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Programa enológico para este sábado

03 de julho de 2010 0


Com certa frequência, quem vive no sul do Brasil reclama que as grandes feiras e os encontros enológicos ocorrem todos no centro do país, apesar de a produção nacional se concentrar aqui. Pois a resposta a isso deve ser a participação nas poucas e nobres iniciativas do gênero realizadas no Estado. Neste sábado, por exemplo, a Serra conta com o 3º Festival Per Mangiare de Queijos e Vinhos.

Reunindo 11 produtores, o evento está marcado para começar às 20h e terminar à meia-noite, na Sede Campestre do Recreio da Juventude, em Caxias. Além dos dois itens que lhe dão nome, o festival vai servir pratos quentes e sobremesas. Mas a maior atração é a oportunidade de conversar com os representantes das vinícolas e tirar dúvidas sobre cada rótulo degustado, além de brincar de harmonizá-los com seus queijos favoritos. O ingresso custa R$ 60 por pessoa e dá direito a uma taça com a marca do encontro.

Integração tecnológica do vinho

02 de julho de 2010 0

A tecnologia e conhecimento aplicados ao cultivo da uva e à produção de vinhos devem receber um impulso a partir de agora com a criação da Rede de Centros de Inovação em Vitivinicultura. O convênio que permitirá a execução da rede será assinado hoje, na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho, em Bento Gonçalves (RS), pelo ministro interino de Ciência e tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias.

Essa rede unirá nove instituições que já trabalham no setor nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco (veja quadro abaixo). O objetivo, conforme o pesquisador e supervisor de comunicação e negócios da Embrapa Uva e Vinho, Alexandre Hoffmann, é incrementar a parceria entre os participantes, alocando recursos para o desenvolvimento de pesquisas que possibilitem melhorar a qualidade dos produtos, ajudando também a aumentar a competitividade.

"A força está na parceria, na soma de esforços. Queremos fortalecer o laços que já existem", complemente Hoffmann.

O convênio, que integrará o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, receberá na primeira etapa (60 meses) cerca de R$ 10 milhões, via Finep, para a elaboração dos projetos. Caberá ao comitê gestor definir quem cuidará de cada demanda.

"Pode envolver todas ou apenas uma, dependendo da competência que a instituição tem. E conforme a rede for se consolidando, pode acontecer de novos estados e entidades se incorporarem à rede", acrescenta Hoffmann.

A coordenadoria técnica da Rede de Vitivinicultura ficará a cargo da Embrapa Uva e Vinho.

Onda de investimentos na cadeia produtiva da uva e do vinho

01 de julho de 2010 0

Alguém deve ter soprado no ouvido do governo federal que, historicamente, zonas de produção vitivinícola são cercadas de desenvolvimento econômico e social por todos os lados. Isso talvez explique os anúncios de investimento no setor dos últimos dias. Amanhã, por exemplo, o ministro interino de Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias, estará em Bento Gonçalves para assinar um convênio que promete destinar R$ 10 milhões à criação da Rede Tecnológica de Vitivinicultura. E na segunda-feira, R$ 2 milhões foram assegurados pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel para o fortalecimento do cooperativismo local.

No acordo que será firmado amanhã, o foco é a integração das instituições de pesquisa do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco, a transferência de tecnologia às empresas e a captação de investimentos para projetos nacionais no segmento. Quem pilotará o sistema é o pesquisador José Fernando da Silva Protas, lotado na Embrapa Uva e Vinho (a rede tem ainda em seu comitê gestor a UFRGS, a Epagri-SC, o Itep (Instituto Tecnológico de Pernambuco) e a Embrapa Semi-Árido).

Durante a solenidade na Cooperativa São Pedro, ministro Guilherme Cassel repetiu o ritual de abertura de espumante usando um sabreJá no anúncio feito na segunda-feira por Cassel, foram destinados cerca de R$ 1,3 milhão para a criação da Cooperativa Central Nova Aliança (Coocenal) e R$ 700 mil para a execução do programa de Assistência Técnica e Extensão Rural, voltado ao setor. O palco escolhido para a divulgação dos recursos foi a Cooperativa São Pedro, uma das cinco integrantes da Coocenal. Em frente de grandes pipas de vinho e diante de uma plateia de dezenas de agricultores, Cassel elogiou a iniciativa das vinícolas da região. Conforme ele, o ministério demorou a dar um retorno ao setor, mesmo diante da pressão de interlocutores da região, porque estaria estudando o projeto apresentado pela Federação das cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho).

