Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "Valduga"

Valduga na Encruzilhada do crescimento

08 de abril de 2011 0

Dono do empreendimento mais bem estruturado da Serra do Sudeste, Juarez Valduga agora busca envolver outros produtores em projeto para criar um polo semelhante ao Vale dos Vinhedos. Foto: Nauro Júnior

Espremida pela falta de áreas para crescer no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, a Casa Valduga iniciou na virada do século uma busca por novas regiões promissoras para a produção de uvas viníferas. Tentou Pernambuco, analisou São Paulo e até fez experiências em Mato Grosso. Mas foi bem mais perto, em Encruzilhada do Sul, que uma das mais conceituadas vinícolas do Estado encontrou solo, clima e preços de terras baratos para erguer um novo projeto.

A missão de desenvolver a nova região coube a Juarez Valduga, diretor-presidente do grupo e um dos três irmãos sócios do negócio. Entusiasta, abraçou a causa como um projeto particular. Para Juarez, embora o potencial da Serra do Sudeste seja reconhecido no mundo da enologia pelos resultados recentes que saíram das garrafas, vocação ainda é pouco divulgada para o grande público. Favorecida pela distância de apenas 160 quilômetros de Porto Alegre, há boas possibilidades de a região também se tornar um novo polo de enoturismo, acredita Juarez.

– Quase não divulgamos a região. A gente se fechou. Primeiro, queríamos ter certeza de que daria certo – explica.

Além de cuidar dos vinhedos que ajudam a Valduga a ganhar medalhas de ouro mundo afora, Juarez se mostra obstinado por envolver na iniciativa as demais vinícolas e os pequenos agricultores que vivem em assentamentos da reforma agrária próximos, onde já incentiva a fruticultura e produtos coloniais. Para Juarez, assim que a Valduga montar o seu projeto, os vizinhos se engajarão na empreitada turística.

– No Vale dos Vinhedos, fizemos isso no início dos anos 90 – compara.

A mais estruturada na região, a Valduga tem hoje degustação e varejo, além dos 170 hectares de vinhedos, que consumiram um investimento de R$ 5 milhões. Agora, prepara a construção de uma pequena vinícola para elaborar uma quantidade limitada de garrafas e de uma pousada, na qual vai apostar mais R$ 1,5 milhão.

Com conteúdo de Caio Cigana

Serra do Sudeste é o Eldorado do vinho gaúcho

07 de abril de 2011 0

Pioneiro da vitivinicultura na região Sul, município de Encruzilhada do Sul atrai indústrias que resgataram potencial econômico e hoje garantem renda a trabalhadores como Gedi e Genezi Medina. Foto: Nauro Júnior

Soa cada vez menos estranho para a população de Encruzilhada do Sul ouvir o sotaque típico dos descendentes de italianos. Atrás de espaço e clima favorável para a produção de uvas viníferas, tradicionais famílias e empresas dedicadas à elaboração de vinhos deixaram Bento Gonçalves e municípios vizinhos para resgatar o potencial da região conhecida como Serra do Sudeste e transformá-la em um dos polos mais promissores da vitivinicultura no país.

No relevo de leves ondulações de Encruzilhada, cantinas de grife da serra gaúcha como Casa Valduga, Lidio Carraro e Chandon começaram no início dos anos 2000 a implantação de vinhedos que hoje dão origem a vinhos internacionalmente premiados e chegam a custar mais de R$ 200 a garrafa.

– A região tem boa ventilação e insolação, o que contribui para a maturação das uvas e é importante para a qualidade do vinho – diz Carlos Paviani, diretor-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

Beneficiadas pela combinação de solo arenoso e um microclima de inverno rigoroso, verão de dias quentes, noites frescas e poucas chuvas, o terroir da Serra do Sudeste trouxe surpresas agradáveis desde a primeira vindima, em 2004, quando os vitivinicultores pioneiros chegaram a obter vinhos com teor de álcool superior a 15%, o que à época levou até a comparações com as vinificações da famosa região do Vale do Napa, na Califórnia. As experiências são exitosas tanto em variedades tradicionais, como carbernet sauvignon e chardonnay, quanto em castas novas no Estado, como a francesa arinarnoa e a portuguesa touriga nacional.

