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Posts na categoria "Reivindicações vitivinícolas"

Decisão sobre preço da uva pode sair hoje

26 de janeiro de 2012 0

A expectativa é de que o governo bata o martelo sobre o preço mínimo da uva nesta semana. A reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que oficializa o valor, está marcada para hoje. Um acordo entre lideranças de vinícolas, cooperativas e viticultores apontou aumento de 10%, valorizando a qualidade da fruta.

Os preços enviados para aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Agronegócios (Mapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e já homologados, contemplam reajuste equivalente à inflação do ano mais 3,5% de ganho real. A uva isabel passaria de R$ 0,52 para R$ 0,57 o quilo.

Mas, para receber o aumento, o viticultor deve entregar a fruta com, pelo menos,15 graus babo (que representa a quantidade de açúcar, em peso, existente em 100g de mosto).

Nas safras de 2007 a 2010, o valor mínimo ficou congelado em R$ 0,46. Na última colheita, o preço subiu para R$ 0,52. Antes do acordo, um relatório da Comissão Interestadual da Uva havia apontado que, para este ano, os custos de produção ficam na faixa de R$ 0,65 o quilo.

"Este valor (R$ 0,57) foi o máximo que se conseguiu. Mas é para a isabel. Outras variedades alcançarão valores bem melhores. Mas o importante é que fechamos um acordo entre os setores, porque, se não tivéssemos feito isso, a discussão poderia se estender ainda mais", analisa o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.

Para serem válidos, após a aprovação do CMN, os preços devem ser publicados no Diário Oficial da União (DOU).

Menos açúcar e mais qualidade nos vinhos brasileiros

17 de janeiro de 2012 1

Na França, a luta por vinhos naturais é antiga, como mostra este postal de 1907

Um bom vinho depende essencialmente da qualidade das uvas. Porém, quando a colheita não cumpre sua parte, há vinícolas que apelam para ajustes dentro da cantina. Entre os meios mais controversos está a chaptalização, que é a adição de açúcar ao mosto para elevar o grau alcoólico da bebida. Seguindo uma tendência internacional, o Brasil vai restringir mais fortemente o uso desse método, o que vai resultar em vinhos nacionais ainda melhores.

O primeiro passo para esse controle já foi dado. O Ministério da Agricultura enviou à Casa Civil a atualização das regras da chaptalização. Segundo o texto, os vinhos finos poderão ser corrigidos em apenas dois graus alcoólicos nos primeiros quatro anos após a publicação do decreto (o que pode ocorrer a qualquer momento) e em somente um grau a partir do quinto ano. Para os vinhos de mesa, a transição será de três graus até o quarto ano da publicação e dois graus depois disso. Hoje, a lei permite que qualquer vinho tenha seu teor de álcool elevado em, no máximo, três graus.

O setor vitivinícola sabe a importância dessas restrições, tanto que apoia integralmente o novo texto. Mais do que isso: desde 2008 vem ajudando a escrevê-lo. A mudança vai exigir trabalho extra nos parreirais, que será compensado com maior qualidade dentro dos cálices.

Investigação nos vinhedos da África do Sul

06 de janeiro de 2012 0

Vinhedos na região da Cidade do Cabo estão sob suspeita. Foto: Deon Maritz, Wikimedia Commons

Traumatizada com os anos em que sofreu sanções internacionais por conta da política de Apartheid, a indústria vinícola da África do Sul se assustou com um relatório elaborado pelo Human Rights Watch (HRW) acusando o setor de submeter os trabalhadores dos vinhedos a condições desumanas.

Entre as denúncias estão o alojamento em lugares impróprios, o manejo de pesticidas sem proteção, o acesso limitado a água e banheiros durante o expediente e a proibição de formação de sindicatos.

Os empresários do ramo rebatem as informações, alegando que a vistoria cobriu menos de 1% das áreas de cultivo de uva e que o relatório não representa a realidade. O governo local pediu que a HRW desse nome às fazendas visitadas para tomar as medidas necessárias, mas a entidade recusou o pedido para proteger os trabalhadores de possíveis retaliações.

