
Muitas vezes acusada de tentar criar uma reserva de mercado contra os importados, a indústria vitivinícola nacional levantou bandeira branca nesta semana. Mais do que isso, promoveu com o 5º Concurso Internacional de Vinhos do Brasil uma festa regada a 457 rótulos de 15 países, dos quais 137 foram premiados após passar pela avaliação de 55 degustadores brasileiros e estrangeiros. Mas, no final das contas, o grande vencedor foi mesmo o Brasil, seja por levar 70% das medalhas, seja por dar mais um passo rumo a sua consolidação no cenário mundial.
No jantar de encerramento, ontem à noite no Hotel & Spa do Vinho, o destaque entre os ganhadores nacionais foi a empresa Estrelas do Brasil, que com o Dall'Agnol Superiore 2005 levou um dos três grandes ouros entregues pelo concurso - o único nacional. Com o prêmio, a vinícola aponta uma nova direção no setor.
"Depois de consagrar tantos espumantes, a indústria tem um desempenho interessante com um tinto. O esperado seria um espumante sair vitorioso. Isso mostra a tendência das vinícolas boutique, de pequena produção mas grande empenho, o que resulta em qualidade diferenciada", analisa Christian Bernardi, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), entidade que promoveu a competição.
O grande número de medalhas para os brasileiros é explicado pelo fato de o país ter o maior volume de inscritos, o que, segundo Bernardi, é comum em eventos do gênero também em outras nações. Mas vale ressaltar que o processo de avaliação (às cegas, seguindo regras internacionais e com a introdução do formulário informatizado) foi o mesmo para todos os produtos. Um sinal do rigor das degustações é que França e Itália, países de forte tradição no setor, saíram do concurso sem troféus.
Depois do Brasil, Portugal e Argentina foram as bandeiras que mais levaram medalhas (veja quadro). Para o presidente da ABE, o interesse internacional pelo evento mostra o potencial do mercado brasileiro. De acordo com Bernardi, tratam-se de vinícolas que já introduziram seus rótulos no país e podem usar um eventual prêmio como ferramenta de marketing ou são empresas buscando uma comparação com os produtos negociados no país, já de olho no público local. Mas as vantagens não são só para os estrangeiros.
"Se por um lado isso vai contra a proteção do mercado nacional contra os importados, por outro mostra a luta para que as empresas daqui sejam competitivas em qualidade e preço em relação às do Exterior", afirma.
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