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Posts com a tag "safra 2011"

O vinho com a cara da meia-estação

28 de março de 2011 0

A chegada do outono e a imediata queda nas temperaturas fazem com que os tintos recuperem seu poder de sedução junto ao público. A transição perfeita entre brancos e espumantes mais refrescantes e os vinhos encorpados pode ser feita pelos rótulos elaborados com a variedade gamay, os primeiros a serem lançados a cada safra e que devem chegar ao mercado nas próximas semanas.

Inspiradas nos produtos feitos na região francesa de Beaujolais, vinícolas brasileiras vêm investindo nessa uva para obter bebidas leves, frutadas e que devem ser degustadas assim que lançadas, sem envelhecimento em carvalho ou garrafa. Os resultados têm melhorado a cada colheita. Num ano em que o clima favoreceu variedades que amadurecem cedo, essa pode ser uma ótima surpresa nacional.

Memórias de 2005...

14 de fevereiro de 2011 0

Em 2005, quando o setor registrou a melhor safra em termos qualitativos, o Estado também havia sido atingido pelo fenômeno La Niña, como agora. Mas além dos aumentos de volume e de qualidade, os produtores festejam o acréscimo no preço mínimo da uva. Entre 2007 e 2010, os agricultores receberam os mesmos R$ 0,46 pelo quilo da variedade isabel. Muitos chegaram a comercializar a fruta por valores menores do que o estipulado pelo governo. Para esta safra, o preço foi reajustado para R$ 0,52, um ganho de 13%.

— Está sendo prometido pelo mercado para algumas variedades, como bordô, niágara e moscato, um preço maior do que o mínimo. O produtor pode ganhar mais pela qualidade, pelo volume e pelo preço que aumentou. Algumas variedades poderão alcançar um valor 20% maior do que o do ano passado. Tudo isso traz um novo ânimo para o produtor — acredita o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin.

Esse novo cenário também gerará dividendos para a indústria.

— O setor todo está com um desempenho bom. A questão do volume deve atender à expectativa do produtor em ganhar mais, assim como o preço e a sanidade da uva. Este ano, se vê um otimismo maior em toda a cadeia produtiva — entende Júlio Fante, presidente do Ibravin.

Conforme ele, não é possível estimar quanto, percentualmente, o maior volume de uvas colhidas deve refletir no aumento da produção de vinhos, sucos e espumantes, e nem se isso poderá gerar problemas de escoamento dos produtos. Mas o presidente do Ibravin garante que toda a uva será absorvida pelas cantinas.

Com conteúdo de Kelly Isis Pelisser

Otimismo com cautela na Serra

14 de fevereiro de 2011 0

Foto: Juan Barbosa

Uma série de fatores colabora para que esta safra da uva seja celebrada como o ano da volta do otimismo no setor. O fenômeno La Niña trouxe o clima perfeito para a produção de um volume maior da fruta e com boa qualidade. Conjugado a isto está o aumento do preço mínimo pago aos produtores, após quatro anos de congelamento. Embora algumas lideranças tentem ser mais cautelosas, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) projeta uma produção entre 20% a 25% maior do que na última safra. Se a previsão for confirmada, esta vindima poderá ser a maior da história.

Em 2010, o Rio Grande do Sul colheu 526,89 milhões de quilos de uva, valor inferior aos dois anos anteriores. Já é certo que a safra deste ano ganhará um incremento em relação à última, mas se ela ultrapassará em volume a de 2008, a maior da década, só as próximas semanas dirão. Naquele ano, 634,04 milhões de quilos da fruta foram processados pela indústria. Para que a quantidade se repita, é necessário que não haja queda de granizo ou chuvas constantes daqui para frente, já que muitas variedades ainda estão em processo de maturação. Mesmo assim, a projeção do Ibravin é atingir 640 milhões de quilos.

— É cedo ainda, mas tudo indica que este crescimento se confirma. Trabalhamos com previsões, mas temos um quadro bem interessante agora — estima o presidente do Ibravin, Júlio Fante.

