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Posts na categoria "Produtos"

Espumante com sabor de história

04 de agosto de 2012 0

Assemblage (mistura de uvas) clássico de Champagne, 48 meses de maturação e uma ligação sentimental com a história da vinícola. A Don Giovanni apresentou em março um espumante que completa sua linha de rótulos premium. Batizado em homenagem à matriarca da cantina de Pinto Bandeira, o Dona Bita é uma das apostas para 2012.

Chardonnay (60%) e Pinot Noir (40%) formam esse produto, elaborado pelo método tradicional. O nome copia o apelido de Beatriz Dreher Giovannini, figura familiar a qualquer visitante da vinícola, conhecida pelo bom-humor e pela hospitalidade. É indicado especialmente para quem gosta de produtos envelhecidos, pois o tempo de guarda se faz sentir tanto no aroma de pão tostado quanto no paladar evoluído. O valor sugerido é de R$ 90.

Madeira: um vinho indestrutível

19 de julho de 2012 0

Um dos maiores baratos do mundo do vinho é a possibilidade de sempre aprender algo novo – embora alguns supercríticos discordem, pois parecem interessados só em ditar regras. E nunca faltam temas a descobrir, nem que seja algo que existe há 500 anos, como o Vinho Madeira.

Após palestra de Juan Teixeira, diretor geral e enólogo da Justino’s, uma das mais conhecidas produtoras de Vinho Madeira de Portugal – logo, do mundo –, ficou claro como esses rótulos de sobremesa são bem raros nas mesas dos brasileiros. Assim como o Vinho do Porto, outro tesouro enológico português, o Madeira surgiu por acidente. Para interromper a fermentação e estabilizar o vinho antes de embarcá-lo nas naus dos séculos 17 e 18, era acrescentada aguardente vínica ao líquido, o que conferiu características únicas à bebida.

A Ilha da Madeira, de geografia acidentada graças à ação dos vulcões, não permite o cultivo de grandes vinhedos. Ao todo, soma 400 hectares de parreirais. As principais uvas são Sercial, Verdelho, Boal, Malvasia e Terrantez, entre as brancas, e Tinta Negra, entre as de casca escura. Tão determinante na qualidade quanto as variedades usadas são os métodos de elaboração. Existem dois: canteiro, mais nobre, e estufagem, mais rápido. Ambos submetem o líquido a altas temperaturas, objetivo incomum no universo enológico. A prévia exposição ao calor, o longo envelhecimento e a acidez muito elevada transformam o Madeira em um vinho praticamente indestrutível, mesmo depois de aberto.

"Não há vinho que agüente mais a ação do tempo do que o Madeira", garante Teixeira.

Ouvir tudo isso diretamente de um produtor da ilha foi muito legal, mas o que o público queria mesmo era degustar os vinhos. E aí o representante da Justino’s não decepcionou. Apresentou três rótulos, começando com o Colheita 1998, feito de Tinta Negra. Os 125g de açúcar residual se fizeram perceber em aromas de caramelo e frutas secas. Mais complexo, o Boal 10 anos também lembrou açúcar queimado, mas trouxe ainda casca de laranja e maçã cozida ao olfato. Por fim, um Madeira feito de Terrantez com mais de 40 anos confirmou a longevidade de seus conterrâneos. Mais fechado no nariz, foi persistente e quente na boca – mais do que os anteriores, apesar de apresentar os mesmos 19% de graduação alcoólica. Meio seco, teria combinado bem com queijos ou canapés, mas sua vocação, assim como os demais, é mesmo ser harmonizado com sobremesas.

"É um tipo de vinho para ser bebericado", ensina Teixeira.

Um brinde aos erros na degustação de vinhos

18 de julho de 2012 0

Um dos atuais problemas do mundo do vinho é a resistência ao erro. O medo de cometer um equívoco na identificação ou análise de um rótulo faz com que apreciadores experientes e iniciantes pareçam demasiadamente sensíveis quando seus sentidos são colocados pra funcionar. E a crença de que existem narizes absolutos e paladares inquestionáveis torna a divertida degustação em um momento tenso para quem participa e tedioso para quem assiste.


Por isso sou tão fã de testes às cegas. E um realizado ano passado me fez lembrar o quão educativo eles são. Cerca de 10 pessoas se reuniram ao redor de cinco garrafas, uma de cada país. Estavam representados Espanha, Estados Unidos, França, Itália e Portugal. Muito bem representados, diga-se de passagem. O desafio era descobrir a nacionalidade dos vinhos e apontar os dois mais agradáveis.


