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O preço não indica a qualidade de um vinho

22 de janeiro de 2011 0

Frente à infinidade de rótulos disponíveis no mercado e ao nosso desconhecimento sobre a qualidade de muitos deles, o preço vira um importante critério de escolha. Quem já optou por uma garrafa em função do quanto ela custa não tem do que se envergonhar, pois qualquer apreciador da bebida fez isso muitas vezes ao longo de sua história etílica. Curiosamente, a lógica que geralmente regula esse mecanismo de seleção não é o da economia, mas a de que vinho bom é vinho caro.

É comum que, ao tomar gosto pelo assunto, os novos enoapaixonados comecem a elevar o investimento em bons produtos. Em pouco tempo, passam a desdenhar de exemplares mais em conta. Aí mora um grande pecado do degustador iniciante. É claro que vinhos de alto padrão exigem maiores cuidados por parte das vinícolas, o que implica em gasto extra para o consumidor. Mas desistir de um rótulo porque ele custa pouco é abrir mão de ótimas oportunidades. Para saber se um vinho é bom ou ruim, não basta ver quantos cifrões constam na etiqueta. É preciso prová-lo.

Foto: Miolo, divulgação

A história da vinícola Almadén, de Santana do Livramento, ilustra bem o tema deste texto. Desde a época em que a vitivinicultura nacional era menos estruturada, a cantina aposta em produtos mais simples, que servem como porta de entrada para o universo enológico. O mercado evoluiu, mas a marca não acompanhou o ritmo. Comprada no ano passado pela Miolo Wine Group, ganhou uma repaginada e apresentou um novo conceito, ainda baseada em preços bastante acessíveis. Eu já tinha conhecido a nova família de produtos na ExpoVinis 2010, mas estava curioso pra saber como ela se sairia ao lado de um prato. O teste foi feito com uma tainha na brasa (receita abaixo) acompanhada do chardonnay e do riesling da família Almadén, ambos da safra 2010.

Com a delicadeza que se espera de um riesling, o representante da cantina se saiu muito bem. Os aromas não eram abundantes, mas trouxeram notas florais e minerais. Tinham ainda um toque de frutas como a ameixa branca seca. Na boca, apresentava acidez bem marcada e despertava a sensação de salinidade nas laterais da língua, o que tornou o vinho muito refrescante. Para um prato desprovido de molho ou caldo, foi uma ótima combinação. Tudo isso por R$ 13,90 (na cantina ele custa ainda menos). Já o chardonnay não se saiu tão bem, e a questão não foi só a harmonização. Fechado no nariz, só lembrava frutas depois dos primeiros goles. E mesmo na boca não havia muita expressão. Um vinho um tanto tímido para o que se esperava de um branco jovem.

Tainha na brasa

Ingredientes
- Duas tainhas limpas e inteiras
- Um molho de salsinha
- Cebolinha verde a gosto
- Três limões
- Azeite de oliva extravirgem
- Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo
1. Tempere as tainhas com sal e pimenta do reino a gosto. Finalize com o azeite de oliva.
2. Pique 3/4 do molho de salsinha. Pique também a cebolinha verde e misture tudo em um recipiente.
3. Extraia o suco dos limões para esse mesmo recipiente. Tempere com sal e pimenta à vontade, formando uma salmora.
4. Acenda a churrasqueira e coloque as tainhas a assar sobre uma grelha. Com o restante da salsinha, forme um pincel e regue os peixes com a salmora de limão e ervas.
5. Quando estiverem bem assadas, retire as tainhas da churrasqueira e sirva.

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