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Posts com a tag "Avaliação Nacional de Vinhos"

Os destaques e o que faltou na Avaliação Nacional de Vinhos

28 de setembro de 2015 0
Foto: Gilmar Gomes, divulgação

Foto: Gilmar Gomes, divulgação

Uma safra mais difícil, como alguns enólogos classificaram a de 2015, sempre faz brilhar a qualidade de nossos espumantes e brancos. Mas neste ano, a Avaliação Nacional de Vinhos – que no sábado deu uma prévia dos rótulos gerados a partir da última colheita – acabou exaltando os tintos, mesmo que as condições do início do ano tenham sido desfavoráveis.

O Cabernet Franc da Valmarino, o Tannat da Cooperativa Aurora e o Merlot da Miolo elaborado com leveduras indígenas estavam entre as amostras mais comentadas ao final do evento. Entre os brancos, me chamou atenção um Chardonnay da Basso e o Moscato Giallo da Don Guerino. Tudo isso, claro, levando em conta que são produtos inacabados. Mas o encontro é uma chance de tentar adivinhar o potencial dos produtos.

Ficou um pouco mais tímida nesta edição a participação de vinícolas bem pequenas, que em anos anteriores apresentaram algumas surpresas. As marcas mais conhecidas dominaram a lista das amostras mais representativas (veja a lista completa abaixo). Também não houve grande presença de uvas diferentes, a não ser por um Ancellotta e um Teroldego. A Marselan, que já fez sucesso outras vezes, nem apareceu.

 

Outra coisa da qual senti falta foi a de uma abordagem política. O evento, o principal do calendário vitivinícola brasileiro, acontece justamente num momento em que o setor teme pelas notícias de elevações tributárias e registra perdas por conta do clima – que poderiam ser compensadas com apoio público. Claramente o foco ficou apena no futuro dos vinhos, e não no do segmento como um todo.

 

Categoria: Vinho Base para Espumante

Vinho Base Espumante – Chardonnay

Domno do Brasil

Vinho Base Espumante – Chardonnay / Pinot Noir / Riesling Itálico

Chandon do Brasil

Vinho Base Espumante - Pinot Noir Rosé

Casa Valduga


Categoria: Branco Fino Seco Não Aromático

Riesling Itálico

Luiz Argenta Vinhos Finos

Chardonnay

Cooperativa Nova Aliança

Chardonnay

Basso Vinhos e Espumantes


Categoria: Branco Fino Seco Aromático

Sauvignon Blanc

Vinícola Santa Augusta

Moscato Giallo

Vinícola Don Guerino


Categoria: Tinto Fino Seco Jovem

Merlot

Vinícola Salton


Categoria: Tinto Fino Seco

Cabernet Franc

Vinícola Valmarino

Merlot

Vinícola Perini

Merlot

Miolo Wine Group

Ancellotta

Cooperativa Garibaldi

Teroldego

Vinícola Monte Rosário

Tannat

Cooperativa Aurora

Tannat

Dunamis Vinhos

 

 

As surpresas da Avaliação Nacional de Vinhos

25 de setembro de 2015 0
Foto: Gilmar Gomes, divulgação

Foto: Gilmar Gomes, divulgação

Amanhã ocorre mais uma edição do maior evento da vitivinicultura brasileira. A Avaliação Nacional de Vinhos é um grande encontro entre produtores, mercado e consumidores, voltado a analisar a colheita do início de 2015 e prever a qualidade de rótulos futuros. Neste ano, porém, o assunto principal deve ser a próxima safra, e não a última. Calor antecipado seguido de chuva, granizo e geada tem preocupado os donos de vinhedos nas últimas semanas.

Para quem não tem vinícola, é só diversão. A oportunidade de degustar vinhos ainda inacabados com outras 850 pessoas é única. Neste ano, a experiência será facilitada por um sistema que roda em qualquer navegador de smartphones ou tablets, no qual os usuários poderão computar suas notas para as 16 amostras em tempo real.

