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Elogios ao Brasil na Wine Enthusiast

16 de outubro de 2010 0

Dificilmente conseguiria ser mais elogioso para o vinho brasileiro o editorial escrito por Adam Strum, publisher da norte-americana Wine Enthusiast, na última edição da revista. Segundo ele, o país segue os passos de Argentina e Chile e logo deve causar impacto no mercado dos Estados Unidos.

Depois de sua passagem pelo Brasil, ele afirma que daqui saem “algumas das melhores expressões do método Champenoise fora da França”. Elogiou ainda os tintos nacionais, nomeando os que mais lhe impressionaram.

No editorial, ele ratifica uma promessa feita aos produtores daqui, afirmando que no futuro o editor responsável pela cobertura da América do Sul, Michael Schachner, passará a resenhar também os rótulos elaborados no Brasil, o que abrirá as portas das listas de maiores/melhores da revista às marcas locais.

Para ver o texto na íntegra (e em inglês), é só clicar aqui.

Produtores querem definição sobre o preço mínimo da uva

15 de outubro de 2010 0

Agricultores têm encontro marcado hoje com a Conab

Os agricultores da região vão à Capital gaúcha hoje para pedir um posicionamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em torno do preço mínimo da uva, que se encontra atualmente em R$ 0,46. Os produtores já apresentaram um levantamento de custos e a proposta para a próxima safra, que é de R$ 0,59 o quilo, tendo como referência a uva da variedade isabel. A própria Conab também já apresentou sua sugestão, que seria de R$ 0,52 o quilo da fruta.

Segundo o coordenador da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Pádua, Olir Schiavenin, falta ainda a posição da indústria, que, até o momento, não procurou os produtores para apresentar sua alternativa ou opinião a respeito dos valores já postos à mesa.

“A lei diz que a definição do preço precisa sair até 30 de novembro. Por isso, precisamos agilizar esse processo e agendamos um encontro com a direção da Conab em Porto Alegre. Queremos trocar uma ideia para ver se a indústria já se manifestou, pois estamos preocupados e com medo de que o prazo não será cumprido”, explica Schiavenin.

O dirigente ressalta a importância para o planejamento do agricultor entrar na safra já sabendo quanto ganhará pelo quilo da uva. Além disso, ele lembra que, depois de a Conab fechar a proposta, precisa encaminhar o valor para a apreciação dos ministérios da Fazenda e do Planejamento até chegar ao Conselho Monetário Nacional. Schiavenin reafirma a defesa em torno dos R$ 0,59 para o preço mínimo do quilo da uva e ratifica que R$ 0,52 é muito pouco e não supre os gastos do viticultor. Ele também lembra que há quatro anos o valor não sofre reajustes enquanto que o preço do vinho e a demanda por sucos e espumantes aumentaram.

“Temos argumentos suficientes para defender o aumento para R$ 0,59. Acreditamos que há condições de avançar para além dos R$ 0,52 propostos pelo governo. O agricultor precisa ser melhor valorizado e ter maior rentabilidade, senão não terá condições de se manter no campo e os jovens terão dificuldades de permanecer na colônia”, frisa.

A última safra registrou a colheita de 526 milhões de quilos de uva. Conforme Schiavenin, cerca de 20 mil famílias atuam na vitivinicultura hoje. Esse número envolve Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No total, são 40 mil hectares de parreirais plantados.

Sábado de muito vinho na Serra

15 de outubro de 2010 0

Dois eventos concorrem pela atenção dos enoapaixonados da Serra neste final de semana.

Começando às 14h30min de sábado, o curso de degustação de espumantes da Perini, em Farroupilha, vai até à noite e termina com um jantar na vinícola. O custo é de R$ 110 por pessoa e mais informações estão disponíveis pelo telefone (54) 2109.7300.

Às 20h do mesmo dia, ocorre em Caxias o 3º Festival do Espumante Per Mangiare. Com jantar incluído, o ingresso tem valor de R$ 60. Antecipados podem ser adquiridos no Empório Per Mangiare, ou então direto na Sede Campestre do Recreio da Juventude na hora do evento.

