
Além de chopp, caipirinha e cerveja, há uma bebida diferente borbulhando em casas, bares e restaurantes. É o vinho frisante, cujo consumo ferveu no ano passado: de janeiro a novembro, a venda saltou 132%, comparada a igual período de 2008. Atenta ao gosto do consumidor, a indústria prepara novos atrativos e deve alcançar a marca de 1 milhão de litros despejados no mercado em 2010.
Administradora de um restaurante em Porto Alegre, Graziela Tizotti experimentou no verão passado e aderiu. Apreciadora dos brancos, Graziela provou um tinto na quarta-feira à noite, em um bar da Rua Padre Chagas, na Capital, onde comemorava o reencontro com uma amiga que mora na Alemanha e voltou ao Brasil em férias.
"É muito refrescante, combina com o verão" atestou Graziela.
Consumidora quase "desde sempre" de espumantes, a empresária Rose Oliveira descobriu os frisantes numa viagem a Punta del Este em 2000. Adotou a bebida para receber amigos antes de sair para jantar, como planejava na quinta-feira, em Atlântida. Rose também manteve o hábito de degustar espumantes com a sócia Cirlei Werhli.
Nas prateleiras, os frisantes não são necessariamente uma novidade. A linha Sunny Days, lançada pela Almadén há mais de uma década, agora está sob o guarda-chuva da Miolo Wine Group. E será revitalizada, avisa William Iafelice, diretor comercial da Região Sul da Miolo.
"É uma grande aposta. É o primeiro frisante de expressão, e nossa ideia é trabalhar forte, porque é fácil de beber, tem um frescor que combina bem com público jovem", justifica Iafelice.
Lançado em 2005, o Marcus James Happy Hour, da Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, só agora ganhou popularidade, conta a gerente de marketing, Lourdes Consi da Silva:
"Houve uma descoberta pelo consumidor. Estava no mercado, mas não tinha tanta atenção. O boom foi no último ano. Foi só colocar na boca do consumidor para perceber que é um produto leve e refrescante, que combina muito com o Brasil."
Só no Sul, com inverno frio, o frisante é produto de verão. No resto do país, a procura de ano inteiro surpreendeu a Salton, de Bento Gonçalves.
"Estava preocupado com esse mercado, mas foi um sucesso" relata o presidente Daniel Salton.
Quando a Salton lançou o Lunae, no primeiro semestre de 2008, 50 mil caixas saíram em seis meses. No ano passado, as vendas chegaram a 160 mil caixas e, em 2010, a expectativa é atingir ao menos 250 mil.
O sucesso inspirou a Casa Perini, de Farroupilha, que ainda neste verão apresenta seu Tropicale, avisa Pablo Onzi Perini, gerente de marketing. Feito com uvas moscatel, o rótulo integra projeto da Associação Farroupilhense de Produtores de Vinho, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin), que busca indicação de origem para três produtos: vinho normal, espumante e frisante. Com apoio da Embrapa Uvas e Vinhos, explica João Carlos Taffarel, diretor técnico da Afavin, pretende obter o selo de qualidade e procedência até 2012.
Postado por Maurício Roloff,
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