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Fim ao preconceito com a uva Moscato

15 de janeiro de 2012 0

Há entre os bebedores de vinho uma corrente que aponta os derivados da uva Moscato como um subproduto, algo de qualidade inferior. Isso é preocupante. Tanto os vinhos quanto os espumantes feitos com essa variedade podem apresentar qualidade excepcional, principalmente aqui no Brasil, onde a casta se adaptou muito bem. Torcer o nariz para esses rótulos é ignorar uma tendência mundial.

No ano passado, nos Estados Unidos, as vendas de produtos feitos de Moscato cresceram 153,6%, segundo a consultoria A.C. Nielsen. A simpatia dos jovens pelos vinhos doces e o fato de alguns artistas de hip hop terem adotado rótulos dessa variedade puxaram a alta.

A doçura certamente limita o potencial de harmonização desses produtos, que casam melhor com entradas ou sobremesas. Mas não é motivo para condenar a uva à segunda divisão da sua adega.

Screwcap: a exceção virou regra

14 de janeiro de 2012 0

Resistentes a mudanças e desconfiados com novidades, os consumidores de vinho costumam demorar a adotar inovações. Pois agora na Inglaterra, mais influente mercado do mundo, o que era exceção está virando regra: a aceitação das tampas de rosca, ou screwcaps, mais do que duplicaram nos últimos oito anos.

Conduzido pela empresa Wine Intelligence, um estudo mostra que hoje 85% da população não tem restrições a esse tipo de vedação – índice que em 2003 era de 41%. Mulheres entre os 30 e os 40 anos são as maiores responsáveis pela alta, seguidas dos jovens que acabaram de descobrir o mundo do vinho.

Chega ao mercado um vinho 'trash', de terror

13 de janeiro de 2012 0

Pra onde mesmo que o dono da cantina está olhando?

Fãs do cinema trash dos anos 80 têm agora um acompanhamento perfeito para seus filmes de terror. Cassandra Peterson, que interpreta a personagem Elvira, a Rainha das Trevas, lançou um rótulo nos Estados Unidos.

Conhecida por usar cabelo retrô, visual gótico e um decote generoso, a atriz - hoje apresentadora de televisão - se juntou à vinícola Sort This Out Cellars na elaboração do Macabrenet (trocadilho para um Cabernet Sauvignon Macabro).

A apresentação dos vinhos segue a linha sombria, como evidenciam os rótulos. Cada garrafa custa US$ 25. Deve combinar com pipoca e Sessão da Tarde.

O que vai acontecer no mundo do vinho em 2012

13 de janeiro de 2012 1

Sucesso total no passado, as previsões esotéricas a cada virada de ano parecem estar saindo de moda. Ainda bem. Só que não resisti à possibilidade de tentar adivinhar o que vai marcar o mundo do vinho em 2012 e montei uma lista com cinco tendências que devem ganhar espaço no mercado brasileiro ao longo do ano. Vamos a elas:

Vinhos mais leves
Beber menos para beber melhor é um comportamento comum em mercados enológicos maduros. O Brasil está chegando lá, e aos poucos deve abandonar vinhos com 15% de graduação alcoólica e abraçar índices mais moderados, em torno de 12%. Má notícia para os potentes argentinos e chilenos, ótimas perspectivas para os próprios vinhos brasileiros, mais alinhados com essa tendência mundial.

Brancos
É hora de deixar o preconceito de lado e aproveitar nosso clima tropical para desfrutar um cálice de vinho branco. Os feitos com a uva Chardonnay devem ser os primeiros a se beneficiar, pela credibilidade da casta, mas variedades leves como Sauvignon Blanc e Pinot Grigio também ganharão espaço. Quem puder gastar um pouco mais vai descobrir os Riesling europeus, que estão ganhando terreno no mundo todo.

Novas origens
Borbulhas da Inglaterra? Pinot Noir dos Estados Unidos? Vinhos de sobremesa da África do Sul? Pois é bom se acostumar com novidades como essas, pois em 2012 a vanguarda estará ao lado de quem se aventurar a provar novas origens. Chega dos Malbecs e Carmenères que sempre vêm dos mesmos países. Esse movimento deve inclusive beneficiar os vinhos brasileiros, mas no mercado externo.

Novas uvas
Seguindo na linha que condena o “mais do mesmo”, em 2012 o consumidor deve passar a escutar o nome de algumas uvas estranhas ao ouvido, que não aparecem no dia a dia de nossos cálices. Se essa moda pegar, países como Portugal, Grécia, Espanha e Itália serão favorecidos por possuir uma grande quantidade de variedades nativas, próprias do país (as chamadas uvas autóctones).

Drinks com vinho
Vinho com gelo, açúcar, uma rodela de fruta e uma dose de outra bebida. Para os puristas, parece pecado. Para a indústria, soa a salvação. Os drinks são vistos como uma forma de retomar o interesse dos jovens e manter as vendas em alta. E os primeiros a adotar essa política serão justamente os estandartes enológicos mais tradicionais, como Champagne e Porto.

O rótulo mais bonito do mundo

12 de janeiro de 2012 0

Se fosse possível julgar um vinho pelo seu rótulo, o australiano Alpha Crucis Shiraz 2008 seria o melhor do mundo em 2011. Ele ficou em primeiro lugar na premiação da World Label Awards Association, considerada a Copa do Mundo do design enológico.

Produzido pela Chalk Hill Winery, no McLaren Vale, o vinho traz estampado traços minimais que representam o Cruzeiro do Sul (constelação vista apenas no Hemisfério Sul da qual a estrela Alpha Crucis é a mais brilhante).