"A gente debulhou o projeto, melhorando-o. Formar uma cooperativa com nova planta industrial não é uma coisa que se faz do dia para a noite. Pressupõe que se faça estudos de mercado, de funcionamento, de tecnologia. Esse R$ 1,3 milhão é para iniciar essa caminhada com firmeza para que, em dois anos, tenhamos uma nova planta industrial, funcionando a pleno e com boas perspectivas de mercado", argumentou Cassel.

Além dos recursos anunciados, que também exigem contrapartida de R$ 250 mil da Fecovinho, o ministro assegurou que a uva será incorporada no Programa de Garantia de Preço da Agricultura familiar (PGPAF) a partir do próximo mês. O PGPAF garante aos agricultores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, em caso de baixa de preços no mercado, um desconto no pagamento do financiamento, correspondente à diferença entre o preço de mercado e o valor de garantia do produto. Na prática, isso significa que, se a safra do produtor tiver sofrido, por exemplo, com intempéries, o governo garantirá o pagamento do preço mínimo do quilo da uva em vigor.

O presidente da Coocenal e da Fecovinho, Alceu Dalle Molle, comemorou o anúncio. Segundo ele, o ministro atendeu a um anseio do setor e também das vinícolas que fazem parte do novo projeto. Além da São Pedro, integram a Coocenal as seguintes cooperativas: Linha Jacinto (Farroupilha), Santo Antônio (Flores da Cunha), São Victor e Aliança (ambas de Caxias do Sul).

"O importante desse projeto é a atitude das cooperativas em trabalharem fortes e unidas para fazer frente ao mercado. Os recursos anunciados vão servir, inicialmente, para estudos e para encaminhar o projeto de engenharia da nova cooperativa. A intenção é que ela atenda a todos os objetivos e cuidados em relação ao meio ambiente e tenha condições de exportar para todos os países" informa Dalle Molle.

Além dos recursos federais, a prefeitura de Flores da Cunha vai colaborar com a aquisição do terreno onde ficará a Coocenal. De acordo com o prefeito Ernani Heberle (PDT), o município viabilizou a compra da terra e só falta fechar a documentação. São 8,3 hectares na localidade de Lagoa Bela. O valor investido foi de R$ 1,3 milhão.

'Dá mais ânimo para continuarmos na produção de uvas'

Presidente da Cooperativa São Pedro, o produtor Lino João Pan não esconde a alegria diante da destinação de verbas do governo federal para o setor. Segundo ele, a vinda de recursos a fundo perdido deixa os produtores mais tranquilos para tocar o projeto da Nova Aliança. Pan explica que o objetivo principal da Coocenal é atender a pequena propriedade e também as cooperativas para que elas possam manter as famílias na zona rural.

"Essa doação dá mais ânimo para continuarmos na agricultura e na produção de uvas. Também tira uma preocupação que os dirigentes das cooperativas vinham tendo. É um projeto que ajudará a manter nossos jovens na colônia", explica.

A Cooperativa São Pedro já contabiliza oito décadas de existência. Conforme Pan, hoje ela possui cerca de 100 sócios. São produtores rurais que plantam, colhem e levam a uva até a unidade, que beneficia o produto e o transforma em vinho. Pan é um desses produtores. Sua propriedade tem 24 hectares e fica em Nova Pádua. Cinco deles possuem parreirais. A média de colheita por safra fica em torno de 120 mil quilos. A partir de 2011, Pan pretende investir também na produção de uvas orgânicas. Para isso, prevê destinar um hectare e receber assistência técnica do Ministério do Desenvolvimento Agrário para aprender tudo sobre como cultivá-las.

Com conteúdo de Vânia Espeiorin

Novo Código Florestal coloca vinho catarinense a perigo

30 de junho de 2010 0

Se o novo Código Florestal for aprovado sem as emendas do relator Aldo Rabelo (PC do B/SP), as vinícolas da Serra Catarinense e todo o projeto de fruticultura de clima temperado em SC estarão enquadrados nas capitulações restritivas das ONGs. Acima dos 700 metros, as encostas devem permanecer intocadas, virgens de plantações, parreiras ou manejos. Rabelo quer manter a capacidade legiferante dos estados em matéria ambiental.

O governo vai tentar impedir a votação na Câmara do projeto que muda o Código Florestal antes das eleições. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que a orientação é segurar o projeto para ser votado em um clima mais tranquilo.

"Um tema complexo como esse é melhor votar depois das eleições. Vamos trabalhar para não ir ao plenário agora", disse Vaccarezza.

