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Como degustar cervejas

02 de fevereiro de 2012 2

Degustar cervejas não é uma tarefa muito simples como se imagina. Ao contrário do vinho, cada estilo de cerveja requer, algumas vezes, preparos específicos, como o tipo de copo e até mesmo a forma de servir. Contudo, vale, para o degustador de cervejas, utilizar um copo padrão para se aventurar no universo de aromas e sabores dessa tão popular bebida.

Cerveja Red Ale artesanal | Foto: Rafael Lorenzato

Cerveja Red Ale artesanal | Foto: Rafael Lorenzato

Antes de começar, é importante definir o foco da degustação. É possível experimentar, em uma mesma ocasião, diferentes produtos de uma mesma marca, assim como se pode, também, e a experimentação é mais rica em termos de aprendizado, provar o mesmo estilo de cerveja, porém, de marcas diferentes. Um exemplo é conhecer, em um mesmo evento de degustação, diversas IPAs, cerveja que, atualmente, por seu caráter aromático, tem tido cada vez maior aceitação pelos consumidores brasileiros.

Outro ponto importante é a temperatura de serviço. Normalmente, cada fabricante indica, em seu rótulo, uma temperatura adequada ao produto e, em geral, quem seguir a recomendação do produtor tende a experimentar o que de melhor a cerveja tem a oferecer. Uma orientação padrão, porém, é procurar servir as ales – cervejas de alta fermentação – entre 7°C e 16°C e as lagers – cervejas de baixa fermentação – entre 4°C e 7°C, lembrando que, quanto mais gelada a cerveja estiver, menor será a percepção de aromas, e que uma cerveja quente pode se tornar intragável. Gelar o copo, porém, é uma heresia para uma boa cerveja.

Em termos de aparência, avalia-se a cor da bebida, que pode ir do amarelo-palha ao preto-opaco, conforme a escala SRM. Para o degustador moderno, uma dica: há aplicativos para celular que trazem essa tabela e facilitam na hora de definir qual a cor da cerveja que se está experimentando. Mais importante que a cor é a transparência, que indica se a bebida foi filtrada ou não. Cervejas artesanais, por exemplo, costumam não ser filtradas e apresentar uma turbidez natural. Já uma cerveja filtrada industrial, se apresentar turbidez, pode ser sinônimo de defeito.

Classificação de cores SRM | Imagem: Divulgação

Classificação de cores SRM | Imagem: Divulgação

Outro fator relevante é a espuma. Mais do que estético, o famoso colarinho é resultado da quantidade de carbonatação (CO²) e tem a função primordial de manter as sensações aromáticas, gustativas e a cremosidade da cerveja. Além disso, ajuda a manter o gás, o que deixa o produto com uma maior refrescância. Um colarinho persistente e bolhas de gás mais delicadas – a exemplo de uma perlage fina, se estivéssemos falando de espumantes – representam qualidade na cerveja.

Feita a análise visual da cerveja, é preciso partir para a olfativa. Como muitos dos aromas da cerveja são facilmente volatizados, é importante percebê-los logo que a bebida é servida, através de fortes aspirações próximas à borda do copo. Essa primeira análise é a que oferece uma maior riqueza de resultado. À medida em que a espuma vai baixando, é necessário voltar a dar atenção aos aromas, uma vez que o colarinho mascara algumas sensações no nariz. É claro que, para perceber aromas, assim como no vinho, é preciso treinar o nariz, assim como é importante que o ambiente em que se está degustando esteja livre de odores, para não influenciar na apreciação.

Alguns toques aromáticos são provenientes do malte, outros do lúpulo, e outros ainda vêm de ingredientes acrescentados ao mosto durante a fervura da cerveja, como casca de laranja, coentro, dentre outros. É importante, então, separar essas sensações, procurando categorizá-las de acordo com a origem. Dessa forma, teremos toques que podem lembrar o malte; outros, a levedura utilizada; e também notas de tostado, especiarias como cravo; frutas, como banana ou maracujá; e assim por diante, tudo dependendo das características que o cervejeiro quer impor ao seu produto final. Há, também, os off-flavours, que são os odores desagradáveis que podem ser encontrados na bebida, como papelão, sabão, antibiótico, por exemplo, provenientes de erros durante o processo de elaboração da cerveja.