Já o coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, prefere ser mais cauteloso:

— Pelo que tudo indica, será uma safra maior do que a do ano passado. Mas não será uma supersafra. Com a área que temos hoje no Estado, entre 38 e 40 mil hectares plantados, poderíamos chegar aos 800 milhões de quilos, mas ainda estamos muito longe disso — aponta.

O aumento de volume da produção em relação a 2010 se deve ao clima dos últimos meses, com pouca chuva. Períodos muito úmidos favorecem a proliferação de fungos, problema enfrentando em anos anteriores.

O tempo mais seco também proporciona frutas com mais açúcar e, por consequência, produtos derivados, como vinhos, sucos e espumantes, de melhor qualidade.

Fante considera que esta será uma boa safra, mas que, no momento, é difícil projetar se irá superar a de 2005, considerada a melhor em qualidade da última década.

— Para falar em safra excepcional, só depois de colhida. Mas boa será, com certeza — diz Fante.

Ao que tudo indica, em maio, quando devem chegar às prateleiras os primeiros vinhos brancos jovens produzidos a partir de uvas desta safra, os consumidores e, principalmente, a cadeia produtiva terão o que brindar.

Com conteúdo de Kelly Isis Pelisser

Antes e depois em Santa Catarina

08 de fevereiro de 2011 1

O Enoblog não é bairrista. Tanto que acompanha a safra 2011 de todas as regiões vitivinícolas do Brasil, e não só da Serra. Pra provar, aí vai um panorama do desenvolvimento de parreirais na região de São Joaquim, o centro da produção enológica catarinense. As imagens foram gentilmente enviadas pela Vinícola Pericó.

Vale dos Vinhedos colhe otimismo

07 de fevereiro de 2011 0

O presidente da Associação de Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos, Rogério Valduga, participou da abertura oficial. Foto: Daniela Xu

O cheiro doce exalado pelos parreirais no interior de Bento Gonçalves anuncia: é tempo de vindima no Vale dos Vinhedos. A celebração de abertura do período de colheita da uva no maior polo vitivinícola do Estado ocorreu oficialmente no sábado, com programação especial promovida pelo Hotel Villa Michelon e pela Associação de Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale).

Mesmo com a chuva no  final da tarde de sábado, a programação contou com passeio ciclístico (antecipando uma atividade que deve ser bem mais difundida assim que a proposta da construção de uma ciclovia no Vale dos Vinhedos for concretizada), com colheita e pisa de uvas simbólicas, bênção dos parreirais e o filó, tradicional festa onde  jogos, danças e culinária italianas ganham destaque.

Mais de 40 mil visitantes são aguardados neste ano durante a realização da vindima, que deve ir até meados de abril. Durante os 12 meses de 2010, a região foi destino para 200,5 mil pessoas, o que representa um aumento de 10% em relação ao ano anterior. E, se depender do novo presidente da Aprovale, Rogério Carlos Valduga, as mais de 30 vinícolas que integram o Vale dos Vinhedos terão ainda mais motivos para comemorar.

Valduga tem 44 anos e assumiu a presidência da Aprovale na virada do ano. Ele é proprietário da boutique de vinhos Torcello, que iniciou os trabalhos em 2000.  Confira o que o empresário falou sobre o setor ao jornal Pioneiro.

Pioneiro: Estima-se que a safra deste ano possa ser em torno de 25% maior do que no ano anterior, tendo em vista que tivemos pouca chuvas e bastante calor. Essa previsão está correta?
Rogério Carlos Valduga: A produção dificilmente vai aumentar. Não queremos milhões de quilos a mais na colheita, queremos qualidade. Os produtores costumam retirar cerca de 30% da uva e descartar, é claro que são escolhidos os piores cachos. Desta forma, todos os nutrientes vão para as frutas que ficaram. Ano passado perdemos muita qualidade por causa da chuva, este ano, a ideia é não perder uva. Não existe safra ruim, e sim safras mais fáceis ou mais difíceis. Este ano, pela qualidade da uva que vamos colher, o processo será facilitado.

Pioneiro: Deve haver problema para escoar a produção?
Valduga:
Não, tudo deve correr dentro da normalidade. Esta deve ser uma safra de bastante qualidade, mas não quer dizer que será uma supersafra em quantidade.

