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Posts na categoria "harmonização"

Combinações etílicas que harmonizam com sushi

16 de abril de 2012 0

Apesar do saquê ser a bebida mais famosa do Japão, há outras opções de harmonização para quem gosta de comer sushi. Se a ideia é tomar uma cerveja, entre excelentes opções, destaca-se a Brooklyn Sorachi Ace, uma cerveja com lúpulo japonês sorachi e que é refermentada na garrafa com leveduras de champagne.

Cerveja com uma boa dose de lúpulo | Foto: Rafael Lorenzato

Cerveja com uma boa dose de lúpulo | Foto: Rafael Lorenzato

Com teor alcoólico de 7,6% e preço de 50 reais, esse exemplar estadunidense tem espuma volumosa, cremosa e persistente; aromas bem cítricos, como limão e maracujá, e herbáceos, sobressaindo-se um capim-limão. Em boca, se mostra inicialmente equilibrada, com toques cítricos e de especiarias, evoluindo para um fim de boca longo e de agradável amargor.

Rosés são uma boa pedida para a culinária oriental | Foto: Rafael Lorenzato

Rosés são uma boa pedida para a culinária oriental | Foto: Rafael Lorenzato

Já quando o assunto é vinho, além do tradicional espumante, uma excelente combinação são os vinhos rosés, que, dentre eles, destaco o Perini Ozaca Sushi Wine, desenvolvido exatamente para a gastronomia japonesa. Um corte de Merlot e Cabernet Franc, o vinho tem um belo visual rosa intenso, chamando atenção já na garrafa.

Quando na taça, exibe aromas de frutas vermelhas do bosque e de flores, especialmente rosas. Muito frutado, lembra groselha, e tem uma acidez correta para trabalhar com a harmonização gastronômica. Também combina com a culinária andina, como um ceviche de salmão. O preço desse rosé é de 22 reais.

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Harmonização: o galo ao vinho e o vinho na taça

03 de abril de 2012 0

Para comemorar o feito de quem mora em uma metrópole, prosaico para o pessoal do campo, que é conseguir um galo de verdade – e não um franguinho de supermercado –, resolvi visitar a minha adega e selecionar um vinho argentino que estava deixando envelhecer.

Um argentino que ganhou vida com o tempo | Foto: Rafael Lorenzato

Um argentino que ganhou vida com o tempo | Foto: Rafael Lorenzato

O eleito foi um Trapiche Roble Cabernet Sauvignon 2000, uma das melhores produções desta vinícola argentina muito popular, que permaneceu por um ano em barricas de carvalho e mais 11 anos na garrafa. Na taça, já demonstra uma bela cor vermelho granada, típica dos vinhos que envelheceram, mas ainda estão muito vivos. Aromaticamente, cerejas negras, framboesas e amoras maduras emanam da taça em excelente nitidez e intensidade. Além disso, toques de especiarias e de madeira completam o bouquet do vinho.

Quando em boca, se mostra redondo, macio e elegante, um vinho encorpado e aveludado. E, com taninos ainda marcantes e bem presentes, apresenta longa persistência. Pode muito bem ter mais alguns anos de adega, mas está no auge. E o galo? O vinho casou muito bem, harmonizando perfeitamente com o Coq au vin, um prato intenso e que foi, inclusive, marinado também com um Cabernet Sauvignon – mais simples, é claro.

Coq au vin

Como não poderia faltar, eis a receita executada pela chef Biba Retamozo para o Galo ao Vinho: Leia mais »

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Vega-Sicilia: o ícone espanhol

26 de março de 2012 4

Para dar uma prévia do Tour de Vinhos Espanha, a enóloga Maria Amélia Flores realizou, na última semana, um evento com degustação de grandes vinhos espanhóis, acompanhado de um jantar harmonizado com pratos assinados pelo chef catalão Xavier Gamez, do Xavier260 Cuina Catalana. A sensação da noite foi o Vega-Sicilia Único Cosecha 1998.