A partir dos resultados das primeiras safras, até mesmo vinícolas gaúchas que não têm vinhedos na Serra do Sudeste correram para adquirir uvas de uma região agora redescoberta.

– Nós acertamos. Os últimos anos foram memoráveis, e esta safra vai ser excepcional – entusiasma-se Juarez Valduga, diretor presidente da Casa Valduga.

Apesar de Encruzilhada ser hoje a face mais visível e recente da vitivinicultura na Serra do Sudeste, outro município da região foi um dos pioneiros na Metade Sul. Em 1976, a extinta Companhia Vinícola Riograndense, então dona da marca Granja União, começou a formar em Pinheiro Machado o Vinhedos San Felicio, hoje da Terrasul, de Flores da Cunha, que ao lado da Almadén, em Santana do Livramento, na Campanha, tem as áreas mais antigas em produção no sul gaúcho. Ambas nasceram com o potencial revelado pelo zoneamento agroclimático para a cultura desenvolvido no início da década de 1970 pelo governo gaúcho. Com o impulso que a atividade ganhou na região, no final de janeiro nove produtores de uvas finas – sendo três vinícolas – de Pinheiro Machado, Piratini e Pedras Altas se uniram para formar a Associação dos Vitivinicultores do Extremo Sul (Vitisul).

– O objetivo é buscar um produto com indicação geográfica – adianta Rossano Lazzarotto, presidente da entidade.

Com conteúdo de Caio Cigana

De onde vem a ressaca?

10 de fevereiro de 2011 0

A gente já tinha dito que entraria no ar por meio da programação da Rádio Gaúcha, mas só agora encontrou um meio de trazer esse conteúdo também para o Enoblog. Já que é a primeira fusão que fazemos entre o quadro Saca-Rolhas e o blog, é justo postar a estreia dessa parceria, que foi ao ar na manhã de 1º de fevereiro. O tema: a ressaca causada pelo consumo exagerado de vinhos e espumantes na festa da virada.

Sabor gaúcho na Holanda

31 de janeiro de 2011 0

Deu um salto de 150% o valor exportado por vinícolas brasileiras para a Holanda em 2010, na comparação com 2009. Segundo levantamento do projeto Wines of Brasil, parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Apex, foram vendidos US$ 250 mil em vinhos nacionais vendidos à Holanda no ano passado, ante US$ 101 mil em 2009.

Empresas gaúchas como Casa Valduga, Lidio Carraro e Miolo estão entre as que mais aumentaram as vendas para o país das tulipas, em boa parte por terem participado de vários eventos durante o ano.

Com conteúdo de Informe Econômico

Avaliação da Avaliação

02 de outubro de 2010 0

Engana-se quem pensa que a Avaliação Nacional de Vinhos é uma festa apenas para enólogos e empresários do ramo. Participar do evento, que teve sua 18ª edição realizada no último sábado, é uma aula para qualquer amante da bebida, não interessa se ainda em fase de aprendizado ou experiente degustador. Além de registrar aquilo tudo que já foi publicado sobre o encontro, a coluna Enoteca ficou atenta a alguns detalhes que merecem ser compartilhados com os leitores.

