Você já teve a oportunidade de experimentar um vinho da região de Borgonha, na França? Das uvas utilizadas para vinificação na região – de terroir único, que, muda praticamente de "metro a metro" –, podemos destacar quatro tipos: a Aligoté, utilizada para borgonhas brancos; a Gamay, que produz tintos leves; além da branca Chardonnay e da tinta Pinot Noir, responsáveis pela fama da região.
Em Borgonha, além das Apelações de Origem (AOCs) sobre as quais eu já falei nesse post, os vinhos ainda podem ser qualificados pelas denominações Genéricas, Subregionais e Comunais, ou seja, caracterizações de rótulo que servem para diferenciar um vinho do outro em termos de uva, produção, qualidade. Os vinhos Premier Cru ou Grand Cru, por exemplo, são bebidas produzidas em terroirs específicos, com características exclusivas – "cru", inclusive, significa "terra".
Das subregiões borgonhesas, convém destacar Chablis, famosa por produzir clássicos vinhos brancos com Chardonnay. Beaujolais também é uma zona de produção importante, que vinifica com a uva Gamay, sendo a apelação mais famosa o Beaujolais Noveau – vendido no mundo inteiro no mesmo dia, sempre na terceira quinta-feira de novembro, uma jogada de marketing bem interessante.
Alguns vinhos borgonheses que degustei
O Chablis Vieilles Vignes 2009, da vinícola Alain Geoffroy, se destaca por ser produzido com vinhas de mais de 45 anos. Com teor alcoólico de 12,5%, o vinho apresenta cor amarelo-palha com reflexos dourados, provavelmente pela passagem da bebida por barris de carvalho francês, além de ser bem brilhante. No nariz, a mineralidade rouba a cena, evocando sensações de terra molhada e areia de praia, que são contrabalanceadas por aromas picantes e herbáceos, tudo muito intenso, mesmo que separadamente.
Na boca, o vinho possui acidez marcante, mas não excessiva, e muito frescor, refletindo a mineralidade da olfação, acrescida de um toque salgado. É, sobretudo, um vinho persistente, que harmoniza perfeitamente com ostras e outros frutos do mar. No varejo, custa em média R$120,00 – investimento certamente acertado.
Outra opção é o tinto um pouco translúcido Maison Coquard Beaujolais Villages Les 38 Villages 2010, de cor vermelho-violáceo. Com aromas de frutas silvestres, groselha e notas lácteas que lembram iogurte de frutas vermelhas, o vinho, no paladar, tem uma boa acidez, sendo levemente frisante no final; com toques frutados e bastante frescor. É uma bebida que trabalha muito bem com entradas, petiscos e refeições leves, ou serve mesmo para ser degustada em dias quentes. Para tanto, basta pagar "módicos" R$90,00.
Para fechar, o ótimo Louis Jadot Couvent Des Jacobins 2007, um Pinot Noir de Appellation Bourgogne Contrôlée (AOC) com teor alcoólico de 12,5% e preço de R$130,00 que, pela qualidade, vale a pena despender. Com um belo visual granada e reflexos rubis, o vinho, no nariz, possui aromas de frutas vermelhas silvestres, terra molhada e um toque de especiaria defumada.
Na boca, tem um primeiro ataque ácido, mas discreto; um toque metálico e um fim de boca um pouco amargo. Contudo, mostra bastante frescor, é bem intenso e de longa persistência. Para quem nunca provou, pode parecer um vinho "difícil" no início, mas, à medida em que o paladar vai se acostumando, a elegância da Pinot da região da Borgonha recompensa o esforço. Harmoniza bem com pato, aves de caça e carnes vermelhas.