Gustativamente, a cerveja oferece inúmeras sensações. Logicamente, o primeiro gole é o mais importante, e também o melhor para a apreciação da bebida. É recomendado ingerir uma quantidade suficiente para preencher toda a boca, para, então, manter a bebida em contato com a língua por alguns segundos, para que as papilas gustativas possam receber a informação de forma mais precisa. Nessa fase, também é avaliado o corpo da cerveja, através da análise da sua viscosidade, podendo a bebida ser leve ou encorpada, e também são percebidos elementos como acidez e adstringência.

Nesse momento que se deve buscar entender a harmonia da cerveja, levando em consideração a quantidade de malte, de lúpulo, sua carbonatação e alcoolicidade. Não existe padrão de certo ou errado, o importante é a cerveja ter equilíbrio.

Depois de engolir, deve-se perceber as sensações do fim de boca, ou seja, o retrogosto. São elas que definem o tom exato de amargor e doçura; de refrescância e adstringência;  de picância e acidez. Ou seja, definem a chamada drinkability, que nada mais é do que a vontade de beber a mesma cerveja novamente.

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O ápice da degustação de um vinho - ou dois, ou três...

04 de outubro de 2011 0

Ainda falando sobre análise sensorial, alcançamos o ápice de uma degustação no momento em que o vinho chega à boca. Nela, ele pode marcar uma presença sutil, representar uma explosão de sabores ou mesmo trazer alguma decepção.

Será que o vinho sempre traduz na boca o que a aparência passa? | Foto: Rafael Lorenzato

Será que o vinho sempre traduz na boca o que a aparência passa? | Foto: Rafael Lorenzato

O ideal é colocar uma pequena quantidade de vinho na boca, movimentá-lo lentamente e permitir que ele “passeie” pelas regiões gustativas da língua. Essa é a hora em que se percebe o doce, o ácido, o amargo, o salgado; e é quando podemos analisar se o vinho é macio, harmônico, qual é a sua alcoolicidade (a partir da presença dos açúcares); se ele é tânico, se exprime mineralidade. Ligada à natureza da uva, a presença de sais minerais, e também a sapidez, proveniente da influência marítima, são características tradicionais dos vinhos brancos, por exemplo, e colaboram para definir sua “coluna vertebral”.

Os taninos, responsáveis pela estrutura do vinho, são apenas alguns dos polifenóis presentes na bebida. Há também os antocianos e o resveratrol – ao qual se atribuem os benefícios daquela clássica tacinha diária de vinho. Apesar da interação desses polifenóis representar bastante para o resultado final do vinho, é o conteúdo dos taninos que interfere mais fortemente no paladar.

É ele, inclusive, que traz aquela sensação de adstringência na boca, produzida na degustação de alguns vinhos. Isso acontece porque ele coagula as proteínas da saliva, fazendo com que a boca “trave”. Nativos da casca da uva, os taninos acumulam-se na maturação e influenciam diversos fatores como teor alcoólico e PH do vinho, dentre outros.

Uma vez na boca, então, o vinho permite diversas interpretações. É possível avaliar, por exemplo, se ele corresponde às características de cor e aroma já verificadas anteriormente. E é agora que se enxergam fatores como corpo, equilíbrio, intensidade e persistência.

Um vinho pode ser estruturado ou leve em termos de corpo. Pode, também, ser pesado, ou mesmo fraco. Isso se verifica a partir da forma como se relacionam os elementos açúcares, álcool, acidez, taninos, sapidez e mineralidade. Já o equilíbrio se observa a partir da maciez ou da dureza da bebida. Pode ser pouco equilibrado, equilibrado ou até desequilibrado.

A intensidade do vinho, expressa pelos primeiros sabores percebidos durante a degustação, dura poucos segundos na boca. Nessa análise inicial, deve ser verificada a força com que a maciez, a acidez, os taninos e os sais minerais se comportam. Se são fortes em um primeiro ataque, se persistem. Em termos de intensidade, um vinho pode ser forte, bom, discreto, fraco ou insuficiente.

É comum termos vinhos jovens mais intensos do que os velhos, que, com o tempo, tendem a se apresentar mais elegantes e persistentes. Mas isso é tudo uma questão de análise, porque tudo interfere no comportamento da bebida. Ao contrário da intensidade, que é o primeiro impacto gustativo, a persistência é o tempo em que o gosto do vinho permanece na boca. Ela pode ser curta, média e longa, e denota a complexidade e a sutileza da bebida.