Selo fiscal só deve ser visto a partir do meio do ano

05 de março de 2011 0

A União Brasileira de Vinícolas Familiares e de Pequenos Vinicultores (Uvifam), que congrega 64 empresas, também busca na Justiça a suspensão da necessidade do selo fiscal.

— Hoje, acho inútil o selo, tendo importadoras que não estão selando. Para nós, é um ônus. Tínhamos estimado um custo de R$ 0,50 por garrafa para as pequenas cantinas. Mas está maior do que isso. Porque não é o custo do selo em si, mas todo o operacional, de contratar mais gente, de buscar o selo nos postos da receita. Para uma  empresa familiar, onde trabalham só três, quatro pessoas, faz diferença — avalia o presidente da Uvifam, Luís Henrique Zanini.

Já foram entregues 57,2 milhões de selos para vinhos brasileiros, da cor verde, impressos pela Casa da Moeda. As etiquetas da cor vermelha, para os vinhos importados, somam 3,3 milhões de unidades. Por enquanto, o consumidor ainda não está vendo os selos nas prateleiras. Os atacadistas e varejistas só serão obrigados a apresentar a certificação nos produtos a partir de 1º de janeiro de 2012. A presidente-executiva da Abba, Raquel de Almeida Salgado, considera o período muito curto.

Conforme o dirigente do Ibravin, Júlio Fante, o mercado não está com estoques altos e, na metade do ano, os clientes devem começar a encontrar os produtos selados nos revendedores.

Com conteúdo de Kelly Isis Pelisser

Parte dos importados estão liberados do selo fiscal

05 de março de 2011 0

Foto Roni Rigon, BD

Parte do vinho importado que chegou ao Brasil desde o início do ano está sendo comercializado sem o selo de controle fiscal, obrigatório para vinícolas brasileiras e importadores desde o dia 1º de janeiro. As vinícolas nacionais já estão adaptadas à medida. Mas, por força de uma liminar, integrantes da Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba) estão livres da certificação. O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) estima que, das 5 milhões de garrafas que entraram no Brasil em janeiro, 1,7 milhão tenham ficado sem o selo. Pequenos produtores também são contrários à aplicação da medida e já ingressaram com um pedido de liminar, ainda não julgado.

O selo foi instituído pela Receita Federal com objetivo de inibir o contrabando. Por acreditar que a medida limita o livre comércio e burocratiza o setor, a Abba ingressou com um mandado de segurança na 21ª Vara Federal de Brasília no ano passado. A entidade conseguiu uma decisão favorável liminarmente, mas o processo ainda aguarda o julgamento final.

— Para conseguir o selo, a empresa precisava encaminhar uma infinidade de documentos à Receita Federal, e quem tivesse qualquer problema com o Fisco, nem que fosse um erro de digitação, não conseguia. É uma burocracia absurda — diz a presidente-executiva da Abba, Raquel de Almeida Salgado.

Conforme Raquel, a Abba possui 70 importadores, mas ela não sabe precisar quantos trabalham com vinhos, já que alguns importam somente alimentos. A entidade também não possui um levantamento do volume de vinho importado neste ano pelos associados. A presidente da Abba acredita que a selagem da bebida, em vez de reduzir o contrabando, deve estimulá-lo, em função da dificuldade da obtenção da etiqueta.

O presidente do Ibravin, Júlio Fante, diz que ainda é cedo para fazer uma avaliação a respeito das primeiras semanas da implantação do selo, mas entende que o setor sai prejudicado pela liminar da Abba. A estimativa é de que 250 milhões de unidades do selo sejam distribuídas em 2011. Este é o número aproximado de garrafas de vinhos nacionais e importados a serem comercializados no Brasil.

Com conteúdo de Kelly Isis Pelisser

Garrafas entram no país sem certificação

22 de fevereiro de 2011 1

Em janeiro,entraram no Brasil 3,8 milhões de litros de vinho estrangeiro, 500 mil litros a menos do que em igual período de 2010, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento.

