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Posts na categoria "Artigos"

Vinho e identidade cultural

21 de janeiro de 2011 0

É sempre bom ver o vinho ganhando espaço na academia, com cursos de formação e linhas de pesquisa que contemplam a vitivinicultura nacional. No final do ano passado, uma dessas iniciativas foi apresentada no 2º Seminário de Patrimônio Agroindustrial: Lugares de Memória, realizado em São Carlos (SP). Com a participação de universidades de todo o Brasil e do Exterior, o evento recebeu uma representante da Serra. A arquiteta Marilei Piana Giordani apresentou a pesquisa O Vinho e seus Lugares de Memória em Bento Gonçalves - RS, sobre como a cadeia produtiva da uva influencia a identidade da cidade.

Ao saber disso, encomendei a Marilei um artigo que resumisse as linhas de seu estudo. O texto abaixo sobrevoa os temas abordados por ela, como terroir, patrimônio cultural, enoturismo, tecnologia, etc. Boa leitura.

Vinho & Identidade
Arq. Urb. Marilei Piana Giordani - Especialista em Patrimônio Cultural Urbano

 O vinho é um produto cultural que tem a capacidade extraordinária de levar consigo informações da terra, como e por quem foi produzido. Tudo isto fechado em uma garrafa, que tocará as mais distantes e diferentes pessoas, sem a necessidade um tradutor para se fazer entender. 

Vinho e identidade é a base da minha pesquisa, um assunto que não é comumente abordado em nosso mundo do vinho, mas que faz parte de meu trabalho tanto de pesquisa acadêmica /estudo no mestrado acadêmico quanto de consultoria. Como observar e identificar o vinho como um produto identitário, que expressa as suas características, não somente propriedades organolépticas - como a cor, o brilho, o sabor e a textura - e o que difere um dos outros?

Cada vinho diz respeito às pessoas e às técnicas utilizadas, aos seus saberes, às urbanidades criadas pelos habitantes do lugar, à paisagem cultural que resulta do plantio e de suas vivências e, neste contexto, estão inseridas suas memórias. Todos estes fatores resultam no produto final que encanta gerações há milênios, sendo na maioria dos casos uma tradição familiar , e que ao longo do tempo tornou-se um fator econômico relevante na Serra Gaúcha, compondo um território de referência. Para isto não bastam expressar informações no rótulo, é necessário que o todo demonstre a identidade de onde e por quem foi produzido e elaborado, juntamente com a qualidade técnica.

 Apresentando artigos em Congressos internacionais, e pesquisando em áreas vitícolas da Itália , observei a multidisciplinaridade nas Denominações de Origem que não são só áreas geográficas , mas o aporte do embasamento de Patrimônio Cultural que se fazem presentes. Não bastam só técnicas de plantio e elaboração e um território de pessoas apaixonadas pela produção vitícola, se não houver respeito aos atores deste lugar e às suas tradições.

Esqueçam as idéias errôneas e pré-concebidas de que tudo o que é patrimônio cultural (material e imaterial) é velho, sujo e não serve pra nada.... Por exemplo, o patrimônio cultural imaterial só é considerado como tal enquanto é praticado, vivenciado e transmitido. Existem várias maneiras de demonstrar corretamente a cultura e identidade inseridas em um produto , e o fazem pessoas com o olhar treinado para isto.

O entendimento cultural identitário se faz necessário porque irá refletir também diretamente no turismo. Estes que nos visitam, que escolhem conscientemente o destino turístico, querem conhecer lugares e territórios reais, não maquiados nem montados, mas lugares onde vivem e trabalham as pessoas que produzem o seu vinho, e que mostram a identidade do lugar. O manejo da produção vitivinícola e seus produtos paralelos - riquezas invisíveis em sabores, aromas e ambiências associadas à fruição de um bom vinho - são vivências que encantam o viajante.

Referenciando a importância da identidade do vinho, em recente visita à Serra Gaucha no final do ano passado os jornalistas e escritores ingleses especialistas em vinho Jonathan Ray e Charles Metcalfe, depois de visitar várias Vinícolas, descreveram o espumante como símbolo do Brasil. Frisaram a necessidade de se encontrar um nome para o espumante brasileiro, que deverá representar um todo, a sua paisagem cultural de produção, e não somente as varietais e a forma como foi elaborado.

