquanto que o preço do vinho e a demanda por sucos e espumantes aumentaram.
"Temos argumentos suficientes para defender o aumento para R$ 0,59. Acreditamos que há condições de avançar para além dos R$ 0,52 propostos pelo governo. O agricultor precisa ser melhor valorizado e ter maior rentabilidade, senão não terá condições de se manter no campo e os jovens terão dificuldades de permanecer na colônia", frisa.
A última safra registrou a colheita de 526 milhões de quilos de uva. Conforme Schiavenin, cerca de 20 mil famílias atuam na vitivinicultura hoje. Esse número envolve Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No total, são 40 mil hectares de parreirais plantados.


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