EM GOLES
- Chamaram atenção os números apresentados pelo presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Christian Bernardi, sobre o evento. Desde sua primeira edição, em 1993, a Avaliação Nacional já analisou mais de 3,7 mil amostras e somou plateia de 10 mil pessoas.
- A diversidade geográfica neste ano foi tão ampla quanto o espetáculo que misturou samba de gafieira, chula e forró no intervalo do evento. Além da Serra, a Campanha, os Campos de Cima da Serra e os Estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia tiveram amostras incluídas entre as melhores 16.
- É possível que em alguns casos os vinhos tenham sido selecionados mais pelo fato de serem de novas áreas produtoras do que pela qualidade. E qual o problema? A “expansão do Brasil vitivinícola”, como colocou Bernardi, é um feito que merece ser celebrado e difundido.
- O grande número de amostras condecoradas combinado com a inclusão entre os 16 vinhos mais representativos da safra 2010 tornou a festa especial para quatro grandes vinícolas: Miolo, Perini, Salton e Valduga. A Salton foi a que mais levou prêmios como marca única (11). A Miolo, porém, bateu essa barreira ao somar os resultados de suas diferentes grifes _ Miolo, Ouro Verde, Seival, Rasip e Almadén chegaram a 17 citações, sendo que três produtos ficaram entre os 16 melhores. O mesmo aconteceu com a Valduga, que levou sete prêmios mas não foi citada individualmente entre os mais representativos. Chegou lá por meio da Domno.
- O vinho com melhor pontuação entre os que foram degustados juntamente com o público (87,5 pontos) foi o Moscato R2, da Perini, produto da categoria branco fino seco aromático que, sob a marca Jota Pe, chega ao consumidor por menos de R$ 10. Preço nem sempre é sinônimo de qualidade.
- Entre as novatas, houve muita comemoração em torno da Góes & Venturini e, sobretudo, da Almaúnica, que já em sua primeira Avaliação Nacional teve três vinhos premiados, um deles escalado para o time dos 16 melhores.

O garrafão do Século 21

29 de setembro de 2010 1

Pode parecer contraditório, mas o aumento do consumo de vinho no Brasil passa por um instrumento que dá folga ao saca-rolhas. Recebidos com desconfiança quando desembarcaram no país, há cerca de cinco anos, os bag-in-box consolidaram seu espaço junto às vinícolas _ embora uma parcela dos bebedores mantenha as restrições. O crescimento na sua aplicação pelo setor mostra que ele é hoje a principal alternativa à garrafa de 750ml.

Composta por um saco de poliéster flexível, acondicionado em uma caixa de papelão (por isso bag-in-box, ou saco na caixa, em inglês), a embalagem é utilizada hoje por 56 cantinas brasileiras para envasar algo em torno de 2 milhões de litros da bebida por ano. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), de 2008 para 2009 as vendas nesse formato saltaram de 85,29 mil litros para 976 mil litros _ volume que em 2010 foi praticamente vencido só no primeiro semestre.

Os principais argumentos a seu favor são a praticidade, já que para obter o líquido basta utilizar uma torneira lateral, e a conservação do conteúdo por mais tempo, garantido pela retração do saco de filme plástico conforme ele é esvaziado, o que impede a entrada de ar. Seu sucesso é sustentado ainda por vantagens menos óbvias, como a versatilidade de uso e a competitividade no preço.

“Um produto em meia garrafa, por exemplo, chega ao consumidor por 75% do valor do recipiente de 750ml. Já no bag-in-box é o contrário, ele dilui o preço da embalagem”, pondera Felipe Bebber, enólogo do departamento comercial da Casa Venturini, ao comparar o desconto que cada plataforma possibilita ao consumidor.

Esse potencial para reduzir preços é visto como uma alavanca na qualificação dos hábitos de consumo do brasileiro.

“Um garrafão de vinho de mesa custa R$ 28. Pela mesma quantia, os clientes vêm preferindo levar quase dois litros a menos, mas de vinho fino no bag”, conta o diretor comercial da Vinícola Perini, Franco Perini, destacando ainda que a tecnologia da caixa também passa uma boa impressão:

“É o garrafão do Século 21.”

Além de fornecer um conveniente instrumento para que os apreciadores tomem a dose diária recomendada pelo médico, o bag-in-box movimenta os números do setor ao abrir caminho para que se crie a cultura da venda em cálice em bares e restaurantes. Essa, aliás, parece ter sido a finalidade idealizada por grande parte das vinícolas ao adotar o formato, mas por enquanto é o cliente final o principal comprador.

“Nos restaurantes há o entendimento de que o cliente prefere ter a garrafa em mãos, ver o rótulo”, explica Perini.

Há vinícolas, no entanto, utilizando a embalagem para fazer bons negócios com empresas do ramo gastronômico.

“Diria que 60% de nossa produção de bag-in-box em 2010 irá para restaurantes”, calcula Bebber, que imagina chegar ao final do ano com a marca de 8 mil unidades.