A quantidade,em litros,corresponde a 5 milhões de garrafas, mas só 3,3 milhões receberam o selo de certificação exigido pela Receita Federal. Isso porque a Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas obteve liminar isentando os associados da obrigatoriedade de selar as garrafas.A medida é obrigatória desde o início do ano.

Memórias de 2005...

14 de fevereiro de 2011 0

Em 2005, quando o setor registrou a melhor safra em termos qualitativos, o Estado também havia sido atingido pelo fenômeno La Niña, como agora. Mas além dos aumentos de volume e de qualidade, os produtores festejam o acréscimo no preço mínimo da uva. Entre 2007 e 2010, os agricultores receberam os mesmos R$ 0,46 pelo quilo da variedade isabel. Muitos chegaram a comercializar a fruta por valores menores do que o estipulado pelo governo. Para esta safra, o preço foi reajustado para R$ 0,52, um ganho de 13%.

— Está sendo prometido pelo mercado para algumas variedades, como bordô, niágara e moscato, um preço maior do que o mínimo. O produtor pode ganhar mais pela qualidade, pelo volume e pelo preço que aumentou. Algumas variedades poderão alcançar um valor 20% maior do que o do ano passado. Tudo isso traz um novo ânimo para o produtor — acredita o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.

Esse novo cenário também gerará dividendos para a indústria.

— O setor todo está com um desempenho bom. A questão do volume deve atender à expectativa do produtor em ganhar mais, assim como o preço e a sanidade da uva. Este ano, se vê um otimismo maior em toda a cadeia produtiva — entende Júlio Fante, presidente do Ibravin.

Conforme ele, não é possível estimar quanto, percentualmente, o maior volume de uvas colhidas deve refletir no aumento da produção de vinhos, sucos e espumantes, e nem se isso poderá gerar problemas de escoamento dos produtos. Mas o presidente do Ibravin garante que toda a uva será absorvida pelas cantinas.

Com conteúdo de Kelly Isis Pelisser

Otimismo com cautela na Serra

14 de fevereiro de 2011 0

Foto: Juan Barbosa

Uma série de fatores colabora para que esta safra da uva seja celebrada como o ano da volta do otimismo no setor. O fenômeno La Niña trouxe o clima perfeito para a produção de um volume maior da fruta e com boa qualidade. Conjugado a isto está o aumento do preço mínimo pago aos produtores, após quatro anos de congelamento. Embora algumas lideranças tentem ser mais cautelosas, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) projeta uma produção entre 20% a 25% maior do que na última safra. Se a previsão for confirmada, esta vindima poderá ser a maior da história.

Em 2010, o Rio Grande do Sul colheu 526,89 milhões de quilos de uva, valor inferior aos dois anos anteriores. Já é certo que a safra deste ano ganhará um incremento em relação à última, mas se ela ultrapassará em volume a de 2008, a maior da década, só as próximas semanas dirão. Naquele ano, 634,04 milhões de quilos da fruta foram processados pela indústria. Para que a quantidade se repita, é necessário que não haja queda de granizo ou chuvas constantes daqui para frente, já que muitas variedades ainda estão em processo de maturação. Mesmo assim, a projeção do Ibravin é atingir 640 milhões de quilos.

— É cedo ainda, mas tudo indica que este crescimento se confirma. Trabalhamos com previsões, mas temos um quadro bem interessante agora — estima o presidente do Ibravin, Júlio Fante.

Já o coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, prefere ser mais cauteloso:

— Pelo que tudo indica, será uma safra maior do que a do ano passado. Mas não será uma supersafra. Com a área que temos hoje no Estado, entre 38 e 40 mil hectares plantados, poderíamos chegar aos 800 milhões de quilos, mas ainda estamos muito longe disso — aponta.

O aumento de volume da produção em relação a 2010 se deve ao clima dos últimos meses, com pouca chuva. Períodos muito úmidos favorecem a proliferação de fungos, problema enfrentando em anos anteriores.