Os desafios do clima e inovações tecnológicas que se fazem presentes hoje na elaboração dos vinhos não devem pautar o aniquilamento da identidade e memória do lugar, invisibilizando as pessoas que ali vivem ou viveram, mas sim agregar valor ao produto. É Justamente esta identidade que se fará presente no produto final e que o diferenciará dos demais, mesmo quando produzido com as mesmas varietais.

Dia internacional do espumante

31 de dezembro de 2010 0

Se os espumantes fossem ganhar um dia em sua homenagem, teria de ser o 31 de dezembro. Em nenhuma outra data são ingeridas tantas borbulhas. Até quem não gosta abre uma exceção para saudar a chegada de um novo ano. Em um momento de tanta reflexão quanto o Ano-Novo, vale a pena reservar um minuto para entender a importância desse produto dentro da cadeia vitivinícola nacional.

Os vinhos tintos podem ter sido os responsáveis por chamar a atenção para a atividade enológica no Brasil, mas foram os espumantes os primeiros a se destacar por sua qualidade inquestionável. Hoje eles ajudam a promover todas as regiões produtoras do país, da Campanha gaúcha ao Vale do São Francisco, no Nordeste. E as vinícolas souberam aproveitar o frescor e a acidez naturais das uvas plantadas aqui. Ainda por cima, tropicalizaram a elaboração da bebida, muitas vezes adicionando castas como o riesling itálico às tradicionais chardonnay e pinot noir para conquistar um resultado com tipicidade, particular.

O reconhecimento do público deu aos espumantes um diferencial competitivo no mercado. De cada 10 garrafas consumidas no país, oito são nacionais e duas são importadas. A relação é inversa à dos vinhos tranquilos (sem borbulhas), que perdem em venda para os estrangeiros. Além de fortalecer o caixa do setor, ajudam a formar novos enoapaixonados. Como são fáceis de assimilar (principalmente os doces ou os demi-sec), acabam despertando o interesse para outras categorias enológicas.

Embora novato, o consumidor padrão não pode ser subestimado pelas empresas. Os catálogos não devem limitar-se a rótulos fáceis demais, tampouco se permitir relaxar na qualidade. O último Concurso do Espumante Brasileiro, em 2009, apontou uma certa quantidade de moscatéis e demi-secs que não atingiram excelência. Por outro lado, produtos premium vêm encontrando nicho cativo entre apreciadores iniciados. Mas antes de 2010 terminar, boa parte das cantinas já estavam anunciando investimentos para o ano seguinte. Com sorte, esse dinheiro será empregado também na diversificação dos portfólios, e não somente na ampliação de capacidade. Como o Réveillon é uma época de esperança, nos resta torcer e brindar.

A maioridade da Avaliação Nacional

12 de outubro de 2010 0

Com um certo atraso, a publicação do artigo do presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Christian Bernardi, abaixo, fecha o tema da Avaliação Nacional de Vinhos 2010 aqui no Enoblog. Boa leitura.

O crescente desenvolvimento da qualidade dos vinhos brasileiros já é reconhecido por consumidores, críticos e profissionais do vinho de todo o mundo. Na história da vitivinicultura brasileira, considera-se o início do século passado como o marco inicial da indústria do vinho no Brasil. Justamente na Serra Gaúcha, com o estabelecimento dos imigrantes italianos foi possível conciliar a cultura e a economia de uma região e desenvolver um produto que até hoje é símbolo desta terra. Passaram-se mais de 100 anos e o vinho difundiu-se por todo o país.

Diferente fatores foram responsáveis por este crescimento de qualidade e expansão das áreas vitivinícolas pelo Brasil. Acima de tudo a capacidade e ousadia de pessoas que souberam explorar os terroirs deste imenso país e levar aos consumidores aromas e gostos capazes de satisfazer todas suas expectativas. Mas, além disso, há alguns eventos que servem como balizadores ao setor. Um destes é a Avaliação Nacional de Vinhos, que foi criada pelo próprio setor vitivinícola e atinge a 18ª edição como uma importante ferramenta para os produtores e é vitrine aos produtos brasileiros.

