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Posts com a tag "ExpoVinis"

O vinho festivo da Don Laurindo

19 de março de 2011 0

Ademir (esq.), Laurindo e o novo rótulo. Foto: Júlio Gobatto, divulgação

Não é que estejamos tentando esvaziar a pauta de lançamentos nacionais da ExpoVinis (maior evento enológico do Brasil, agendado para 26 a 28 de abril), mas uma vez que eles chegam antes à coluna Enoteca, não seria justo com os leitores mantê-los em segredo até a feira. E especificamente neste caso, qualquer reclamação seria injusta, pois antecipamos a apresentação do Don Laurindo Comemorativo ainda em maio do ano passado.

Como o nome denuncia, por trás da criação deste produto está a festa de 20 anos da vinícola e de 80 do patriarca da família Brandelli, o próprio Laurindo. Quando degustado em 2010, época em que a garrafa nem tinha rótulo, já era possível especular que tannat e ancellotta fizessem parte da fórmula. Não estávamos errados, mas além dessas duas variedades há mais três: merlot, malbec e cabernet sauvignon.

A quantidade de cada, no entanto, seguirá um mistério. Nem tanto por estratégia, mas porque o enólogo Ademir Brandelli admite não saber as proporções da assemblage (mistura de uvas). Na safra de 2008, quando idealizou o Comemorativo, ele simplesmente escolheu os cachos com melhor maturação de seus vinhedos, fez o desengace manual e deu início à maturação. Depois o vinho ainda passou por envelhecimento de 12 meses em barricas novas francesas e o posterior amadurecimento em garrafas.

Tão peculiar quanto o método de elaboração é a forma que Brandelli escolheu para definir o preço. O rótulo custa 100 euros, obedecendo a cotação diária da moeda, ou seja, seu valor oscila conforme o câmbio. O preço é alto, mas o escoamento do estoque não é uma preocupação. Tanto que das 2.680 unidades, somente 1.980 serão vendidas. A apresentação oficial será mesmo na ExpoVinis, mas clientes mais afoitos já podem fazer pedidos pelo site da vinícola.

Viapiana vai com um tinto e um verde para a ExpoVinis

06 de março de 2011 0

A Viapiana, de Nova Pádua, embarca para a ExpoVinis com duas novidades na bagagem, um tinto e um branco. Ou melhor, um verde. O Viapiana Green, feito com uvas sauvignon blanc e chardonnay colhidas na última safra, é inspirado nos vinhos verdes portugueses. Ou seja, o consumidor pode esperar por acidez acentuada, frescor e álcool leve (em torno dos 11%). É uma proposta para o verão. O próximo, obviamente, pois hoje o produto ainda está em tanques na cantina.

Quem já chegou à garrafa é o marselan 2009 que a vinícola pretende apresentar na feira. É um vinho para os pacientes. Não que já não possa ser degustado, mas sua acidez e a estrutura dos taninos indicam que ele vai melhorar com o tempo. Elaborado com uma uva pouco óbvia na Serra, traz um interessante aroma vegetal e de especiarias. O carvalho é um tanto opressor logo que cai no cálice. Aí mais uma vez é preciso ter paciência, pois alguns minutos de aeração são suficientes para equilibrar os elementos olfativos. Mesmo com apenas 12,5% de álcool, é encorpado e sugere harmonização com carnes assadas, talvez com uma marinada de ervas que combine com aquele tom vegetal.

Reforma na cantina deu início à modernização da marca. Foto: Luiz Chaves, divulgação

Os produtos serão os primeiros a chegar às lojas com o selo que comemora os 25 anos da Viapiana. Porém, mais do que celebrar o passado, a marca está de olho no futuro. Este é o ano em que a modernização da marca, iniciada em 2009 com a reforma da vinícola, deve ser consolidada. Outras ações, como novos investimentos na cantina e o plano de abrir cursos voltados aos visitantes, confirmam esse movimento.

O catálogo de produtos também vai sofrer ajustes, entre os quais se destacam o retorno de um varietal chardonnay e a estreia de um espumante brut feito com a mesma uva pelo método champenoise. A técnica, pela qual a segunda fermentação da bebida ocorre já na garrafa, começará a ser empregada já este ano, e em 2012 vai substituir integralmente o método charmat (fermentação em autoclaves).