Excelentes tintos espanhóis com características distintas | Foto: Rafael Lorenzato

Excelentes tintos espanhóis com características distintas | Foto: Rafael Lorenzato

Concebido com a Tempranillo, uva símbolo da Espanha, o vinho é produto da bodega criada em 1864, às margens do Duero – o mesmo Douro de Portugal –, e ainda hoje remanesce como grande ícone espanhol. A vinícola, inclusive, foi responsável por colocar a região de Ribera del Duero no cenário da enografia mundial.

O Vega-Sicilia só é produzido somente nas melhores safras, pois, quando a colheita não é excepcional, a vinícola opta por vinificar “somente” o Valbuena, que, diga-se de passagem, é, também, um grande vinho, mais jovem e macio. E, ainda, nos anos memoráveis, ao invés de fazer o “Único”, o chef dos enólogos, Xavier Ausás, seleciona faz um corte de safras e cria o “Reserva Especial”.

Como toda sofisticação tem um preço, o Vega-Sicilia Único Cosecha 1998 chega ao Brasil em torno de R$ 1.800,00. O valor, é claro, se traduz na taça, ao emanar um bouquet que lembra frutas maduras, café, flores, balsâmico, e outros aromas que completam a nitidez e a evolução que o tornam empolgante. Para completar, quando em boca, é redondo, extremamente equilibrado, demostrando acidez e tanicidade agradáveis e envolventes. Aveludado e com retrogosto persistente e saboroso, é um vinho que cresce na taça, sempre oferendo ótimas sensações.

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Semifreddo intenso com calda de uvas acompanhado de vinho doce

02 de março de 2012 2

Durante o Projeto Imagem, tive o prazer de jantar na vinícola Salton, onde a chef Idana Spassini, na sequência da refeição, serviu uma saborosa sobremesa intitulada Semifreddo Intenso e Calda de Uvas do Nosso Parreiral. Pedi a receita, que ela gentilmente me enviou, e que disponibilizo abaixo.

Um fecho perfeito para uma ocasião especial | Foto: Idana Spassini, Divulgação

Um fecho perfeito para uma ocasião especial | Foto: Idana Spassini, Divulgação

Para complementar, recomendo a harmonização realizada na ocasião: o vinho Salton Licoroso Intenso. Com 15% de teor alcoólico, este branco doce vinificado com Chardonnay tem uma bela coloração dourada, apresentando aromas de mel,  baunilha, amêndoas e toques cítricos. Em boca, uma agradável sensação de frutos oleaginosos dão um tom especial para a sobremesa, que, inclusive, leva o vinho em sua composição.

A receita para 10 porções

Semifreddo:
4 gemas
160g de açúcar refinado
200ml de vinho licoroso Salton Intenso
500ml de creme de leite fresco

Coloque as gemas, o açúcar e o vinho em um bowl de inox. Leve ao banho-maria, sem deixar a água borbulhar. Bata por 10 minutos até obter um creme leve. Tire do fogo e mergulhe a tigela em outro recipiente com bastante gelo, para esfriar. Bata o creme de leite em ponto de chantilly e incorpore ao zabaione. Unte uma forma grande ou 10 forminhas e forre com filme. Coloque o creme, cubra e leve ao congelador por cerca de 6 horas. Retire 10 minutos antes de ser servido com a calda.

Calda de uva:
500ml de suco de uva integral
300g de uvas frescas
100g de açúcar

Faça uma calda em ponto de fio com o suco e o açúcar. Adicione os grãos de uva, deixe ferver mais um pouco. Desligue o fogo e esfrie. Deixe na geladeira até a hora de servir.

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Degustação de dois tintos da região do Douro

13 de dezembro de 2011 0

Neste post falei sobre vinhos verdes e Portugal. Continuando, portanto, nesse país que produz vinhos de excelente custo-benefício, falarei acerca de dois tintos da região do Douro que tive o prazer de experimentar recentemente. O Padrelinho DOC 2009 e o Padrelinho Reserva 2009, ambos elaborados por Pedro Moraes, em uma pequena vinícola do Douro. A produção é limitada a 10 mil garrafas, cada um.

