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Posts na categoria "Dicas de degustação"

Um brinde aos erros na degustação de vinhos

18 de julho de 2012 0

Um dos atuais problemas do mundo do vinho é a resistência ao erro. O medo de cometer um equívoco na identificação ou análise de um rótulo faz com que apreciadores experientes e iniciantes pareçam demasiadamente sensíveis quando seus sentidos são colocados pra funcionar. E a crença de que existem narizes absolutos e paladares inquestionáveis torna a divertida degustação em um momento tenso para quem participa e tedioso para quem assiste.


Por isso sou tão fã de testes às cegas. E um realizado ano passado me fez lembrar o quão educativo eles são. Cerca de 10 pessoas se reuniram ao redor de cinco garrafas, uma de cada país. Estavam representados Espanha, Estados Unidos, França, Itália e Portugal. Muito bem representados, diga-se de passagem. O desafio era descobrir a nacionalidade dos vinhos e apontar os dois mais agradáveis.


Meu resultado foi dois acertos entre os cinco possíveis. Identifiquei o italiano Stielle 2000, da vinícola Rocca di Castagnoli, uma mistura de Sangiovese (70%) com Cabernet Sauvignon de taninos muito finos e que se encaminhava para a redução (quando a bebida perde suas propriedades pela idade avançada), além do norte-americano Paradigm Cabernet Sauvignon 2003. O enviado do Napa Valley, aliás, foi o escolhido pela maioria como o favorito da noite, certamente por sua potência e abundância de frutas vermelhas no nariz.


Em segundo lugar ficou o Viña Sastre Pago de Santa Cruz 2001, um espanhol 100% Tempranillo da região de Ribera del Duero rico em aromas vegetais.

A carta foi complementada pelo Compota Touriga Nacional 2005, da região do Douro, e o francês Château Gloria 2004, os dois bastante similares pelo ótimo corpo em boca. O ambiente descontraído transformou a dificuldade em brincadeira e assim todos se sentiram à vontade para expressar suas opiniões. Mais do que um exercício de habilidade, o que vale é a prática da humildade.

Desafio Vinho de Piscina: qual o melhor?

26 de fevereiro de 2012 2

Desde o início do verão, venho me arriscando a conduzir uma árdua e flagelante pesquisa: qual espumante combina melhor com a beira da piscina. Usando a propriedade alheia como laboratório, tive a chance de testar diversas amostras nos últimos finais de semana.

Curiosamente, quanto maior a incidência de sol, mais produtivo era o levantamento. Os resultados preliminares (o estudo segue em andamento até o fim da temporada) mostraram que, de maneira geral, os exemplares brasileiros vêm dando um banho - com o perdão do trocadilho. Tudo bem que os estrangeiros tiveram uma participação menor na amostragem, mas de qualquer forma dá orgulho ver o desempenho dos nacionais.

Abaixo eu antecipo alguns dados desta pesquisa nada científica. Confira as dicas e faça você mesmo o teste na piscina mais próxima.

 

Extra brut: Casa Valduga Natura 2006
O longo descanso desde a ótima safra 2006 fez muito bem a este produto, com aromas evoluídos e elegantes. No paladar, é muito cremoso. É preciso, no entanto, gostar de espumantes bem secos. Qualquer coisa, dê um mergulho entre um gole e outro.



Brut: Salton Évidence
Leve e harmônico, é o tipo de bebida que vai conquistar qualquer banhista. Fica excelente se acompanhado de petiscos, sem muita preocupação com a harmonização ideal, pois é flexível em relação à comida.



Moscatel: Valdemiz
Representando Flores da Cunha, este candidato da categoria espumantes doces pode vestir a faixa de “Revelação”. O ótimo equilíbrio entre acidez e açúcar o torna uma bela opção tanto para o happy hour quanto para a hora da sobremesa.



Rosé: Fabian Intuição e Perini Rosé
Se existe uma categoria que merece mais de uma indicação é a de espumantes rosé, naturalmente identificado com a beira da piscina. O Fabian Intuição tem um aroma floral que o torna intrigante até o último gole. E o Perini Rosé é o tipo de produto que não se torna cansativo nunca graças à sua suavidade em boca e o agradável aroma frutado.

Não é só você que quer fugir do calor. Seus vinhos também!

16 de fevereiro de 2012 0

O calorão, como o que vem fazendo nos últimos dias, é um problema para quem gosta de vinho. E não apenas porque fica difícil encarar aquele tinto corpulento, pois sempre há brancos e espumantes como alternativa. A dificuldade é encontrar em casa um cantinho com as condições ideais para o armazenamento de garrafas.

Não são apenas os rótulos feitos para durar muitos anos que sofrem com a mudança de temperatura. O choque térmico faz com que qualquer vinho corra o risco de virar vinagre. Para quem acha que ainda não é hora de investir em uma adega climatizada, seguir algumas dicas básicas pode garantir a qualidade da degustação.