A ExpoVinis está chegando

05 de março de 2011 0

Todas as pessoas envolvidas com vinho no país — seja as que produzem, as que importam ou as que simplesmente levam a degustação a sério — têm o mesmo compromisso agendado para 26, 27 e 28 de abril. Nesses três dias, a ExpoVinis Brasil 2011 vai concentrar as atenções do setor no Expo Center Norte, em São Paulo. A feira é o principal palco de lançamentos de vinícolas nacionais e importadoras. Mas antes de desembarcar na feira e no mercado, alguns desses rótulos chegam à coluna Enoteca. Fiquem de olho.

Costevence 2008, um rosé de personalidade

01 de setembro de 2010 0

Prometo que da próxima vez faço a foto com a garrafa ainda cheiaAntes tarde do que nunca! O vinho consumido no final de semana que gostaria de destacar aqui é um rosé da Provença. Eu sei: os rosés, de forma geral, já são vistos com certa desconfiança por alguns enófilos. Os da Provença, então, nem se fala. Por lá a tradição nesse tipo de bebida é grande, o que seria um ponto positivo a favor do rótulo. No entanto, dentro do universo de vinhos franceses, eles são os mais desprezados, por serem ligeiros, leves, fáceis.

Se para você todo vinho deve ser acompanhado de meditação, esqueça este aqui. Mas se vinho por mera diversão faz a sua cabeça, procure o Costevence 2008 elaborado pela associação de produtores chamada Les Maîtres Vignerons de la Presqu'ile de Saint-Tropez. Algumas das características eu já adiantei acima. O rótulo fala em aroma frutado. De fato, estão lá. Mas confesso que achei mais interessantes os tons florais extraídos dessa mistura de 50% Grenache, 50% Cinsault. Os 13% de graduação alcoólica são adequados à leveza deste rótulo, que chegou a mim durante a ExpoVinis 2010.

O acompanhamento foi um salmão com ervas feito no forno, aspargos e arroz com leite de coco. A acidez do vinho conseguiu inclusive driblar o forte sabor dos aspargos, geralmente um vilão nas tentativas de harmonização. Mas digo que a situação ideal para o consumo nem seria na mesa de refeições, mas como passatempo para uma tarde quente. Estava curioso e não consegui esperar nem a primavera, quem dirá o verão. Mesmo assim, valeu a pena.

Safra de novidades na Casa Valduga

11 de julho de 2010 1

Quem visitou a última ExpoVinis ou acompanhou a cobertura pelo Enoblog (pioneiro.com/enoblog) deve ter sentido falta de novidades por parte da Casa Valduga. Para uma vinícola que em 2008 revelou o Storia safra 2005 (ao lado) e, no ano seguinte, veio com o Villa Lobos, ela chegou tímida na última edição do evento, fazendo basicamente a apresentação oficial do Storia 2006 e do frisante Naturelle. Pois o que pode parecer limitação no portfólio é parte de uma política que não se prende a feiras, explica o gerente de marketing Fabiano Olbrisch.

"Não quero ter a obrigação de toda vez surgir com algo melhor do que no ano anterior", afirma, fazendo uma ponderação pertinente se levarmos em conta que o mundo do vinho oscila muito de uma safra para a outra.

Para provar que não se trata de justificativa barata, está prestes a chegar ao Brasil o português que vai completar a família Mundvs. A exemplo dos projetos na Argentina e no Chile, este vinho alentejano foi idealizado por enólogos da Valduga, mas processado no Exterior.

Além disso, o cabernet sauvignon e o chardonnay da linha Premivm em breve estarão disponíveis em meia garrafa, uma estratégia da cantina para maior penetração em restaurantes. Sem contar o espumante que neste momento fermenta nas caves da cantina e que promete superar em qualidade o Casa Valduga 130. Olbrisch ainda faz mistério sobre o produto, sem revelar as variedades que o compõem e quando ele chega ao mercado. Quem sabe não é a surpresa para a ExpoVinis 2011?

