Quem leva em conta as avaliações feitas por críticos famosos na hora de comprar um rótulo qualquer deveria escutar o que Leonard Mlodinow tem a dizer. Autor do livro O Andar do Bêbado - Como o Acaso Determina Nossas Vidas, ele aborda o vinho como um objeto subjetivo, questionando a capacidade de qualquer nariz alheio (que não o do próprio consumidor) definir o que é bom ou ruim.
Segundo o escritor, o sabor que sentimos em uma degustação surge dos efeitos de uma mistura de 600 a 800 compostos voláteis sobre a língua e o nariz. Essa complexidade impede, matematicamente, que exista unanimidade na classificação de um produto - prática que, segundo Mlodinow, “recebe mais atenção do que merece”. Fatores como a expectativa (criada por causa da marca ou do preço de uma garrafa) ou a falta de contexto também afetam a percepção.
Usar o sistema de pontuações para encontrar um idioma comum entre os enófilos até faz sentido, mas desprezar um vinho por ele ter atingido nota 89 em vez de 90 não faz qualquer sentido.
“Os críticos descobriram que, ao tentarem expressar a qualidade dos vinhos com base em um sistema de estrelas ou em meras descrições verbais como bom, ruim e talvez feio, suas opiniões não convenciam. Quando usaram números, porém, os compradores passaram a venerar seus pronunciamentos. Classificações numéricas, ainda que duvidosas, dão aos consumidores a confiança de que conseguirão encontrar a agulha de ouro (ou de prata, dependendo do orçamento) no meio do palheiro de variedades, produtores e safras.”
Querendo uma dica de leitura enológica para as férias? Bom, talvez essa não seja a melhor opção para passar o tempo na beira da praia, mas sem dúvida é um item obrigatório na biblioteca de qualquer apaixonado por vinho.
O Brasil ganhou uma ótima obra de referência voltada a quem tem a bebida de Baco como tema de estudo. E feita aqui mesmo no país. Para matar aquelas pequenas dúvidas de última hora, a Companhia Editora Nacional apresenta o Dicionário do Vinho, escrito por Maurício Tagliari e Rogério de Campos.
Funciona como qualquer outro dicionário que você conheça, com a organização alfabética dos verbetes, que explicam desde aromas e sabores até as mais desconhecidas variedades de uva. Vale a pena degustar de A a Z.
Clique na capa do livro para ver uma bela galeria antecipando algumas das fotos captadas por Wolffenbüttel
Forqueta, pequeno distrito à direita de quem se aproxima de Caxias do Sul, dá origem a grandes vinhos, personagens e histórias. São rótulos, faces e momentos praticamente anônimos, porque lá o tempo gira mais devagar, num ritmo alheio à pressa que os novos apreciadores da bebida têm de julgar o que é bom ou ruim. Lá existem ótimos produtos e outros nem tanto, como em qualquer lugar do mundo. O diferencial é que a mais importante matéria-prima dos vinhos feitos em Forqueta não é a uva, mas as pessoas.
Traduzir essa unidade de contrastes não é fácil. Exigiu uma enorme carga de sensibilidade dos jornalistas Carlinhos Santos e Ricardo Wolffenbüttel, que apresentam hoje à noite o livro Forqueta Ltda. tempo rito lugar. A coordenação do trabalho é de Mara De Carli Santos, o projeto gráfico é de Sandro Ka e a publicação é da editora Belas-Letras.
Com textos de Santos e imagens de Wolffenbüttel (dois nomes com quem me orgulho de ter trabalhado diretamente na redação do Pioneiro), a obra será lançada na Cooperativa Vitivinícola Forqueta, logo mais às 20h. Vai ser uma comemoração simples, breve, começando cedo, a contento dos moradores da localidade. O luxo será a chance de botar a mão em uma edição antes de ele entrar no circuito das livrarias. E ainda mais barato: hoje ele custa R$ 30, quando chegar ao mercado, R$ 50. Se não fosse para privilegiar as pessoas, não seria sobre Forqueta.
Hoje a dica literária é a edição 2011 de um dos guias enológicos mais consultados pelos brasileiros. O Descorchados, escrito por Patricio Tapia, virou referência por aqui por uma questão simples: traz avaliações apenas de vinhos argentinos e chilenos, duas das nacionalidades mais queridas pelos seguidores de Baco residentes no Brasil. Além disso, as informações são traduzidas de maneira simples, dinamizando a leitura.
Folhear a publicação é como percorrer as gôndolas do supermercado mais próximo. Muitos dos rótulos expostos nas páginas estão disponíveis no mercado nacional. Claro que fazem parte do livro os rankings dos melhores varietais de cada país, mas o guia avança ao descrever as principais uvas, apontar os “vinhos revelação”, resumir os dados das regiões produtoras e trazer uma ficha de cada vinícola mencionada.
A edição 2012 do Descorchados já está fechada, mas ainda não tem previsão de chegar ao Brasil. Até que seja traduzida, a versão 2011 dá conta do recado tranquilamente.