Meu resultado foi dois acertos entre os cinco possíveis. Identifiquei o italiano Stielle 2000, da vinícola Rocca di Castagnoli, uma mistura de Sangiovese (70%) com Cabernet Sauvignon de taninos muito finos e que se encaminhava para a redução (quando a bebida perde suas propriedades pela idade avançada), além do norte-americano Paradigm Cabernet Sauvignon 2003. O enviado do Napa Valley, aliás, foi o escolhido pela maioria como o favorito da noite, certamente por sua potência e abundância de frutas vermelhas no nariz.


Em segundo lugar ficou o Viña Sastre Pago de Santa Cruz 2001, um espanhol 100% Tempranillo da região de Ribera del Duero rico em aromas vegetais.

A carta foi complementada pelo Compota Touriga Nacional 2005, da região do Douro, e o francês Château Gloria 2004, os dois bastante similares pelo ótimo corpo em boca. O ambiente descontraído transformou a dificuldade em brincadeira e assim todos se sentiram à vontade para expressar suas opiniões. Mais do que um exercício de habilidade, o que vale é a prática da humildade.

Pra encontrar vinho bom e barato é preciso deixar o preconceito de lado

06 de julho de 2012 1

Você veste o casaco que passou um ano inteiro fechado no armário, enfia a mão no bolso pra espantar o frio e encontra uma cédula de Real perdida. Não importa a quantia. A alegria de descobrir algo valioso e que estava bem embaixo de nosso nariz é inexplicável. Há vinhos que conseguem reproduzir essa experiência. Mas dificilmente serão os rótulos conhecidos e caros. Pelo contrário. Essa é uma virtude dos produtos pelos quais não temos qualquer expectativa e que nos surpreendem pela qualidade.

Essa longa introdução não condiz com a pouca solenidade que geralmente é dispensada à marca Castellamare, da Cooperativa Vinícola São João, de Farroupilha. E é aí que mora a lição. Em uma degustação recente, o Castellamare Chardonnay 2011 venceu preconceitos com seu franco aroma frutado e leve graduação alcoólica. Um produto que entrega muito mais do que promete e ensina que preço baixo é algo a ser celebrado, e não confundido com pouca qualidade - no site, o valor por unidade é de R$ 24.

Desafio Vinho de Piscina: qual o melhor?

26 de fevereiro de 2012 2

Desde o início do verão, venho me arriscando a conduzir uma árdua e flagelante pesquisa: qual espumante combina melhor com a beira da piscina. Usando a propriedade alheia como laboratório, tive a chance de testar diversas amostras nos últimos finais de semana.

Curiosamente, quanto maior a incidência de sol, mais produtivo era o levantamento. Os resultados preliminares (o estudo segue em andamento até o fim da temporada) mostraram que, de maneira geral, os exemplares brasileiros vêm dando um banho - com o perdão do trocadilho. Tudo bem que os estrangeiros tiveram uma participação menor na amostragem, mas de qualquer forma dá orgulho ver o desempenho dos nacionais.

Abaixo eu antecipo alguns dados desta pesquisa nada científica. Confira as dicas e faça você mesmo o teste na piscina mais próxima.

 

Extra brut: Casa Valduga Natura 2006
O longo descanso desde a ótima safra 2006 fez muito bem a este produto, com aromas evoluídos e elegantes. No paladar, é muito cremoso. É preciso, no entanto, gostar de espumantes bem secos. Qualquer coisa, dê um mergulho entre um gole e outro.



Brut: Salton Évidence
Leve e harmônico, é o tipo de bebida que vai conquistar qualquer banhista. Fica excelente se acompanhado de petiscos, sem muita preocupação com a harmonização ideal, pois é flexível em relação à comida.



Moscatel: Valdemiz
Representando Flores da Cunha, este candidato da categoria espumantes doces pode vestir a faixa de “Revelação”. O ótimo equilíbrio entre acidez e açúcar o torna uma bela opção tanto para o happy hour quanto para a hora da sobremesa.



Rosé: Fabian Intuição e Perini Rosé
Se existe uma categoria que merece mais de uma indicação é a de espumantes rosé, naturalmente identificado com a beira da piscina. O Fabian Intuição tem um aroma floral que o torna intrigante até o último gole. E o Perini Rosé é o tipo de produto que não se torna cansativo nunca graças à sua suavidade em boca e o agradável aroma frutado.

Upgrade no passeio de Maria Fumaça na Serra

13 de fevereiro de 2012 0

O tradicional passeio de Maria Fumaça entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa tem agora um novo sabor. Parceira no fornecimento de bebidas aos visitantes, a Cooperativa Vinícola Garibaldi substituiu o filtrado doce Gotas de Cristal pelo seu espumante Moscatel.

