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Posts com a tag "acessórios"

Temperatura melhora ou arruina um vinho

26 de fevereiro de 2011 0

O pouco espaço nos pequenos lares da vida moderna até justifica a falta de um cantinho especial para os vinhos, onde eles fiquem armazenados da forma adequada. Mas não há desculpa para deixar de observar a temperatura da bebida antes de começar a encher os cálices. Esse é um aspecto que pode tanto arruinar uma degustação quanto transformar em palatável um rótulo de menor qualidade.

Mais do que interferir nas características do produto, o excesso de frio ou calor altera a nossa percepção da bebida, influenciando diretamente no trabalho das papilas gustativas. É o tipo de detalhe difícil de controlar, porque nem todo mundo tem um termômetro em casa ou sabe quanto tempo a garrafa precisa ficar na geladeira até alcançar o ponto ideal. Pra dificultar um pouco mais, cada tipo de vinho tem uma temperatura certa de serviço. Mas isso não é motivo pra desistir. Seguindo algumas dicas, fica fácil acertar o nível certo, ou pelo menos se aproximar dele.

Pra começar, é preciso entender que todos os vinhos devem ser servidos entre 5°C e 20°C. O que vai definir se um rótulo requer mais frio ou calor é sua estrutura, seu corpo. Quanto mais leve, mais gelado. E quanto mais complexo, mais perto do topo da tabela. Seguindo essa lógica, é possível criar uma escala que vai da menor à maior temperatura, começando com espumantes, brancos, rosés e tintos. Aliás, a pessoa que inventou que vinho tinto precisa ser tomado em temperatura ambiente certamente não morava em um país tropical. Fica proibido ultrapassar os 20°C (e na literatura enológica, que não consegue chegar a um consenso, há quem diga que o máximo deveria ser 18°C).

Os vinhos de sobremesa em geral ficam na base da tabela e são servidos bem gelados. A exceção são os Vinhos do Porto, os Madeira e os Xerez, servidos como os tintos. Como são muitos os detalhes, abaixo segue uma tabela que deve ajudar os iniciantes no assunto. Outra dica é sempre consultar o contrarrótulo da garrafa ou o site da vinícola. Sendo essa uma questão que pode estragar a percepção que se tem da bebida, os produtores andam preocupados em orientar bem seus clientes.

Como decorar o "quarto dos vinhos"

21 de dezembro de 2010 0

Pra quem espaço sobrando tem em casa, destinar um cômodo exclusivamente para abrigar os vinhos é uma ótima saída para armazenar corretamente as garrafas. Dicas para decorar esse espaço são o mote do vídeo que fica neste endereço aqui, obtido do canal a cabo GNT.

Eu cheguei a assistir ao vídeo e tentei diversas vezes postá-lo aqui no Enoblog, mas parece que enquanto isso acontecia ele foi retirado do ar pelo globo.com. Seguirei tentando, mas por enquanto a dica é tentar diretamente no site da emissora. A quem pegou essa bagunça enquanto ela estava acontecendo, mil perdões.

Não existe fórmula para a adega perfeita

12 de novembro de 2010 0

Depois de tanto escrever sobre como armazenar vinhos, achei importante refletir sobre o conteúdo das adegas. Me espanta a quantidade de reportagens em revistas especializadas sobre itens obrigatórios para quem quer começar a estocar garrafas. Levando em conta a máxima de que o melhor vinho é aquele que você gosta, a regra para montar um acervo é guardar só os rótulos que você acha que vale a pena beber.

Parece óbvio, mas a fórmula é muito mais sincera do que indicar uma lista de marcas caras para valorizar sua coleção. A prática vai levar o enoapaixonado a escolher com sabedoria quais produtos devem ser consumidos logo, quais precisam de repouso e quanto se deve pagar por cada um desses prazeres.

Agora, para quem não vive sem uma regra, aí vai uma dica: aposte na variedade. Tente ter sempre um tinto estruturado, um tinto jovem, um rosé, um branco, um espumante e um vinho de sobremesa.

O caso da estranha 'geladega'

09 de novembro de 2010 2

O assunto de ontem me lembrou o caso de um leitor que, para armazenar seu acervo com cerca de 250 exemplares, seguiu um passo a passo disponível na internet e transformou três geladeiras em "geladegas", adaptando um controlador termostático aos aparelhos.

Não conheço esse sistema e não posso opinar sobre sua eficiência, mas o que me chamou atenção foi a opção escolhida para abrigar tantas garrafas. Se a intenção é guardar muitas unidades e o investimento em uma adega grande parece alto demais, eu avaliaria a possibilidade de investir em um ar-condicionado e climatizar um cômodo da casa em vez de recorrer a uma gambiarra qualquer.

Vinho na geladeira

08 de novembro de 2010 0

Na tentativa de armazenar corretamente um vinho, muitas pessoas apelam para a geladeira, tanto antes quanto depois de sacar a rolha. Mas ao utilizá-la para esse fim, em vez de conservar a bebida por mais tempo o consumidor pode estar reduzindo sua vida útil.

À primeira vista, parece até lógico manter as garrafas no eletrodoméstico, pois seu interior oferece o ambiente estável e a escuridão dos quais suas garrafas tanto gostam. No entanto, o abre e fecha do uso diário logo elimina essas vantagens. Além disso, mesmo que servisse exclusivamente aos vinhos, é difícil controlar a temperatura, pois ela muda a cada prateleira, dependendo da distância da placa fria.