Padrelinho DOC 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

Padrelinho DOC 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

O Padrelinho DOC 2009 é criado a partir de um corte bem característico da região do Douro: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca. Com 13º de teor alcoólico, o vinho se apresenta através de um belo e límpido vermelho-violáceo. No nariz, tem boa intensidade e os aromas de frutas vermelhas e negras jovens, além de baunilha e suave chocolate, são bem nítidos e dão um toque especial à bebida. Vale salientar que é importante deixar o vinho abrir na taça para sentir a ampla gama de aromas. Quando em boca, se mostra equilibrado e com taninos macios, bom volume, maciez e acidez que puxam um prato, salientando a sua veia gastronômica. Esse vinho teve uma harmonizado perfeita com um Entrecot ao molho de damascos.

Padrelinho Reserva 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

Padrelinho Reserva 2009 | Crédito: Rafael Lorenzato

Já o Padrelinho Reseva 2009 é uma proposta bem diferente. O vinho é produzido com vinhas velhas com mais de 70 anos, cujo charme é originar produtos únicos, pois não há apenas uma variedade, mas, sim, mais de 20 castas nativas que compõem esse exemplar. Com 14º de teor alcoólico, o vinho pode permanecer até 16 anos na adega. Na taça, apresenta uma bela e intensa coloração vermelho-violáceo. E não decepciona quando levado ao nariz: intensos, os aromas de frutas maduras e de geleia de amora trabalham em conjunto com toques de caramelo e especiarias. Em boca, ele é quente, de uma maciez aveludada; equilibrado, pende para um toque de amargor no fim de boca. Elegante, pode ser consumido tanto sozinho, como com um prato de média estrutura, como um Tagliatelle ao ragú de miúdos. Uma dica, é não decantar o vinho, pois abrir naturalmente na taça permite captar a evolução de bebida.

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Harmonização: Tartare de salmão com vinho rosé

06 de dezembro de 2011 0

Nesta última semana, o Senac promoveu um novo jantar harmonizado com os alunos da sommelierie. A criação dos pratos ficou a cargo do chef Mamadou Sène; enquanto a harmonização, do sommelier Cristiano Ribeiro. Na recepção, foi servida a espumante Luiz Argenta Brut Rosé, de Flores da Cunha, seguida do Vinho Verde Quinta do Gomariz Loureiro, de Portugal, para combinar com os grissinis acompanhados de pasta de tomate seco, pasta de alcachofra e pasta de ricota com manjericão, que formavam o antepasto.

Tartare de salmão | Crédito: Rafael Lorenzato

Tartare de salmão | Crédito: Rafael Lorenzato

Na entrada, um belíssimo Tartare de salmão com carpaccio de palmito pupunha ao pesto de hortelã – cuja receita pode conferida no final do post – que harmonizou perfeitamente por justaposição com o Villa Francioni Rosé, um vinho leve, elegante e com muito frescor. A seguir, o prato principal foi um Boeuf Bourguignon com conchiglioni recheados de ratatouille, casado com um Salton Volpi Pinot Noir, que equilibrou bem com o prato, e propositadamente contra-harmonizado com um Tannat La Hacienda, de Canelones, no Uruguai, um vinho bem honesto, pelo preço, R$ 12,90, mas que atropelou o prato.

Para limpar a paladar, um sorbet de framboesa abriu caminho para um Mousse de melão cantaloupe com calda de vinho suave e baunilha, acompanhado de um Moscato Spumanti Villa Fabrizia. Para finalizar, o excelente Madeira Justino 3 Anos foi o fecho perfeito para uma Tábua de Queijos e Frutas, principalmente em sua harmonização com o queijo brie.

Tartare de salmão com carpaccio de palmito pupunha ao pesto de hortelã por Mamadou Sène

Rendimento: 04 porções.