A estratégia é mais do que acertada, por se tratar de um produto de qualidade superior - premiado em concursos no Brasil e no Exterior - e ainda assim acessível ao paladar da maior parte dos turistas. Para quem não ingere álcool, o suco integral da vinícola é a opção.

Um branco de respeito

12 de fevereiro de 2012 0

Apontada como uma das variedades que mais deve crescer no gosto dos consumidores nos próximos tempos, a uva Riesling é praticamente uma desconhecida para a maioria dos brasileiros. Primeiramente porque é branca, condição desfavorável quando se está em um país de hegemonia tinta. Depois por não dar origem a espumantes (estamos falando aqui do Riesling Renano, e não do tipo Itálico, amplamente usado pelas vinícolas da Serra para formar suas borbulhas). Por fim, joga contra sua popularização o fato de sua região de excelência ser a longínqua fronteira entre a Alemanha e a França.

Porém, não é preciso ir tão distante para encontrar bons exemplares. O próprio Brasil vem elaborando ótimos varietais - e bem mais em conta do que os importados. O último representante da espécie a causar boa impressão no meu cálice veio da África do Sul. O Groote Post 2010 é menos sutil do que os europeus, mas tão delicioso quanto. Nem parece ter graduação alcoólica tão moderada (11%), tamanha sua força aromática. A cada gole a boca é preenchida de sabor, o que faz dele um rótulo gastronômico. Excelente pedida para o calor que estamos enfrentando.

Vinícola chilena faz vinho de outro mundo

07 de fevereiro de 2012 0

Creditada a Dom Pérignon quando fazia a degustação do primeiro Champagne, a frase “estou bebendo estrelas” está mais perto de se tornar verdade. Literalmente. O último vinho lançado por Ian Hutcheon, dono da chilena Tremonte Vineyard, recebeu um ingrediente peculiar durante a fase de envelhecimento: um meteorito com 4,5 bilhões de anos, artefato espacial que acabou por dar nome ao rótulo.

Com cerca de 8cm de diâmetro, a pedra foi colocada em um dos barris de Cabernet Sauvignon da vinícola durante a fermentação malolática e ficou lá por 12 meses. Depois, a bebida foi misturada com outros preparos da mesma variedade e rendeu 1,1 mil caixas. O Meteorito não é vendido na cantina, mas no observatório espacial de Hutcheon, que é amante da astrologia.

"A ideia é dar a todos a oportunidade de entrar em contato com algo do espaço", afirma.

Vinhos em miniatura são a nova tendência

31 de janeiro de 2012 2

Depois das meias-garrafas de vinho (375ml) e dos recipientes “baby” (187ml) para espumantes, uma opção ainda menor chega às vinícolas. Cresce no mundo todo a demanda por embalagens de 50ml. Embora a medida nem mesmo preencha um cálice, é ideal para cursos de degustação ou para empresas interessadas em montar kits com vários rótulos para mostrar o perfil de sua produção.

A bodega argentina Urraca, que oferece toda sua linha nesse formato, garante que dentro do prazo de seis meses a qualidade das amostras não sofre qualquer prejuízo.

Como viajar com vinho sem risco para as garrafas

16 de janeiro de 2012 4

A temporada de férias traz uma angústia a muitos apreciadores de vinho: como, afinal, transportar as garrafas até o destino do descanso (ou, mais provavelmente, como trazer aqueles rótulos do Exterior com segurança). Antes de carimbar o passaporte de seu vinho, procure por uma das opções a seguir.

Mala de vinhos – Não se trata daquele amigo que tenta lhe ensinar do que gostar. São bagagens especialmente desenhadas para o transporte de garrafas. Os preços são tão variáveis quanto os tamanhos e formatos. O modelo ao lado foi criado pela empresa WineFit, que até já apareceu aqui no blog em outra ocasião, com outro nome. Aconselháveis para quem aproveita as viagens para encher a adega. Procure em casas especializadas.


Luvas e skins – Encontradas mais frequentemente no Exterior do que no Brasil, são estruturas plásticas que abraçam as garrafas. Ideais para quem quer carregar apenas dois ou três vinhos na própria mala, substituem meias, blusões e toalhas na função de proteger os recipientes. Há modelos de um único uso, como o WineSkin, e reutilizáveis, como o VinniBag (que é inflável). Procure em lojas especializadas, aeroportos ou diretamente nas vinícolas.


Primeira classe – Esse produto entraria na primeira categoria acima, não fosse pelo luxo extremo. A loja francesa Cordier Mestrezat, que trabalha com grandes rótulos de Bordeaux, encomendou à Louis Vuitton uma mala exclusiva com lugar para quatro garrafas. Apenas três unidades foram feitas. Preço não divulgado.