Viagem no tempo com garrafas históricas

16 de maio de 2010 2

foto: Orestes de Andrade Jr, divulgação

Algo incomum aconteceu no final do dia de abertura da ExpoVinis Brasil 2010. Ao deixar a feira ao lado de Ademir Brandelli, diretor e enólogo da Don Laurindo, fui por três vezes confundido com um de seus filhos em menos de cinco minutos. O equívoco, que automaticamente virou piada, não me rendeu qualquer cota na herança, mas garantiu o convite para visitar a vinícola e participar de uma degustação de garrafas antigas da marca, verdadeiras relíquias guardadas com muito carinho por Brandelli.

A viagem ao passado começou pela safra de 1991 com um cabernet sauvignon, o primeiro vinho da cantina voltado ao mercado _ e não ao consumo de familiares e amigos. Para uma bebida com quase 20 anos e elaborada com técnicas bem menos apuradas do que hoje (vinhedos em latada, grande produção por planta, fermentação em pipas de madeira), foi impressionante ver sua conservação. O que mais denunciava sua idade era a cor, de bordas granada, e o aroma, que apontava redução, apesar de preservar notas de mentol e tabaco. Incrível mesmo foi senti-la na boca, onde se mostrou saudável, leve e agradável, com acidez ainda presente.

A segunda parada foi um tannat 1995, pioneiro no Brasil, segundo Brandelli. No nariz, lembrou couro e um herbáceo que poderia inclusive remeter a produtos jovens. Com o tempo surgiram chocolate e frutas vermelhas bem maduras. Ao primeiro gole, os taninos se mostraram extremamente redondos, proporcionando uma experiência pra lá de agradável. Isso que nem era um vinho de muito corpo, provavelmente por causa das já mencionadas técnicas mais rudimentares de elaboração (o mesmo foi observado na amostra anterior).

As melhores surpresas viriam com o merlot 1996 e o assemblage (40% merlot, 30% cabernet sauvignon e 30% tannat) 1999. Os dois traduziam perfeitamente a contribuição do tempo na enologia. O primeiro a demonstrou por meio de complexidade e elegância no olfato e no paladar. Sensações como um ataque doce na ponta da língua o deixavam ainda mais misterioso e divertido. Já o segundo foi revelando suas principais características conforme respirava. Sendo, até então, o único a passar por barricas de carvalho, trouxe aromas de geleia e baunilha, e na boca explodiu em equilíbrio de acidez e tanicidade.

Para fechar a programação oficial da noite _ outras garrafas viriam na forma de bônus _, chegou a vez de um vinho que nem foi lançado. Brandelli antecipou em primeira mão o rótulo que em 2011 vai comemorar os 20 anos da vinícola e os 80 de seu pai, Laurindo. Porém, tudo que o enólogo revelou é que é um corte de mais de três uvas, todas produzidas 100% pela cantina, está há um ano e meio engarrafado e foram feitas 1.850 garrafas. Pela degustação é possível especular que ancelota e tannat estejam lá. Mas até a próxima ExpoVinis a fórmula seguirá como um segredo de família _ e o fato de eu não saber prova de uma vez por todas que não sou filho do enólogo.

Degustação desorientada com Amaury Dumbo e Fredy Mercury Prateado

11 de maio de 2010 0

Com tamanha repercussão do post sobre a participação do pessoal do Pânico! na ExpoVinis, nada mais justo do que disponibilizar o vídeo abaixo pra quem perdeu o programa.

O que tem a ver com a feira é essa parte acima, mas a matéria seguiu adiante, com a entrega a domicílio dos bêbados. Quem quiser conferir a sequência, pode clicar aqui.

Estreia nacional com chave de ouro

10 de maio de 2010 0

A estreia oficial da Federação Sommelier Internacional do Brasil (FSI-Brasil) fora do Rio Grande do Sul não poderia ter sido melhor. Ao comandar a degustação Para Saber o Sabor dos Vinhos do Brasil, em parceria com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), durante a ExpoVinis, o grupo ganhou projeção nacional - movimento que tende a aumentar, levando em conta que a mesma programação vai circular pelo país divulgando a qualidade dos rótulos brasileiros.