O tempo mais seco também proporciona frutas com mais açúcar e, por consequência, produtos derivados, como vinhos, sucos e espumantes, de melhor qualidade.

Fante considera que esta será uma boa safra, mas que, no momento, é difícil projetar se irá superar a de 2005, considerada a melhor em qualidade da última década.

— Para falar em safra excepcional, só depois de colhida. Mas boa será, com certeza — diz Fante.

Ao que tudo indica, em maio, quando devem chegar às prateleiras os primeiros vinhos brancos jovens produzidos a partir de uvas desta safra, os consumidores e, principalmente, a cadeia produtiva terão o que brindar.

Com conteúdo de Kelly Isis Pelisser

Agricultores podem seguir fazendo suco como de costume

04 de fevereiro de 2011 0

Foto: Fabiano Mazzotti, especial

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) autorizou que sucos de uva produzidos pelo tradicional sistema a vapor continuem sendo registrados como bebidas integrais. A medida beneficia mais de 500 produtores familiares do Brasil.

O coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, integrante do Conselho Deliberativo do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), que esteve em Brasília participando de audiência com o ministro Wagner Rossi, disse que foi definido um prazo de três anos para que sejam estabelecidas as novas normas técnicas de produção e classificação deste produto pelas pequenas agroindústrias de suco de uva.

— Foi uma decisão sábia e sensível do ministro — reconhece Schiavenin.

A produção de suco pelo sistema a vapor ou a panela  é típica dos viticultores brasileiros. O resultado sempre foi considerado suco integral, com 100% da fruta, sem adição de água nem açúcar. Entretanto, uma nova interpretação dos técnicos do Ministério pretendia rever esta classificação. Isso obrigaria os produtores a vender a bebida como néctar ou refresco, uma vez que o processo a vapor leva ao risco de incorporação de água ao produto.

A legislação brasileira define suco integral como a bebida que não tem adição de água, não é fermentada e nem concentrada. Na fabricação do néctar, a fruta é diluída em água potável, com adição de açúcares. O refresco também não é fermentado e é obtido pela mistura em água.

— O ministro Wagner Rossi foi claro, dizendo para os técnicos deixarem os produtores fazerem o que sempre fizeram — afirmou Schiavenin.

— A norma afeta centenas de famílias que produzem o suco há anos. Temos que dar um prazo para que adaptem suas tecnologias — explicou o ministro.

 O sistema, que, grosso modo, consiste em ferver água em uma panela com os cachos de uva em um compartimento acima, é utilizado, principalmente, por agricultores familiares que produzem suco em menor escala. Schiavenin estima que a produção de suco por este método alcance 8 milhões de litros. O ministro da Agricultura formou um grupo de trabalho para realizar um estudo com vistas à criação de regulamento específico para a produção de suco pelo sistema de arraste a vapor.

— Com o tempo, deve surgir uma classificação específica para este tipo de suco — observa Schiavenin.

6 mil garrafas de vinho destruídas

26 de janeiro de 2011 0

Foto: Orestes de Andrade Jr, divulgação

Na manhã de ontem, 6 mil garrafas de vinhos e e espumantes recolhidas em operações de combate ao contrabando na fronteira do Rio Grande do Sul foram esvaziadas. O líquido foi jogado fora e as embalagens encaminhadas para reciclagem.

A ação, comandada pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e realizada na Cooperativa Vinícola Aurora, em Bento Gonçalves, teve o objetivo de aliviar os depósitos da Receita Federal, abrindo espaço para novas operações contra o vinho clandestino. Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Júlio Fante, a fiscalização busca coibir a concorrência desleal com os produtores e comerciantes que trabalham legalmente e, principalmente, preservar a saúde das pessoas, já que a falta de controle na produção de vinhos e derivados pode acarretar problemas aos consumidores.

Nos próximos meses, a Receita deve ampliar a fiscalização à importação ilegal de vinhos.

Foto: Orestes de Andrade Jr, divulgação