Um brinde gelado certamente vai aplacar o calor

12 de janeiro de 2012 0

Nada melhor para aplacar o calor infernal que vem fazendo nos últimos dias no Rio Grande do Sul do que um espumante ou um vinho branco. Mas para que a experiência seja tão boa quanto soa, é preciso se preocupar com a temperatura de serviço da bebida. Abaixo estão algumas dicas para ninguém ficar na mão ou passando vontade.

PLANEJE: não deixe para gelar as garrafas em cima da hora. Encontre um lugar na geladeira ainda de manhã, ou reserve um isopor com gelo logo cedo. Na pressa de resfriar as garrafas, muita gente apela para o congelador. Isso pode endurecer as rolhas dos espumantes, por exemplo, e dificultar o trabalho no momento do brinde.

SEJA TRADICIONAL: a melhor forma de resfriar um espumante ou um vinho branco ainda é usando gelo. O abre e fecha da geladeira no dia a dia pode fazer com que a bebida não fique na temperatura ideal. Coloque as garrafas em um isopor ou um balde e despeje gelo por cima. Agora é só deixar o tempo fazer sua parte.

NÃO ECONOMIZE NO GELO: ele será necessário para resfriar as bebidas e depois para mantê-las na temperatura certa. Providencie recipientes menores, como baldes ou champanheiras, para colocar as garrafas à disposição dos convidados.

TRUQUE RÁPIDO: se você ignorou a primeira dica e agora precisa de uma saída de emergência, misture sal ao gelo e despeje um pouco d’água no recipiente. A velocidade do resfriamento vai depender da quantidade, mas o truque costuma funcionar em pouco mais de meia hora. Só não esqueça de limpar bem as garrafas antes de servir os convidados, ou seu espumante vai ter gosto de margarita.

Genética poderá acabar com o brett nos vinhos

11 de janeiro de 2012 1

Um dos mais recorrentes defeitos que atacam os vinhos pode estar com os dias contados. Cientistas australianos decifraram o genoma da levedura Brettanomyces, ou simplesmente brett, um micro-organismo que dá à bebida aromas de remédio ou metálicos.

A descoberta vai permitir, por exemplo, entender o motivo pelo qual o brett é muitas vezes resistente ao enxofre – substância mais empregada no combate ao problema. Também será possível saber por que ele cresce e se espalha tão rapidamente dentro da cantina, tornando possível controlar as infecções.

A etiqueta da troca de uma garrafa no restaurante

11 de janeiro de 2012 0

Foto: Monica Arellano-Ongpin, Wikimedia Commons

Apenas uma observação sobre a mencionada troca da garrafa no restaurante: é elegante ter certeza do defeito antes de reclamar. Aliás, vale pedir a opinião do gerente, maitre ou sommelier da casa para conferir se há mesmo um problema.

No final das contas, o que vale é a percepção do cliente. Se ele pedir, o estabelecimento tem de trocar. Mas por mais que ser sorteado com uma garrafa com imperfeições seja educativo, ter de substituí-la pode ser um tanto constrangedor. Sempre há um risco de discussão enológica com o garçom ou um olhar de condenação da mesa ao lado. Melhor torcer pra não passar por isso.

Brett: o que os olhos não veem, o nariz sente

10 de janeiro de 2012 0

Nem mesmo o melhor ou mais caro rótulo do mundo está livre da possibilidade de apresentar defeito – aquilo que a gente fica esperando acontecer em um restaurante para ver se o cliente, depois de provar a amostra servida pelo garçom, vai pedir a troca da garrafa. O mais famoso de todos é o problema de rolha, fungos que dão ao vinho um cheiro de mofo e nos levam a dizer que ele está bouchonné. Só que na sua popularidade, essa falha pode mascarar outro vilão das degustações, uma deformidade mais sutil e muitas vezes confundida com os micro-organismos da cortiça: o Brettanomyces, ou brett para os íntimos.


Trata-se de uma levedura que pode contaminar o vinho na cantina e estragar a noite de quem o recebe no cálice. Aporta à bebida aromas como suor, estábulo ou queijo. Na boca, pode transformar o gole em uma experiência metálica. Acontece que alguns vinhos já trazem características como essas naturalmente (aromas animais ou minerais), por isso pode ser difícil identificar o brett. Inclusive, há produtores que o defendem como algo positivo, que torna os rótulos mais complexos.


Na dúvida, é bom analisar o seguinte argumento: a descrição mais comum para o brett é "cheiro de rato". E qualquer vinho que tenha cheiro de rato não pode ser boa coisa.


Vinhos com acidez, taninos e bom-humor

10 de janeiro de 2012 1

Conservadora por natureza, a indústria vinícola muitas vezes carece de diversão. Quando usado na medida certa, com inteligência, o humor pode se transformar no diferencial de uma cantina. Um ótimo exemplo disso vem da África do Sul, país de origem da vinícola Fairview.

Produtora de vinhos e queijos, a empresa tem a cabra como um de seus símbolos. E na hora de identificar uma série de rótulos inspirados em clássicos franceses, se valeu do animal (goat, em inglês) para criar a linha Goats do Roam (jogo de palavras com a região Côtes du Rhône). Além de um branco, um tinto e um rosé, a família de produtos inclui o Goat-Roti (trocadilho com a região de Côte-Rôtie), o The Goatfather (referência ao filme The Godfather, ou O Poderoso Chefão no Brasil) e o Bored Doe (que soa igual a Bordeaux).

Os vinhos dessa família nem são tudo isso, mas com um preço acessível - entre 40 e 85 rands, ou de R$ 10 a R$ 20 -, atiçam a curiosidade e conquistam a simpatia de qualquer pessoa.