Novas edições do Icewine só dependem do clima

14 de outubro de 2010 0

Obra \'Vindima na Neve\', da pintora Tereza Martorano, inspirada na colheita das uvas que geraram o Icewine e que serviu de inspiração para a identidade visual do produto

Se é verdade que para um empresário vitivinícola ou enólogo o lançamento de um rótulo é como o nascimento de um filho, o orgulho trazido pelo Icewine Pericó é duplo, pois veio ao mundo já com diploma da faculdade. Em uma degustação realizada dia 7 de setembro na Universidade de Turim por três sommeliers e três juízes internacionais, seguindo as normas da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV), ele bateu 90 pontos.

Segundo o italiano Roberto Rabachino, que comandou a avaliação, todos os participantes acharam que se tratava de um produto elaborado a partir de Cabernet Franc, não só pela tradição no uso da uva para esse tipo de produto, mas também pelo perfil aveludado da bebida. Aliás, para quem ficou curioso sobre o motivo do uso de Cabernet Sauvignon no preparo de um icewine, o enólogo Jefferson Sancineto Nunes explica que, no terroir da altitude catarinense, a variedade é a que melhor comporta a colheita tardia necessária para que se aguarde pelo frio e pela maturação adequada das uvas.

O lado ruim de tanta espera é o ataque de pássaros e insetos sobre os parreirais. Atraídos pelo açúcar, eles diminuem o já reduzido aproveitamento das videiras (uma poda rigorosa limita a produção a meio quilo por planta). Esse foi um dos motivos pelos quais não houve elaboração de icewine neste ano _ além do fato de a temperatura ter atingido “apenas” 5°C negativos, enquanto o ideal é a partir de -6°C. Com isso, até houve colheita congelada, mas que vai gerar um rótulo para consumo exclusivo da família e de amigos de Wandér Weege, dono da Pericó.

Por causa dos animais, a partir do ano que vem a vinícola deve contar com redes que protejam as fileiras. Ou seja: fazer um vinho do gelo em um país tropical segue nos planos da Pericó.

“Ousadia não me falta, graças a Deus”, garante Weege.

Pinto Bandeira agora tem uma marca própria

13 de outubro de 2010 0

Antecipada pelo Enoblog em junho deste ano, a Indicação de Procedência (IP) de Pinto Bandeira foi oficializada no final da semana passada em um evento que reuniu cerca de 180 pessoas. Resultado de seis anos de trabalho, o reconhecimento vai recair inicialmente sobre cinco produtos (três espumantes e dois tintos) e será identificado pelo selo ao lado.

A conquista, capitaneada pela Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho), é o primeiro passo para a Denominação de Origem (DO). Há quem especule que delimitações desse gênero trarão aumento nos preços. O que é certo é que devem elevar a qualidade da produção, por determinar critérios para a liberação do selo. Já atrasada em relação às previsões iniciais, a DO do Vale dos Vinhedos é agora para o mês que vem.

Veja abaixo a lista dos produtos de Pinto Bandeira que exibirão a IP:

- Espumante Brut Don Giovanni (safra 2008)
- Espumante Brut Cave Geisse (safra 2008)
- Espumante Brut Valmarino (safra 2009)
- Vinho Tinto Cabernet Franc Valmarino (safra 2008)
- Vinho Tinto Merlot Valmarino (safra 2009)

A maioridade da Avaliação Nacional

12 de outubro de 2010 0

Com um certo atraso, a publicação do artigo do presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Christian Bernardi, abaixo, fecha o tema da Avaliação Nacional de Vinhos 2010 aqui no Enoblog. Boa leitura.

O crescente desenvolvimento da qualidade dos vinhos brasileiros já é reconhecido por consumidores, críticos e profissionais do vinho de todo o mundo. Na história da vitivinicultura brasileira, considera-se o início do século passado como o marco inicial da indústria do vinho no Brasil. Justamente na Serra Gaúcha, com o estabelecimento dos imigrantes italianos foi possível conciliar a cultura e a economia de uma região e desenvolver um produto que até hoje é símbolo desta terra. Passaram-se mais de 100 anos e o vinho difundiu-se por todo o país.

