Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Viticultura"

Safra 2012 pode ser novo marco na vinicultura nacional

27 de fevereiro de 2012 0

É contagiante o entusiasmo das vinícolas com a safra 2012. A esta altura, ninguém parece acreditar na possibilidade de o tempo virar e a chuva estragar a colheita. Fala-se que esta pode ser a melhor vindima da história do Rio Grande do Sul, superando inclusive a de 2005 - ano usado como parâmetro máximo de qualidade.

A euforia é causada por um sentimento que os enólogos dificilmente vivenciam em anos regulares: liberdade. Quando o Estado não registra seca, as cantinas vivem acossadas pelo clima, obrigando-se a antecipar a retirada dos cachos dos parreirais para evitar maiores estragos. Com as atuais condições, é possível esperar até que as uvas atinjam a maturação desejada.

A safra dos espumantes e dos vinhos brancos já está garantida. Para os tintos, fica difícil imaginar que o quadro possa mudar até a colheita das castas precoces, como a Merlot. O risco recai sobre as variedades tardias, como a Cabernet Sauvignon. Mas para arruinar a festa, vai ser preciso muita chuva e mau agouro.

Chapada de vinho

06 de fevereiro de 2012 0

Conhecida por suas trilhas de tirar o fôlego (tanto pela paisagem quanto pela dificuldade da caminhada), a Chapada Diamantina está prestes a virar o novo polo vitivinícola do Nordeste brasileiro. Está prevista para setembro ou outubro a primeira safra no município de Morro do Chapéu, na Bahia.

A empreitada está em estágio experimental, mas inclusive já há investidores de outros países interessados. Ao longo de janeiro, a região recebeu empresários franceses para a avaliação das 10 variedades que estão sendo cultivadas por lá.

A área fica longe do rio São Francisco e da atual zona produtora baiana, mas segundo os visitantes estrangeiros isso não tem sido problema para o desenvolvimento das plantas. Syrah e Sauvignon Blanc estariam se destacando pela qualidade.

Decisão sobre preço da uva pode sair hoje

26 de janeiro de 2012 0

A expectativa é de que o governo bata o martelo sobre o preço mínimo da uva nesta semana. A reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que oficializa o valor, está marcada para hoje. Um acordo entre lideranças de vinícolas, cooperativas e viticultores apontou aumento de 10%, valorizando a qualidade da fruta.

Os preços enviados para aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Agronegócios (Mapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e já homologados, contemplam reajuste equivalente à inflação do ano mais 3,5% de ganho real. A uva isabel passaria de R$ 0,52 para R$ 0,57 o quilo.

Mas, para receber o aumento, o viticultor deve entregar a fruta com, pelo menos,15 graus babo (que representa a quantidade de açúcar, em peso, existente em 100g de mosto).

Nas safras de 2007 a 2010, o valor mínimo ficou congelado em R$ 0,46. Na última colheita, o preço subiu para R$ 0,52. Antes do acordo, um relatório da Comissão Interestadual da Uva havia apontado que, para este ano, os custos de produção ficam na faixa de R$ 0,65 o quilo.

"Este valor (R$ 0,57) foi o máximo que se conseguiu. Mas é para a isabel. Outras variedades alcançarão valores bem melhores. Mas o importante é que fechamos um acordo entre os setores, porque, se não tivéssemos feito isso, a discussão poderia se estender ainda mais", analisa o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.

Para serem válidos, após a aprovação do CMN, os preços devem ser publicados no Diário Oficial da União (DOU).

Biodinâmicos não são unanimidade

21 de janeiro de 2012 0

“Posso reduzir os defensivos e até dançar pelado no meio dos vinhedos, mas deixar a Lua determinar quando vou tomar cada passo na elaboração dos vinhos, aí já é demais.”

Enólogo Mario Monticelli, da vinícola norte-americana Trinchero Napa Valley, mostrando que a cultura biodinâmica não é unanimidade entre os produtores.

