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Posts na categoria "destaquinho"

Combinações etílicas que harmonizam com sushi

16 de abril de 2012 0

Apesar do saquê ser a bebida mais famosa do Japão, há outras opções de harmonização para quem gosta de comer sushi. Se a ideia é tomar uma cerveja, entre excelentes opções, destaca-se a Brooklyn Sorachi Ace, uma cerveja com lúpulo japonês sorachi e que é refermentada na garrafa com leveduras de champagne.

Cerveja com uma boa dose de lúpulo | Foto: Rafael Lorenzato

Cerveja com uma boa dose de lúpulo | Foto: Rafael Lorenzato

Com teor alcoólico de 7,6% e preço de 50 reais, esse exemplar estadunidense tem espuma volumosa, cremosa e persistente; aromas bem cítricos, como limão e maracujá, e herbáceos, sobressaindo-se um capim-limão. Em boca, se mostra inicialmente equilibrada, com toques cítricos e de especiarias, evoluindo para um fim de boca longo e de agradável amargor.

Rosés são uma boa pedida para a culinária oriental | Foto: Rafael Lorenzato

Rosés são uma boa pedida para a culinária oriental | Foto: Rafael Lorenzato

Já quando o assunto é vinho, além do tradicional espumante, uma excelente combinação são os vinhos rosés, que, dentre eles, destaco o Perini Ozaca Sushi Wine, desenvolvido exatamente para a gastronomia japonesa. Um corte de Merlot e Cabernet Franc, o vinho tem um belo visual rosa intenso, chamando atenção já na garrafa.

Quando na taça, exibe aromas de frutas vermelhas do bosque e de flores, especialmente rosas. Muito frutado, lembra groselha, e tem uma acidez correta para trabalhar com a harmonização gastronômica. Também combina com a culinária andina, como um ceviche de salmão. O preço desse rosé é de 22 reais.

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Harmonização: o galo ao vinho e o vinho na taça

03 de abril de 2012 0

Para comemorar o feito de quem mora em uma metrópole, prosaico para o pessoal do campo, que é conseguir um galo de verdade – e não um franguinho de supermercado –, resolvi visitar a minha adega e selecionar um vinho argentino que estava deixando envelhecer.

Um argentino que ganhou vida com o tempo | Foto: Rafael Lorenzato

Um argentino que ganhou vida com o tempo | Foto: Rafael Lorenzato

O eleito foi um Trapiche Roble Cabernet Sauvignon 2000, uma das melhores produções desta vinícola argentina muito popular, que permaneceu por um ano em barricas de carvalho e mais 11 anos na garrafa. Na taça, já demonstra uma bela cor vermelho granada, típica dos vinhos que envelheceram, mas ainda estão muito vivos. Aromaticamente, cerejas negras, framboesas e amoras maduras emanam da taça em excelente nitidez e intensidade. Além disso, toques de especiarias e de madeira completam o bouquet do vinho.

Quando em boca, se mostra redondo, macio e elegante, um vinho encorpado e aveludado. E, com taninos ainda marcantes e bem presentes, apresenta longa persistência. Pode muito bem ter mais alguns anos de adega, mas está no auge. E o galo? O vinho casou muito bem, harmonizando perfeitamente com o Coq au vin, um prato intenso e que foi, inclusive, marinado também com um Cabernet Sauvignon – mais simples, é claro.

Coq au vin

Como não poderia faltar, eis a receita executada pela chef Biba Retamozo para o Galo ao Vinho: Leia mais »

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Vega-Sicilia: o ícone espanhol

26 de março de 2012 4

Para dar uma prévia do Tour de Vinhos Espanha, a enóloga Maria Amélia Flores realizou, na última semana, um evento com degustação de grandes vinhos espanhóis, acompanhado de um jantar harmonizado com pratos assinados pelo chef catalão Xavier Gamez, do Xavier260 Cuina Catalana. A sensação da noite foi o Vega-Sicilia Único Cosecha 1998.

Excelentes tintos espanhóis com características distintas | Foto: Rafael Lorenzato

Excelentes tintos espanhóis com características distintas | Foto: Rafael Lorenzato

Concebido com a Tempranillo, uva símbolo da Espanha, o vinho é produto da bodega criada em 1864, às margens do Duero – o mesmo Douro de Portugal –, e ainda hoje remanesce como grande ícone espanhol. A vinícola, inclusive, foi responsável por colocar a região de Ribera del Duero no cenário da enografia mundial.