Após a análise inicial de um vinho, resta saber se seu retrogosto, também chamado de “fim de boca” traz um resultado positivo. Para fazer essa retro-olfação, que consiste no processo inverso da respiração, é preciso expelir o oxigênio pelo nariz, o que permite que os aromas se fixem e que o degustador entenda a harmonia da bebida.

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Treinando o olfato

19 de setembro de 2011 0
Mercados Públicos são templos de aromas | Crédito: Stock Photos

Mercados Públicos são templos de aromas | Crédito: Stock Photos

Como vimos nesse post, para fazer a identificação dos aromas é necessário para o degustador treinar o olfato. A dica do colega do curso de sommelierie e chef Marcus Jiorge dos Santos é pegar um elemento característico de vinhos, como uma ameixa madura, por exemplo, e apenas sentir seu aroma, sem prová-la, por três dias consecutivos. Depois, por mais três dias, caso seja possível, deve-se experimentar a ameixa para associar olfato e paladar, estimulando e consolidando, dessa forma, as memórias olfativa e gustativa.

Eis alguns aromas que vale a pena testar – alguns são bem comuns, outros, porém, exóticos: amêndoas; baunilha; café; caixa de charuto e ponta de lápis; canela; chocolate; couro; creme Nívea; curry; espinafre em pó ou erva-mate; folha de tomate; flores; frutas amarelas, como melão e pêssego; frutas vermelhas, “confitadas” ou ao natural; gengibre; lichia; maçã verde; mel; noz moscada; pão tostado; pimenta do reino branca moída; pimenta do reino preta moída; pimentão verde; terra; vinagre; zimbro; dentre outros tantos. É claro que não é indicado experimentar gustativamente caixas de charuto, pontas de lápis, couro ou terra.

Além disso, sempre vale a pena “degustar” os aromas dos mercados públicos Brasil afora. Não sinta vergonha: meta literalmente o nariz nos cestos!

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Sentindo o vinho pelo nariz

16 de setembro de 2011 0

Após o exame visual, esta segunda parte da degustação analítica de um vinho envolve o nariz. Antes de mais nada, é preciso respirar o vinho de perto, sentir seus aromas, adentrar o copo e conhecer suas características. O objetivo não é inventar interpretações, mas, sim, identificar os aromas, que podem ser inusitados, como uma sensação de creme Nívea, no caso da Gewurztraminer, ou agradáveis, como o toque de frutas vermelhas de uma Pinot Noir.

Reconhecendo o vinho pelo aroma | Crédito: Stock Photos

Reconhecendo o vinho pelo aroma | Crédito: Stock Photos

O objetivo não é apenas realizar um descritivo aromático, mas, após muito treino, ser capaz de “ler” um vinho através da olfação. Identificar, portanto, em qual região e clima a videira se desenvolveu; se o vinho estagiou por barris de madeira – como os de carvalho, que deixam um toque de baunilha e tostado no vinho –; quais as castas que compõem a bebida. Alguns sommeliers e enófilos são capazes até de identificar todos os dados de um vinho inclusive em uma degustação às cegas, e mesmo antes de experimentar a bebida.

Nessa deliciosa tarefa de identificação, o degustador poderá se deparar com a evolução do vinho, já que esse pode apresentar – dependendo do tipo de vinho e seu envelhecimento – aromas primários, secundários e terciários. Os primários são oriundos da variedade de uva com a qual a bebida foi criada, como um Chardonnay, por exemplo, e seu toque de fruta cítrica. Já os secundários demonstram o lado da elaboração do vinho, como amadurecimento em barris de carvalho. E, por último, os aromas terciários, que são os mais complexos, resultam do envelhecimento do vinho na garrafa ao longo dos anos.

Intensidade e persistência aromática

Outro fator importante durante a olfação é verificar a intensidade e a persistência aromática do vinho. Enquanto a primeira reflete a força com a qual o perfume da bebida chega ao nariz, a segunda diz respeito ao tempo em que ainda se é possível perceber esses aromas com a taça já está afastada.

Ambas as características podem se apresentar fortes, normais ou fracas – o que, diga-se de passagem, não significa que um vinho discreto aromaticamente seja ruim. Um vinho pode, inclusive, não apresentar nenhum aroma, sendo, então, considerado insuficiente olfativamente. Ligada à complexidade dos aromas, uma boa persistência geralmente pode se desenvolver durante as etapas de olfação.

