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Posts com a tag "DO"

DO = Demora Obscura

19 de dezembro de 2010 0


Passou setembro, foi-se outubro e novembro ficou para trás. Chegou dezembro, e nada. Assim, o ano termina sem que o Brasil tenha testemunhado sua primeira Denominação de Origem (DO) enológica. Após seguidas protelações, a tão desejada certificação para o Vale dos Vinhedos continua só na intenção.

O projeto começou a ser tocado em 2001, quando foi conquistada a Indicação de Procedência (IP). Desde lá se fala na DO, mas foi no ano passado que a ideia ganhou corpo, com as degustações técnicas e a definição de critérios para os produtos que quisessem se enquadrar. Havia tanta certeza de que o título chegaria em 2010 que algumas vinícolas, ainda na safra 2009, elaboraram rótulos especificamente para receber a DO, obviamente na esperança de serem as primeiras a ostentar o selo.

Não está claro se faltou agilidade ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) ou mobilização por parte dos produtores. A questão é que a festa de apresentação da DO teve de ser cancelada. É provável que ocorra no ano que vem, mas não existe uma data prevista. O ideal seria que os vinhos brancos da próxima colheita já pudessem contar com essa certidão de nascimento, mas nesse momento não há como arriscar um palpite sobre se isso será viável. Depois de tantos adiamentos, a DO fica até um pouco desacreditada. Quem sai perdendo não é apenas o Vale dos Vinhedos, mas toda a vitivinicultura nacional.

Vinho brasileiro merece um nome próprio

11 de dezembro de 2010 0

Novembro de 2009: "A DO é uma marca regional, atestando que os vinhos dali terão aspectos aromáticos e gustativos únicos, diferentes de qualquer outro no mundo. Com o tempo, a tendência é que cada zona vitivinícola no Brasil desenvolva sua própria identidade e a traduza em um selo como esse."

Dezembro de 2009: "Mas, em vez de estampar o termo no rótulo, seria mais preciso indicar que a bebida é feita pelo processo asti, ou simplesmente reforçar que se trata de um espumante moscatel do Brasil, produto com potencial para se tornar um símbolo nacional."

Maio de 2010: "O uso de referências de fora já é comum no Brasil (há quem defenda que faz Asti, Prosecco e até Champagne nacional) (...)".

Os textos acima são transcrições do próprio Enoblog e mostram que há tempos fazemos a defesa de uma causa que ganhou coro internacional: em vez de copiar terminologia estrangeira, o Brasil precisa bolar nomes originais para identificar seus vinhos e espumantes.

Quem encampou a ideia foram os jornalistas ingleses Jonathan Ray e Charles Metcalfe (na foto ao lado), em recentes passagens pela Serra. Mesmo sem encontrar-se por aqui, os dois especialistas vinícolas bateram na tecla de que é preciso batizar o espumante nacional de forma a criar uma marca única, a ser reconhecida em todo o mundo, algo que traduza sua tipicidade. Os exemplos usados por eles foram os bem-sucedidos cava espanhol e cap classique da África do Sul. Ray inclusive se arriscou a sugerir um nome: Brut de Brazil (que, eu acho, ficaria melhor com "S").

Ambos tomaram os borbulhantes como parâmetro, mas essa é uma prática que deveria valer para qualquer produto que se proponha criar uma nova categoria enológica. Do inusitado icewine catarinense aos exóticos resultados de vinhedos com 2,5 safras anuais do Nordeste, todos têm um diferencial. Defender isso como algo único no mundo não seria arrogância, mas ousadia.

A geografia futura da uva e do vinho

26 de outubro de 2010 0

Já que comentamos a formação, no Brasil, de um novo mapa para a vitivinicultura, veja abaixo como a Embrapa enxerga a geografia da atividade no futuro a partir dos projetos de Indicação Geográfica (IG) e Denominação de Origem (DO) já identificados no país.

Vitivinicultura nacional começa a ganhar um mapa

17 de outubro de 2010 0

Enólogos avaliam as amostras inscritas para receber a DO do Vale dos Vinhedos

A vitivinicultura da Serra se encontra num momento intermediário entre duas delimitações geográficas. De um lado, a Indicação de Procedência (IP) de Pinto Bandeira, concedida na semana passada. De outro, a ansiedade pela Denominação de Origem (DO) do Vale dos Vinhedos, que após seguidos adiamentos é aguardada para novembro. Tudo muito legal, mas que diferença faz para o consumidor? Espera-se que positiva.

Essas regionalizações servem como assinaturas, e ninguém vai querer colocar seu nome em um produto ruim. Tanto que para receber um selo atestando a procedência não basta o rótulo ser elaborado em determinado local. É preciso atender a uma série de critérios de qualidade. No momento em que tivermos numerosas marcas territoriais, a competição para definir qual é a melhor vai respingar no cálice do degustador final.

O temor do momento é de que forma isso vai refletir nos preços dos já inflacionados vinhos brasileiros. Se o primeiro efeito de IPs e DOs for o reajuste, em vez de adotar a ideia, o público certamente vai repudiar tais conquistas do setor.

Pinto Bandeira agora tem uma marca própria

13 de outubro de 2010 0

Antecipada pelo Enoblog em junho deste ano, a Indicação de Procedência (IP) de Pinto Bandeira foi oficializada no final da semana passada em um evento que reuniu cerca de 180 pessoas. Resultado de seis anos de trabalho, o reconhecimento vai recair inicialmente sobre cinco produtos (três espumantes e dois tintos) e será identificado pelo selo ao lado.