O Vega-Sicilia só é produzido somente nas melhores safras, pois, quando a colheita não é excepcional, a vinícola opta por vinificar “somente” o Valbuena, que, diga-se de passagem, é, também, um grande vinho, mais jovem e macio. E, ainda, nos anos memoráveis, ao invés de fazer o “Único”, o chef dos enólogos, Xavier Ausás, seleciona faz um corte de safras e cria o “Reserva Especial”.

Como toda sofisticação tem um preço, o Vega-Sicilia Único Cosecha 1998 chega ao Brasil em torno de R$ 1.800,00. O valor, é claro, se traduz na taça, ao emanar um bouquet que lembra frutas maduras, café, flores, balsâmico, e outros aromas que completam a nitidez e a evolução que o tornam empolgante. Para completar, quando em boca, é redondo, extremamente equilibrado, demostrando acidez e tanicidade agradáveis e envolventes. Aveludado e com retrogosto persistente e saboroso, é um vinho que cresce na taça, sempre oferendo ótimas sensações.

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Imagens do vinho brasileiro

24 de fevereiro de 2012 3

Nesta última semana, um grupo de 13 jornalistas, contando comigo, viajou, a convite do Ibravin, à Serra Gaúcha, como parte do Projeto Imagem 2012. O objetivo da ação, que já ocorre há alguns anos, é criar uma aproximação da mídia especializada em vinhos com o produto nacional, através de palestras, degustações guiadas e visitas técnicas.

Dessa forma, para compor um panorama da produção vitivinícola, foram visitadas as apoiadoras do projeto, que são a Aurora, Cooperativa São João, Famiglia Valduga, Fante, Miolo, Perini e Salton. Participaram, também, da iniciativa, a Dunamis, que apresentou seus produtos em Porto Alegre, e a vinícola Canção. Leia mais »

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Como degustar cervejas

02 de fevereiro de 2012 2

Degustar cervejas não é uma tarefa muito simples como se imagina. Ao contrário do vinho, cada estilo de cerveja requer, algumas vezes, preparos específicos, como o tipo de copo e até mesmo a forma de servir. Contudo, vale, para o degustador de cervejas, utilizar um copo padrão para se aventurar no universo de aromas e sabores dessa tão popular bebida.

Cerveja Red Ale artesanal | Foto: Rafael Lorenzato

Cerveja Red Ale artesanal | Foto: Rafael Lorenzato

Antes de começar, é importante definir o foco da degustação. É possível experimentar, em uma mesma ocasião, diferentes produtos de uma mesma marca, assim como se pode, também, e a experimentação é mais rica em termos de aprendizado, provar o mesmo estilo de cerveja, porém, de marcas diferentes. Um exemplo é conhecer, em um mesmo evento de degustação, diversas IPAs, cerveja que, atualmente, por seu caráter aromático, tem tido cada vez maior aceitação pelos consumidores brasileiros.

Outro ponto importante é a temperatura de serviço. Normalmente, cada fabricante indica, em seu rótulo, uma temperatura adequada ao produto e, em geral, quem seguir a recomendação do produtor tende a experimentar o que de melhor a cerveja tem a oferecer. Uma orientação padrão, porém, é procurar servir as ales – cervejas de alta fermentação – entre 7°C e 16°C e as lagers – cervejas de baixa fermentação – entre 4°C e 7°C, lembrando que, quanto mais gelada a cerveja estiver, menor será a percepção de aromas, e que uma cerveja quente pode se tornar intragável. Gelar o copo, porém, é uma heresia para uma boa cerveja.

Em termos de aparência, avalia-se a cor da bebida, que pode ir do amarelo-palha ao preto-opaco, conforme a escala SRM. Para o degustador moderno, uma dica: há aplicativos para celular que trazem essa tabela e facilitam na hora de definir qual a cor da cerveja que se está experimentando. Mais importante que a cor é a transparência, que indica se a bebida foi filtrada ou não. Cervejas artesanais, por exemplo, costumam não ser filtradas e apresentar uma turbidez natural. Já uma cerveja filtrada industrial, se apresentar turbidez, pode ser sinônimo de defeito.