Até onde se sabe, essa será a grande novidade desta edição. Em 2014, no entanto, a organização surpreendeu a todos com uma degustação vendada e a presença de celebridades na mesa de jurados. Ou seja, sempre pode surgir algo novo. Estaremos lá para conferir.

Inscrições para a Avaliação Nacional ocorrem nesta quinta

01 de setembro de 2015 0
Foto: ABE, divulgação

Foto: ABE, divulgação

Os apreciadores que pretendem participar da próxima Avaliação Nacional de Vinhos devem estar conectados na próxima quinta-feira, dia em que abrem as inscrições. As vagas serão oferecidas a partir das 8h30min pelo site enologia.org.br – a experiência dos últimos anos mostra que devem se esgotar em questão de horas, então é importante ficar atento.

No total são 850 lugares, o que faz do evento a maior degustação coletiva de que se tem notícia. Mas boa parte dos assentos é ocupada por convidados e representantes das vinícolas, que têm acesso antecipado. Para o público em geral, a entrada custa R$ 250.

A maioridade da Avaliação Nacional

12 de outubro de 2010 0

Com um certo atraso, a publicação do artigo do presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Christian Bernardi, abaixo, fecha o tema da Avaliação Nacional de Vinhos 2010 aqui no Enoblog. Boa leitura.

O crescente desenvolvimento da qualidade dos vinhos brasileiros já é reconhecido por consumidores, críticos e profissionais do vinho de todo o mundo. Na história da vitivinicultura brasileira, considera-se o início do século passado como o marco inicial da indústria do vinho no Brasil. Justamente na Serra Gaúcha, com o estabelecimento dos imigrantes italianos foi possível conciliar a cultura e a economia de uma região e desenvolver um produto que até hoje é símbolo desta terra. Passaram-se mais de 100 anos e o vinho difundiu-se por todo o país.

Diferente fatores foram responsáveis por este crescimento de qualidade e expansão das áreas vitivinícolas pelo Brasil. Acima de tudo a capacidade e ousadia de pessoas que souberam explorar os terroirs deste imenso país e levar aos consumidores aromas e gostos capazes de satisfazer todas suas expectativas. Mas, além disso, há alguns eventos que servem como balizadores ao setor. Um destes é a Avaliação Nacional de Vinhos, que foi criada pelo próprio setor vitivinícola e atinge a 18ª edição como uma importante ferramenta para os produtores e é vitrine aos produtos brasileiros.

Criada em 1993 pela Associação Brasileira de Enologia, a Avaliação Nacional de Vinhos é um evento único, com distinção mundial pela sua estrutura e resultados alcançados. Apesar de ser difícil de mensurar, a ANV consolidou-se com uma verdadeira ferramenta de avaliação das vinícolas do Brasil. Há um crescimento das vinícolas, que submetem seus produtos a análise do painel de enólogos (mais de 75 profissionais avaliadores) e, assim, têm um panorama do desempenho de seus produtos naquela vindima. Além disso, a ANV também apresenta a evolução das regiões vitivinícolas brasileiras; a cada edição novas regiões despontam com qualidade de seus vinhos.

Por fim, mas não menos importante, consolidou-se neste evento a participação de um público cativo de consumidores que vêm a Bento Gonçalves, todos os anos, para esta “pré estréia” dos vinhos da safra. Trata-se de uma possibilidade que os apaixonados por vinho têm de visualizar as tendências e estilos de vinhos que irão para o mercado na sequência. E, igualmente, saber quais vinícolas e regiões estão despontando no cenário brasileiro.

Essa é a Avaliação Nacional de Vinhos, que há 18 anos é referência na vitivinicultura brasileira, graças a todas pessoas, vinícolas, entidades e apoiadores que transformam a arte de elaborar vinho num evento grandioso.

