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Posts na categoria "Tecnologia"

Vinhos 'afogados' em escala comercial

10 de agosto de 2012 0

Está quase tudo pronto para o lançamento do primeiro serviço de envelhecimento submarino de vinhos do mundo. Localizado no fundo do Oceano Atlântico, a uma profundidade de mil metros, a cave oferece as condições ideais para o amadurecimento da bebida: temperatura baixa e constante, oxigênio zero e pouquíssima incidência de luz.

Acondicionadas em caixas de aço inox, elas ficarão submersas por até 10 anos, sendo que a cada 24 meses um exemplar é resgatado para a degustação e avaliação. A novidade será oficialmente lançada na metade do próximo ano, e vai custar às vinícolas interessadas cerca de 17 euros por garrafa (pouco mais de R$ 42 por unidade).

Vinho livre de ressaca no dia seguinte

07 de fevereiro de 2012 0

Uma pesquisa de oito anos pode tornar o vinho mais agradável a pessoas que afirmam sofrer de dor de cabeça após ingerir a bebida. Hennie van Vuuren, da University of British Columbia, no Canadá, desenvolveu uma levedura (componente utilizado na elaboração do vinho) que impede a formação de substâncias que poderiam provocar uma enxaqueca ou ataques de hipertensão.

Segundo o estudo, cerca de 30% da população mundial é sensível ao mal estar que pode ser disparado pelo vinho - o cientista Van Vuuren inclusive.

Genética poderá acabar com o brett nos vinhos

11 de janeiro de 2012 1

Um dos mais recorrentes defeitos que atacam os vinhos pode estar com os dias contados. Cientistas australianos decifraram o genoma da levedura Brettanomyces, ou simplesmente brett, um micro-organismo que dá à bebida aromas de remédio ou metálicos.

A descoberta vai permitir, por exemplo, entender o motivo pelo qual o brett é muitas vezes resistente ao enxofre – substância mais empregada no combate ao problema. Também será possível saber por que ele cresce e se espalha tão rapidamente dentro da cantina, tornando possível controlar as infecções.

Vinho é usado para evitar pele 'rosé'

08 de janeiro de 2012 0

Por mais que os espumantes venham fazendo sucesso na areia, há quem não concorde que vinho e praia combinem. Um estudo do Journal of Agriculture and Food Chemistry, porém, aponta na direção contrária: os polifenóis presentes na uva reduzem a produção pela pele de uma substância que causa danos depois da exposição ao sol.

Sob o microscópio, as células se tornaram mais resistentes aos efeitos dos raios UVA e UVB, o que significaria menor risco de câncer de pele, queimaduras e envelhecimento precoce. No entanto, não ficou comprovado que o consumo da bebida ou de uva tenha o poder de proteger a pele de tais prejuízos. Tampouco se deve tomar um banho de vinho antes de rumar para a areia. Um estudo de 2008 já descartou a possibilidade de bloqueio da radiação por esse método.

Colheita mecanizada é alternativa à falta de safristas

16 de março de 2011 0

Com a elevação da oferta de trabalho na cidade, a zona rural vem encontrando dificuldades maiores a cada ano para contratar safristas. Para prevenir a escassez de mão de obra, o setor vem buscando alternativas através de máquinas para desfolhar, pré-podar e agora também para colher uvas.

O grupo Miolo investiu R$ 300 mil na compra da colheitadeira e outros R$ 200 mil com a reforma de vinhedos para o uso da máquina. A  topografia de Livramento permite o uso do equipamento, que se adapta em solos de até 30% de inclinação. Mas, aqui na Serra, essa tecnologia deve demorar a chegar.

Segundo o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir  Schiavenin, a colheita mecanizada é inviável na região não só pela grande inclinação dos terrenos, mas porque a maioria dos vitivinicultores adota o sistema latada nos parreirais. A colheitadeira só pode ser empregada no sistema espaldeira, usado em apenas 15% das videiras gaúchas atualmente.