Classificação de cores SRM | Imagem: Divulgação

Classificação de cores SRM | Imagem: Divulgação

Outro fator relevante é a espuma. Mais do que estético, o famoso colarinho é resultado da quantidade de carbonatação (CO²) e tem a função primordial de manter as sensações aromáticas, gustativas e a cremosidade da cerveja. Além disso, ajuda a manter o gás, o que deixa o produto com uma maior refrescância. Um colarinho persistente e bolhas de gás mais delicadas – a exemplo de uma perlage fina, se estivéssemos falando de espumantes – representam qualidade na cerveja.

Feita a análise visual da cerveja, é preciso partir para a olfativa. Como muitos dos aromas da cerveja são facilmente volatizados, é importante percebê-los logo que a bebida é servida, através de fortes aspirações próximas à borda do copo. Essa primeira análise é a que oferece uma maior riqueza de resultado. À medida em que a espuma vai baixando, é necessário voltar a dar atenção aos aromas, uma vez que o colarinho mascara algumas sensações no nariz. É claro que, para perceber aromas, assim como no vinho, é preciso treinar o nariz, assim como é importante que o ambiente em que se está degustando esteja livre de odores, para não influenciar na apreciação.

Alguns toques aromáticos são provenientes do malte, outros do lúpulo, e outros ainda vêm de ingredientes acrescentados ao mosto durante a fervura da cerveja, como casca de laranja, coentro, dentre outros. É importante, então, separar essas sensações, procurando categorizá-las de acordo com a origem. Dessa forma, teremos toques que podem lembrar o malte; outros, a levedura utilizada; e também notas de tostado, especiarias como cravo; frutas, como banana ou maracujá; e assim por diante, tudo dependendo das características que o cervejeiro quer impor ao seu produto final. Há, também, os off-flavours, que são os odores desagradáveis que podem ser encontrados na bebida, como papelão, sabão, antibiótico, por exemplo, provenientes de erros durante o processo de elaboração da cerveja.

Gustativamente, a cerveja oferece inúmeras sensações. Logicamente, o primeiro gole é o mais importante, e também o melhor para a apreciação da bebida. É recomendado ingerir uma quantidade suficiente para preencher toda a boca, para, então, manter a bebida em contato com a língua por alguns segundos, para que as papilas gustativas possam receber a informação de forma mais precisa. Nessa fase, também é avaliado o corpo da cerveja, através da análise da sua viscosidade, podendo a bebida ser leve ou encorpada, e também são percebidos elementos como acidez e adstringência.

Nesse momento que se deve buscar entender a harmonia da cerveja, levando em consideração a quantidade de malte, de lúpulo, sua carbonatação e alcoolicidade. Não existe padrão de certo ou errado, o importante é a cerveja ter equilíbrio.

Depois de engolir, deve-se perceber as sensações do fim de boca, ou seja, o retrogosto. São elas que definem o tom exato de amargor e doçura; de refrescância e adstringência;  de picância e acidez. Ou seja, definem a chamada drinkability, que nada mais é do que a vontade de beber a mesma cerveja novamente.

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A elegância dos vinhos da Toscana

19 de janeiro de 2012 4

A região da Toscana, famosa por sua gastronomia e paisagens que inspiram poetas e filmes, é, também, um ícone italiano na produção de vinhos de elegância. Os criativos supertoscanos, por exemplo, são vinhos que se destacaram a partir da vontade dos produtores da região de fugir das regras de padronização da vinificação no país.

Tenuta di Capraia Chianti Classico 2007 | Crédito: Rafael Lorenzato

Tenuta di Capraia Chianti Classico 2007 | Crédito: Rafael Lorenzato

Contudo, essas regras são as que protegem vinhos tradicionais da Itália, como o Chianti, que é um vinho elegante e feminino. Esse DOCG é confeccionado quase que em sua totalidade com a uva Sangiovese (de 75% a 90%), e cortado com outras cepas, sendo a Canaiolo a mais utilizada. Já quando acompanhado da denominação Classico no rótulo, o vinho pode ser resultado de uma vinificação feita com até 100% de Sangiovese.