Troféu Vitis para os amigos do vinho

04 de outubro de 2010 0

Por suas contribuições para a divulgação e o desenvolvimento dos vinhos nacionais, o médico Jairo Monson de Souza Filho (esq.) e o engenheiro agrônomo Luiz Antenor Rizzon (centro) receberam o Troféu Vitis, o primeiro como Amigo do Vinho Brasileiro e o segundo na categoria Enológico, durante a Avaliação Nacional de Vinhos. A honraria foi entregue pelo presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Christian Bernardi (dir.).

Degustador duplamente sortudo

04 de outubro de 2010 0

Idealizado para mostrar que qualquer consumidor pode fazer a análise crítica de um vinho, o sorteio de um integrante da plateia da Avaliação Nacional de Vinhos para compor a mesa de comentaristas só ajudou a reforçar o time de especialistas. No ano em que o evento alcançou sua maioridade, o enólogo Altair Amaral, 37 anos, foi o convidado especial.

A experiência de 13 anos no ramo espantou o nervosismo de Amaral, que trabalha na vinícola Jolimont, em Canela. A surpresa e a alegria, no entanto, o acometeram logo que ouviu seu nome:

“Acho que todas as pessoas do público queriam estar no meu lugar.”

Esta foi a sexta edição a que ele compareceu. O enólogo diz que só torceu pelo sorteio da primeira vez, depois desistiu. Neste ano, sua sorte se manifestou duas vezes. Primeiro pela ausência do primeiro espectador escolhido; e em seguida, por ser chamado.

“Uma amiga que estava ao meu lado previu: ‘neste ano vão te chamar’” conta.

Impressões de quem está de fora

03 de outubro de 2010 0

Para um país que tanto busca o reconhecimento internacional, foi bom ouvir os elogios tecidos pelos comentaristas estrangeiros durante a Avaliação Nacional de Vinhos. Confira algumas das impressões dos gringos sobre o vinho brasileiro.

- “Percebo neste vinho os aromas que gosto de sentir no Brasil, como frutas e flores frescas. O chenin blanc é uma grande oportunidade para o país”. Carmen Perez, jornalista argentina

- “É representativo ver dois chenin blanc tão estruturados, especialmente ao se destacarem entre outros brancos como chardonnay e sauvignon blanc”. Roberto Rabachino, jornalista e sommelier italiano

- “Há países que tentam adaptar cepas. Aqui vemos variedades mediterrâneas em sua origem, mas que aparecem cheias de nuvens, de chuvas. Isso é coerente”. Luis Vicente Pastor Elias, escritor e empresário enológico espanhol

- “Depois de passar dias degustando produtos nas vinícolas daqui, essas amostras trazem menos complexidade do que eu esperava. Talvez pelo fato de a safra não ter sido tão boa”. David Furer, jornalista norte-americano

- “Os vinhos brasileiros são pouco alcoólicos, fáceis de beber e simpáticos”. Michael Whiteside, jornalista inglês

Avaliação da Avaliação

02 de outubro de 2010 0

Engana-se quem pensa que a Avaliação Nacional de Vinhos é uma festa apenas para enólogos e empresários do ramo. Participar do evento, que teve sua 18ª edição realizada no último sábado, é uma aula para qualquer amante da bebida, não interessa se ainda em fase de aprendizado ou experiente degustador. Além de registrar aquilo tudo que já foi publicado sobre o encontro, a coluna Enoteca ficou atenta a alguns detalhes que merecem ser compartilhados com os leitores.