Em Bento, a Miolo utiliza o espaldeira em todas as videiras, mas poderia aproveitar a máquina em apenas 30% da produção, já que o relevo é inadequado. Segundo o engenheiro agrônomo da vinícola, Ciro Pavan, a colheita mecanizada não será trazida a Bento devido ao baixo volume de produção adaptado.

Para os processos vitivinícolas pré-colheita, a Miolo projeta importar, da Europa, máquinas pré-podadeiras. A tecnologia fará 50% do trabalho de poda. O restante seguirá manual. Outras tecnologias estão sendo desenvolvidas entre a Miolo e a Logimatec Máquinas Agrícolas, ambas de Bento. São máquinas despontadeiras, desfolhadoras e uma desbrotadora.

Com conteúdo de Alexandra Duarte

Não é o fim da colheita manual

16 de março de 2011 0

Mesmo que a tecnologia avance, a atividade humana continua essencial. De acordo com Olir Schiavenin, que acumula a presidência dos Sindicatos Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua, para adquirir uma colheitadeira é necessário que a vinícola possua grande produção para justificar o investimento, uma realidade de poucas empresas.

— Para fabricar vinhos finos, tipo reserva, a colheita manual é a mais indicada porque separa os cachos, evitando grãos secos ou danificados — explica.

O engenheiro agrônomo Alexandre Hoffmann, supervisor de Comunicação e Negócios da Embrapa Uva e Vinho, diz que a entidade ainda não desenvolveu nenhum estudo sobre tecnologias alternativas.

Brasil adere à colheita de uva feita por máquina

16 de março de 2011 1
Foto: Duda Pinto

Equipamento importado da França tem sete braços metálicos de cada lado que sacodem as ramas e fazem com que cachos de uva caiam em um recipiente. Foto: Duda Pinto

A exemplo de países como França e Chile, tradicionais na fabricação de vinhos, a Almadén, empresa do grupo Miolo, de Bento Gonçalves, iniciou esta temporada com colheita mecânica em 150 dos 600 hectares de vinhedos que possui em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste. A técnica garante maior agilidade e eficiência na colheita. A vinícola é a primeira a adotar a técnica no país.

Com 4,3 metros de comprimento, a máquina, da marca francesa Pellenc, corre por cima da plantação com sete braços metálicos de cada lado. O vinhedo fica no meio, entre as rodas da engenhoca. À medida que vai passando sobre o vinhedo, sacode as ramas, fazendo com que os cachos de uvas caiam em um recipiente. A máquina realiza entre 480 a 500 sacudidas por minuto e se desloca numa velocidade de 3,5 quilômetros por hora. O engenheiro agrônomo da Almadén, Fabrício Domingues, explica que a máquina é totalmente adaptável, permitindo regular a força e a regularidade da sacudida. A fruta não é danificada pela ação da máquina.

— Esse é um ano de testes, mas estamos muito satisfeitos com os resultados. O principal benefício é poder escolher a hora da colheita, o que altera o sabor da uva. Com colheita humana, não podíamos colher à noite, por exemplo — explica Domingues.

Ainda que o desempenho seja satisfatório, a colheita mecânica não foi aplicada em todo o parreiral porque é necessária uma adaptação dos vinhedos à máquina, como levantar mais a planta, mudar o tipo de poda e os arames que a sustentam. Cerca de 200 hectares já estão adaptados para receber a máquina. Até o final do ano, a vinícola pretende adaptar mais 100 hectares. Entre a aquisição do equipamento e os ajustes nos vinhedos, a empresa investiu R$ 500 mil.

O número de pessoas contratadas para a colheita segue o mesmo, o que deve se repetir na próxima safra.

— Só deveremos ter economia de mão de obra a longo prazo — acredita o agrônomo.