Vinho para acompanhar: Villa Franciosi Rosé, de São Joaquim (SC).

Ingredientes:
180 g de palmito pupunha cartado em fatias finas;
200 g de filé de salmão cortado em cubos médios;
1/2 maçã verde cortada em cubos pequenos;
5 cm de talo de aipo picado;
20 g de cebola picada;
2 colheres de sopa de azeite de oliva;
4 folhas de manjericão picadas;
Sal e pimenta do reino;
Suco de um limão;
Flor de sal;
1 colher de sobremesa de gergelim branco torrado.

Para o pesto de hortelã:
1 maço de hortelã;
1/2 maço de salsa;
2 unidades de tomate seco picado;
150 ml de azeite de oliva extravirgem;
40 g de nozes picadas;
40 g de queijo parmesão ralado.

Preparo:

  • Colocar no bowl o salmão e adicionar o manjericão, o aipo, a maçã e a cebola; temperar com o suco de limão, sal e pimenta do reino.
  • Juntar o azeite de oliva, misturar bem e levar para a geladeira durante 20 minutos.
  • Faça o pesto de hortelã, batendo todos os ingredientes no liquidificador.

Apresentação:

  • Colocar diversos círculos de carpaccio de pupunha no centro do prato; regar com o molho pesto de hortelã; e, com um aro, adicionar o tartare por cima. Salpicar o gergelim torrado e a flor de sal.
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O vinho e a gastronomia de Bordeaux

18 de outubro de 2011 0

Como falei nesse post, o terroir de Bordeaux é único, e, nessa região, são produzidos vinhos com uvas específicas. Nas tintas, há o famoso corte bordalês, que são as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot e Malbec. Já entre as brancas, Semillion e Sauvignon Blanc são castas que dão origem aos vinhos na região. Aproveito, então, para passar a degustação selecionada pelo sommelier Cristiano Ribeiro, que faz um pequeno recorte da região, através de vinhos interessantes para a sua faixa de valor.

O primeiro deles é um Sauvignon Blanc Château Reynon 2007 com 12,5% de teor alcoólico e preço médio de R$70,00. Esse bordeaux branco apresenta coloração amarelo-palha com reflexos esverdeados e bastante brilho. No nariz, tem aromas primários bem típicos da uva, toques minerais (areia molhada, brisa marítima) e herbáceos (folha de tomate). Tem média intensidade, mas boa persistência olfativa.

Em boca, tem um primeiro ataque vigoroso, com ótimo volume, bem mineral, correspondendo aos aromas identificados anteriormente, com notas salgadas e uma excelente persistência. É um vinho gastronômico, que harmoniza bem com frutos do mar, porco, em suma, com pratos ácidos, mas sem muita gordura.

Bordeaux Supérieur Château Lugagnac 2006, um vinho com aroma de frutas vermelhas | Crédito: Rafael Lorenzato

Bordeaux Supérieur Château Lugagnac 2006, um vinho com aroma de frutas vermelhas | Crédito: Rafael Lorenzato

O segundo é um Bordeaux Supérieur Château Lugagnac 2006 de R$75,00, em média. Com 12,5% de graduação alcoólica, o vinho, engarrafado na origem, é um corte entre as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, e apresenta uma bela e intensa cor vermelho-rubi. Ao agitar a taça, o vinho se mostra com poucas “lágrimas” - leia mais sobre o tema no post, e, aromaticamente, lembra frutas vermelhas, chocolate amargo e um quê de caixa de charuto, com boa intensidade e média persistência.

Gustativamente, o tinto tem um primeiro ataque marcante, um amargor acentuado e baixo frescor. Apesar do longo tempo de garrafa, poderia ter descansado por mais alguns anos, o que provavelmente atenuaria seu amargor e taninos. Entretanto, não deixa de combinar perfeitamente com cordeiro com ervas ou com doces à base de chocolate.

