Não foi somente por receber amostras de 15 países que o 5º Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado semana passada em Bento Gonçalves, pôde ostentar o "internacional" em seu nome. Nas mesas dos avaliadores, a mistura de idiomas comprovava que o interesse pela enologia não tem fronteiras. Apenas na mesa em que eu me encontrava estavam três brasileiros, um francês, um italiano e um português (que, surpreendentemente, não teve de ouvir qualquer piada sobre os patrícios).
Ao todo, 11 nações estavam representadas entre os degustadores. Além de garantir o nivelamento do concurso com outras competições mundiais, essa pluralidade proporciona uma troca de experiências enriquecedora.
"Acontece um aprimoramento, pois alguém sempre apresenta maior sensibilidade, outros tem dificuldades. Há uma interação de conhecimentos em linhas específicas de cada produto, pois mesmo que as notas sejam individuais, sempre ocorrem discussões nas mesas", considera Christian Bernardi, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE).
Importados do bem
O que chama a atenção é que não foi preciso ir muito longe para buscar alguns desses participantes estrangeiros. Em diferentes esferas, muitos já integram a vitivinicultura verde-amarela. A maioria deles atua como enólogos, demonstrando um crescente interesse pelo potencial brasileiro mundo afora.
No universo do vinho, é bastante comum o intercâmbio entre profissionais de diferentes países. Mas no Brasil, segundo Bernardi, o que atrai vinhateiros de fora é, muitas vezes, o desafio de alavancar uma indústria ainda jovem e construir carreira.
E nem se trata de falta de mão de obra, situação que o setor conheceu entre as décadas de 1960 e 1970, quando multinacionais do ramo começaram a se instalar no Estado e tiveram de importar trabalhadores especializados. A isca hoje é o vislumbre de oportunidades.




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