Veja como estão os vinhedos biodinâmicos da Santa Augusta

19 de janeiro de 2012 1

O enólogo Jefferson Sancineto Nunes acabou de enviar algumas fotos recentes dos vinhedos da Vinícola Santa Augusta em que a condução está sendo feita de acordo com as regras do biodinamismo. A sanidade das plantas vem surpreendendo o enólogo, que faz uma ressalva importante:

"O sucesso do biodinamismo na viticultura depende da integração e do compromisso de todos os envolvidos no processo. Não adianta deixar apenas por conta da natureza, do chá de cavalinha, PB 500, PB 501, sulfato de cobre... Se a direção e os funcionários não acreditarem e não estiverem 100% comprometidos, não vai dar em nada.  Temos que trabalhar preventivamente, passar diariamente em todo o vinhedo e ver os sinais que as plantas estão nos passando".




Biodinâmicos brasileiros serão a novidade de 2012

18 de janeiro de 2012 2

Em vez de fungicidas, o chá da erva cavalinha protege as videiras. Foto: Jéfferson Sancineto Nunes

A safra 2012 trará uma novidade interessante para o mercado do vinho brasileiro. Será com uvas colhidas neste ano que o movimento biodinâmico ganhará força na vitivinicultura nacional. A responsável por disseminar esse conceito por aqui é a Vinícola Santa Augusta, localizada no município de Videira, Santa Catarina.

Talvez não seja correto dizer que serão os primeiros rótulos do gênero, pois iniciativas semelhantes já foram conduzidas por cantinas menores, de forma tímida. A Santa Augusta, no entanto, tem os meios para elaborar um biodinâmico que seja conhecido em todo o país. O ambiente para que isso aconteça começou a ser preparado no ano passado, com a adoção de práticas ecológicas nos vinhedos. Em vez de herbicidas, capina manual da faixa de cultivo das videiras. No lugar de fungicidas, chá da erva cavalinha. Quem decide o momento de intervir nas plantas não é o agrônomo, mas o calendário lunar.

O resultado vem entusiasmando o enólogo Jéfferson Sancineto Nunes, idealizador da empreitada.

Menos açúcar e mais qualidade nos vinhos brasileiros

17 de janeiro de 2012 1

Na França, a luta por vinhos naturais é antiga, como mostra este postal de 1907

Um bom vinho depende essencialmente da qualidade das uvas. Porém, quando a colheita não cumpre sua parte, há vinícolas que apelam para ajustes dentro da cantina. Entre os meios mais controversos está a chaptalização, que é a adição de açúcar ao mosto para elevar o grau alcoólico da bebida. Seguindo uma tendência internacional, o Brasil vai restringir mais fortemente o uso desse método, o que vai resultar em vinhos nacionais ainda melhores.

O primeiro passo para esse controle já foi dado. O Ministério da Agricultura enviou à Casa Civil a atualização das regras da chaptalização. Segundo o texto, os vinhos finos poderão ser corrigidos em apenas dois graus alcoólicos nos primeiros quatro anos após a publicação do decreto (o que pode ocorrer a qualquer momento) e em somente um grau a partir do quinto ano. Para os vinhos de mesa, a transição será de três graus até o quarto ano da publicação e dois graus depois disso. Hoje, a lei permite que qualquer vinho tenha seu teor de álcool elevado em, no máximo, três graus.

O setor vitivinícola sabe a importância dessas restrições, tanto que apoia integralmente o novo texto. Mais do que isso: desde 2008 vem ajudando a escrevê-lo. A mudança vai exigir trabalho extra nos parreirais, que será compensado com maior qualidade dentro dos cálices.

Granizo é o pesadelo dos viticultores da Serra

15 de dezembro de 2011 1

Foto: Daniela Xu

O pesadelo de qualquer produtor de uva se tornou realidade na noite desta quarta-feira na Serra: granizo em época de formação dos cachos.

A notícia é especialmente ruim por se tratar de um ano de promessa de estiagem - ruim para todas as outras culturas, mas ótimo para a uva. Ou seja, justamente quando se espera uma safra de ótima qualidade, um fenômeno como esse destroi o trabalho de um ano inteiro nos parreirais. Para entender o tamanho do problema, vale a pena ver o desabafo emocionado de um produtor captado pelo repórter fotográfico Maicon Damasceno.

As maiores vinícolas ainda não se pronunciaram sobre estragos. Até agora, se sabe que Caxias do Sul e Flores da Cunha foram bastante atingidas. Tomara que o granizo não venha a estragar as festas de colheita, que já começam a ser anunciadas para 2012.

