Um dos atuais problemas do mundo do vinho é a resistência ao erro. O medo de cometer um equívoco na identificação ou análise de um rótulo faz com que apreciadores experientes e iniciantes pareçam demasiadamente sensíveis quando seus sentidos são colocados pra funcionar. E a crença de que existem narizes absolutos e paladares inquestionáveis torna a divertida degustação em um momento tenso para quem participa e tedioso para quem assiste.
Por isso sou tão fã de testes às cegas. E um realizado ano passado me fez lembrar o quão educativo eles são. Cerca de 10 pessoas se reuniram ao redor de cinco garrafas, uma de cada país. Estavam representados Espanha, Estados Unidos, França, Itália e Portugal. Muito bem representados, diga-se de passagem. O desafio era descobrir a nacionalidade dos vinhos e apontar os dois mais agradáveis.

Meu resultado foi dois acertos entre os cinco possíveis. Identifiquei o italiano Stielle 2000, da vinícola Rocca di Castagnoli, uma mistura de Sangiovese (70%) com Cabernet Sauvignon de taninos muito finos e que se encaminhava para a redução (quando a bebida perde suas propriedades pela idade avançada), além do norte-americano Paradigm Cabernet Sauvignon 2003. O enviado do Napa Valley, aliás, foi o escolhido pela maioria como o favorito da noite, certamente por sua potência e abundância de frutas vermelhas no nariz.
Em segundo lugar ficou o Viña Sastre Pago de Santa Cruz 2001, um espanhol 100% Tempranillo da região de Ribera del Duero rico em aromas vegetais.

A carta foi complementada pelo Compota Touriga Nacional 2005, da região do Douro, e o francês Château Gloria 2004, os dois bastante similares pelo ótimo corpo em boca. O ambiente descontraído transformou a dificuldade em brincadeira e assim todos se sentiram à vontade para expressar suas opiniões. Mais do que um exercício de habilidade, o que vale é a prática da humildade.
















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