Criada em 1993 pela Associação Brasileira de Enologia, a Avaliação Nacional de Vinhos é um evento único, com distinção mundial pela sua estrutura e resultados alcançados. Apesar de ser difícil de mensurar, a ANV consolidou-se com uma verdadeira ferramenta de avaliação das vinícolas do Brasil. Há um crescimento das vinícolas, que submetem seus produtos a análise do painel de enólogos (mais de 75 profissionais avaliadores) e, assim, têm um panorama do desempenho de seus produtos naquela vindima. Além disso, a ANV também apresenta a evolução das regiões vitivinícolas brasileiras; a cada edição novas regiões despontam com qualidade de seus vinhos.

Por fim, mas não menos importante, consolidou-se neste evento a participação de um público cativo de consumidores que vêm a Bento Gonçalves, todos os anos, para esta "pré estréia" dos vinhos da safra. Trata-se de uma possibilidade que os apaixonados por vinho têm de visualizar as tendências e estilos de vinhos que irão para o mercado na sequência. E, igualmente, saber quais vinícolas e regiões estão despontando no cenário brasileiro.

Essa é a Avaliação Nacional de Vinhos, que há 18 anos é referência na vitivinicultura brasileira, graças a todas pessoas, vinícolas, entidades e apoiadores que transformam a arte de elaborar vinho num evento grandioso.

Vinícolas devem surfar na onda digital

22 de julho de 2010 2

Já que no final de semana passado comentamos a adoção da internet pelas vinícolas, nada melhor do que a palavra de um especialista a respeito para complementar a informação. Abaixo está um artigo do consultor de marketing digital Rafael Comin sobre o uso desta ferramenta como diferencial de mercado. Boa leitura.

Marketing Digital Para Vinícolas

No atual mundo dos negócios, onde a rivalidade entre os concorrente é acirrada, o poder de barganha dos consumidores e fornecedores aumenta dia após dia, empresas precisam criar maneiras de se diferenciar para manter-se no mercado. Vários ramos de negócios já estão apostando no mercado online como uma forma de vantagem competitiva e uma delas são as vinícolas. Mas, de nada adianta montar um negócio online de última geração se os visitantes não os encontrarem, é a mesma coisa que construir uma mega loja, numa localização onde o consumidor não a visita.
Nesse contexto, entra o marketing digital, que segundo Conrado Adolpho "é uma nova maneira de fazer negócios, procurar informações, aumentar faturamento e lucratividade da sua empresa utilizando a internet". Cláudio Torres complementa dizendo que as empresa devem "utilizar a internet como uma ferramenta de marketing, envolvendo comunicação, publicidade, propaganda e todo o arsenal de estratégias e conceitos já conhecidos na teoria do marketing". Dessa forma, marketing digital nada mais é que criar estratégias online para reduzir custos operacionais, fidelizar clientes e alavancar vendas de produtos seja no meio online ou offline.
Nesse sentido as vinícolas devem enxergar a internet como uma ferramenta de negócios e não como um simples site com a apresentação da empresa e seus principais vinhos. Não é só isso que o consumidor espera do site de uma vinícola. O consumidor quer mais! Quer interagir, colaborar, participar, dar dicas e opiniões sobre vinhos, participar da criação e desenvolvimento dos rótulos, etc... O consumidor mudou, evoluiu, está mais exigente e informado, e as empresas devem estar preparadas para falar a mesma linguagem desse consumidor.
As vinícolas devem compreender que o consumidor procura informações sobre vinhos na internet, para depois escolher onde comprar, seja em um ecommerce, restaurante ou supermercado. Isso podemos ver no gráfico abaixo, extraído da ferramenta Google Insights Para Pesquisa , que nos mostra o interesse dos usuários pela palavra-chave "vinhos" desde o ano de 2004.

Uma das vantagens dessa ferramenta é que ela nos traz uma previsão do futuro, com isso consegue-se perceber que haverá um aumento no interesse por vinhos nos meses de Junho e Dezembro. Interessante que é bem quando a venda desses produtos aumentam pelo fato da estação do ano (inverno) e no período das festas de finais de ano. Com essas informações as vinícolas podem criar estratégias online para aumentar o lucro de sua vinícola.
Sendo assim, aquelas vinícolas que já possuem seus eCommerces, devem criar estratégias para captar mais e mais visitantes diariamente, transformar acessos em vendas, clientes em defensores da marca, dados em informações, informações em conhecimento. E aquelas que ainda não possuem eCommerce, evoluam, preparem-se. Pois qualquer empresa poderá ser seu concorrente em apenas um dia através do site www.CNPJ.com.br.