Degustando Chianti

O primeiro da degustação é o Villa Cerna Chianti Classico 2009, um exemplar com 13% de teor alcoólico e custo aproximado de R$ 90,00. Esse DOCG se mostra discreto no nariz, com aromas de frutas vermelhas confitadas e um toque que lembra especiarias picantes. No paladar, tem taninos domados e um bom volume, que preenche a boca. O toque picante dos aromas se repete na boca, mas tudo de forma muito equilibrada e elegante. Harmoniza com filés e massas com molhos de média estrutura.

Bonacchi Chianti Riserva 2004 | Crédito: Rafael Lorenzato

Bonacchi Chianti Riserva 2004 | Crédito: Rafael Lorenzato

Já o Bonacchi Chianti Riserva 2004 estagia por dois anos em barricas de carvalho e mais seis em garrafa. Com 12,5% de álcool, o vinho, na primeira olfação, apresenta aromas relativos ao carvalho. Conforme vai evoluindo, afloram toques picantes, de terra molhada e de frutas vermelhas, como cereja. Apesar da média intensidade, a percepção dos aromas é pouco nítida. Em boca, é delgado, ligeiro, mas com uma leve acidez presente. Além disso, apresenta pouca sensação de fruta no paladar, mantendo, contudo, uma certa picância adocicada. Combina com massas e carnes leves, pratos agridoces condimentados e risotos amanteigados. É um vinho interessante, mas ausente da elegância tradicional dos Chianti. Entretanto, seu preço em um restaurante, cerca de R$ 85,00, o transforma em um vinho atrativo.

Brolio Chianti Classico 2006 | Crédito: Rafael Lorenzato

Brolio Chianti Classico 2006 | Crédito: Rafael Lorenzato

O Brolio Chianti Classico 2006, que estagia 15 meses em barricas de carvalho, tem 13,5% de graduação alcoólica e custa aproximadamente R$ 120,00. Na taça, uma bela coloração rubi com reflexos violáceos prende a atenção. No nariz, frutas maduras, especiarias e toques herbáceos e de mineralidade dão uma certa complexidade ao vinho. No paladar, tem um primeiro ataque equilibrado, com tendência à maciez, evoluindo para um final de boca longo e levemente amargo. É volumoso e com taninos que se mostram um pouco ásperos. Contudo, tem um bom toque de elegância. Acompanha bem massas estruturadas, como um tagliatelle ao molho funghi ou à matriciana.

Por fim, o Tenuta di Capraia Chianti Classico 2007, um corte de Sangiovese (90%), Colorino (5%) e Canaiolo (5%), apresenta 14,5% de álcool e passa doze meses em barrica e mais doze meses descansando nas garrafas. Emana aromas de frutas maduras, com um toque de baunilha e de especiarias picantes, tudo em boa intensidade e nitidez. Gustativamente, é equilibrado, quente, com taninos marcantes e apresentando um fim de boca com muita acidez e boa persistência. Ao custo de R$ 95,00, combina com pratos de bom peso e muita aromaticidade, como um Confit de Pato.

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Barolo, o rei dos vinhos

09 de janeiro de 2012 1

Mesmo com muitos anos de experiência em vitivinicultura, a Itália só recentemente começou a trabalhar a regulamentação de sua produção para aumentar a qualificação dos seus vinhos, mais especificamente em 1968. Nesse ano, foram criadas as Denominações de Origem, que controlam, além das regiões demarcadas, aspectos obrigatórios na concepção de cada vinho. Infelizmente, porém, ser rotulado como DOC (Denominação de Origem Controlada) ou DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida) na Itália não representa fator de qualidade.

Livio Pavese Barolo 2005 | Foto: Rafael Lorenzato

Livio Pavese Barolo 2005 | Foto: Rafael Lorenzato

Diversas regiões produzem vinhos na Itália. Entre Sicília, Toscana, Vêneto e tantas outras, há o Piemonte. Localizado no noroeste do país, apresenta invernos muito severos e verões bastante quentes, clima propício para o cultivo da uva Nebbiolo, que é de maturação tardia e, por esse motivo, desenvolve-se muito bem nessa área.