- A não ser que você tenha um porão onde a temperatura é amena mesmo no verão, não armazene muitas garrafas em casa. Ter de correr a toda hora até o supermercado mais próximo pode ser inconveniente, mas pior do que isso é tomar vinho estragado.
- Estocar garrafas perto do ar-condicionado só é válido se o aparelho fica ligado o tempo todo. É melhor manter o vinho em um lugar constantemente acima da temperatura ideal do que onde ele passe por transições entre o frio e o calor.
- Durante a estação quente, encontre um espaço para os vinhos no cômodo mais arejado da casa. Mude-os de lugar, se necessário.
- A proteção contra a luz se torna ainda mais importante nesta época. Deixe as garrafas dentro de armários pouco utilizados ou mesmo dentro de uma mala fechada, longe dos raios solares.
- Se você já tem em casa muitas garrafas e seguir essas dicas parece dar muito trabalho, considere comprar uma adega climatizada. É o tipo de investimento que vale a pena para os amantes de vinho, no inverno ou no verão.

Um brinde gelado certamente vai aplacar o calor

12 de janeiro de 2012 0

Nada melhor para aplacar o calor infernal que vem fazendo nos últimos dias no Rio Grande do Sul do que um espumante ou um vinho branco. Mas para que a experiência seja tão boa quanto soa, é preciso se preocupar com a temperatura de serviço da bebida. Abaixo estão algumas dicas para ninguém ficar na mão ou passando vontade.

PLANEJE: não deixe para gelar as garrafas em cima da hora. Encontre um lugar na geladeira ainda de manhã, ou reserve um isopor com gelo logo cedo. Na pressa de resfriar as garrafas, muita gente apela para o congelador. Isso pode endurecer as rolhas dos espumantes, por exemplo, e dificultar o trabalho no momento do brinde.

SEJA TRADICIONAL: a melhor forma de resfriar um espumante ou um vinho branco ainda é usando gelo. O abre e fecha da geladeira no dia a dia pode fazer com que a bebida não fique na temperatura ideal. Coloque as garrafas em um isopor ou um balde e despeje gelo por cima. Agora é só deixar o tempo fazer sua parte.

NÃO ECONOMIZE NO GELO: ele será necessário para resfriar as bebidas e depois para mantê-las na temperatura certa. Providencie recipientes menores, como baldes ou champanheiras, para colocar as garrafas à disposição dos convidados.

TRUQUE RÁPIDO: se você ignorou a primeira dica e agora precisa de uma saída de emergência, misture sal ao gelo e despeje um pouco d’água no recipiente. A velocidade do resfriamento vai depender da quantidade, mas o truque costuma funcionar em pouco mais de meia hora. Só não esqueça de limpar bem as garrafas antes de servir os convidados, ou seu espumante vai ter gosto de margarita.

A etiqueta da troca de uma garrafa no restaurante

11 de janeiro de 2012 0

Foto: Monica Arellano-Ongpin, Wikimedia Commons

Apenas uma observação sobre a mencionada troca da garrafa no restaurante: é elegante ter certeza do defeito antes de reclamar. Aliás, vale pedir a opinião do gerente, maitre ou sommelier da casa para conferir se há mesmo um problema.

No final das contas, o que vale é a percepção do cliente. Se ele pedir, o estabelecimento tem de trocar. Mas por mais que ser sorteado com uma garrafa com imperfeições seja educativo, ter de substituí-la pode ser um tanto constrangedor. Sempre há um risco de discussão enológica com o garçom ou um olhar de condenação da mesa ao lado. Melhor torcer pra não passar por isso.

Brett: o que os olhos não veem, o nariz sente

10 de janeiro de 2012 0

Nem mesmo o melhor ou mais caro rótulo do mundo está livre da possibilidade de apresentar defeito – aquilo que a gente fica esperando acontecer em um restaurante para ver se o cliente, depois de provar a amostra servida pelo garçom, vai pedir a troca da garrafa. O mais famoso de todos é o problema de rolha, fungos que dão ao vinho um cheiro de mofo e nos levam a dizer que ele está bouchonné. Só que na sua popularidade, essa falha pode mascarar outro vilão das degustações, uma deformidade mais sutil e muitas vezes confundida com os micro-organismos da cortiça: o Brettanomyces, ou brett para os íntimos.


Trata-se de uma levedura que pode contaminar o vinho na cantina e estragar a noite de quem o recebe no cálice. Aporta à bebida aromas como suor, estábulo ou queijo. Na boca, pode transformar o gole em uma experiência metálica. Acontece que alguns vinhos já trazem características como essas naturalmente (aromas animais ou minerais), por isso pode ser difícil identificar o brett. Inclusive, há produtores que o defendem como algo positivo, que torna os rótulos mais complexos.


Na dúvida, é bom analisar o seguinte argumento: a descrição mais comum para o brett é "cheiro de rato". E qualquer vinho que tenha cheiro de rato não pode ser boa coisa.