A PROPOSTA
- O projeto que muda o Código Florestal opõe as bancadas ruralistas e ambientalistas na Câmara. Os ruralistas apoiam a proposta do relator, Aldo Rebelo (PCdoBSP), cuja votação está prevista para esta semana na comissão especial da Câmara.
- Entre os seus pontos principais, a proposta transfere para os Estados a competência de definir as áreas de proteção ambiental, possibilita a redução de áreas de preservação permanente nas margens dos rios e muda as regras para definição de reserva legal.

Brasil ganhará mais uma Indicação Geográfica

29 de junho de 2010 0

Um dos destaques no distrito é a produção de uvas brancas para espumantesA especialização das diferentes regiões vinícolas no Brasil é um caminho sem volta. E ela vem deixando de ser um processo essencialmente empírico e se tornando oficial. No começo de junho, por exemplo, foi anunciado que Pinto Bandeira conquistou parecer favorável à Indicação de Procedência (IP) por parte do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Essa é uma reivindicação pendente junto ao órgão desde outubro de 2008.

A vitória segue o exemplo do Vale dos Vinhedos, que alcançou a IP em 2001 e agora em setembro deve anunciar a Denominação de Origem (DO), demarcação um degrau acima. A mobilização a favor de Pinto Bandeira foi coordenado pela Embrapa Uva e Vinho em conjunto com a Associação dos Produtores de Vinhos de Montanha (Asprovinho), Embrapa Clima Temperado (de Pelotas), Universidade de Caxias do Sul e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O projeto contou ainda com suporte financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Para receber efetivamente a IP de seus vinhos e espumantes, o distrito de Pinto Bandeira precisa aguardar até a primeira semana de agosto. É que o Inpi tem ainda 45 dias para encaminhar o certificado à Asprovinho. A partir do parecer favorável - emitido em 8 de junho -, o instituto tem 60 dias para remeter a certificação.
A IP, também chamada Indicação Geográfica, é uma certificação que aplica conceitos da legislação de propriedade industrial e assegura origem e padrões de qualidade aos vinhos. No caso de Pinto Bandeira, a área delimitada integra seis vinícolas: Cave Geisse, Cooperativa Pompeia, Cooperativa Vinícola Aurora (unidade Pinto Bandeira), Don Giovanni, Vinícola Valmarino e Terraças.

Conforme o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Jorge Tonietto, por volta de 2004 a Asprovinho procurou a Embrapa e, a partir de então, as entidades passaram a se mobilizar e pesquisar. Em 2008, a documentação foi entregue ao Inpi, que fez análises. No começo do mês, o órgão emitiu parecer favorável.

"Agora é só questão de formalização. Temos de esperar o certificado que reconhece o direito de uso do selo de procedência pelas vinícolas. Foi um processo coletivo, no qual os produtores é que fizeram o trabalho acontecer. Com o IP, a Asprovinho vai buscar maior valorização dos produtos. Os vinhos e espumantes não só ganham renome no mercado, como toda a cadeia, os produtores de uva, as vinícolas, o enoturismo", enumera Tonietto.

O presidente da Asprovinho, Luciano Vian, explica que a região receberá a Indicação de Procedência também por apresentar peculiaridades, que envolvem a altitude (740 metros), invernos rigorosos e amplitude térmica. Tais condições favorecem a produção de uvas e de vinhos para elaboração de espumantes com grande frescor. Uma série de normas devem ser seguidas para o produto obter o selo de IP. Esse rigor envolve, entre outros quesitos, formas de cultivo da uva, produção e degustações sistemáticas.

"A Asprovinho vai acompanhar todo o processo. Temos um controle até mais fechado que as exigências das normas brasileiras da uva e do vinho, que envolve plantio, quantidade de uva retirada (das parreiras), produção. Tudo para que os vinhos e espumantes tenham melhor qualidade", ressalta.