A fruta na taça

Ao fazer a olfação da vinho, o degustador poderá encontrar detalhes que o levem a conhecer a maturidade da fruta quando colhida. Essências adocicadas de flores e de frutas vermelhas em quantidade farta são normais em vinhos colhidos quando a uva atinge seu estado pleno. Ou, ainda, se muito doce, o perfume de frutas e flores pode ser sinônimo de uma colheita um pouco tardia ou mesmo de um verão muito quente. Por outro lado, se a estação foi chuvosa ou a uva colhida antes do tempo, o vinho pode apresentar um toque de fruta verde.

A presença da madeira

Nem todo vinho passa por barris de madeira, contudo, o degustador de olfato apurado consegue descobrir quais passaram e, muitas vezes, saber as características do barril. Vários elementos são testados, como a qualidade e a origem do carvalho; o tipo de tostagem – a técnica de tostagem com ar muito quente, por exemplo, deixa mais sutil a presença da madeira no vinho; a duração aproximada; e, por fim, a qualidade que essa etapa trouxe ao vinho. Vale lembrar que existem vinícolas que criam o toque de carvalho através de chips, que nada mais são do que lascas de madeira que sobram de barris, ou até mesmo da serragem do carvalho, mas que não colaboram para dar elegância ao vinho.

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A bad chardonnay

05 de setembro de 2011 0
Chardonnay estragado | Crédito: Rafael Lorenzato

Chardonnay estragado | Crédito: Rafael Lorenzato

Como tinha colocado neste post sobre cores, aqui tem uma foto de um chardonnay estragado que a colega do Curso de Sommelier no Senac-RS, Georgina Rosa, trouxe para a aula como exemplo de um vinho que passou do tempo. A cor da bebida, já uma mescla entre ouro e âmbar, seria o primeiro indício de seu defeito, confirmado pelo cheiro ocre que exalava na taça.

É uma pena, quem sabe quais seriam os aromas que esse vinho guardava?

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Ainda no olhar

23 de agosto de 2011 0
A análise visual busca desconstruir o vinho. Crédito: Weheartit

A análise visual busca desconstruir o vinho. Crédito: Weheartit

Para completar a análise visual do vinho, o degustador observa, além das cores, os halos, a limpidez, o material corante e, por fim, a fluidez da bebida, fazendo uma espécie de desconstrução da bebida.

Halos

Os halos, que são os anéis luminosos que circundam a taça, demonstram, de acordo com a escala cromática, o estado de evolução do vinho. Para verificá-los de forma ideal, é necessário inclinar a taça até o líquido ficar na borda – próximo de derramar – e verificar as características de cor e tamanho.

Nos vinhos brancos, os jovens são verde-prateado e os envelhecidos alaranjados, do acobreado ao marrom; entre os dois, matizes de palha a topázio. Já os rosés se apresentam, quando jovens, como rosa-claro e violáceos; se muito envelhecidos, casca de cebola e laranja; entre os dois estágios, do pálido ao clarete. Os tintos, por sua vez, têm tonalidades negras, azuis e violáceas quando jovens; terracota, alaranjadas e marrons, quando muito envelhecidos; e, entre os dois, do púrpura ao tijolo.

Limpidez e material corante

A limpidez permite ao degustador verificar se houve ou não falhas no processo de vinificação, além, é claro, de avaliar a pureza e a idade do vinho. Portanto, um exemplar tinto jovem é brilhante, enquanto, com a maturidade, torna-se mais opaco, mas nunca terá o mesmo aspecto de um branco jovem de qualidade, que muito provavelmente apresentará um brilho excepcional.

É importante verificar se o vinho, quando jovem, está coberto com partículas em suspensão ou possui depósito de tartarato branco no fundo da taça, pois isso representa falha durante a vinificação. Contudo, alguns depósitos provenientes de vinhos
envelhecidos ou não filtrados são aceitáveis.

Os vinhos brancos e rosés se apresentam do brilhante; passando pelo cristalino, quando apresentam menor luminosidade; ao límpido, que já denota, em brancos jovens, problemas de filtragem. Contudo, um branco envelhecido pode ser límpido, ou ainda pouco límpido, sem que isso afete sua credibilidade. A caracterização dos vinhos tintos é um pouco diferente, pois eles iniciam no seu melhor estágio como límpidos, podendo chegar a turvos, quando já aparecem as possibilidades de erro na vinificação.