Vinhos brancos têm o sabor do verão

09 de janeiro de 2012 0

Levando em conta o calor que está fazendo nos últimos dias, até que se tem falado pouco sobre vinho branco, combinação perfeita para esse clima. Então vamos corrigir isso agora mesmo sugerindo rótulos que certamente vão ajudar a enfrentar a temperatura alta. Só que em vez de pensar em harmonizações, vamos imaginar três situações em que os brancos seriam uma ótima pedida.


NA BEIRA DA PISCINA:

Seja com os pés dentro da água ou em um happy hour de verão, o bom é buscar um vinho refrescante, que tenha como característica boa acidez e nos prenda pelo aroma. Nesse caso, nada como um Sauvignon Blanc. Uma marca que não vai deixar ninguém decepcionado é o chileno Cool Coast da Casa Silva, um grande representante dessa variedade.

PETISCOS COM AMIGOS
Se houver comida nesse happy hour, ou seja, se for algo parecido com um coquetel ou uma tarde de petiscos, algo com um toque mineral ajudará a tornar os pratos mais interessantes. Aí cabe um bom Riesling, e pra quem quiser economizar um pouco o varietal da brasileira Almadén vai cair como uma luva. Grande custo/benefício.

À VOLTA DA MESA
Se for um jantar em pleno verão, cabe um vinho com um pouco mais de estrutura. Um Chardonnay com envelhecimento em barrica de carvalho, por exemplo, vai combinar com uma massa com molho branco, talvez um peixe um pouco mais gorduroso, ou uma carne branca. Lombo de porco seria um ótimo acompanhamento. Aí a sugestão é o Salton Virtude, um dos grandes Chardonnays feitos no Brasil.

Conheça a versão branca de seu tinto favorito

15 de dezembro de 2011 0

Em um bate papo com produtores de vinho há pouco tempo, ouvi algo muito animador. Segundo eles, está crescendo a curiosidade dos brasileiros por vinhos brancos. O que pode frear esse interesse é a dúvida de por onde começar a degustação, levando em conta que as opções são numerosas e muitas vezes desconhecidas do grande público.

Um bom caminho talvez seja buscar uma variedade branca que tenha ligação com seu tinto favorito. Nem todas as uvas vêm em duas versões, mas em alguns casos isso é possível. Por exemplo: a tinta Cabernet Sauvignon, que é amplamente consumida no mundo todo, surgiu a partir do cruzamento de duas castas, uma delas a Sauvignon Blanc, uva branca que gera grandes rótulos. Há também o caso da Grenache Blanc, versão branca da Grenache, que dá origem a ótimos produtos na França e na Espanha.

Mas o melhor exemplo desse contraste enológico provavelmente é a relação entre a Pinot Noir, tinta, e a Pinot Grigio, branca. Os vinhos gerados com a segunda – também conhecida por Pinot Gris – são sucesso absoluto em bares e restaurantes dos Estados Unidos, sendo recordistas no consumo em doses menores, por cálice. O principal motivo é que a versão tinta teve sua popularidade alavancada depois do filme Sideways - Entre Umas e Outras (foto), o que acabou refletindo nas vendas da variedade branca.

O vinho com a cara da meia-estação

28 de março de 2011 0

A chegada do outono e a imediata queda nas temperaturas fazem com que os tintos recuperem seu poder de sedução junto ao público. A transição perfeita entre brancos e espumantes mais refrescantes e os vinhos encorpados pode ser feita pelos rótulos elaborados com a variedade gamay, os primeiros a serem lançados a cada safra e que devem chegar ao mercado nas próximas semanas.

Inspiradas nos produtos feitos na região francesa de Beaujolais, vinícolas brasileiras vêm investindo nessa uva para obter bebidas leves, frutadas e que devem ser degustadas assim que lançadas, sem envelhecimento em carvalho ou garrafa. Os resultados têm melhorado a cada colheita. Num ano em que o clima favoreceu variedades que amadurecem cedo, essa pode ser uma ótima surpresa nacional.

Na dúvida sobre um vinho, vide o verso

27 de março de 2011 0

Muitas vezes o contrarrótulo traz mais informações do que a etiqueta frontal. Foto: divulgação

Se bater a dúvida sobre a validade das informações contidas no rótulo, gire a garrafa. Em geral as pessoas não dão muita atenção ao contrarrótulo, mas ele é uma importante fonte de dados.

Mais do que o endereço da vinícola ou do importador, a pequena etiqueta costuma trazer um breve histórico do produtor, detalhes do processo de elaboração, a proporção de cada variedade em caso de assemblages (mistura de uvas) e talvez até dicas de harmonização e serviço. Ou seja, tudo aquilo que você precisa saber para fazer uma escolha consciente.

Nesse sentido, cantinas do Velho Mundo deveriam seguir os exemplos que vêm de fora da Europa. Muitas marcas simplesmente se negam a aplicar o contrarrótulo. Por tradição.