A última indicação é a do Château Fleur Cardinale 2007, engarrafado na origem e com um corte de 70% de uvas Merlot, 15% Cabernet Franc e 15% Cabernet Sauvignon. Com 13,5% de álcool, o vinho se mostra elegante e complexo no nariz, liberando aromas terciários de geleia, ameixa madura e eucalipto, dentre outros. No paladar, é macio e com taninos bem agradáveis. Ele preenche e evolui na boca, além de revelar uma boa persistência. Ao preço de R$270,00, não poderia se esperar diferente. Casa com cordeiros, parillas e filés, ou seja, com pratos mais encorpados e de presença.

Em Bordeaux, não apenas se bebe bem, mas se come melhor ainda. Da gastronomia praticada no sudoeste da França, destacam-se preparações à base de produtos regionais como o foie gras de Dordogne, as ostras de Arcachon, o caviar de Gironde, o cordeiro de Pauillac, além de confits e cous farcis que são tradicionais da região. Tem ainda queijo de cabra, steak tartare, magret de pato e uma infindável lista de delícias.

Para quem quiser se aventurar em uma refeição bordalesa, fica a receita de Magret de Pato do chef Sander Beschorner, que combina com esse último vinho que vimos, o Château Fleur Cardinale 2007.

Magret au pommes
(rendimento: 2 porções)

O magret de pato pode também ser servido ao molho balsâmico | Crédito: Divulgação, Senac-RS

O magret de pato pode também ser servido ao molho balsâmico | Crédito: Divulgação, Senac-RS

1 magret de pato;
15ml de vinagre balsâmico;
30g de mel;
50g de cebola roxa (ou échalote);
2 maçãs verdes;
5g de pimenta preta (mignonette) picada grosseiramente;
Sal a gosto;
15g de manteiga;
30ml de conhaque.

Modo de Preparo
1. Faça uma marinada para o magret com o mel, as échalotes (cebola roxa) e o vinagre balsâmico. Deixe repousar por 1 hora.
2. Retire a pele e as sementes das maçãs. Corte-as em oito e disponha em uma frigideira. Junte gotas de limão e manteiga, e deixe cozinhar até que fiquem macias, virando-as de vez em quando. Tempere com sal e pimenta.
3. Faça cortes na diagonal na gordura do magret, e tempere com sal e pimenta. Comece a saltear com a pele virada para baixo, por aproximadamente quatro minutos. Vire a pele para cima e deixe mais três minutos.
4. Em seguida, flambe com conhaque e; na sequência, deglaceie o fundo da frigideira com a marinada. Cozinhe rapidamente, até que se reduza a um molho espesso.
5. Corte o magret em fatias e, na hora de servir, uma opção de apresentação é dispor o prato com as maçãs cozidas, o magret com a pele virada para cima e o molho oriundo da deglaçagem da frigideira por cima.

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Aprendendo a harmonizar

12 de outubro de 2011 0

Uma das atividades do curso de sommelier do Senac-RS é compreender de que forma pode se dar a perfeita harmonização entre comida e bebida. Assim, participamos, meus colegas e eu, de um jantar idealizado pelo chef Sander Beschorner e executado pelos estudantes de gastronomia André Renck, André Medeiros, Biba Retamozo, Luiz Augusto e Rosa Elizabeth. No quesito sommelierie, o responsável foi ninguém menos do que o professor Cristiano Ribeiro.

A arte da harmonização | Foto: Rafael Lorenzato

A arte da harmonização | Foto: Rafael Lorenzato

Essa foi a segunda ocasião em que tivemos a oportunidade de trabalhar com a questão da harmonização. Contudo, no primeiro jantar, preparado pelo chef Mamadou Sène, a proposta não era exatamente realizar a tarefa a rigor, mas, sim, experimentar as sensações proporcionadas pela degustação simultânea de cada prato com alguns vinhos selecionados, para apreender de que forma se dão essas interações gastronômicas.