Dentro dos restaurantes, as taças não são o único destino possível para o vinho encaixotado.

“É comum o uso culinário, na elaboração de pratos”, lembra Nelsir Carlos Kuffel, gerente comercial da Domno do Brasil.

A empresa, um braço do grupo Famiglia Valduga, traz em seu catálogo a primeira marca a empregar o bag-in-box no Brasil, a Alto Vale. A experiência foi tão positiva que outras divisões da companhia estão aderindo à tecnologia. A Casa de Madeira, por exemplo, a utilizou para repetir o pioneirismo, mas com outro produto. Depois de dois anos de estudos e testes, conseguiu lançar um suco de uva na embalagem.

A diretora comercial Juciane Casagrande explica que a dificuldade é que, para manter a bebida como 100% natural, não é permitida a adição de conservantes. Ao mesmo tempo, a purificação por meio do aquecimento impossibilita o envase imediato, pois derreteria o saco de poliéster. A saída foi desenvolver métodos próprios e adequar o produto.

“Na garrafa, temos prazo de validade de dois anos. No bag, são 8 meses. Mas uma vez aberto, o suco se conserva por cerca de 15 dias. Na garrafa ele dura menos”, pondera Juciane.

Vinho: a bebida de todos os deuses

11 de setembro de 2010 0

“Não há celebração, assinatura de tratado de paz ou de guerra sem que uma garrafa de vinho ou espumante esteja sobre a mesa”. A constatação feita pelo sommelier italiano Roberto Rabachino é embasada por séculos de história e ajuda a entender por que a bebida provoca tamanha reverência.

Ela é tão carregada de simbologia que, no campo da religiosidade, consegue ser um ponto de convergência entre as crenças cristã e judaica e ainda servir para matar a sede dos deuses da mitologia greco-romana. Para as vinícolas, estar atento ao potencial sacro do vinho é, mais do que questão de fé, um diferencial estratégico. E como no Olimpo o consumo já não é como antigamente, sai na frente quem se concentra nos dois outros grupos.

Não é à toa que o rótulo mais antigo do catálogo da Salton é o vinho Canônico (foto acima), elaborado há 70 anos sob encomenda para a Igreja Católica no Brasil. Licoroso elaborado ao ritmo de 300 mil garrafas anuais, é utilizado principalmente na celebração de missas, mas tem 20% de sua produção voltada a simples apreciadores, inocentes ou pecadores.

Mistura das uvas moscato (50%), saint emilion (40%) e isabel (10%), traz elevadas graduação alcoólica (16%) e concentração de açúcar, elementos que ajudam na conservação do líquido por mais tempo – característica importante, já que é consumido em pequenas doses ao longo dos dias. A parceria entre a cantina e a Igreja começou em 1940, quando um padre espanhol chamado Franco bateu na porta de Antônio Salton. O sacerdote estava incomodado com o fato de não haver na região um vinho feito unicamente para a comunhão, seguindo especificações católicas.

Atender um grupo religioso em todas as suas particularidades também levou a Casa Valduga a desenvolver um rótulo especial. Desde o ano passado, a vinícola aposta na linha K para ganhar terreno entre os seguidores da fé judaica. A letra identifica os produtos kosher, ou puros, preparados seguindo rígidas leis alimentares e sob supervisão de rabinos. Ao todo são cinco rótulos: dois cabernet sauvignon (um deles pasteurizado), um chardonnay, um espumante demi-sec e outro moscatel.

A adequação para se chegar a esse produto ocorreu de dentro pra fora, ou seja, começou nos métodos de elaboração (na foto acima), o grupo que orientou a Valduga) e culminou nos rótulos, impressos em português e hebraico e nas cores da bandeira de Israel.

Safra de novidades na Casa Valduga

11 de julho de 2010 1

Quem visitou a última ExpoVinis ou acompanhou a cobertura pelo Enoblog (pioneiro.com/enoblog) deve ter sentido falta de novidades por parte da Casa Valduga. Para uma vinícola que em 2008 revelou o Storia safra 2005 (ao lado) e, no ano seguinte, veio com o Villa Lobos, ela chegou tímida na última edição do evento, fazendo basicamente a apresentação oficial do Storia 2006 e do frisante Naturelle. Pois o que pode parecer limitação no portfólio é parte de uma política que não se prende a feiras, explica o gerente de marketing Fabiano Olbrisch.