Aventuras enológicas de David Coimbra

28 de junho de 2010 0

Cobrindo a Copa do Mundo lá da África do Sul, o jornalista David Coimbra vem descobrindo algumas coisas sobre a produção vitivinícola do país. Como acabamos de tratar do tema no jantar harmonizado do Enoblog, achei que faria sentido trazer essas duas notas publicadas por Zero Hora na coluna de David há alguns dias. Confira:

Não afaste de mim este cálice _ I
O sul-africano é um povo orgulhoso de seus vinhos. É um diferencial. Os povos que produzem vinho pertencem a uma casta especial. Bebe-se vinho, aqui, com quase o mesmo interesse com que se bebe na França, talvez.
Exemplo: o dono da nossa pousada, Janusch Audra. Polonês, o homem está radicado na África do Sul há meia vida e, tinha que ver, é a cara do Wianey Carlet. Bom. Todas as noites, o Wianey africanopolonês vai até o bar do hotel, onde em geral estamos reunidos, e nos serve um tinto. Enquanto enche os cálices, discorre sobre o vinho. Vê-se que o faz com a intenção de ressaltar a produção local, vê-se que ele aprecia e conhece o vinho da África do Sul. O que, de certa forma, nos dá uma lição: podíamos nos empolgar mais com o vinho da Serra Gaúcha.

Não afaste de mim este cálice _ II
Dos vinhos que o Wianey polonês nos serviu, gostei em especial de um shiraz chamado Nederburg Baronne. Diz o nosso Wianey que o Carbernet Sauvignon também é supimpa. Vou experimentar e depois conto.
Provei, também, um que conheço de Porto Alegre. Chama-se Raka. É feito perto da Cidade do Cabo, como a maioria dos vinhos sul-africanos. O produtor do Raka é pescador, adora o mar e colocou esse nome no vinho em homenagem ao seu barco preferido. Não é difícil de achar, procure nas prateleiras: no rótulo há um Netuno bebendo água de uma concha. Vale a pena. É um tinto delicioso.

Degustação antecipada dos rótulos Almaúnica

27 de junho de 2010 0

Caves subterrâneasA antessala da Almaúnica é um parreiral de 2,5 mil metros quadrados cortado pela via de acesso. Plantado em outubro de 2009 com as variedades cabernet sauvignon (6 mil plantas), merlot (8 mil) e chardonnay (1,5 mil), dará origem aos produtos premium, previamente batizados de Vinhedo Único e Parte Dois. O primeiro chega em 2013 (safra 2012) e combinará uvas próprias com as de terceiros _ hoje Brandelli conta com quatro fornecedores. O outro será um corte de uvas colhidas na propriedade e deve ser lançado na próxima Copa do Mundo. Foi chamado de Parte Dois porque na escritura do terreno, adquirido de familiares em 2008, diz que aquela é "parte do lote número dois da Linha Graciema".

Mas o catálogo começa a crescer bem antes com a chegada de espumantes e dos vinhos safra 2010 que hoje dormem em barricas. Aliás, tive a oportunidade de uma degustação antecipada diretamente dos barris e das garrafas ainda sem rótulo. Do líquido que agora passa por afinamento em madeira pode-se dizer que já impressiona o bom acabamento dos taninos, principalmente no cabernet sauvignon. O fermentado de syrah, uma surpresa por ser natural do Vale dos Vinhedos, apresenta notas verdes típicas da fruta que o carvalho deve domar.

Entre os produtos que chegam agora ao mercado, atenção especial para o cabernet sauvignon. Os aromas levam alguns minutos para se revelar mais agradáveis, mas na boca ele mostra de cara um equilíbrio redondo incomum para um produto de 15 meses e que custa R$ 30.

Sala de barricas

Confusões perseguirão Márcio Brandelli

27 de junho de 2010 0

Duas confusões levarão Márcio Brandelli a resolver mal-entendidos durante algum tempo. A óbvia é a comparação de sua marca, a Almaúnica, com o vinho chileno Almaviva. A segunda é explicar que não faz mais parte da Don Laurindo, vinícola vizinha capitaneada pelo irmão Ademir Brandelli e na qual ele trabalhou desde os 21 anos - ele hoje tem 38. Márcio conta que levou um tempo até a família entender sua vontade de ter a própria cantina, mas que agora há inclusive uma troca de ideias entre os diferentes núcleos dos Brandelli.

"Não adianta, o vinho tem a cara do produtor, e eu queria fazer o meu", argumenta.

Apesar de ter vendido aos irmãos sua parte na Don Laurindo e investido tudo em um novo projeto, ele afirma que o amor ao vinho, o aprendizado e o sobrenome os mantêm ligados.

"Eu não sou um aventureiro, um empresário de outro setor que chega aqui e instala uma vinícola. Eu tenho pedigree."