E é da Nebbiolo que surge o rei dos vinhos: o Barolo. Um vinho de muita estrutura e com uma certa rusticidade, mas, ao mesmo tempo complexo e elegante. Que faz jus ao nome deste blog, sendo capaz de levar a uma verdadeira epifania etílica. Evidentemente, é um vinho gastronômico e de limitada harmonização, por sua potência gustativa, que atropela pratos sem estrutura suficiente para segurá-lo.

Barolos são, em geral, vinhos que trabalham muito bem a guarda. Podem tranquilamente ser armazenados, logicamente, da forma adequada, por muitos anos. Raras vezes, inclusive, não devem ser consumidos antes de dez anos após sua confecção, até mesmo pela excessiva carga de tanicidade que carregam, necessitando de descanso para que sua adstringência se atenue. Não é à toa que, quando envelhece por pelo menos cinco anos, ganha o título de Riserva.

Outro vinho de destaque no Piemonte, também oriundo da uva Nebbiolo, é o Barbaresco, que, ao contrário do Barolo, é um vinho mais elegante, feminino e refinado. Além disso, a região conta, também, com outros vinhos famosos, como os DOCG Asti e Dolcetto di Dogliani.

Mas é de um Barolo que fica a dica de degustação deste post: o Livio Pavese Barolo 2005, com 14% álcool e ao custo aproximado de R$240,00, um vinho de bastante estrutura, tanto que pode ser servido a 18°C. De cor granada lindíssima, emana, em boa intensidade, aromas de especiarias, frutas e um toque mentolado.

Quando em boca, é intenso, persistente e equilibrado, apresentando a rusticidade genial que faz, dos Barolos, vinhos únicos. Marcante, é perfeito para ser bebido sozinho, em um momento de contemplação, ou acompanhado de carnes de caça ou exóticas, como uma costela de javali ou um porco selvagem, cuja gordura apresenta toques adocicados e combina perfeitamente com sua tanicidade.

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Espanha: degustação de tempranillos

05 de janeiro de 2012 0

Pensar em Espanha é pensar em Tempranillo. Não é à toa que a casta é a que produz os tintos mais famosos do país. As videiras antigas e bem próximas ao solo para ajudar a maturar as uvas dão um toque de referência a esses vinhos. Na composição do vinho, a uva Tempranilllo, às vezes, ganha companhia da Garnacha, outra uva clássica do país, que tende a dar um toque de maior acidez ao vinho, pois, em geral, a casta destaque, quando sozinha, produz vinhos de média a muita estrutura e com excelente carga tânica, ficando ainda melhor com passagem pelas barricas de carvalho.

Rincón de Navas Crianza 2007 | Foto: Rafael Lorenzato

Rincón de Navas Crianza 2007 | Foto: Rafael Lorenzato

Nada mais justo, portanto, que os vinhos espanhóis sejam divididos conforme a sua passagem por barricas: um vinho Joven, por exemplo, fica engarrafado por um ano após a vindima, sem necessidade de carvalho; já o famoso Crianza, excelente pelo custo-benefício, deve ficar pelo menos dois anos envelhecendo, sendo, no mínimo, seis meses em barricas; o Reserva, que estagia três anos na adega, sendo pelo menos um em barril; e, por fim, o Gran Reserva, que é ícone, passando cinco anos descansando, sendo pelo menos dois em carvalho.

Normalmente, os grandes vinhos são oriundos de três regiões famosas da Espanha: Priorato, Ribera del Duero e Rioja. Inclusive, essas são as únicas com DOCa – denominação de origem qualificada, em português –, na lei espanhola que determina as regras de vitivinificação. No Brasil, Rioja é quase sinônimo de vinho tinto fino quando o assunto é Espanha. A região, que fica ao norte do país, divide-se em três sub-regiões de características distintas: Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Baja.

Três vinhos crianza degustados

Luis Cañas Crianza 2006 | Foto: Rafael Lorenzato

Luis Cañas Crianza 2006 | Foto: Rafael Lorenzato

E é de Rioja Alavesa que vem a primeira dica de vinho degustado: o DOCa Luis Cañas Crianza 2006, um Tempranillo cortado com 5% de Garnacha. Oriundo de vinhedos com cerca de 30 anos, é de uma safra considerada muito boa pelos enólogos da casa. Como Crianza, matura 12 meses em barricas de carvalho e outros nove nas garrafas. Um pouco etéreo no início, devido à quantidade de álcool (14%), o vinho, quando abre na taça, apresenta notas de frutas vermelhas apassitadas e de especiarias. A sensação é compartilhada em boca, pois é quente, encorpado, amplo e tem toques de frutas maduras. Custa R$ 60,00 e é um excelente investimento.