O mundo do vinho tem um novo "homem do ano". A revista britânica Decanter divulgou ontem, juntamente com o lançamento de sua última edição, o nome de Giacomo Tachis como personalidade enológica de 2011.
Na reportagem de Richard Baudains, ele é chamado de "pai do vinho italiano", muito por causa de seus esforços, nas décadas de 1970 e 1980, para modernizar a cadeia produtiva do país de Berlusconi. Foi o movimento que resultou no surgimento dos supertoscanos e consagrou nomes como Sassicaia, Tignanello e Solaia.
Para ler mais, é só clicar aqui. E para ver os vencedores do título em anos anteriores, é só conferir este post do Enoblog.
Alan Rickman vive inglês que revelou ao mundo os vinhos da Califórnia. Foto: Califórnia Filmes, divulgação
Desde Sideways _ Entre Umas e Outras, lançado em 2004, o cinema não contemplava os apreciadores de vinho com um filme que trouxesse a bebida como argumento principal. Ainda que tenha passado batido pelas salas de exibição brasileiras, O Julgamento de Paris chega agora ao país em DVD para suprir a carência dos enoapaixonados.
A obra, de 2008, conta como rótulos norte-americanos surpreenderam críticos franceses em uma degustação às cegas realizada em Paris, em 1976, superando inclusive os vinhos que jogavam em casa. Esse marco na história da vitivinicultura mundial é contado pelo diretor Randall Miller, mas o roteiro não fica só no concurso. Aborda desde a descoberta da produção dos Estados Unidos, a preparação do certame e sua repercussão. Entre os nomes mais conhecidos do elenco estão Alan Rickman e Bill Pullman.
O filme é baseado no livro de mesmo nome escrito por George M. Taber, título obrigatório na estante dos seguidores de Baco.
Pra quem ainda tá curioso a respeito, segue abaixo a crítica feita por Marcelo Perrone, do Segundo Caderno de ZH, e o trailer do filme.
Provar para crer
Um bom tema para puxar assunto entre apreciadores de vinhos sem apelar para a afetada ladainha de impressões degustativas e olfativas, o filme O Julgamento de Paris, inédito nos cinemas do país, chega em DVD.
É o tipo de produção que interessa menos por suas qualidades cinematográficas e mais pela curiosa e pouco conhecida, para os leigos, história que conta.
No dia 24 de maio de 1976, os franceses amargaram em plena Paris uma de suas mais dolorosas derrotas ao descobrir que não faziam os melhores vinhos do mundo. Dirigido por Randall Miller, O Julgamento de Paris (Bottle Shock,EUA,2008) acompanha os bastidores da degustação às cegas da qual saíram vitoriosos, para espanto do júri composto por renomados experts franceses, rótulos do Napa Valley, a região vinícola da Califórnia. O episódio marcou a abertura do mercado internacional do vinho à produção do Novo Mundo — EUA,Chile, África do Sul e Austrália,entre outros países.
Quem testemunhou e divulgou para o mundo o céu desabar sobre a autoestima gaulesa, já que a imprensa local tratou o assunto como segurança de Estado, foi o jornalista George M. Taber, à época correspondente em Paris da revista americana Time — ele é autor do livro homônimo lançado no Brasil pela editora Campus.
No filme,a história é contada pelo ponto de vista do inglês Steven Spurrier (Alan Rickman), comerciante de vinhos em Paris que,atento às notícias das boas safras na costa oeste dos EUA, decide promover o desafio. Ele parte em busca dos melhores tintos e brancos do Napa Valley e lá conhece, entre outros viticultores, Jim Barrett (Bill Pullman) e seu filho hippie Bo (Chris Pine),que produzem um chardonnay de cair o queixo.
Sem buscar nenhum tipo de arrebatamento narrativo — a histórica degustação ocupa espaço menor que o sugerido no título —, O Julgamento de Paris é pontuado por um toque de humor, que brinca com os estereótipos do americano bronco, do inglês esnobe e do francês pedante. Para quem se interessa pelo tema mais a fundo, o filme faz referências às especificidades que jogam a favor dos vinhos americanos. Mas a"mensagem"é simples e direta: o prazer diante de uma taça de vinho não deve ser determinado por rótulos e certificados de origem.Os franceses acreditavam nisso e se deram mal.
A propósito, os dois vencedores do desafio foram o Chateau Montelena Chardonnay 1973, dos Barrett, entre os brancos, e o Stag's Leap Wine Cellars Cabernet Sauvignon 1973, também dos vinhedos do Napa, entre os tintos.O lançamento é da Califórnia Filmes.
O universo da uva e do vinho é tão vasto que só uma ferramenta como a internet pode manter os apreciadores atualizados. O Enoblog traz aos internautas dicas, novidades e curiosidades envolvendo a bebida. O garimpo entre tantos conteúdos é feito por Maurício Roloff, jornalista, sommelier e curioso pesquisador do mundo do vinho.
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