Nasce uma vinícola no Vale dos Vinhedos

26 de junho de 2010 5

Os visitantes que cruzam o Vale dos Vinhedos vêm percebendo uma novidade nos últimos meses. À beira da Estrada do Vinho, estrategicamente perto do hotel Villa Michelon, uma construção de 30m por 15m no alto de uma colina chama a atenção pelo perfil moderno e elegante. A partir da segunda semana de julho, todos poderão matar a curiosidade, pois enfim a Vinícola Almaúnica terá aberto suas portas ao público.

Idealizada pelo enólogo Márcio Brandelli, a empresa (antecipada pelo Enoblog em outros posts) entra no mercado com dois rótulos (um cabernet sauvignon e um merlot, ambos da safra 2009) inspirados em vinhos argentinos e chilenos, tema de profundo estudo por parte de Brandelli. Serão 14 mil garrafas do primeiro e 10 mil do segundo, além de 15 mil unidades de suco de uva.

Márcio Brandelli, idealizador do Almaúnica"Desde 1999, vou para a Europa, a Argentina ou o Chile pelo menos uma vez por ano. Nesses últimos eu mergulhei fundo", conta.

Os países latinos influenciaram não apenas o perfil dos produtos - potentes no nariz e feitos para serem bebidos ainda jovens - como também a proposta da cantina. De estrutura enxuta, coloca o turista em contato com a parte industrial logo na chegada, pois uma ampla área envidraçada permite conferir a elaboração dos vinhos desde o varejo e o espaço de estar. Se ele quiser conhecer melhor o processo, Brandelli promete que levará grupos para passear por entre os tanques, as caves e a sala de barricas. Um deck de madeira, um restaurante e uma sala de degustação completam as opções de visitação.

A gravidade é utilizada desde a recepção das uvas até o envio do vinho para os barris (bombas pneumáticas são utilizadas apenas para as trasfegas). Para os tintos, uma máquina faz o desengace antes de lançar a fruta na esteira de seleção, ou seja, a triagem é feita grão por grão. No caso dos brancos e da base para espumantes, Brandelli adotará o estilo francês de elaboração, prensando os cachos inteiros a até 75% para extração do mosto flor.

A cave, a sala de barricas, a máquina de engarrafamento/rotulagem e a expedição estão integradas no subsolo. Atrás dos barris (metade franceses, metade americanos) está reservado um espaço para as garrafas de espumante que ali farão o processo de champenoise.

"De um lado teremos Bordeaux; do outro, Champagne", brinca Brandelli ao imaginar espumantes e vinhos em fermentação lado a lado.

Lotação máxima no jantar harmonizado Enoteca/Enoblog

25 de junho de 2010 0

Quase 90 pessoas curtiram o cardápio e os vinhos que seguiram o tema Copa do Mundo

Ontem teve festa. E das grandes. No maior dos jantares harmonizados já realizados com o apoio do Enoblog e da coluna Enoteca, quase 90 pessoas brindaram o aniversário de dois anos do site, descobriram um pouco mais sobre a vinicultura da África do Sul, debateram seus gostos a respeito da bebida e, o mais importante, se divertiram. Pelo menos essa foi a impressão deixada pelos comentários positivos e as perguntas do tipo "quando será o próximo?".

Com vinhos selecionados juntamente com a equipe da Boccati Vinhos e Presentes e um cardápio especialmente elaborado para a ocasião pelos chefs Gerson Comin e Ana Lúcia Loregian, do restaurante DiPaolo, a comemoração aproveitou o mote da Copa do Mundo para montar as harmonizações. Enquanto eu e o enólogo Arlindo Menoncin, da Boccati, apresentávamos as combinações, Tárcio Córdova pilotava o serviço (o que não foi mole, levando em conta que a sala destinada ao evento estava com lotação máxima).

O desafio foi trazer novidades aos membros de confrarias, enólogos e sommeliers que estavam na plateia (entre eles Clóvis Boscato, Márcio Brandelli e o pessoal da Távola di Amici). Sem contar com o leitor da coluna Enoteca com o polegar mais rápido da Serra, Ronaldo Ramos, vencedor do quiz via celular que rendeu a ele ingresso para o jantar e, como brinde surpresa, uma champanheira da vinícola Pericó. Curioso é que Ronaldo acabou de se mudar de Blumenau para Caxias do Sul, fez uma assinatura do Pioneiro assim que chegou e a edição que trazia as perguntas era a primeira que ele recebia em casa. No final das contas, o sentimento foi de missão cumprida.

Na coluna Enoteca da semana que vem vou comentar os vinhos, os pratos e como eles combinaram. Mas desde já queria agradecer a todos que prestigiaram o evento e garantir que, sim, haverá próximos.