Da Rioja Alta, degustei o Rincón de Navas Crianza 2007, um DOCa produzido com 100% de Tempranillo. Com 14 meses de estágio em barricas, o vinho apresenta graduação alcoólica de 13,5. Os primeiros aromas sentidos lembram fortemente a madeira, como um cedro, que vai evoluindo para especiarias, com destaque para uma pimenta negra, e, mais tarde, para frutas, como amora, e notas herbáceas. Em boca, tem maciez e acidez interessantes, contudo, é ligeiro e delgado, de pouco corpo. Tem uma tendência para ser elegante, mas a expectativa gerada pelo custo de R$113,00 não é correspondida pelo produto, decepcionando um pouco. Se for tomá-lo acompanhado de comida, é bom apostar em pratos de pouca estrutura.

Viña Sastre Crianza 2006 | Foto: Rafael Lorenzato

Viña Sastre Crianza 2006 | Foto: Rafael Lorenzato

O Viña Sastre Crianza 2006 (DO) é de Ribera del Duero, uma região alta e com intensa amplitude térmica. Produzido totalmente com uvas Tempranillo oriundas de videiras entre 20 e 60 anos, o vinho apresenta 15% de teor alcoólico e uma bela coloração rubi fechada, com toques granada. Etéreo no início da olfação, ao abrir vai apresentando toques de baunilha, café, tostado e especiarias como noz moscada, zimbro e pimenta do reino. Muito intenso aromaticamente, e de aromas bem nítidos, quando em boca, mantém a elegância. É um vinho quente, de uma maciez aveludada e frutado, partindo para um fim de boca no qual a acidez rouba a cena. Esse exemplar de R$115,00 combina com pratos condimentados e aromáticos e carnes com um bom teor de gordura como um filé em crosta de pimenta rosa.

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Com boa perlage e muita elegância é que se faz um bom brinde

21 de dezembro de 2011 5

Às vésperas das festas de final de ano, há quem ainda não tenha escolhido com qual espumante brindar no Natal e no Réveillon. Em caso de dúvida, vale lembrar que, apesar do apelo dos importados, os espumantes feitos no Rio Grande do Sul são de qualidade reconhecida internacionalmente.

No Estado, os brancos e rosados são vinificados com Chardonnay e/ou Pinot Noir como variedades principais e com a uva Riesling Itálico para complementação do corte. Essa composição é, inclusive, exigência da Indicação de Procedência (IP) recentemente alcançada pela região do Vale dos Vinhedos, em vigor até o registro da Denominação de Origem (DO) que está em processo de outorga pelo INPI. É claro que outras uvas são utilizadas para a produção de espumantes, como, por exemplo, este com Malbec.

Além do tipo de uva utilizado, há outros fatores que influenciam no produto final espumante. O principal deles é o método de espumatização. Há essencialmente duas formas de se executar esse processo. O Charmat, que pode ser curto ou longo, constitui-se em um processo relativamente mais simples e menos custoso, mas nem por isso é necessariamente sinônimo de menor qualidade. Através dele, inclusive, obtém-se um vinho mais frutado, de maior frescor, e muitas vezes mais fácil ao paladar. É o processo no qual a tomada de espuma é feita em autoclaves, ou seja, barris de inox.

Este espumante Don Giovanni está sem licor de expedição ou conservantes; direto das caves, transmite complexidade e elegância em um produto natural | Foto: Rafael Lorenzato

Este espumante Don Giovanni está sem licor de expedição ou conservantes; direto das caves, transmite complexidade e elegância em um produto natural | Foto: Rafael Lorenzato

Já o método Clássico, Tradicional ou Champenoise é um processo mais trabalhoso, mas que resulta em vinhos mais complexos e de perlages mais firmes. Os espumantes fabricados dessa forma revelam, também, mais fragrâncias, com prevalência de perfumes terciários, o que já não ocorre com o Charmat. Isso se dá porque a bebida feita pelo método tradicional tem sua segunda fermentação, a tomada de espuma, na própria garrafa, tendo mais contato com as leveduras, responsáveis por compor o sabor da bebida. Quanto mais longo for esse contato, mais elegantes serão os aromas e sabores do espumante.