EM GOLES
- Chamaram atenção os números apresentados pelo presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Christian Bernardi, sobre o evento. Desde sua primeira edição, em 1993, a Avaliação Nacional já analisou mais de 3,7 mil amostras e somou plateia de 10 mil pessoas.
- A diversidade geográfica neste ano foi tão ampla quanto o espetáculo que misturou samba de gafieira, chula e forró no intervalo do evento. Além da Serra, a Campanha, os Campos de Cima da Serra e os Estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia tiveram amostras incluídas entre as melhores 16.
- É possível que em alguns casos os vinhos tenham sido selecionados mais pelo fato de serem de novas áreas produtoras do que pela qualidade. E qual o problema? A “expansão do Brasil vitivinícola”, como colocou Bernardi, é um feito que merece ser celebrado e difundido.
- O grande número de amostras condecoradas combinado com a inclusão entre os 16 vinhos mais representativos da safra 2010 tornou a festa especial para quatro grandes vinícolas: Miolo, Perini, Salton e Valduga. A Salton foi a que mais levou prêmios como marca única (11). A Miolo, porém, bateu essa barreira ao somar os resultados de suas diferentes grifes _ Miolo, Ouro Verde, Seival, Rasip e Almadén chegaram a 17 citações, sendo que três produtos ficaram entre os 16 melhores. O mesmo aconteceu com a Valduga, que levou sete prêmios mas não foi citada individualmente entre os mais representativos. Chegou lá por meio da Domno.
- O vinho com melhor pontuação entre os que foram degustados juntamente com o público (87,5 pontos) foi o Moscato R2, da Perini, produto da categoria branco fino seco aromático que, sob a marca Jota Pe, chega ao consumidor por menos de R$ 10. Preço nem sempre é sinônimo de qualidade.
- Entre as novatas, houve muita comemoração em torno da Góes & Venturini e, sobretudo, da Almaúnica, que já em sua primeira Avaliação Nacional teve três vinhos premiados, um deles escalado para o time dos 16 melhores.

Os vinhos que representam o melhor da safra 2010 no Brasil

27 de setembro de 2010 0

Depois de degustar os vinhos que mostram o melhor da safra 2010, sempre fica aquela curiosidade para saber quem os produziu. Pois bem, abaixo estão as 16 amostras que estrelaram a 18ª Avaliação Nacional de Vinhos, juntamente com a descrição sensorial de cada um, elaborada a partir das impressões dos enólogos que fizeram a análise de todos os concorrentes. Boa leitura aos enófilos:

CATEGORIA: VINHO BASE PARA ESPUMANTE
Amostra 1 – Domno do Brasil, Chardonnay: Coloração de intensidade média, tonalidade palha com tons esverdeados. No nariz é fino, nítido, predominando as notas de cítrico e maçã verde. Também surgem, em menor intensidade, notas de pera, abacaxi maduro, leveduras e frutas brancas. O paladar é fi rme e marcante de acidez (adequada para a categoria), agradável, com médio corpo e estrutura. O sabor repete as notas de cítrico, com retrogosto de frutado prolongado.

Amostra 2 – Vinhos Salton, Chardonnay/Pinot Noir: coloração brilhante, tonalidade palha com reflexos esverdeados. Aroma de média intensidade, predominando as notas de frutas cítricas e maçã verde. Aparecem também, sutilmente, notas de abacaxi, floral e um leve tostado (amêndoas). No paladar destacam-se a acidez marcante e o frescor de sabor. O corpo é médio, com retrogosto harmônico e ligeiro.

CATEGORIA: BRANCO FINO SECO NÃO AROMÁTICO
Amostra 3 – Vinícola Ouro Verde, Chenin Blanc: coloração de intensidade média-forte, tonalidade amarelo palha. Aroma de média intensidade, proveniente de uvas maduras, predominando as notas de frutas cítricas, abacaxi, melão e amêndoas (intenso). Paladar com um ataque levemente doce, com bom corpo, volume e estrutura. A acidez é equilibrada; apresenta longa persistência de sabor e sutil amargor.

Amostra 4 – Vitivinícola Santa Maria, Chenin Blanc: coloração de intensidade média-fraca, tonalidade palha, clara, pálida. Aroma de intensidade média-forte, fi no, delicado. Aroma com notas de carambola (intenso), maçã verde, pêssego, frutas cítricas, fl ores brancas (jasmim) e suti l nota vegetal. No paladar é marcante um ataque ácido, refrescante – do ácido málico, toques minerais; é elegante, nítido, de bom volume e extrato. Apresenta muito boa persistência de sabor.