Já com o paladar melhor preparado, partimos para o segundo jantar. Nesse, a ideia de Sander foi ofertar pratos com muito sabor e texturas, com o fim de criar um desafio na hora da harmonização. Assim, brincou com os diversos elementos gustativos, através de preparações que mesclavam o doce, amargo, salgado e ácido.

Endívias: amargor pungente | Foto: Rafael Lorenzato

Endívias: amargor pungente | Foto: Rafael Lorenzato

De entrada, então, foram servidas Endives au beurre de speculoos – endívias acompanhadas de manteiga composta, bananas salteadas e finas bolachas de canela –, acompanhadas do Sauvignon Blanc Taipa Vigneto 2011 da Cave Pericó. Bem amarga, a endívia, mesmo misturada a outros ingredientes adocicados, sobrepujou a bebida, que precisava ter um pouco mais de persistência, álcool e estrutura. Contudo, a combinação entre o doce, o amargo e o ácido do prato foi aceitável, balanceando bem o frescor e o frutado do vinho com os sabores do prato.

Nagê de camarão e vieiras | Foto: Rafael Lorenzato

Nagê de camarão e vieiras | Foto: Rafael Lorenzato

O segundo prato, Crevettes et pétoncles au nauge sauce vanille – nagê de camarão e vieiras ao molho de baunilha – era leve e bem neutro, com exceção do molho, que dava vida a todos os demais ingredientes. Combinando por justaposição, o Don Guerino Reserva Victoria Chardonnay 2011, com passagem por barris de carvalho, trabalhou em conjunto com a preparação, oferecendo sensações semelhantes de acidez, doçura e untuosidade.

Na sequência, tivemos um Filet Wellington a la sauce Godard – filé mignon ao molho Godard, servido com cebolas glaceadas e aspargos salteados –, junto de um Província de São Pedro Cabernet Saugignon da safra de 2010. O vinho, com um toque bem marcante de frutas vermelhas maduras, de excelente acidez e aroma frutado, harmonizou bem com o prato por contraposição, à exceção do aspargo, cuja combinação não funcionou muito. Mas vale a pena ressaltar o fato de que toda literatura especializada em enogastronomia é categórica em afirmar que o aspargo é, realmente, um elemento de difícil harmonização.

Aspargos dificultam a harmonização | Foto: Rafael Lorenzato

Aspargos dificultam a harmonização | Foto: Rafael Lorenzato

Além disso, o molho, feito à base de espumante, deu um tom adocicado à preparação, mesclado à neutralidade da massa de brioche que envolvia a carne. Essa, por sua vez, ganhou um toque forte, salgado, quando aliada ao presunto cru, que também compunha a receita, marcando bastante presença no paladar. O vinho, nesse caso, trabalhou “limpando” a boca para a próxima garfada. Contudo, foi possível perceber a persistência das sensações gustativas tanto do prato quanto do vinho mesmo passado um tempo após a refeição, em uma harmonização bem-sucedida.

A sobremesa, um Mousse au fruits de la passion et chocolate – musse de maracujá com flores servido em tartelete de chocolate –, veio acompanhada do vinho Quinta de Baldias, um Porto Branco. A alcoolicidade da bebida (19,5%), aliada à sua doçura, mas com um pouco de acidez, casou muito bem com a estrutura do prato, que mesclava a também acidez no maracujá com a untuosidade da massa de tartelete de cacau. Outras opções poderiam ter sido um vinho de colheita tardia ou até mesmo uma espumante, que sempre cai bem. Para atenuar o doce desse porto, a temperatura de serviço foi de 11ºC.

Que tal provar um pedacinho dessa experiência enogastronômica na sua casa? Segue a receita da sobremesa chef Sander Beschorner.

Mousse au fruits de la passion et chocolate

Tartelete de chocolate com musse de maracujá | Foto: Rafael Lorenzato

Tartelete de chocolate com musse de maracujá | Foto: Rafael Lorenzato

Musse de maracujá
500ml de creme de leite fresco;
3 gemas;
150g de açúcar refinado;
125ml de suco de maracujá concentrado;
1 clara de ovo em neve;
1 maracujá fresco.