A conquista, capitaneada pela Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho), é o primeiro passo para a Denominação de Origem (DO). Há quem especule que delimitações desse gênero trarão aumento nos preços. O que é certo é que devem elevar a qualidade da produção, por determinar critérios para a liberação do selo. Já atrasada em relação às previsões iniciais, a DO do Vale dos Vinhedos é agora para o mês que vem.

Veja abaixo a lista dos produtos de Pinto Bandeira que exibirão a IP:

- Espumante Brut Don Giovanni (safra 2008)
- Espumante Brut Cave Geisse (safra 2008)
- Espumante Brut Valmarino (safra 2009)
- Vinho Tinto Cabernet Franc Valmarino (safra 2008)
- Vinho Tinto Merlot Valmarino (safra 2009)

DO precisa funcionar para todos

29 de julho de 2010 0

Especialista em campo, Irineu Guarnier Filho entrou no início do mês no assunto das indicações geográficas, a exemplo da DO do Vale dos Vinhedos, e recebeu reclamações de leitores, sobre as quais escreveu o ponderado e pertinente comentário:

A parte do leão

A propósito de comentários que escrevi sobre a importância das marcas e indicações geográficas para a agregação de valor aos produtos agrícolas, recebi e-mails de agricultores descontentes com o retorno que recebem por produzirem carne bovina certificada e uvas viníferas com IG. No caso da carne, a bronca é com o frigorífico e o varejo, que ficariam com "a parte do leão". No vinho, a queixa é de que "o trabalho é difícil, e a remuneração para a uva, rídicula diante dos custos e dificuldades de produção". Não é muito diferente com os produtores de fumo, de leite, de suínos...

A reclamação é recorrente: o produtor trabalha e gasta mais para "agregar valor" à produção, mas não recebe, proporcionalmente, por esse esforço. Tais depoimentos devem servir de alerta para os gestores de agroindústrias que têm obtido ganhos maiores graças à matéria-prima de melhor qualidade fornecida por seus "integrados". E ao varejo, que aumenta suas vendas alardeando a qualidade e a procedência de produtos diferenciados. Uma cadeia produtiva só pode ser considerada bem-sucedida quando todos os seus integrantes são adequadamente remunerados.

Irineu Guarnier Filho (irineu.guarnier@canalrural.com.br)

Uma nova marca representa o Vale dos Vinhedos

10 de junho de 2010 0

No post sobre o 2º Prêmio Vinhos do Vale dos Vinhedos, faltou comentar uma novidade que surgiu lá por aquelas bandas. A Aprovale, associação que representa os produtores do Vale dos Vinhedos, apresentou no jantar de entrega dos troféus sua nova identidade visual.

A logomarca veio para comemorar os 15 anos da entidade e renovar conceitos no ano em que deve sair a Denominação de Origem (DO) para a região. O desenho foi desenvolvido pela empresa Túnel Design, de Caxias do Sul.

Os melhores vinhos do Vale dos Vinhedos

08 de junho de 2010 2

Grupo de degustadores passou quatro horas definindo os vencedores em exames às cegas

Tem sido bastante comum noticiarmos aqui no blog os prêmios que os vinhos brasileiros recebem no Exterior. Mas é importante também destacar as medalhas conquistadas dentro do próprio país. Por isso, abaixo está a lista de vencedores do 2º Prêmio Vinhos do Vale dos Vinhedos, celebrado na última sexta-feira.

As três vinícolas vencedoras, Miolo, Pizzato e Don Laurindo, receberam os troféus itinerantes elaborados pelo escultor gaúcho Bez Batti. As cantinas que levaram o prêmio no ano passado (Pizzato, Miolo e Cordelier) passaram as peças adiante, as substituindo pelos troféus definitivos. Se houve confusão sobre esse troca-troca, eis a explicação: em 2009, Pizzato foi considerada a dona do melhor tinto, e Miolo, o melhor branco. Como nesse ano elas inverteram os papéis, ninguém avançou na meta de vencer na mesma categoria por três anos seguidos e manter a escultura de Bez Batti para sempre na estante.

Seguem os vencedores de 2010:

- Tinto: Merlot Terroir Safra 2009, Miolo Wine Group
- Branco: Chardonnay 2009, Vinícola Pizzato
- Espumante: Brut Don Laurindo

O bacana do concurso é que o regulamento definiu como requisitos as normas da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos (D.O.V.V.), a ser sacramentada ainda este ano, esperançosamente em setembro. Sendo assim, os 25 degustadores que formaram o júri tiveram uma prévia da qualidade a ser apresentada pelos produtos que se encaixarem na D.O.V.V. Confira algumas dessas regras:

- Tintos: Merlot com 85% da varietal. Assemblages com, no mínimo, 60% de Merlot + Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon ou Tannat
- Brancos: Chardonnay com 85% da varietal. Assemblages com, no mínimo, 60% de Chardonnay + Riesling Itálico
- Espumantes: Brancos ou rosados, devendo conter, no mínimo, 60% das uvas Chardonnay e/ou Pinot Noir + Riesling Itálico
- Em todos os casos, as uvas têm de ser procedentes da região demarcada do Vale dos Vinhedos, e as operações de vinificação, engarrafamento e envelhecimento devem ser realizadas em vinícola instalada no Vale.