“Não quero ter a obrigação de toda vez surgir com algo melhor do que no ano anterior”, afirma, fazendo uma ponderação pertinente se levarmos em conta que o mundo do vinho oscila muito de uma safra para a outra.

Para provar que não se trata de justificativa barata, está prestes a chegar ao Brasil o português que vai completar a família Mundvs. A exemplo dos projetos na Argentina e no Chile, este vinho alentejano foi idealizado por enólogos da Valduga, mas processado no Exterior.

Além disso, o cabernet sauvignon e o chardonnay da linha Premivm em breve estarão disponíveis em meia garrafa, uma estratégia da cantina para maior penetração em restaurantes. Sem contar o espumante que neste momento fermenta nas caves da cantina e que promete superar em qualidade o Casa Valduga 130. Olbrisch ainda faz mistério sobre o produto, sem revelar as variedades que o compõem e quando ele chega ao mercado. Quem sabe não é a surpresa para a ExpoVinis 2011?

Vinho brasileiro para inglês beber

20 de junho de 2010 0

Brasil agora conta com um estande permanente na Vinópolis, museu mundial do vinho localizado no coração de Londres

No coração turístico de Londres, junto ao Globe Theatre e à Tate Modern, e às margens do Tâmisa, a Vinópolis está para os amantes do vinho como o Globe para os fãs de Shakespeare e a Tate para os apreciadores de arte contemporânea. Em um passeio que pode se estender por um dia, ou enquanto durar a sobriedade, o visitante tem a chance de degustar vinhos de diferentes países, acompanhado ou não por um guia treinado para iniciar os neófitos nos prazeres da bebida.

Espécie de museu temático, a Vinópolis é um grande estande de vendas e uma vitrina da produção mundial de vinhos. Se estar na Vinópolis é estar no mapa, o Brasil acaba de demarcar suas fronteiras no disputado território da exportação de vinhos. Inaugurado no último dia 21 de maio, na semana em que se encerrou a sexta participação do país na prestigiada London Wine Fair, o estande permanente do Brasil na Vinópolis é a marca mais visível da recente ofensiva das vinícolas brasileiras rumo ao mercado britânico.

Mais do que um dos maiores importadores de vinhos do mundo, a Grã-Bretanha é considerada um mercado chave para a projeção do Brasil como exportador.

“O mercado britânico funciona como uma caixa de ressonância para o resto do mundo”, explica Andréia Gentilini Milan, gerente de exportações do Wines From Brazil, projeto do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover o setor vitivinícola fora do país.

No esforço para conquistar o paladar britânico, vinícolas brasileiras estão se empenhando em desenvolver produtos específicos. A Miolo saiu na frente com a linha Alisios, desenvolvida com embalagem e varietais a partir de especificações do importador na Grã-Bretanha. Para tornar o produto competitivo, fez adaptações que baratearam o vinho, como substituir a rolha pela tampa de rosca. Esse foi o primeiro produto da Miolo criado para o mercado externo.

“Entrar na Grã-Bretanha é como ganhar um green card (visto permanente) para a Europa”, compara Fabiano Maciel, responsável pelo departamento de relações internacionais da Miolo.

A Aurora está no mesmo caminho, trabalhando duas linhas de espumantes – brut e demi sec – a partir das especificações do importador, que pretende colocar os produtos da vinícola em supermercados britânicos nos próximos meses.

“As vinícolas brasileiras precisam do mercado internacional para crescer, é o caminho natural”, explica Rosana Pasini, gerente de exportações da Aurora.

Na última década, a Aurora, que durante anos vendeu o vinho Marcus James para os Estados Unidos, ampliou exportações para países como Alemanha, Holanda, Suécia e Japão. Já a pequena Vinícola Boutique Lidio Carraro, que exporta para 10 países da Europa, além de EUA e Canadá, trabalha apostando nos mesmos produtos em todos os mercados, mas focando a identificação dos vinhos que irão interessar a cada um.
Em comum entre todas as vinícolas, pequenas ou grandes, a percepção de que, para conquistar o mercado externo, o Brasil precisa investir não apenas em qualidade, mas no mapeamento das exigências e dos gostos de quem tem à disposição todos os vinhos do mundo.

