O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) divulgou, em nota, a probabilidade da safra de uva de 2012 ter perda de 20% no Rio Grande do Sul, principal região produtora de vinhos no Brasil. O problema é consequência, em parte, da chuva de granizo que lastimou parte da região em dezembro de 2011, e também em função da forte estiagem que afeta o Estado desde o início deste ano.
Assim, a expectativa de colheita neste ano é entre 560 e 600 milhões de quilos de uva. Para se ter ideia, na vindima passada, o RS colheu a maior safra da sua história, com 707,2 milhões de quilos de uvas. Mesmo assim, será maior que a safra de 2010, quando foram colhidos 526,8 milhões de quilos. Ou seja, a safra de 2012 deve ser a terceira maior da história do Estado, só perdendo para a de 2011 e a de 2008, que teve a colheita de 634 milhões de quilos de uva.
Em contrapartida, em termos qualitativos, a safra deste ano promete ser muito boa, em virtude do fenômeno La Niña, que trouxe um clima mais seco, com menos incidência de chuvas. "A menor quantidade será compensada, se o clima continuar favorável, por uma excelente qualidade da matéria-prima”, diz Carlos Raimundo Paviani, diretor-executivo da Ibravin.
Lucindo Copat, diretor-técnico da vinícola Salton, explica o motivo pelo qual os produtores comemoram a qualidade da uva, apesar das perdas. Segundo ele, o estresse hídrico causado pela seca, junto da queda de temperatura durante a noite, propiciaram o desenvolvimento de uvas com um bom nível de açúcar, além de acentuar suas características aromáticas e de sabor.