Amostra 5 – Cooperativa Centra Nova Aliança, Chardonnay: coloração brilhante, intensidade média-forte, amarelo palha com reflexos dourados. Aroma complexo, fino, com notas de mel, frutas maduras, sutil goiaba, fruta do conde, carambola, melão, abacaxi, butiá e flores brancas. Apresenta pequena nota de baunilha, no nariz e em boca. O paladar guarda certa doçura, com um toque de salinidade. A acidez é correta; tem uma boa potência, volume e estrutura. A persistência é média-alta.

Amostra 6 – Casa Venturini, Chardonnay: coloração de média intensidade, amarelo palha, esverdeado. Aroma de média-alta intensidade, nítido e fino. Destacam-se as notas de flores brancas, como o jasmim, banana (intenso), amêndoas, mel, carambola, abacaxi, maracujá, aspargos/arruda. Sabor com ataque ligeiro, equilibrado, de média estrutura. Paladar levemente agulha (CO2), refrescante, de muito boa persistência e retrogosto agradável.

CATEGORIA: BRANCO FINO SECO AROMÁTICO
Amostra 7 – Casa Geraldo, Moscato Giallo: coloração amarelo palha, esverdeado. Aroma de média intensidade, delicado, predominando as notas de mamão papaia, frutas cítricas, floral, mel, arruda e frutas tropicais, como abacaxi e maracujá. O paladar é leve, fresco, com certa doçura, equilibrado no conjunto álcool/acidez. Tem uma média-alta persistência de sabor.

Amostra 8 – Vinícola Perini, Moscato R2: coloração amarelo esverdeado. No nariz, apresenta uma intensidade média-alta, predominando as notas de uva moscato, ervas-de-quintal, manjericão, lichia, batata-doce, flores de laranjeira, mel, capim-cidreira e pêssego. No paladar tem um ataque levemente doce, é fino, elegante, equilibrado em acidez. Tem uma boa estrutura e volume de boca. No final tem suti l amargor, com retrogosto agradável e boa persistência.

CATEGORIA: ROSÉ SECO
Amostra 9 – Vinícola Almadén, Cabernet Sauvignon: coloração vermelho claro, de tonalidade cereja/morango. Apresenta um aroma de intensidade média, é fino, jovem e delicado, lembrando framboesa, calda de cereja, morango, algo de lácteo e sutil broto de tomate (vegetal). O sabor é leve, nítido, com um ataque ligeiro, um toque doce, tendo média estrutura e moderado conteúdo de álcool. Apresenta média intensidade de acidez e média persistência de sabor.

CATEGORIA: TINTO FINO SECO JOVEM
Amostra 10 – Rasip Agropastoril, Pinot Noir: coloração de intensidade média, vermelho rubi. O aroma é de média intensidade, complexo, com traços de amêndoas, feno, cassis e toques de madeira – especiarias, baunilha e chocolate. O sabor é equilibrado; estando pronto para consumo. Apresenta acidez média-baixa, médio volume de boca e certa pungência de gosto, do elevado teor de álcool. Os taninos são macios e elegantes.

CATEGORIA: TINTO FINO SECO
Amostra 11 – Cia Piagentini de Bebidas, Cabernet Franc:
coloração intensa, vermelho escuro, com nuanças de violáceo. Aroma de boa intensidade, de frutas vermelhas e frutas negras, amora, cassis, carvalho tostado, café, sutil vegetal e mentol. No paladar tem uma entrada macia, com ataque doce; tem um bom volume e estrutura, com taninos potentes. Guarda ainda uma certa adstringência, com acidez média-alta. Apresenta bom equilíbrio de gostos e uma média persistência.

Amostra 12 – Vinícola Valmarino, Cabernet Franc: cor intensa, vermelho violáceo. Intenso no nariz, predominando as notas de ameixa, pimenta-preta, herbáceo, pasto seco, alecrim, eucalipto e ervas (temperos). Também apresenta descritores de torrefação, café, coco e, sutil, pimentão-verde. Em boca é redondo, equilibrado (na relação carvalho/estrutura); tem bom volume e médio-elevado corpo. A acidez é equilibrada e os taninos macios. Tem uma ótima persistência de sabor.