Com conteúdo de Marina Lopes

Indústria segue na busca por alternativas de envase

05 de outubro de 2010 0

Por mais inovador que seja, o bag-in-box não satisfez a sede da indústria vitivinícola por novas formas de envase. Entre diferentes tamanhos de garrafas e a adoção de tecnologias alternativas, o setor segue buscando surpreender e conquistar o consumidor.

Velhas conhecidas nos supermercados, as caixinhas Tetra Pak acabaram de entrar na lista de apostas das cantinas. Até então usadas apenas para embalar vinhos comuns, passaram a receber também os finos depois que a Wine Park lançou, no final de agosto, o Onorabile. Disponível nas versões tinto (cabernet sauvignon e merlot) e branco (chardonnay e riesling), tem foco no público que está aprendendo a gostar da bebida.

"O pessoal que conhece vinho sempre busca maior qualidade. Já os que não conhecem, se começam já com rótulos de alto padrão, não vão gostar porque não entenderão aquilo que está no cálice. Pensamos em um vinho de entrada", justifica Tiago Soares, assessor de marketing da empresa.

Além das conveniências de uso e armazenagem, Soares ressalta o perfil ecológico da embalagem, certificada pela Forest Stewardship Council (FSC). O selo atesta que o papel utilizado segue regras de manejo florestal.

O lançamento exigiu um ano de estudos, tanto do produto quanto do mercado. Inclusive, segundo o marqueteiro, o conteúdo do Tetra Pak seria inicialmente rotulado como Gran Legado, marca mais sofisticada da Wine Park, mas foi parar na caixinha para não adiar sua apresentação ao público. Para garantir que se trata de um vinho de qualidade, as próximas edições devem chegar com o ano da safra em que foram feitas. Soares sabe que bebidas nessa apresentação são frequentemente utilizadas como ingrediente na cozinha, mas não deseja posicionar o Onorabile como um item gastronômico.

"Não é vinho para sagu", avisa.

Preconceito e dúvidas no caminho do bag-in-box

01 de outubro de 2010 1

Antes de ser considerado um sucesso completo, o bag-in-box tem duas barreiras a vencer: o desconhecimento sobre seu funcionamento e o preconceito.

Por mais fácil que seja sua operação, ainda há pessoas que o encaram como um enigma e não se arriscam a comprar três litros de dúvidas.

"Há casos de gente que abriu o bag procurando as garrafas dentro, querendo saber como elas cabiam ali", exemplifica André Valduga, supervisor comercial da Domno do Brasil.

Outro obstáculo é a ideia de que as embalagens acondicionam apenas vinhos de pouca qualidade. Num segmento tão tradicional como o vitivinícola, é comum que novidades sejam recebidas com reservas. Mas nesse caso, parte da desconfiança dos consumidores é responsabilidade das próprias cantinas.

"Algumas empresas vêm colocando bastante vinho comum no bag. Falta um trabalho coletivo do setor", acredita Nelsir Carlos Kuffel, gerente comercial da Domno.

A partir desta concepção, e levando em conta que de fato ele não é a melhor plataforma para conservar vinhos premium, resta às empresas trabalhar a embalagem com produtos de entrada, que apresentem a bebida a degustadores iniciantes. É o que faz a Casa Venturini. Sua estratégia comercial prevê que os supermercados (vistos como pontos de venda menos sofisticados) não sejam um canal para as garrafas, apenas para os bag-in-box. A explicação reside na produção limitada, na velocidade com que os rótulos são vendidos e na necessidade de manter um estoque mínimo o ano todo. Mas não é só:

"É uma questão de volume e imagem", explica Felipe Bebber, enólogo que trabalha no departamento comercial.

O garrafão do Século 21

29 de setembro de 2010 1

Pode parecer contraditório, mas o aumento do consumo de vinho no Brasil passa por um instrumento que dá folga ao saca-rolhas. Recebidos com desconfiança quando desembarcaram no país, há cerca de cinco anos, os bag-in-box consolidaram seu espaço junto às vinícolas _ embora uma parcela dos bebedores mantenha as restrições. O crescimento na sua aplicação pelo setor mostra que ele é hoje a principal alternativa à garrafa de 750ml.