Diferente fatores foram responsáveis por este crescimento de qualidade e expansão das áreas vitivinícolas pelo Brasil. Acima de tudo a capacidade e ousadia de pessoas que souberam explorar os terroirs deste imenso país e levar aos consumidores aromas e gostos capazes de satisfazer todas suas expectativas. Mas, além disso, há alguns eventos que servem como balizadores ao setor. Um destes é a Avaliação Nacional de Vinhos, que foi criada pelo próprio setor vitivinícola e atinge a 18ª edição como uma importante ferramenta para os produtores e é vitrine aos produtos brasileiros.

Criada em 1993 pela Associação Brasileira de Enologia, a Avaliação Nacional de Vinhos é um evento único, com distinção mundial pela sua estrutura e resultados alcançados. Apesar de ser difícil de mensurar, a ANV consolidou-se com uma verdadeira ferramenta de avaliação das vinícolas do Brasil. Há um crescimento das vinícolas, que submetem seus produtos a análise do painel de enólogos (mais de 75 profissionais avaliadores) e, assim, têm um panorama do desempenho de seus produtos naquela vindima. Além disso, a ANV também apresenta a evolução das regiões vitivinícolas brasileiras; a cada edição novas regiões despontam com qualidade de seus vinhos.

Por fim, mas não menos importante, consolidou-se neste evento a participação de um público cativo de consumidores que vêm a Bento Gonçalves, todos os anos, para esta “pré estréia” dos vinhos da safra. Trata-se de uma possibilidade que os apaixonados por vinho têm de visualizar as tendências e estilos de vinhos que irão para o mercado na sequência. E, igualmente, saber quais vinícolas e regiões estão despontando no cenário brasileiro.

Essa é a Avaliação Nacional de Vinhos, que há 18 anos é referência na vitivinicultura brasileira, graças a todas pessoas, vinícolas, entidades e apoiadores que transformam a arte de elaborar vinho num evento grandioso.

Vinho sabor neve tropical

09 de outubro de 2010 0

Aos que gostam de colecionar estranhas descrições de um vinho para classificar seus analistas de enochatos, eis aqui mais uma: o Icewine Pericó, lançado na última terça-feira, tem sabor de marco na história da vitivinicultura nacional. Só que essa avaliação nada tem a ver com seus gostos e aromas, e sim com o fato de ser o primeiro rótulo elaborado em um país tropical a partir do natural congelamento das uvas no campo.

A origem desse vinho de sobremesa é a altitude da serra catarinense. Na madrugada do dia 4 de junho de 2009, sob um frio de -7,5°C, 3,4 mil quilos de cabernet sauvignon foram colhidos e transportados em caminhão frigorífico até Nova Pádua, onde foram prensados – processo que tive o prazer de testemunhar. Na forma de gelo, a maior parte da água permaneceu no interior das bagas, ocorrendo a extração apenas do açúcar. Após a fermentação, o estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês deu o acabamento necessário.

O resultado é uma bebida de perfil licoroso, denso, de uma cor rubi acobreada. No nariz, destacam-se os aromas de rosa, frutas vermelhas e figo seco. A passagem por madeira acrescentou um tom de baunilha e escondeu notas típicas da cabernet sauvignon, como o pimentão verde, criando uma mistura intrigante. Após o primeiro gole, o degustador permanecerá com essas impressões por bastante tempo na boca, pois é uma bebida de ótima presença e permanência. Traz uma certa salinidade, herança do solo rico em potássio da altitude catarinense, mas o que se sobressai é a acidez marcada, necessária para não deixar o sabor doce tornar-se enjoativo.

“Não quero bancar o poeta, mas convido o consumidor não a beber esse vinho, mas a acariciá-lo na boca”, teoriza o sommelier italiano Roberto Rabachino, o primeiro a sugerir que as temperaturas negativas de São Joaquim poderiam dar origem a um icewine verde-amarelo.