Amostra 13 – Vinícola Dom Cândido, Marselan: coloração vermelho violáceo, intenso. Aroma de intensidade média, com notas de geleia, mel, frutas secas (passas) e especiarias – canela, pimenta e chocolate. O sabor tem um ataque doce, acidez correta, é potente, com taninos macios, aveludados e maduros. Tem um rico extrato, bom corpo e boa persistência.

Amostra 14 – Seival Estate, Merlot: coloração intensa, vermelho rubi, com nuanças violetas; lágrimas grossas e duradouras. Aroma de média intensidade, delicado, nítido, lembrando frutas vermelhas maduras, compota, geleia, baunilha, hortelã, feno e noz moscada. Paladar com ataque doce, fino, com taninos redondos. A acidez é marcante, tendo um bom volume, estrutura e corpo. Sutil amargor no final de boca; persistência de sabor média-alta.

Amostra 15 – Vinícola Santo Emílio, Cabernet Sauvignon: coloração intensa, tonalidade vermelho rubi, com leves toques de violáceo/lilás. Aroma de média intensidade, agradável, com notas de amora, pimenta, coco, toques de café, baunilha e sutil vegetal. Gostos equilibrados, paladar de bom volume, de certa doçura, harmônico, taninos marcantes e macios – com bom potencial de evolução. O sabor é bastante persistente, de excelente retrogosto.

Amostra 16 – Vinícola Almaúnica, Cabernet Sauvignon: coloração intensa, vermelho rubi com tons violáceos. O aroma é intenso, elegante, com notas de cereja, framboesa, jabuticaba, amora e especiarias _ baunilha, coco queimado, caramelo, cravo-da-índia; algo de manteiga. O paladar é equilibrado, acentuando-se as notas de especiarias e chocolate; tem excelente corpo e estrutura. Apresenta-se potente de sabor/álcool, com taninos maduros e intensos. Média-alta persistência no retrogosto.

Safra 2010 saiu melhor do que o esperado

27 de setembro de 2010 0

Ainda que a última safra de uva tenha apresentado uma queda de qualidade em relação a vindimas anteriores, o consumidor não precisa ter qualquer receio de comprar os vinhos brasileiros que trouxerem no rótulo a marca 2010. Pelo menos é isso que se conclui depois da 18ª Avaliação Nacional de Vinhos, realizada no sábado em Bento Gonçalves.

Depois de degustar as 16 amostras mais representativas, o público de aproximadamente 750 pessoas pôde perceber que se por um lado o excesso de chuva no último verão impediu resultados excepcionais, por outro não significou uma tragédia para a vitivinicultura nacional. A regularidade foi alcançada por meio do avanço técnico e tecnológico nas vinícolas e da aposta em novas regiões produtoras.

“O ano de 2010 foi muito difícil, não podemos considerá-lo como a melhor safra. Mas a enologia nos ensinou a obter bons produtos”, considerou Christian Bernardi, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), em seu discurso de abertura.

Essa impressão foi avalizada pela pontuação e pelos comentários feitos por especialistas durante a degustação. As notas médias dadas pela mesa de avaliação (composta de enólogos, sommeliers e jornalistas, do Brasil e do Exterior) ficaram entre 84 e 89 pontos, numa escala que vai de 0 a 100 - em geral, produtos excepcionais recebem de 90 pontos para cima. Também chamou atenção a diversidade na procedência dos vinhos. Entre os produtos escolhidos para representar o trabalho que vem sendo feito desde o começo do ano - as amostras ainda nem foram engarrafadas -, há exemplares da Campanha, dos Campos de Cima da Serra, de Santa Catarina, do Nordeste e de diferentes áreas da Serra.

“É o ano que marca a expansão do Brasil vitivinícola”, completou Bernardi.