Claro que o principal em um espumante é o chamado vinho-base. Feito especificamente para virar espumante, tem por principal e proposital característica a forte acidez, que, durante a autólise, se perde, aos poucos. Dessa forma, uma boa safra tende a gerar um produto de qualidade. Inclusive, espumantes não são safradas, exceto aqueles com muita elegância, pois, ao criar o produto, o enólogo faz um blend de diversas safras. Um detalhe interessante: o Chardonnay é um dos vinhos-base mais utilizados porque, ao longo do tempo de envelhecimento, é o responsável pelos aromas mais elegantes dos espumantes.

Em recente viagem realizada através do Senac-RS e guiada pelo enólogo Felipe Bebber, tive a oportunidade de conferir que as vinícolas gaúchas têm investido pesado em tecnologia, ressaltando a Domno – braço da Casa Valduga para produção de espumantes do tipo Charmat –, que utiliza um filtro tangencial (cujo custo aproximado é de 800 mil reais) para reduzir a quantidade de SO² na bebida. Esse conservante é o responsável pela dor de cabeça em um dia de ressaca, assim, com essa inovação, a vinícola consegue vinificar um produto mais natural. Outro exemplo é a Cave Geisse, pioneira no uso de ar quente nos vinhedos, muito utilizado no Chile, eliminando, assim, a necessidade do uso de agrotóxicos.

Quem ainda não escolheu o seu espumante, pode ainda pesquisar mais sobre a bebida aqui no Epifania Etílica. Aproveitando, deixo as notas de degustação dos espumantes que experimentei nessa viagem: Leia mais »

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Degustação de dois tintos da região do Douro

13 de dezembro de 2011 0

Neste post falei sobre vinhos verdes e Portugal. Continuando, portanto, nesse país que produz vinhos de excelente custo-benefício, falarei acerca de dois tintos da região do Douro que tive o prazer de experimentar recentemente. O Padrelinho DOC 2009 e o Padrelinho Reserva 2009, ambos elaborados por Pedro Moraes, em uma pequena vinícola do Douro. A produção é limitada a 10 mil garrafas, cada um.

Padrelinho DOC 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

Padrelinho DOC 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

O Padrelinho DOC 2009 é criado a partir de um corte bem característico da região do Douro: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca. Com 13º de teor alcoólico, o vinho se apresenta através de um belo e límpido vermelho-violáceo. No nariz, tem boa intensidade e os aromas de frutas vermelhas e negras jovens, além de baunilha e suave chocolate, são bem nítidos e dão um toque especial à bebida. Vale salientar que é importante deixar o vinho abrir na taça para sentir a ampla gama de aromas. Quando em boca, se mostra equilibrado e com taninos macios, bom volume, maciez e acidez que puxam um prato, salientando a sua veia gastronômica. Esse vinho teve uma harmonizado perfeita com um Entrecot ao molho de damascos.

Padrelinho Reserva 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

Padrelinho Reserva 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

Já o Padrelinho Reseva 2009 é uma proposta bem diferente. O vinho é produzido com vinhas velhas com mais de 70 anos, cujo charme é originar produtos únicos, pois não há apenas uma variedade, mas, sim, mais de 20 castas nativas que compõem esse exemplar. Com 14º de teor alcoólico, o vinho pode permanecer até 16 anos na adega. Na taça, apresenta uma bela e intensa coloração vermelho-violáceo. E não decepciona quando levado ao nariz: intensos, os aromas de frutas maduras e de geleia de amora trabalham em conjunto com toques de caramelo e especiarias. Em boca, ele é quente, de uma maciez aveludada; equilibrado, pende para um toque de amargor no fim de boca. Elegante, pode ser consumido tanto sozinho, como com um prato de média estrutura, como um Tagliatelle ao ragú de miúdos. Uma dica, é não decantar o vinho, pois abrir naturalmente na taça permite captar a evolução de bebida.

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