Outro ponto relevante é a transparência do vinho, medida através da análise da quantidade de material corante presente na bebida. Vinhos brancos, quanto mais envelhecem, mais perdem a transparência; já com os tintos é o contrário: quanto mais velhos, mais transparentes.

Fluidez

Durante a análise sensorial, é preciso observar também a fluidez de um vinho, que pode ser percebida ao agitar-se levemente a taça já inclinada e aguardar que a bebida escorra pela laterais. Popularmente conhecida como as “lágrimas do vinho”, as arquetes, quando em grande quantidade, revelam maior alcoolicidade, e, quando escorrem lentamente, significam que a bebida é mais densa.

Aventure-se! Faça uma degustação visual e conte aqui no blog como foi.

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Conhecendo o vinho pelo olhar

18 de agosto de 2011 2

Como já comentei anteriormente, a degustação começa pela contemplação da bebida pelo sommelier. Ou seja, no olhar. Através desse primeiro contato, o profissional pode apreender diversas características do vinho para começar a compor sua análise.

Vinhos possuem diversas nuances de cor | Crédito: WeHeartIt

Vinhos possuem diversas nuances de cor | Crédito: WeHeartIt

É importante ressaltar que a avaliação deve sempre se dar sob as mesmas condições, pois o que está sendo avaliado, em todas as etapas, não é o gosto do sommelier, mas, sim, a capacidade daquela bebida de corresponder ao que se propõe. Um vinho que se classifica como Merlot, por exemplo, deve ter as características dessa casta, podendo, é claro, variar em alguns aspectos, mas sem perder sua essência.

Dessa forma, com a taça na mão e uma boa iluminação – a luz natural é considerada a melhor, contudo, como é mais difícil de controlá-la, é normalmente utilizada uma fonte artificial incandescente –, o primeiro passo é examinar o vinho visualmente. Buscar distinguir, após uma leve inclinação da taça, elementos como a cor, o brilho, e o comportamento do vinho no recipiente, para, através desse perscrutamento, ter indícios da idade, corpo, limpidez, viscosidade, acidez, efervescência – importante no caso dos espumantes –, alcoolicidade, adstringência e castas que formam a composição.

Uma análise visual detalhada pode, também, ajudar o sommelier a entender como aconteceu a produção do vinho. Ou seja, se a safra enfrentou excesso de chuva ou de sol, a região em que foi produzida, e mesmo as temperaturas às quais foi exposta.

As cores do vinho

Os vinhos são divididos em brancos, rosés e tintos. Nos brancos, a coloração pode variar de amarelo-esverdeado a amarelo-âmbar, passando por amarelo-palha e amarelo-dourado.

Vinhos de tonalidade amarelo-esverdeado são geralmente muito jovens e feitos a partir de uvas colhidas antes de sua maturação completa; equilibrados, porém, mais ácidos do que macios, são ligeiros na boca. Esses vinhos costumam ter perda significativa de suas características já a partir do primeiro ano de vida.

Diferentemente, os vinhos que se apresentam como amarelo-palha são normalmente feitos com uvas colhidas na maturação plena, com uma boa proporção de açúcar e, portanto, com um bom equilíbrio entre acidez e maciez.

Nesta linha evolutiva, em seguida temos os vinhos amarelo-dourado, elaborados com uvas bem maduras e, consequentemente, mais macios do que ácidos. Contudo, tal coloração também pode ser proveniente do amadurecimento da bebida em barris de carvalho. Se opaca, a cor pode denotar oxidação do vinho.

Finalmente, os vinhos brancos amarelo-âmbar são, na maioria das vezes, fortificados e bem mais macios do que ácidos. Entretanto, nos secos, a tonalidade pode representar que a bebida está estragada.

Vinhos brancos, do amarelo-âmbar ao amarelo-esverdeado | Crédito: Colour Lovers

Vinhos brancos, do amarelo-âmbar ao amarelo-esverdeado | Crédito: Colour Lovers

Com os tintos, a classificação varia do vermelho-púrpura ao vermelho-alaranjado. Vinhos muito jovens se apresentam normalmente na cor púrpuravioláceo –, têm menos luminosidade e um equilíbrio entre acidez, tanicidade e maciez, pendendo para os dois primeiros.