Pioneiro: Quais são os seus projetos à frente da Aprovale?
Valduga:
O grande desafio é manter a marca Vale dos Vinhedos. Queremos trabalhar o setor primário. Precisamos que o pessoal invista na terra, para que seus filhos continuem a atividade. Faremos a manutenção do trabalho realizado até hoje.

Pioneiro: Como você avalia a expansão do mercado de vinhos com a marca Vale dos Vinhedos?
Valduga:
Hoje, os vinhos que são reconhecidos na comunidade europeia automaticamente ganham reconhecimento no mundo inteiro. É o que tem acontecido conosco, fruto de muito investimento em setores como a tecnologia, por exemplo. Não chegamos até aqui por acaso.

Com conteúdo de Siliane Vieira

Opções para curtir a vindima no Vale dos Vinhedos

02 de fevereiro de 2011 0

Expectativa pela melhor safra da história

26 de janeiro de 2011 0

Previsão de entidades do setor é que a produção supere o ano de 2005 tanto em qualidade quanto em quantidade. Foto: Alexandre Teixeira, divulgação

Os cachos viçosos que começaram a deixar os parreirais no início do mês anunciaram o início da vindima no Estado. O panorama não poderia ser melhor: uvas de excelente qualidade e expectativa de a melhor safra da história. Conforme previsão do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), a quantidade colhida deve aumentar de 20% a 25% (e não mais 15%, como previsto inicialmente) em relação à safra passada.

Se mantidas as condições favoráveis de clima — com pouca chuvas, calor e sem ocorrência de granizo —, o presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, Júlio Fante, projeta tirar dos vinhedos gaúchos mais de 640 milhões de quilos da fruta.

A maior safra já colhida no Rio Grande do Sul ocorreu em 2008, com a produção de 634 milhões de quilos de uva, conforme o Ibravin. No ano passado, a quantidade foi mais modesta: 526,8 milhões de quilos. Em termos de qualidade, Júlio Fante explica que 2011 deve ser igual ou melhor do que 2005, considerado o melhor da década. Naquele ano, como agora, o Estado foi afetado pelo fenômeno La Niña, que reduz o volume de chuvas.

— O resultado é um clima mais seco, com menos umidade, que favorece a produção de uvas com mais açúcar e, por consequência, a elaboração de produtos de melhor qualidade. Além disso, as empresas estão melhor capacitadas, investiram em novas tecnologias e possuem mais conhecimento para elaborarem produtos superiores — destaca Fante.

Com precipitações espaçadas do La Niña, as vinhas são beneficiadas de duas formas, segundo o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Henrique Benedetti. A chuva escassa afasta preocupações com fungos e bactérias que atingem folhas e frutos devido à umidade e ainda colabora ao concentrar mais açúcar na uva.

Diferente dos vizinhos que aguardam a chuva para trazer vida ao campo, Éder Peruzzo olha satisfeito para os 16 hectares de vinhas plantados em Bagé, uma das cidades mais atingidas pela seca no RS. A previsão dele é de colher 95 toneladas neste ano, 25% a mais do que no ano anterior.

No período de maturação, de dezembro em diante, a quantidade de precipitação em relação à média em duas das regiões produtoras, Campanha e Serra, foi 60% e 61% em dezembro, respectivamente, e 43% e 22% em janeiro. Segundo a Central de Meteorologia, enquanto a média para o último mês do ano na Campanha era de 106mm, choveu cerca de 65mm. Já na Serra, em vez dos 105mm esperados, apenas 63,6mm caíram sobre as videiras.

Seca preocupante? Pra quem?

24 de janeiro de 2011 0

Variedades como a uva chardonnay até já foram beneficiadas com pouca água. Foto: Duda Pinto, Banco de Dados

Se a estiagem provocada pelo fenômeno climático La Niña está tirando o sono dos agricultores no Sul do Estado, na Serra essa redução do volume de chuvas não traz preocupação aos vitivinicultores. Conforme levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho, entre outubro e dezembro, choveu aproximadamente 300 milímetros, cerca 70% da média esperada, de 415 mm.