Pâte Sucrée de chocolate
230g de farinha de trigo;
20g de cacau escuro;
140g de manteiga sem sal;
80g de Açúcar de confeiteiro;
2g de sal;
1 ovo.

Decoração
Flores comestíveis
Calda de maracujá feita com o suco e as sementes da fruta, reduzida em baixa temperatura com um pouco de açúcar

Modo de Preparo:

Musse
Bata o creme de leite fresco até o ponto chantilly e reserve. Em fogo baixo, reduza o suco de maracujá com o açúcar e deixe esfriar. Em seguida, bata as gemas com 100g de açúcar na batedeira até que espume bastante. Quando estiver pronto, misture à nata batida. Para finalizar o musse, bata as claras em neve e misture tudo.

Tartelete
Faça uma sablage (farinha + cacau + manteiga gelada) até formar uma farofa. A seguir, incorpore sal, açúcar de confeiteiro e ovo, misturando até formar uma massa compacta. Amasse levemente até que a massa fique lisa, mas não sove demais, para não modificar a textura da preparação. Leve ao freezer por 30 minutos para descansar em um saco plástico. Após, é só abrir a massa – a melhor forma é fazer isso com ela no meio de dois plásticos – e coloque em formas com fundo removível para assar. Em forno pré-aquecido, deve ficar pronto em 20, 30 minutos.

Montagem
Cobrir as tarteletes, depois de frias, com o musse de maracujá misturado a pétalas de flores comestíveis. Levar para gelar, decorar a gosto e servir com calda de maracujá e flores.

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Que tal degustar um espumante tinto e um tinto com uva branca?

10 de outubro de 2011 0

Em uma tarde de degustação, esta primeira dica veio da sommelier Iáscara Marques, que é a espumante argentina Gemma, da região de Mendoza, da Bodega Pokrajac. Feita com uva malbec, o que é um grande diferencial, a espumante tem um visual muito bonito, uma bela cor clarete e uma perlage bem fina e elegante.

Espumante mostra uma bela cor tinta | Foto: Rafael Lorenzato

Espumante mostra uma bela cor tinta | Foto: Rafael Lorenzato

No nariz, apresenta aroma de flores, frutas vermelhas maduras e um toque de especiarias. Já no paladar, é bem refrescante, frutada e com uma excelente acidez. Custa em média R$79,00 e, como quase todo espumante, é de fácil harmonização, combinando perfeitamente com um risoto de amêndoas – leve e básico, mas delicioso.

Na sequência, degustamos o tinto Las Perdices 2010, dica do colega de sommelierie André Chesini. Também produzido em Mendoza, na Argentina, o vinho tem uma mescla diferente para a região: 93% Syrah e 7% Viognier. Esse é, inclusive, um corte típico da AOC (do francês, designação de origem controlada) Côte-Rôtie, na França, que, segundo especialistas, quebra um pouco a tanicidade do Syrah e confere toques frutados e almiscarados à bebida.

O Las Perdices apresentava cor rubi e halos violáceos, além de um aroma com notas de framboesa, amora e especiarias. De taninos equilibrados, vinho era de média persistência, além de denotar um toque ácido e um frescor devido à presença da Viognier, que é uma uva branca. O preço médio do vinho é de R$ 55,00 no varejo.

Mais estruturado, esse vinho tinto já aceita a harmonização com pratos mais pesados, como carnes de caça, pratos elaborados com cocção lenta, e também com preparações aromatizadas com cogumelos. Uma boa pedida é um fettuccine ao molho de funghi, vinho tinto e ao perfume da noz moscada.

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Enogastronomia e inovação

22 de setembro de 2011 0

A Miolo Wine Group vai participar, na próxima segunda-feira, dia 26, de uma inusitada degustação on-line. O evento virtual é realizado pelo Winebar, projeto que promove ações com enoblogueiros Brasil afora. A novidade desta edição é que os consumidores também poderão participar, através da página do grupo no Facebook.

