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Passeador de cachorros

08 de novembro de 2008 5

Dia de trabalho em Nova York/arquivo pessoal, divulgação

Quando você pensa em profissões ligadas aos animais, lembra logo de veterinário ou de alguém que trabalha em pet shop, não é mesmo? Mas você já pensou ser um passeador de cachorros?

Para entender um pouco mais dessa profissão que aqui só ouvimos falar em filmes, mas que se torna cada dia mais comum nos Estados Unidos, É o Bicho conversou com o paranaense Henry Alfred Bugalho, 27 anos, que mora há dois em Nova York e ganha a vida passeando com cãezinhos. Confira!

O que exatamente faz um passeador de cachorros?

Geralmente os cachorros nos EUA não fazem as necessidades dentro de casa. Como os donos saem para trabalhar de manhã e só voltam à noite, eles precisam de alguém que venha no meio do dia para levar os cachorros para darem uma volta e irem ao banheiro. Para muitos donos, essa é a única preocupação. Para outros, porém, o importante é que o cachorro saia de casa um pouco para se distrair. O passeador de cachorros, além de passear, também tem de prestar atenção se o cãozinho tem água e comida; se estiver muito quente, ligar o ar condicionado do apartamento; caso os donos viajem, também tem de hospedar o cachorro durante o período. No final das contas, acaba cumprindo a função de babá, só que de cachorros.

Com quantos animais você passeia diariamente?

Eu passeio uns seis a 10 cachorros ao dia. No horário do almoço, que é o mais disputado, eu e minha esposa passeamos com um pequeno grupo de cachorros, mas nunca mais do que seis. Já chegamos a andar 15 duma só vez, mas isto é loucura. Na verdade, o período de trabalho é duma quatro ou cinco horas por dia, ou seja, é um trabalho bastante tranqüilo.

Qual a duração dos passeios?

Isso depende do que o dono do cachorro quer, ou precisa. Temos caminhadas de 30 minutos, 45 minutos, uma hora e o grupo de duas horas. A duração e o trajeto dependerão de quais cachorros estiveram caminhando naquele dia. Há cachorros que passeiam todos os dias, e outros não. Em média, um passeador anda uns 10 quilômetros por dia.

Você trabalha com alguma raça definida, ou todas elas são aceitas?

Não temos nenhuma restrição de raça, mas naturalmente acabamos nos “especializando” em raças menores. O que importa na hora de aceitar um novo cliente é se o cão é amigável com outros cães e com pessoas. Não adianta nada aceitarmos um cachorro que nos dará dor-de-cabeça depois porque mordeu alguém. Por exemplo, há pitbulls aqui que são mansíssimos, enquanto que tem poodle que ninguém segura.

Como os donos de cachorros chegam até você?

O que importa nos EUA é a referência. Assim, os novos clientes acabam chegando através de indicação de clientes antigos. O menos usual é alguém nos encontrar na rua e pedir nosso cartão.

Quais as vantagens de ser um passeador em relação a empregos “tradicionais”?

São muitas. A primeira e mais importante é que o afeto dos cachorros não é instável - se eles gostam de você, será para sempre -, ao contrário do que ocorre com os seres humanos. Além disto, há o prazer de passar o dia inteiro ao ar livre (bem, no inverno não é tão prazeroso assim) e de conhecer pessoas interessantes nas ruas de NY, e é um emprego sem estresse algum. Por fim, remunera muito bem: enquanto a hora do salário mínimo gira em torno de sete dólares, a hora dum passeador de cachorros é 25 dólares (por cachorro), junte 10 cachorros duma só vez e será algo bem lucrativo. Na verdade, tem gente ficando rica só passeando cachorro.

Há muita gente aí nos EUA que vive de passear com cachorros?

Eu não sei como é o cenário no resto do país, mas em Nova York há muitas pessoas no ramo. Nessa cidade existem mais cachorros do que seres humanos, quer dizer, mercado de trabalho não é o que falta. E ultimamente virou moda entre os nova-iorquinos contratar um passeador de cachorros; é uma profissão que tem se tornado tão popular e essencial quanto a babá ou o entregador de pizzas. Muitos trabalham na área meio período, são estudantes e querem só uma grana extra, mas tem pessoas que levam a sério e ralam do nascer ao pôr-do-sol, e também grandes empresas, que ainda prestam outros serviços, como banho e tosa. Para muitas famílias, o cão é um substituto para um filho, por isso eles dedicam tanta atenção para os cachorros quanto dedicariam para uma criança.

O que você faz no tempo livre?

No tempo livre, eu e minha esposa incorporamos os turistas e passeamos bastante, tirando fotos e coletando material para o blog que mantemos desde 2007, o Nova York para Mãos-de-Vaca (www.maosdevaca.com), no qual damos dicas de coisas baratas para se fazer em NY. Além disto, também sou escritor, então estou sempre bolando algum romance ou conto novo.

Postado por Maristela Scheuer Deves, Caxias do Sul