Às vésperas das festas de final de ano, há quem ainda não tenha escolhido com qual espumante brindar no Natal e no Réveillon. Em caso de dúvida, vale lembrar que, apesar do apelo dos importados, os espumantes feitos no Rio Grande do Sul são de qualidade reconhecida internacionalmente.
No Estado, os brancos e rosados são vinificados com Chardonnay e/ou Pinot Noir como variedades principais e com a uva Riesling Itálico para complementação do corte. Essa composição é, inclusive, exigência da Indicação de Procedência (IP) recentemente alcançada pela região do Vale dos Vinhedos, em vigor até o registro da Denominação de Origem (DO) que está em processo de outorga pelo INPI. É claro que outras uvas são utilizadas para a produção de espumantes, como, por exemplo, este com Malbec.
Além do tipo de uva utilizado, há outros fatores que influenciam no produto final espumante. O principal deles é o método de espumatização. Há essencialmente duas formas de se executar esse processo. O Charmat, que pode ser curto ou longo, constitui-se em um processo relativamente mais simples e menos custoso, mas nem por isso é necessariamente sinônimo de menor qualidade. Através dele, inclusive, obtém-se um vinho mais frutado, de maior frescor, e muitas vezes mais fácil ao paladar. É o processo no qual a tomada de espuma é feita em autoclaves, ou seja, barris de inox.

Este espumante Don Giovanni está sem licor de expedição ou conservantes; direto das caves, transmite complexidade e elegância em um produto natural | Foto: Rafael Lorenzato
Já o método Clássico, Tradicional ou Champenoise é um processo mais trabalhoso, mas que resulta em vinhos mais complexos e de perlages mais firmes. Os espumantes fabricados dessa forma revelam, também, mais fragrâncias, com prevalência de perfumes terciários, o que já não ocorre com o Charmat. Isso se dá porque a bebida feita pelo método tradicional tem sua segunda fermentação, a tomada de espuma, na própria garrafa, tendo mais contato com as leveduras, responsáveis por compor o sabor da bebida. Quanto mais longo for esse contato, mais elegantes serão os aromas e sabores do espumante.
Claro que o principal em um espumante é o chamado vinho-base. Feito especificamente para virar espumante, tem por principal e proposital característica a forte acidez, que, durante a autólise, se perde, aos poucos. Dessa forma, uma boa safra tende a gerar um produto de qualidade. Inclusive, espumantes não são safradas, exceto aqueles com muita elegância, pois, ao criar o produto, o enólogo faz um blend de diversas safras. Um detalhe interessante: o Chardonnay é um dos vinhos-base mais utilizados porque, ao longo do tempo de envelhecimento, é o responsável pelos aromas mais elegantes dos espumantes.
Em recente viagem realizada através do Senac-RS e guiada pelo enólogo Felipe Bebber, tive a oportunidade de conferir que as vinícolas gaúchas têm investido pesado em tecnologia, ressaltando a Domno – braço da Casa Valduga para produção de espumantes do tipo Charmat –, que utiliza um filtro tangencial (cujo custo aproximado é de 800 mil reais) para reduzir a quantidade de SO² na bebida. Esse conservante é o responsável pela dor de cabeça em um dia de ressaca, assim, com essa inovação, a vinícola consegue vinificar um produto mais natural. Outro exemplo é a Cave Geisse, pioneira no uso de ar quente nos vinhedos, muito utilizado no Chile, eliminando, assim, a necessidade do uso de agrotóxicos.
Quem ainda não escolheu o seu espumante, pode ainda pesquisar mais sobre a bebida aqui no Epifania Etílica. Aproveitando, deixo as notas de degustação dos espumantes que experimentei nessa viagem: Leia mais »
















