Terroir é a soma dos elementos ligados à natureza e à intervenção da mão do homem na produção do vinho – como o tipo de solo, o clima, a umidade, a forma como são plantadas e podadas as videiras, dentre outros – que têm ligação direta com a qualidade do produto final. Assim, percepções de cor, aroma e sabor de um vinho dependem muito do terroir no qual a bebida nasceu.
Das influências marítimas, como a terra que margeia o francês Gironde, ao controle hídrico, como aquele exercido pelos produtores do Vale do São Francisco, cada elemento colabora na composição do vinho. Não é à toa, portanto, que os vinhos são classificados, principalmente no Velho Mundo, pelo local do qual se originam. No Brasil, os principais regiões vitivinicultoras são a Serra Gaúcha, a Campanha, a Serra do Sudeste, o Planalto Catarinense e o Vale do São Francisco.
A Serra Gaúcha, que produz cerca 90% do vinho brasileiro, tende a originar vinhos de características aromáticas que pendem para o frescor e a acidez, e com um bom nível de açúcar. Localizada no paralelo 29º, a região tem invernos rigorosos e verões amenos. Sua principal sub-região é o Vale dos Vinhedos, que, inclusive, foi a primeira zona vitivinícola do Brasil a conseguir uma Indicação Geográfica. Lá, a Merlot e a Chardonnay se expressam de forma emblemática.
Também no RS, há a Campanha e a Serra do Sudeste. Localizadas no paralelo 31º, tendem a gerar vinhos com mais estrutura, alto teor de açúcar, aromas e polifenóis. As castas portuguesas são o grande destaque dessa recente zona de viticultura, a exemplo da Touriga Nacional e da Tinta Roriz – além da Cabernet Sauvignon, que é muito bem cotada, pois tem bem menos pirazina, a famosa sensação aromática de pimentão verde.
No Planalto Catarinense estão vinícolas que obtêm produtos muito elegantes, principalmente na vinificação de brancos e rosés. É uma área que se destaca por produzir vinhos estruturados, com boa expressão de sabor e cor. Já o Vale do São Francisco é a única região do país que consegue ter duas vindimas ao ano – através do uso de hormônios e irrigação artificial. Com clima quente e seco, produz vinhos mais frutados e muito açúcar, tendo a Malvasia como um dos seus ícones.
Uma vez que cada região tem características geográficas próprias, determinando técnicas de produção diferenciadas e resultando em produtos únicos, o que dizer, então, de vinhos produzidos em Microterroirs. A essência do microterroir é a escolha de lotes determinados dentro das terras de um mesmo viticultor, cujas uvas são direcionadas para a produção de um vinho específico, que, mesmo produzidos a partir de uvas colhidas a poucos metros das de outros lotes, conseguem determinar bebidas de grande personalidade.
Degustando microterroirs
Um dos microterroirs mais conhecidos do Brasil é o Lote 43, da Miolo. Dele, é produzido o vinho homônimo sobre o qual já falei da safra 2008 aqui, e que leva o nome da terra recebida pelo imigrante Giuseppe Miolo, patriarca da família, ao chegar em solo brasileiro.
Outro exemplar interessante é o espumante Courmayeur Retrato Nature 2011, vinificado com Chardonnay, um Blanc de blancs nacional, esse vinho é proveniente do vinhedo Colina Verde C1, localizado em Garibaldi. Criado através do processo Charmat, fica de um a dois meses em autólise, apresenta reflexos esverdeados, rodeados por uma perlage fina e intensa. Com aromas de frutas cítricas e flores brancas, em boa intensidade, em boca, ele rouba a cena por sua acidez crocante e seus toques cítricos, evidenciando frescor e uma boa cremosidade. Ao preço de R$50,00, esse espumante tem como ideia retratar como será a safra de cada ano, nesse caso, da 2011, considerada excepcional.


Gostaria fossem a mais nova região vinícola do RS, no Alto Uruguai, mais precisamente em Três Palmeiras, p/ conhecer a Vinícola Antônio Dias e degustar um dos melhores vinhos produzidos no Brasil. Ou visitem o site vinhosantoniodias.
O Lote 43 2008 está excelente. Excelente aroma e corpo, e pode envelhecer bastante tempo. Vale a pena. Comprei e aprovo.
Rogerio, tive a oportunidade de conhecer alguns exemplares no Circuito Brasileiro de Degustação. Realmente são produtos interessantes.