Prova do bom cartaz conquistado pela entidade gaúcha é essa participação de seu presidente, Jefferson Sancineto Nunes, em uma das reportagens produzidas pela Rede Globo, veiculada na Globo News. Para conferir, é só clicar no frame abaixo.

Pânico! no mundo do vinho

09 de maio de 2010 1

Foi ao ar na noite deste domingo a intervenção que a equipe do programa Pânico!, da Rede TV, fez durante a ExpoVinis, em São Paulo. Amaury Dumbo e o Fredy Mercury Prateado percorreram os corredores da feira no segundo dia, 28 de abril, e brincaram com expositores e público.

Entre os destaques da matéria estavam a pegação de pé com Galvão Bueno, que estava no estande da Miolo lançando seus vinhos, e a piada do "vinho seco Maradona" (pó de suco de uva).

A presença dos comediantes parou a ExpoVinis. A presença deles por lá, o teor das piadas (nada de sacanear quem gosta de vinho) e o grande interesse dos presentes são mostras de que o vinho já não é um assunto tão elitizado assim. Ainda bem.

Só pra esclarecer que este texto foi atualizado por volta das 22h30min de domingo, quando o programa estava indo ao ar. Se alguém viu a versão anterior e não tinha entendido a mudança, agora já sabe.

Amor e ódio dentro da garrafa

06 de maio de 2010 1

Em apresentação provisória, produto idealizado pelo narrador esportivo foi revelado durante a ExpoVinisÉ até injusto destacar um entre os tantos produtos apresentados durante a ExpoVinis Brasil, mas há um rótulo que se realçou naturalmente, e por critérios que não necessariamente têm a ver com qualidade. Não que seja ruim, pelo contrário, mas o Bueno Paralelo 31, do narrador esportivo Galvão Bueno, chama a atenção, antes de tudo, pela tietagem que trouxe à vitivinicultura nacional.

Corte 60% cabernet sauvignon, 30% merlot e 10% petit verdot, o produto está sendo elaborado com uvas cultivadas pela família Miolo, parceira no projeto. Dessa união sairá ainda o Bueno Cuvée Prestige, espumante 50% chardonnay e 50% pinot noir. De acordo com o apresentador, lhe falta paciência para esperar que sua recém-adquirida propriedade em Candiota, na Campanha, produza frutos, apesar de essa ser uma paixão antiga, segundo ele. A pressa, no entanto, não foi suficiente para que Galvão aceitasse a proposta de compra de uma pequena vinícola no Vale dos Vinhedos, que lhe teria sido oferecida. Aconselhado pelo enólogo Adriano Miolo, resolveu erguer do zero a Bellavista Estate, de onde os primeiros vinhos devem sair a partir de 2014, safra 2013. Até lá, a cantina de Bento Gonçalves seguirá produzindo o rótulo com sua própria matéria prima.

"A origem disso tudo é o amor pelo vinho, amor que se transformou no desejo de fazer algo de qualidade", explicou Bueno, depois emendando que, apesar de ser movido a paixão, o projeto é "100% business".

Mundo afora, não é pequena a lista de celebridades que estampam seus nomes em garrafas. Segundo Miolo, a ideia é trazer para o mercado brasileiro esse conceito de vinho de autor. Ele acredita que isso ajudará não apenas a vinícola que leva seu sobrenome, mas também a vitivinicultura nacional, pela diversificação de modelos de negócio. Mesmo sabendo que o nome do narrador desperta tanto simpatia quanto rejeição, o enólogo despista:

"A gente vai fazer o vinho pra quem gosta dele."

De fato, se alguém sair dizendo que o Bueno Paralelo 31 é ruim, é motivado por aversão ao trabalho de Galvão. A esta altura, o rótulo apresenta nariz complexo, com uma certa sobreposição da uva merlot. Na boca ele traz taninos ainda ásperos, mas de boa estrutura. Apesar de ser inspirado na região de Bordeaux, ele tem potência chilena, ou seja, um perfil menos discreto do que os franceses, com forte ataque frutado, mais ajustado ao gosto brasileiro. A previsão é de que chegue ao mercado com preço entre R$ 50 e R$ 70, e se o vinho conseguir repetir o assédio que foi dispensado ao narrador durante a ExpoVinis, não vai faltar quem compre.