O projeto, encampado pelo dono da Pericó, Wandér Weege, e pelo enólogo Jéfferson Sancineto Nunes, rendeu 3.363 garrafas de 200ml, que chegam oficialmente ao mercado neste domingo (dia 10/10/2010) por R$ 189 cada. Frente à grande curiosidade que o produto vai gerar, são pouquíssimas garrafas. E uma próxima safra é tão incerta quanto a incidência de neve, ou melhor, gelo nas videiras brasileiras.

Indústria segue na busca por alternativas de envase

05 de outubro de 2010 0

Por mais inovador que seja, o bag-in-box não satisfez a sede da indústria vitivinícola por novas formas de envase. Entre diferentes tamanhos de garrafas e a adoção de tecnologias alternativas, o setor segue buscando surpreender e conquistar o consumidor.

Velhas conhecidas nos supermercados, as caixinhas Tetra Pak acabaram de entrar na lista de apostas das cantinas. Até então usadas apenas para embalar vinhos comuns, passaram a receber também os finos depois que a Wine Park lançou, no final de agosto, o Onorabile. Disponível nas versões tinto (cabernet sauvignon e merlot) e branco (chardonnay e riesling), tem foco no público que está aprendendo a gostar da bebida.

“O pessoal que conhece vinho sempre busca maior qualidade. Já os que não conhecem, se começam já com rótulos de alto padrão, não vão gostar porque não entenderão aquilo que está no cálice. Pensamos em um vinho de entrada”, justifica Tiago Soares, assessor de marketing da empresa.

Além das conveniências de uso e armazenagem, Soares ressalta o perfil ecológico da embalagem, certificada pela Forest Stewardship Council (FSC). O selo atesta que o papel utilizado segue regras de manejo florestal.

O lançamento exigiu um ano de estudos, tanto do produto quanto do mercado. Inclusive, segundo o marqueteiro, o conteúdo do Tetra Pak seria inicialmente rotulado como Gran Legado, marca mais sofisticada da Wine Park, mas foi parar na caixinha para não adiar sua apresentação ao público. Para garantir que se trata de um vinho de qualidade, as próximas edições devem chegar com o ano da safra em que foram feitas. Soares sabe que bebidas nessa apresentação são frequentemente utilizadas como ingrediente na cozinha, mas não deseja posicionar o Onorabile como um item gastronômico.

“Não é vinho para sagu”, avisa.

Troféu Vitis para os amigos do vinho

04 de outubro de 2010 0

Por suas contribuições para a divulgação e o desenvolvimento dos vinhos nacionais, o médico Jairo Monson de Souza Filho (esq.) e o engenheiro agrônomo Luiz Antenor Rizzon (centro) receberam o Troféu Vitis, o primeiro como Amigo do Vinho Brasileiro e o segundo na categoria Enológico, durante a Avaliação Nacional de Vinhos. A honraria foi entregue pelo presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Christian Bernardi (dir.).

Degustador duplamente sortudo

04 de outubro de 2010 0

Idealizado para mostrar que qualquer consumidor pode fazer a análise crítica de um vinho, o sorteio de um integrante da plateia da Avaliação Nacional de Vinhos para compor a mesa de comentaristas só ajudou a reforçar o time de especialistas. No ano em que o evento alcançou sua maioridade, o enólogo Altair Amaral, 37 anos, foi o convidado especial.

A experiência de 13 anos no ramo espantou o nervosismo de Amaral, que trabalha na vinícola Jolimont, em Canela. A surpresa e a alegria, no entanto, o acometeram logo que ouviu seu nome:

“Acho que todas as pessoas do público queriam estar no meu lugar.”

Esta foi a sexta edição a que ele compareceu. O enólogo diz que só torceu pelo sorteio da primeira vez, depois desistiu. Neste ano, sua sorte se manifestou duas vezes. Primeiro pela ausência do primeiro espectador escolhido; e em seguida, por ser chamado.

“Uma amiga que estava ao meu lado previu: ‘neste ano vão te chamar’” conta.