
Alan Rickman vive inglês que revelou ao mundo os vinhos da Califórnia. Foto: Califórnia Filmes, divulgação
Desde Sideways _ Entre Umas e Outras, lançado em 2004, o cinema não contemplava os apreciadores de vinho com um filme que trouxesse a bebida como argumento principal. Ainda que tenha passado batido pelas salas de exibição brasileiras, O Julgamento de Paris chega agora ao país em DVD para suprir a carência dos enoapaixonados.
A obra, de 2008, conta como rótulos norte-americanos surpreenderam críticos franceses em uma degustação às cegas realizada em Paris, em 1976, superando inclusive os vinhos que jogavam em casa. Esse marco na história da vitivinicultura mundial é contado pelo diretor Randall Miller, mas o roteiro não fica só no concurso. Aborda desde a descoberta da produção dos Estados Unidos, a preparação do certame e sua repercussão. Entre os nomes mais conhecidos do elenco estão Alan Rickman e Bill Pullman.
O filme é baseado no livro de mesmo nome escrito por George M. Taber, título obrigatório na estante dos seguidores de Baco.
Pra quem ainda tá curioso a respeito, segue abaixo a crítica feita por Marcelo Perrone, do Segundo Caderno de ZH, e o trailer do filme.
Provar para crer
Um bom tema para puxar assunto entre apreciadores de vinhos sem apelar para a afetada ladainha de impressões degustativas e olfativas, o filme O Julgamento de Paris, inédito nos cinemas do país, chega em DVD.
É o tipo de produção que interessa menos por suas qualidades cinematográficas e mais pela curiosa e pouco conhecida, para os leigos, história que conta.
No dia 24 de maio de 1976, os franceses amargaram em plena Paris uma de suas mais dolorosas derrotas ao descobrir que não faziam os melhores vinhos do mundo. Dirigido por Randall Miller, O Julgamento de Paris (Bottle Shock,EUA,2008) acompanha os bastidores da degustação às cegas da qual saíram vitoriosos, para espanto do júri composto por renomados experts franceses, rótulos do Napa Valley, a região vinícola da Califórnia. O episódio marcou a abertura do mercado internacional do vinho à produção do Novo Mundo — EUA,Chile, África do Sul e Austrália,entre outros países.
Quem testemunhou e divulgou para o mundo o céu desabar sobre a autoestima gaulesa, já que a imprensa local tratou o assunto como segurança de Estado, foi o jornalista George M. Taber, à época correspondente em Paris da revista americana Time — ele é autor do livro homônimo lançado no Brasil pela editora Campus.
No filme,a história é contada pelo ponto de vista do inglês Steven Spurrier (Alan Rickman), comerciante de vinhos em Paris que,atento às notícias das boas safras na costa oeste dos EUA, decide promover o desafio. Ele parte em busca dos melhores tintos e brancos do Napa Valley e lá conhece, entre outros viticultores, Jim Barrett (Bill Pullman) e seu filho hippie Bo (Chris Pine),que produzem um chardonnay de cair o queixo.
Sem buscar nenhum tipo de arrebatamento narrativo — a histórica degustação ocupa espaço menor que o sugerido no título —, O Julgamento de Paris é pontuado por um toque de humor, que brinca com os estereótipos do americano bronco, do inglês esnobe e do francês pedante. Para quem se interessa pelo tema mais a fundo, o filme faz referências às especificidades que jogam a favor dos vinhos americanos. Mas a"mensagem"é simples e direta: o prazer diante de uma taça de vinho não deve ser determinado por rótulos e certificados de origem.Os franceses acreditavam nisso e se deram mal.
A propósito, os dois vencedores do desafio foram o Chateau Montelena Chardonnay 1973, dos Barrett, entre os brancos, e o Stag's Leap Wine Cellars Cabernet Sauvignon 1973, também dos vinhedos do Napa, entre os tintos.O lançamento é da Califórnia Filmes.




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