Brasil adere à colheita de uva feita por máquina

16 de março de 2011 1
Foto: Duda Pinto

Equipamento importado da França tem sete braços metálicos de cada lado que sacodem as ramas e fazem com que cachos de uva caiam em um recipiente. Foto: Duda Pinto

A exemplo de países como França e Chile, tradicionais na fabricação de vinhos, a Almadén, empresa do grupo Miolo, de Bento Gonçalves, iniciou esta temporada com colheita mecânica em 150 dos 600 hectares de vinhedos que possui em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste. A técnica garante maior agilidade e eficiência na colheita. A vinícola é a primeira a adotar a técnica no país.

Com 4,3 metros de comprimento, a máquina, da marca francesa Pellenc, corre por cima da plantação com sete braços metálicos de cada lado. O vinhedo fica no meio, entre as rodas da engenhoca. À medida que vai passando sobre o vinhedo, sacode as ramas, fazendo com que os cachos de uvas caiam em um recipiente. A máquina realiza entre 480 a 500 sacudidas por minuto e se desloca numa velocidade de 3,5 quilômetros por hora. O engenheiro agrônomo da Almadén, Fabrício Domingues, explica que a máquina é totalmente adaptável, permitindo regular a força e a regularidade da sacudida. A fruta não é danificada pela ação da máquina.

— Esse é um ano de testes, mas estamos muito satisfeitos com os resultados. O principal benefício é poder escolher a hora da colheita, o que altera o sabor da uva. Com colheita humana, não podíamos colher à noite, por exemplo — explica Domingues.

Ainda que o desempenho seja satisfatório, a colheita mecânica não foi aplicada em todo o parreiral porque é necessária uma adaptação dos vinhedos à máquina, como levantar mais a planta, mudar o tipo de poda e os arames que a sustentam. Cerca de 200 hectares já estão adaptados para receber a máquina. Até o final do ano, a vinícola pretende adaptar mais 100 hectares. Entre a aquisição do equipamento e os ajustes nos vinhedos, a empresa investiu R$ 500 mil.

O número de pessoas contratadas para a colheita segue o mesmo, o que deve se repetir na próxima safra.

— Só deveremos ter economia de mão de obra a longo prazo — acredita o agrônomo.

Com conteúdo de Marina Lopes

Vale dos Vinhedos tem o hectare mais caro do RS

02 de março de 2011 1


Certificação de origem ajuda a inflacionar os terrenos. Foto: Gilmar Gomes

A dupla vocação da zona rural trouxe para a Serra o título de hectare mais caro do Rio Grande do Sul. No Vale dos Vinhedos, no interior do município, o valor mais frequente de negociação das áreas usadas para a produção de uvas foi de R$ 35 mil, alta de 180% nos últimos três anos. Os dados vêm de um relatório da consultoria Informa Economics FNP (ex-Agra FNP) sobre a valorização das áreas destinadas à produção agropecuária no Brasil. No levantamento anterior, com dados colhidos entre janeiro e fevereiro de 2010, o preço verificado havia sido de R$ 28 mil. 

— São terras valorizadas porque podem ter dupla função: vitivinicultura e turismo — explica Jacqueline Bierhals,  gerente de agroenergia da FNP e autora do levantamento.

Uma rápida consulta a profissionais de compra e venda de imóveis e a sites de classificados da região, entretanto, mostra que em alguns casos os preços podem ser ainda mais altos, dependendo da localização e das benfeitorias. Uma área de sete hectares próxima a vinícolas famosas, junto ao asfalto, com quatro hectares de uva, duas casas e um campo de futebol chega a ser anunciada por R$ 2,5 milhões, ou R$ 357 mil o hectare. O valor do hectare no interior do município pode chegar a R$ 50 mil e, na beira da faixa, no Vale dos Vinhedos, parte de R$ 250 mil, avalia o corretor Cliderio Cepriani. O valor, lembra, não é calculado apenas pelo total de quilos de frutas que a área pode produzir.

— É uma região com certificado de origem para vinhos e com interesse turístico para instalação de cantinas, pousadas e hotéis — acrescenta o delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Wanderley Ferreira.

No Rio Grande do Sul,  o preço médio do hectare no Estado subiu 60%, alcançando R$ 9.444 no embalo da corrida pela expansão das lavouras de soja, principalmente na Metade Sul.

Com conteúdo de Caio Cigana