Já os vinhos vermelho-rubi variam de jovens a prontos, em termos de maturidade, e são equilibrados em acidez, taninos e maciez. Em seguida, a evolução do vinho o deixa com a cor vermelho-granada, que representa certo envelhecimento, no qual o equilíbrio se dá mais para a maciez.

E, por fim, o vermelho-alaranjado é um exemplar que passou por grande envelhecimento, se apresentando ainda mais macio do que ácido ou tânico. Quando essa coloração aparece em vinhos jovens, pode significar que há algo de errado com a bebida.

Paleta com as cores dos vinhos tintos | Crédito: Colour Lovers

Paleta com as cores dos vinhos tintos | Crédito: Colour Lovers

Os rosés, vinhos normalmente degustados ainda jovens, são divididos em rosa tênue, rosa intenso e clarete. Os rosa tênue – da tonalidade da flor de pessegueiro – são obtidos de uvas pouco maceradas ou de pouca cor, como a Pinot Grigio. Pode apresentar reflexos violáceos na juventude, ou semelhantes aos da casca da cebola.

Já o rosa intenso possui matiz semelhante à da cereja ou à do salmão, com reflexos que podem variar entre violáceo e alaranjado, de acordo com o envelhecimento do vinho. A última classificação do rosé é a clarete, que muitas vezes se assemelha a um vinho tinto um pouco mais fraco e com tonalidade rosada. Ele perde suas características de frescor em aproximadamente dois anos.

Vinhos rosés, do rosa tênue ao clarete | Crédito: Colour Lovers

Vinhos rosés, do rosa tênue ao clarete | Crédito: Colour Lovers

Vale levar em consideração que há elementos subjetivos na análise de um vinho, além do fato de que as cores podem se mesclar, oferecendo uma enorme gama de nuances, que, com o tempo e com a prática, o sommelier consegue decodificar com mais facilidade.

Buenas, é com uma taça na mão e muito vinho na cabeça que o degustador desenvolve suas habilidades.

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A arte da degustação

17 de agosto de 2011 0

A degustação acontece em quatro estágios: análise, descrição, julgamento e classificação. Isso significa que, antes de mais nada, é preciso o sommelier desenvolver seu “arsenal” comparativo para poder analisar e julgar os produtos que tiver a oportunidade de experimentar.

Taça iso, um padrão na degustação | Crédito: Divulgação, Senac-RS

Taça iso, um padrão na degustação | Crédito: Divulgação, Senac-RS

Da mesma forma, é importante estar sempre treinando seus sentidos, afinal, a avaliação de uma bebida passa por uma análise sensorial profunda, em diversas fases, e exige do degustador que seus sentidos estejam aguçados o suficiente para que ele possa classificar o produto de forma fidedigna. E isso não quer dizer gostar ou não da bebida, significa reconhecer se, dentro do que se propõe, aquele produto alcança suas metas e corresponde a um resultado correto dentro de um processo que o sommelier deve, também, procurar saber qual foi.

Mais tecnicamente falando, a análise de um vinho através dos sentidos passa pelo olhar, pelo olfato, e, logicamente, pelo paladar. Há diversos fatores a serem considerados, que são:

O olhar: a cor, os halos, a limpidez, o material corante, a fluidez e a efervescência.

O nariz: na primeira olfação, deve-se verificar a evolução dos aromas, a intensidade, a persistência, a maturidade da fruta e o estágio em madeira; enquanto na segunda, responsável pelos aromas secundários, percebem-se as características do bouquet e as famílias dos aromas.

A boca: em termos de paladar, temos três fases analíticas. Na primeira delas, que representa os primeiros instantes assim que se prova o vinho, podem ser percebidos elementos de maciez, os açúcares, o álcool, a dureza, a acidez, os taninos, a sapidez e a mineralidade. Após, verifica-e a presença na boca, o corpo, o equilíbrio, a intensidade e a persistência. E, finalmente, a avaliação final, o fim de boca, a harmonia e a evolução da bebida no paladar.

Pela quantidade de elementos relacionados para a avaliação de um vinho é que, como eu já havia dito no post anterior, um sommelier deve estudar, estudar e estudar. E como este é um dos objetivos deste blog, seguirei esmiuçando o tema nos textos que se seguem, nos quais pretendo falar de olhar, olfato e paladar na degustação.

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