Essa diminuição, entretanto, não afetou os vinhedos, garante o pesquisador em agrometeorologia José Eduardo Monteiro:

— Pode ter tido algum impacto, mas bem pequeno, em vinhedos de solos rasos, em função da dificuldade de armazenamento de água. Mas, no geral, a falta de chuva não trouxe problemas à cultura na região. Muito pelo contrário. A projeção de aumento da produção em relação à safra passada segue sendo de 15%.

Monteiro acrescenta que, de um modo geral, todas as variedades respondem da mesma forma à quantidade de chuva, pouca ou em excesso. Para as uvas precoces, como chardonnay e riesling, cuja colheita ocorre entre dezembro e janeiro, a estiagem até ajudou, assim como nas uvas intermediárias, que começam a ser colhidas em fevereiro.

As poucas chances de danos podem ocorrer se a estiagem se intensificar e ocorrer nos próximos meses, no período de formação dos cachos das variedades tardias, como a cabernet sauvignon, por exemplo, que deixarão os parreirais até o fim de março.

— O grande problema não é a seca, mas o excesso de chuva na fase de maturação, que diminui a qualidade da uva e facilita a ocorrência de doenças — aponta Monteiro.

Até na região da Campanha, onde a estiagem é mais intensa, os parreirais sofrem menos do que as demais culturas sazonais. A explicação, conforme o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, é o fato de as videiras perenes terem um sistema de raízes bem profundas, que chegam a 1,5 ou dois metros de comprimento, tendo mais condições de buscar umidade no fundo da terra.

Safra de 10% a 15% maior no Vale dos Vinhedos

27 de dezembro de 2010 1

É com expectativa de bons resultados que os vitivinicultores do Vale dos Vinhedos, região que abrange os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, na Serra gaúcha, aguardam o início da próxima safra da uva. Para o período que se inicia nos primeiros dias de janeiro e segue até março de 2011, a previsão é de que a produção seja de 10 a 15% superior a do ano passado, quando foram colhidos 526 milhões de quilos. 

Além de ganhar em quantidade, também há perspectiva de uma qualidade superior a de 2010, ano em que muitas intempéries, como excesso de chuvas, vendavais e granizo prejudicaram as plantações. Também serão conhecidos nesta colheita os primeiros resultados de um programa de assistência técnica desenvolvido junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, que atende a cerca de 600 produtores da região.

Este otimismo já reflete na indústria, que tem anunciado uma alta demanda da matéria-prima dos sucos, vinhos e espumantes. A uva comum, a chardonnay e a resling têm sido as mais procuradas. As recentes precipitações climáticas registradas no mês de dezembro não chegam a preocupar os dirigentes do setor.

— Foi um episódio isolado, e claro que nos preocupamos com os produtores afetados, mas não é nada que comprometa o resultado da safra em geral, que deverá ser muito boa — avalia o diretor executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho), Hélio Marchioro.

O aumento do preço do quilo da uva, que passou de R$ 0,46/kg para 0,52/KG (o que equivale a 13%), é um fator que motiva o vitivinicultor para a nova época de colheita, que há quatro anos não tinha o preço de seu produto reajustado. Embora o valor tenha ficado abaixo do que era reivindicado, os representantes do setor têm a perspectiva de vender seu produto acima do valor mínimo.

Mas nem tudo são boas notícias para a vitivinicultura no Rio Grande do Sul. A entrada de vinhos estrangeiros no país, principalmente do Chile e da Argentina, é apontada como uma das maiores preocupações. 

— Esta entrada de vinhos estrangeiros, todos com taxa de impostos reduzidas, diminui a nossa demanda e prejudica toda a cadeia produtiva, chegando a quebrar algumas empresas. Os governantes deveriam estar mais atentos a isso — afirma a presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Bento Gonçalves, Inês Bettoni.

A Vindima, como é chamada a época da colheita do fruto dos parreirais, também é motivo de forte apelo turístico nos municípios que tem por tradição a produção vitivinícola. No Vale dos Vinhedos, mais de 30 vinícolas estarão abertas para visitação. A Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) espera que a nova safra seja festejada por mais de 40 mil visitantes.

Com conteúdo de Andrei Andrade