Composta por um saco de poliéster flexível, acondicionado em uma caixa de papelão (por isso bag-in-box, ou saco na caixa, em inglês), a embalagem é utilizada hoje por 56 cantinas brasileiras para envasar algo em torno de 2 milhões de litros da bebida por ano. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), de 2008 para 2009 as vendas nesse formato saltaram de 85,29 mil litros para 976 mil litros _ volume que em 2010 foi praticamente vencido só no primeiro semestre.

Os principais argumentos a seu favor são a praticidade, já que para obter o líquido basta utilizar uma torneira lateral, e a conservação do conteúdo por mais tempo, garantido pela retração do saco de filme plástico conforme ele é esvaziado, o que impede a entrada de ar. Seu sucesso é sustentado ainda por vantagens menos óbvias, como a versatilidade de uso e a competitividade no preço.

"Um produto em meia garrafa, por exemplo, chega ao consumidor por 75% do valor do recipiente de 750ml. Já no bag-in-box é o contrário, ele dilui o preço da embalagem", pondera Felipe Bebber, enólogo do departamento comercial da Casa Venturini, ao comparar o desconto que cada plataforma possibilita ao consumidor.

Esse potencial para reduzir preços é visto como uma alavanca na qualificação dos hábitos de consumo do brasileiro.

"Um garrafão de vinho de mesa custa R$ 28. Pela mesma quantia, os clientes vêm preferindo levar quase dois litros a menos, mas de vinho fino no bag", conta o diretor comercial da Vinícola Perini, Franco Perini, destacando ainda que a tecnologia da caixa também passa uma boa impressão:

"É o garrafão do Século 21."

Além de fornecer um conveniente instrumento para que os apreciadores tomem a dose diária recomendada pelo médico, o bag-in-box movimenta os números do setor ao abrir caminho para que se crie a cultura da venda em cálice em bares e restaurantes. Essa, aliás, parece ter sido a finalidade idealizada por grande parte das vinícolas ao adotar o formato, mas por enquanto é o cliente final o principal comprador.

"Nos restaurantes há o entendimento de que o cliente prefere ter a garrafa em mãos, ver o rótulo", explica Perini.

Há vinícolas, no entanto, utilizando a embalagem para fazer bons negócios com empresas do ramo gastronômico.

"Diria que 60% de nossa produção de bag-in-box em 2010 irá para restaurantes", calcula Bebber, que imagina chegar ao final do ano com a marca de 8 mil unidades.

Dentro dos restaurantes, as taças não são o único destino possível para o vinho encaixotado.

"É comum o uso culinário, na elaboração de pratos", lembra Nelsir Carlos Kuffel, gerente comercial da Domno do Brasil.

A empresa, um braço do grupo Famiglia Valduga, traz em seu catálogo a primeira marca a empregar o bag-in-box no Brasil, a Alto Vale. A experiência foi tão positiva que outras divisões da companhia estão aderindo à tecnologia. A Casa de Madeira, por exemplo, a utilizou para repetir o pioneirismo, mas com outro produto. Depois de dois anos de estudos e testes, conseguiu lançar um suco de uva na embalagem.

A diretora comercial Juciane Casagrande explica que a dificuldade é que, para manter a bebida como 100% natural, não é permitida a adição de conservantes. Ao mesmo tempo, a purificação por meio do aquecimento impossibilita o envase imediato, pois derreteria o saco de poliéster. A saída foi desenvolver métodos próprios e adequar o produto.

"Na garrafa, temos prazo de validade de dois anos. No bag, são 8 meses. Mas uma vez aberto, o suco se conserva por cerca de 15 dias. Na garrafa ele dura menos", pondera Juciane.