
Foto: Juan Barbosa
Uma série de fatores colabora para que esta safra da uva seja celebrada como o ano da volta do otimismo no setor. O fenômeno La Niña trouxe o clima perfeito para a produção de um volume maior da fruta e com boa qualidade. Conjugado a isto está o aumento do preço mínimo pago aos produtores, após quatro anos de congelamento. Embora algumas lideranças tentem ser mais cautelosas, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) projeta uma produção entre 20% a 25% maior do que na última safra. Se a previsão for confirmada, esta vindima poderá ser a maior da história.
Em 2010, o Rio Grande do Sul colheu 526,89 milhões de quilos de uva, valor inferior aos dois anos anteriores. Já é certo que a safra deste ano ganhará um incremento em relação à última, mas se ela ultrapassará em volume a de 2008, a maior da década, só as próximas semanas dirão. Naquele ano, 634,04 milhões de quilos da fruta foram processados pela indústria. Para que a quantidade se repita, é necessário que não haja queda de granizo ou chuvas constantes daqui para frente, já que muitas variedades ainda estão em processo de maturação. Mesmo assim, a projeção do Ibravin é atingir 640 milhões de quilos.
— É cedo ainda, mas tudo indica que este crescimento se confirma. Trabalhamos com previsões, mas temos um quadro bem interessante agora — estima o presidente do Ibravin, Júlio Fante.
Já o coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, prefere ser mais cauteloso:
— Pelo que tudo indica, será uma safra maior do que a do ano passado. Mas não será uma supersafra. Com a área que temos hoje no Estado, entre 38 e 40 mil hectares plantados, poderíamos chegar aos 800 milhões de quilos, mas ainda estamos muito longe disso — aponta.
O aumento de volume da produção em relação a 2010 se deve ao clima dos últimos meses, com pouca chuva. Períodos muito úmidos favorecem a proliferação de fungos, problema enfrentando em anos anteriores.
O tempo mais seco também proporciona frutas com mais açúcar e, por consequência, produtos derivados, como vinhos, sucos e espumantes, de melhor qualidade.
Fante considera que esta será uma boa safra, mas que, no momento, é difícil projetar se irá superar a de 2005, considerada a melhor em qualidade da última década.
— Para falar em safra excepcional, só depois de colhida. Mas boa será, com certeza — diz Fante.
Ao que tudo indica, em maio, quando devem chegar às prateleiras os primeiros vinhos brancos jovens produzidos a partir de uvas desta safra, os consumidores e, principalmente, a cadeia produtiva terão o que brindar.
Com conteúdo de Kelly Isis Pelisser
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