Com conteúdo de Cláudia Laitano. A jornalista viajou para Londres a convite do Ibravin

As estratégias das vinícolas

AURORA - Desenvolveu uma linha de espumantes exclusiva para o mercado britânico. Com consultoria do importador e de uma agência de design da Grã-Bretanha, os espumantes têm um corte exclusivo com as cepas riesling, semillon e moscato.

CASA VALDUGA - A empresa da Serra fechou dois negócios na London Wine Fair. Acertou venda para um importador do norte da Grã-Bretanha e outro da Irlanda.

IRMÃOS BASSO - A estratégia para a Grã-Bretanha deve privilegiar os espumantes elaborados pelo método charmat. A vinícola procura importadores para Grã-Bretanha, Alemanha e Canadá.

LIDIO CARRARO - Teve dois vinhos (um tinto e outro branco) incluídos na carta dos dois principais restaurantes japoneses contemporâneos de Londres, o Roka e o Zuma.

MIOLO - A linha Alisios é elaborada especificamente para o mercado britânico. Cultivado na região da Campanha, o Alisios do Seival, tinto e branco, está à venda em supermercados, lojas e pubs da Grã-Bretanha.

PIAGENTINI - Teve dois rótulos aprovados pela Vinópolis, um vinho e um espumante. A vinícola está procurando importador para atender Grã-Bretanha e Irlanda.

PIZZATO - Foi a vinícola brasileira que teve mais rótulos incluídos na Vinópolis. Foram seis vinhos, um branco e cinco tintos, que serão vendidos no Museu do Vinho.

RIO SOL - A vinícola do Vale do São Francisco teve um vinho tinto inserido na Carta do Wetherspoons, maior grupo de pubs da Grã-Bretanha.

SALTON - A aposta da empresa gaúcha para o mercado britânico deve ser em espumantes e vinhos brancos. Nos restaurantes e lojas especializadas, os vinhos finos premium têm uma boa chance de aceitação.

Vinho brasileiro nas alturas

29 de março de 2010 0

À primeira vista, um rótulo ser associado a comida de avião não é lá muito positivo, levando em conta que os cardápios servidos a bordo são geralmente alvos de críticas, perdendo em desprezo apenas para a culinária hospitalar. Mas para as vinícolas, a inclusão na carta de uma companhia aérea pode ser uma ótima oportunidade, e uma marca brasileira acaba de dar um importante passo nesse mercado.

Embora a negociação não esteja fechada, o Salton Volpi Chardonnay teve seu embarque autorizado nas aeronaves da empresa alemã Lufthansa. E outras três cantinas nacionais (Boscato, Casa Valduga e Miolo) estão em fila de espera, contando com a indicação do master of wine Markus Del Monego e o peso dos prêmios recebidos na Anuga Wine Special, feira realizada na Alemanha no final do ano passado. Com essas referências, as vinícolas gaúchas esperam também ser credenciadas pela Lufthansa.

Como voar nem sempre é barato, estar presente nas refeições nas alturas significa se aproximar de um público de poder aquisitivo interessante para qualquer cantina, por isso a disputa por uma vaga. Existe inclusive um concurso internacional que anualmente indica as melhores seleções enológicas das companhias aéreas. O Cellars in the Sky Awards é promovido pela revista Business Traveller e na última edição deu à TAM o troféu de melhor branco servido em primeira classe, no caso o Michel Picard Puligny-Montrachet 1er Cru Les Chalumeaux 2006, da região da Borgonha, na França.

Além de divulgação alternativa, conquistar um assento nesse mercado representa vendas garantidas. Para se ter uma ideia, só a companhia portuguesa TAP, que renovou sua carta de 15 rótulos na virada do ano, prevê um consumo de 660 mil garrafas em suas aeronaves ao longo de 2010.