
Previsão de entidades do setor é que a produção supere o ano de 2005 tanto em qualidade quanto em quantidade. Foto: Alexandre Teixeira, divulgação
Os cachos viçosos que começaram a deixar os parreirais no início do mês anunciaram o início da vindima no Estado. O panorama não poderia ser melhor: uvas de excelente qualidade e expectativa de a melhor safra da história. Conforme previsão do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), a quantidade colhida deve aumentar de 20% a 25% (e não mais 15%, como previsto inicialmente) em relação à safra passada.
Se mantidas as condições favoráveis de clima — com pouca chuvas, calor e sem ocorrência de granizo —, o presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Júlio Fante, projeta tirar dos vinhedos gaúchos mais de 640 milhões de quilos da fruta.
A maior safra já colhida no Rio Grande do Sul ocorreu em 2008, com a produção de 634 milhões de quilos de uva, conforme o Ibravin. No ano passado, a quantidade foi mais modesta: 526,8 milhões de quilos. Em termos de qualidade, Júlio Fante explica que 2011 deve ser igual ou melhor do que 2005, considerado o melhor da década. Naquele ano, como agora, o Estado foi afetado pelo fenômeno La Niña, que reduz o volume de chuvas.
— O resultado é um clima mais seco, com menos umidade, que favorece a produção de uvas com mais açúcar e, por consequência, a elaboração de produtos de melhor qualidade. Além disso, as empresas estão melhor capacitadas, investiram em novas tecnologias e possuem mais conhecimento para elaborarem produtos superiores — destaca Fante.
Com precipitações espaçadas do La Niña, as vinhas são beneficiadas de duas formas, segundo o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Henrique Benedetti. A chuva escassa afasta preocupações com fungos e bactérias que atingem folhas e frutos devido à umidade e ainda colabora ao concentrar mais açúcar na uva.
Diferente dos vizinhos que aguardam a chuva para trazer vida ao campo, Éder Peruzzo olha satisfeito para os 16 hectares de vinhas plantados em Bagé, uma das cidades mais atingidas pela seca no RS. A previsão dele é de colher 95 toneladas neste ano, 25% a mais do que no ano anterior.
No período de maturação, de dezembro em diante, a quantidade de precipitação em relação à média em duas das regiões produtoras, Campanha e Serra, foi 60% e 61% em dezembro, respectivamente, e 43% e 22% em janeiro. Segundo a Central de Meteorologia, enquanto a média para o último mês do ano na Campanha era de 106mm, choveu cerca de 65mm. Já na Serra, em vez dos 105mm esperados, apenas 63,6mm caíram sobre as videiras.
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