Dois outros problemas graves são a vibração provocada pelo motor (não preparado para lidar com necessidades tão específicas) e a transferência de odores de demais alimentos à garrafa. Aliás, na briga com os frios, aquele resto de pizza e o pote de margarina, é comum o rótulo acabar escorraçado para a porta da geladeira, de pé, mais um entrave para sua boa conservação.
Por tudo isso, é possível dizer que vinho e geladeira não se dão bem em relacionamentos longos. Os dois só se entendem em encontros curtos e pontuais, quando for hora de resfriar um branco, um espumante ou rótulos de sobremesa - algo que também pode ser feito com um simples balde de gelo. Mesmo depois de aberta a garrafa, o melhor é fazer uso de pequenas bombas de vácuo (baratas e encontradas em supermercados), mantê-la fora do frio e programar-se para consumir o líquido dentro da mesma semana. Caso insista no eletrodoméstico, é possível que uma bela noite a bebida deite em seu cálice com um suspeito perfume de queijo, fazendo com que você se sinta traído.

Patrimônio enológico bem guardado

24 de outubro de 2010 0

Por mais que não gostem de frio, os colecionadores de vinho sempre deparam com um problema ao final do inverno. Ainda que incômoda, a marca apresentada pelo termômetro é mais constante do que em outras estações, facilitando a armazenagem. Praticamente qualquer canto escuro da casa serve _ mais do que a imprecisão, é a inconstância da temperatura que prejudica a bebida. Mas aí chega a primavera, trazendo variações térmicas ao longo do dia e a indecisão de o que fazer com as garrafas. Se você começou a padecer com a dúvida, a resposta é simples: chegou a hora de comprar sua primeira adega climatizada.

Ter a questão solucionada não significa se livrar de um certo sofrimento. Iniciantes no assunto podem se assustar com o grande número de modelos e preços disponíveis no mercado. Há opções a partir de R$ 300, mas para não errar e ter de fazer o mesmo investimento duas vezes, é bom estudar bem suas necessidades e as particularidades de cada aparelho. Abaixo estão orientações básicas para quem pretende começar a busca por um abrigo para seus rótulos.

- Avalie bem o tamanho de seu acervo e quantas vagas precisa em uma adega. É comum o enófilo, a partir da compra do aparelho, começar a colecionar mais rótulos, pois passa a ter um lugar adequado para deixar os vinhos envelhecerem. Sendo assim, calcule uma certa folga na capacidade de armazenamento, ou correrá o risco de, em seis meses, ter de iniciar a busca outra vez.

- Existem basicamente três padrões: máquinas termoelétricas, com compressor ou por absorção. Cada um oferece diferentes níveis de eficiência, consumo e, principalmente, preço. As primeiras são mais em conta, mas dependem do ambiente para operar corretamente _ os próprios aparelhos sofrem com mudanças bruscas na temperatura. As adegas com compressor, de valor intermediário, funcionam como pequenas geladeiras. Já os sistemas por absorção são geralmente voltados a acervos maiores e têm alto custo, ou seja, dificilmente se encaixam no perfil residencial.

- Escolhido o padrão e o tamanho da adega, compare os detalhes. Sistema antivibração, porta de vidro com proteção de luz e de raios UV e prateleiras ajustáveis são quase obrigatórios. Painel digital, tranca com chave e divisão para vinhos brancos e tintos são desejáveis, mas se sobrevive sem eles. O controle de umidade é um diferencial importante, mas é difícil de encontrar entre os modelos presentes no mercado.

- Não defina a compra apenas pelo critério preço. Descubra se a marca escolhida oferece garantia e assistência técnica. Isso é especialmente importante para aparelhos importados ou de produção limitada. Na dúvida, busque referências entre amigos, lojas, revistas e na internet. Compradores insatisfeitos sempre encontram um meio de se manifestar.

A utilidade de um vinômetro

26 de maio de 2010 0

Um leitor do blog me perguntou sobre um aparato que eu até já havia visto, mas nunca havia chamado muito minha atenção. É o vinômetro, criado para conferir a graduação alcoólica de um vinho.

Conversando com algumas pessoas e buscando mais informações na internet, descobri que não se trata de um equipamento de muito prestígio no meio enológico. O motivo é justamente a margem de erro mais ampla do que o desejável (há quem fale em 30%). Entre as causas de tamanha diferença está a necessidade de condições ideias para a medição (temperatura, densidade do líquido, etc.), pois esses dispositivos são aferidos para funcionar em ambientes específicos. Qualquer coisa que fuja disso, vai provocar distorções. Isso faz com que ele, por exemplo, não seja confiável para medir a graduação de outras bebidas, como licores.

Se a intenção é usá-lo em degustações, o considero desnecessário. Nunca vi muitos motivos para desconfiar da graduação alcoólica estampada nas garrafas, pois ela indica um traço importante na personalidade do vinho. Não é de interesse da vinícola mascará-la, a não ser que a índole da empresa não seja lá muito confiável, mas daí é outra história. Confesso que os acessórios que considero úteis em uma degustação são só três: cálice, saca-rolhas e termômetro.

Agora, para quem produz vinho de alguma maneira, há outros métodos mais confiáveis de fazer essa medição, e aí casas especializadas no fornecimento de material para o setor podem ser mais esclarecedoras.