Carta Virtual de Vinhos do Hashi Art Cuisine | Crédito: Divulgação

Carta Virtual de Vinhos do Hashi Art Cuisine | Crédito: Divulgação

Na ocasião, serão provados os vinhos RAR Viognier de 2010 (Campos de Cima da Serra do RS) e o Quinta do Seival Castas Portuguesas de 2008 (Região da Campanha do RS). A degustação será conduzida direto do Vale dos Vinhedos pelo enólogo da Miolo, o português Miguel Almeida.

Seguindo a onda da inovação em enogastronomia, o chef Carlos Kristensen, do restaurante Hashi Art Cuisine, considerado um dos melhores de Porto Alegre, apresentará aos seus clientes a primeira e única carta de vinhos em iPad do Rio Grande do Sul. A nova plataforma, que já circula em renomados restaurantes do mundo, foi desenvolvida exclusivamente para o estabelecimento e está integrada à rede social WineTag.

Com o projeto, os consumidores do estabelecimento poderão selecionar o vinho que desejam degustar durante o seu jantar de forma interativa, usando dicas de harmonização e pegando a opinião de outros usuários da rede, informações não disponíveis nas cartas tradicionais de vinhos. Além disso, a carta pode ser ordenada de acordo com a vontade do cliente: tipo de uva, preço, país, região. Ao final do jantar, inclusive, os clientes podem deixar sua opinião para outros consumidores na rede.

Por falar em jantar harmonizado …

Galvão Bueno, Carlos Kristensen e Adriano Miolo | Crédito: Clleber Passus

Galvão Bueno, Carlos Kristensen e Adriano Miolo | Crédito: Clleber Passus

O apresentador de TV Galvão Bueno esteve em Porto Alegre na semana passada para um momento de enogastronomia no qual apresentou seus vinhos, produzidos em parceria com a vinícola Miolo, no restaurante Hashi, como eu já tinha comentado aqui nesse post. As estrelas da noite foram os vinhos Bueno Paralelo 31 e o espumante Bueno Cuveé Prestige, elaborados na Campanha gaúcha e no Vale dos Vinhedos.

O Paralelo 31, segundo Galvão, seria o resultado do sonho que ele sempre teve de “ter sua paixão representada dentro de uma garrafa”. A ideia do locutor seria chegar o mais próximo possível de um Bordeaux, famoso vinho francês, contudo, o enólogo Adriano Miolo substituiu a uva Cabernet Franc pela Petit Verdot, mantendo a Cabernet Sauvignon e a Merlot, para dar mais corpo ao vinho. “O Adriano me enganou, mas o vinho ficou melhor”, brincou Galvão Bueno.

Para completar a noite, o chef Kristensen serviu um jantar harmonizado aos vinhos da Miolo, começando por um Ceviche de linguado acompanhado do espumante Miolo Millésime; seguido de dois pratos principais, um Pirarucu em crosta de farofa de castanha do Pará com molho de azeitonas verdes e batatinha baby, ao lado do Chardonnay Miolo Cuvée Giuseppe; e um Cordeiro recheado com queijo colonial, cebola roxa confitada, risotinho de arroz vermelho, castanhas e passas, junto do Bueno Paralelo 31; e, para encerrar, um Crème Brûlée de goiaba com sorvete de queijo, harmonizado ao vinho fortificado Terranova Reserve Late Harvest, produzido pelo grupo no Vale do São Francisco.

Vale destacar que os pratos, perfeitamente executados, casaram muito bem com as bebidas selecionadas, resguardadas as proporções de gosto pessoal, é claro. Sobre o Paralelo 31, é um vinho interessante, no qual se destacam os aromas de fruta madura, e uma passagem marcante por barris de carvalho, se tornando, na minha modesta opinião, um vinho bem gastronômico. O preço médio gira em torno de R$75,00 a garrafa.

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